O Judiciário do Irã anunciou, nesta semana, várias execuções ligadas aos distúrbios dos últimos meses, como parte de uma campanha contra aqueles acusados de tentar "criar divisões" durante a guerra com os Estados Unidos.
O órgão oficial de notícias do Judiciário anunciou, na quarta-feira, a execução de Mehdi Khanaki, identificado como um "elemento ativo de um grupo terrorista" e preso durante protestos em todo o país em janeiro.
A televisão estatal exibiu imagens de forças de segurança invadindo uma casa em Karaj, perto de Teerã, onde teriam sido encontradas várias pistolas, munições e explosivos. Um "tribunal revolucionário" da cidade o julgou por "ação operacional em favor do regime sionista, dos Estados Unidos e de grupos hostis", entre outras acusações.
No domingo, outros dois homens foram executados em conexão com um processo envolvendo 16 réus, decorrente de protestos violentos em Isfahan, no centro do Irã, em 8 de janeiro. As autoridades afirmaram que os homens participaram da morte de vários policiais, mas ativistas sediados no exterior contestaram a versão oficial, alegando falta de devido processo legal e o uso de tortura.
Os protestos começaram em 28 de dezembro passado, no centro de Teerã, devido a questões econômicas, mas rapidamente se transformaram em manifestações de frustração contra o establishment em todo o país, assim como em ondas anteriores de protestos.
As autoridades classificam os distúrbios — durante os quais milhares de pessoas foram mortas em todo o país, principalmente nas noites de 8 e 9 de janeiro — como um "golpe" orquestrado pelos EUA e por Israel.
Elas também rejeitam as conclusões da Anistia Internacional e de outras organizações internacionais de direitos humanos de que as forças de segurança realizaram "assassinatos ilegais em massa numa escala sem precedentes" durante um corte total da internet e das comunicações.
A TV estatal também transmite periodicamente "confissões" de pessoas presas ou executadas sob essas acusações.
A mais recente foi ao ar na segunda-feira, quando um jovem, com o rosto desfocado, apareceu dizendo que havia publicado *stories* no Instagram opondo-se à República Islâmica durante a guerra atual. A polícia de Teerã afirmou que o homem não identificado divulgou online "conteúdo que viola normas e é contrário à pátria", numa tentativa de "prejudicar a segurança psicológica da sociedade". “Cometi um erro e não o repetirei. Agora tenho certeza de que todos nós devemos nos unir para construir o Irã; ninguém mais tem o direito de cometer uma agressão contra o nosso país”, disse ele.

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