A batalha pelo Maasai Mara: será possível salvar o ecossistema mais icônico do Quênia?

 Disputas judiciais envolvendo novos *lodges* levantaram questões sobre a proteção de um dos maiores espetáculos da vida selvagem na África.

O Maasai Mara, a reserva de vida selvagem mais famosa do Quênia, é um dos destinos de safári mais conhecidos do continente. Todos os anos, centenas de milhares de visitantes viajam para a reserva, gerando milhões de dólares para a economia queniana e sustentando empregos, empresas e comunidades locais.



No entanto, à medida que acampamentos e *lodges* de luxo se espalham pela reserva, crescem as preocupações com o custo ambiental do turismo. Defensores da conservação alertam que o desenvolvimento desenfreado está prejudicando habitats de vida selvagem e ameaçando um dos maiores espetáculos naturais do mundo: a migração anual de gnus, zebras e gazelas entre o Parque Nacional do Serengeti, na Tanzânia, e a Reserva Nacional Maasai Mara, no Quênia.

O futuro do Maasai Mara é objeto de crescente disputa judicial. Grupos de conservação entraram com várias ações contestando a construção e a expansão de acampamentos turísticos dentro e ao redor da reserva, argumentando que alguns empreendimentos foram aprovados sem salvaguardas ambientais adequadas.

A petição mais recente, apresentada pela East Africa Law Society, Natural Justice, JustAct e Africa Centre for Peace and Human Rights, busca liminares para interromper a construção e a expansão de instalações de hospedagem na Reserva Nacional Maasai Mara até que o caso seja julgado.



A ação cita a Ritz-Carlton Hotel Company, a Marriott International, a Lazizi Mara Limited, o governo do Condado de Narok, a Autoridade Nacional de Gestão Ambiental (NEMA), o Procurador-Geral, o Kenya Wildlife Service (KWS), a The Safari Collection Ltd e a Minor Hotels Ltd.

Documentos judiciais apresentados pelo advogado Gichohi Waweru contestam a construção e a operação do Ritz-Carlton Maasai Mara Safari Camp, alegando que o empreendimento foi erguido em uma zona ecológica protegida, apesar de uma moratória de 2023 sobre novas acomodações turísticas em áreas sensíveis da reserva, estabelecida pelo Plano de Gestão do Maasai Mara 2023-32.

A petição também alega que o acampamento não possui uma licença válida de avaliação de impacto ambiental e está localizado em um corredor fundamental para a migração dos gnus.

Os autores da ação solicitam uma auditoria de todos os *lodges* situados em zonas protegidas, alertando que o desenvolvimento contínuo pode causar danos irreversíveis ao ecossistema do Mara. A batalha judicial tornou-se um teste para saber se o Quênia consegue equilibrar a conservação com o turismo, um dos setores econômicos mais importantes do país.

Kelvin Kubai, advogado que atua na Alta Corte do Quênia, disse à Al Jazeera que o turismo nunca deve ocorrer em detrimento da vida selvagem e do meio ambiente.

"Quando os interesses da vida selvagem e da natureza entram em conflito com o turismo, os direitos da natureza prevalecem. Qualquer interação entre turistas, animais selvagens e o meio ambiente não deve ocorrer em prejuízo dos animais. Os direitos dos seres humanos em Mara não estão acima dos direitos dos animais e da natureza", afirmou ele.



Todos os anos, mais de um milhão de gnus, zebras e gazelas deslocam-se entre o Serengeti e o Maasai Mara em busca de pastagens frescas. A migração sustenta predadores, atrai visitantes de todo o mundo e desempenha um papel crucial na manutenção da saúde do ecossistema.

No entanto, o Quênia tem registrado um declínio significativo no número de gnus que realizam a jornada até o Maasai Mara. Especialistas em conservação afirmam que obras, tráfego de veículos e atividades humanas próximas às rotas migratórias estão perturbando os deslocamentos dos animais e exercendo pressão adicional sobre a vida selvagem, já afetada pelas mudanças climáticas.

Segundo um levantamento da vida selvagem realizado pelo governo queniano — cujos resultados foram divulgados após trabalho de campo conduzido entre junho de 2024 e agosto de 2025 —, as populações de várias espécies, incluindo leões, búfalos, antílopes-hirola e gnus, sofreram quedas acentuadas. O número de gnus caiu de 58.000 para 34.200 entre 2023 e 2025.

Dados científicos divulgados no início de 2026 mostraram que o número de gnus que utilizam uma das principais rotas migratórias no ecossistema de Greater Mara caiu quase 90% em apenas cinco anos.

A pressão decorrente do desenvolvimento do turismo tornou-se uma preocupação central. Apesar da moratória de 2023 sobre novas acomodações turísticas em áreas sensíveis da reserva, especialistas em conservação relatam que novos acampamentos continuam a surgir, enquanto instalações já existentes buscam expandir suas operações.

A moratória foi instituída para conter o desenvolvimento excessivo, reduzir a pressão sobre os habitats da vida selvagem e proteger corredores migratórios, mas ambientalistas argumentam que a fiscalização tem sido insuficiente.

