Jihadistas e seus aliados separatistas tuaregues lutam entre si pelo controle de acampamento no norte do Mali


 Jihadistas e seus aliados separatistas tuaregues combatiam entre si, nesta segunda-feira, no norte do Mali, pelo controle do importante acampamento de Anefis, onde paramilitares russos e a junta militar do país estão entrincheirados.




Os jihadistas do JNIM — grupo ligado à Al-Qaeda — e os separatistas tuaregues da FLA lançaram ataques coordenados na região no sábado, pouco mais de dois meses após outra grande ofensiva na qual capturaram a cidade estratégica de Kidal, no norte, e mataram o ministro da Defesa do Mali.

A FLA reivindicou o controle de Anefis no sábado; a localidade é crucial para garantir o domínio sobre Kidal, situada a cerca de 100 quilômetros de distância.









Paramilitares russos do "Africa Corps" e alguns soldados malineses ainda permanecem dentro do acampamento, e os combates continuavam na manhã de segunda-feira, segundo o exército.

"Esta manhã, os rebeldes e seus aliados do JNIM dispararam projéteis contra o acampamento onde os combatentes russos do Africa Corps e os soldados do exército malinês estão entrincheirados. Na noite passada, relatos indicaram que os russos utilizaram drones kamikaze", disse uma fonte de segurança à AFP.

Reforços da FLA chegaram a Anefis na manhã de segunda-feira em dezenas de veículos armados, informou uma autoridade local eleita à AFP.

Reforços da FLA chegaram a Anefis na manhã de segunda-feira em dezenas de veículos armados, informou uma autoridade local eleita à AFP.


Reforços do exército malinês, que haviam partido da cidade de Gao (mais ao sul) no domingo, foram forçados a recuar após serem atacados pela FLA, disse outra fonte de segurança à AFP.

"Entre cinco e oito veículos militares" foram destruídos na emboscada, segundo o Wamaps, um coletivo de jornalistas da África Ocidental especializados em questões de segurança no Sahel.

No domingo, a União Africana declarou que "condena veementemente os ataques terroristas coordenados" e reiterou sua "total solidariedade" ao governo de Bamako e ao povo malinês.

"Estes ataques são um lembrete contundente de que o terrorismo e o extremismo violento continuam a representar uma grave ameaça para o Mali, para o Sahel e para o continente africano como um todo", afirmou o presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf.

Desde os golpes de 2020 e 2021, o Mali é governado pelos militares. Os líderes da junta haviam prometido restaurar a calma na vasta nação desértica, que enfrenta uma crise de segurança desde 2012, mas, até o momento, não conseguiram cumprir essa promessa na maior parte.

Em uma ofensiva conjunta realizada em abril, a FLA (Frente de Libertação de Azawad), de etnia tuaregue, e o JNIM (Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos) tomaram Kidal — cidade que havia sido ocupada em novembro de 2023 pelo exército do Mali e por combatentes aliados do Grupo Wagner, a força mercenária russa agora substituída pelo Africa Corps.

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