Samwel Odhiambo, ativista climático e fundador da organização comunitária *Climate Awareness Defenders*, disse à Al Jazeera que a conservação deve prevalecer sobre os interesses comerciais.



“O governo precisa conter investidores que não se importam realmente com a conservação, pois todos têm responsabilidade para com o meio ambiente e os animais. O que vemos hoje é resultado de empreendimentos motivados pelo lucro, a ponto de se construírem pousadas nas margens dos rios — muito perto dos animais — e em rotas migratórias, afetando especialmente as fêmeas, que perdem seus habitats de reprodução e criação de filhotes.”

Odhiambo defendeu que o mesmo nível de proteção ambiental aplicado ao litoral do Quênia fosse estendido à região de Mara.

“O litoral do Quênia, por vezes, gera mais receita turística do que Maasai Mara, mas não se veem empreendedores construindo na praia ou dentro da água”, afirmou.

Mapas publicados em dezembro de 2025 por ecologistas do Smithsonian National Zoo and Conservation Biology Institute, no *Atlas of Ungulate Migration* (Atlas da Migração de Ungulados), revelaram que as rotas migratórias que sustentavam mais de 100.000 gnus até 2020 agora abrigam menos de 30.000.

O relatório estimou que a população de gnus, que variava entre 120.000 e 150.000 na década de 1970, caiu para cerca de 26.700 em 2024. A expansão de assentamentos e a instalação de cercas nas planícies de Loita e no norte das planícies de Mara restringiram severamente a migração, confinando os rebanhos sobreviventes a um mosaico de áreas de conservação que cercam a reserva.

Embora esses números provenham de diferentes levantamentos de vida selvagem e estudos de migração, todos apontam para um declínio acentuado no número e nos deslocamentos de gnus em todo o ecossistema de Greater Mara.

Há décadas, Maasai Mara é o principal destino turístico do Quênia, gerando bilhões de xelins anualmente e sustentando milhares de empregos — desde guias de safári e funcionários de hotéis até operadores de transporte, vendedores de artesanato e comunidades Maasai.

No entanto, conservacionistas e analistas de turismo alertam que o desenvolvimento excessivo pode começar a comprometer a própria indústria que depende da vida selvagem e das paisagens naturais da reserva.

Operadores de turismo afirmam que a superlotação, o aumento das taxas de entrada no parque e a crescente concorrência de outros destinos regionais tornaram o mercado de safáris mais competitivo. Grupos de conservação argumentam que a perda contínua de habitat e a pressão sobre os corredores de vida selvagem podem reduzir ainda mais o apelo de Mara para visitantes que buscam natureza intocada e vida selvagem abundante.

"Maasai Mara é um dos maiores ativos econômicos do Quênia e uma importante fonte de divisas, mas o Condado de Narok depende excessivamente dele para gerar receita. Se as populações de animais selvagens diminuírem devido ao desenvolvimento excessivo, a demanda turística acabará caindo. O modelo de áreas de conservação ajudará ao proteger corredores de vida selvagem e limitar o número de visitantes, mas requer uma fiscalização mais rigorosa. O crescimento futuro do turismo deve ser orientado por limites ecológicos, e não pela demanda comercial, para que Mara permaneça ambientalmente saudável e economicamente sustentável", disse Kebuchi.

Para os conservacionistas, as disputas judiciais envolvem muito mais do que apenas um acampamento de luxo. Elas podem determinar se o Quênia está disposto a impor limites ecológicos em uma das paisagens mais célebres da África.

À medida que a batalha jurídica se desenrola, a questão é se Maasai Mara conseguirá permanecer, ao mesmo tempo, um ecossistema de vida selvagem próspero e uma fonte sustentável de meios de subsistência e receita turística.

"O crescimento futuro do turismo deve ser orientado por limites ecológicos, e não pela demanda comercial, para que Mara permaneça ambientalmente saudável e economicamente sustentável", disse Kebuchi.

Perdas militares do Irã levam oposição curda iraniana a considerar uma ofensiva terrestre

 Grupos de oposição curda iraniana afirmam que os recentes ataques dos EUA contra alvos militares no noroeste do país infligiram perdas significativas ao governo iraniano, potencialmente criando uma brecha para um levante armado.


Figuras da oposição curda iraniana disseram à MBN que a concentração dos ataques dos EUA nos últimos dias em posições do regime no noroeste do Irã pode facilitar o lançamento de uma campanha terrestre contra as forças iranianas, envolvendo combatentes curdos.

As fontes disseram que os últimos ataques dos EUA causaram pesadas perdas ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) e sua infraestrutura em áreas predominantemente curdas do oeste do Irã.

O Comando Central dos EUA disse ter realizado uma intensa onda de ataques de duas horas na madrugada de quinta-feira, visando dezenas de instalações do CGRI, incluindo centros de comando militar, instalações de mísseis e drones, posições de vigilância e defesa costeira e capacidades navais.

Os ataques ocorreram dias depois da diminuição dos combates e seguiram o que Washington classificou como uma tentativa surpresa do CGRI de atacar forças americanas na Jordânia. A televisão estatal iraniana informou na manhã de quinta-feira que as forças armadas dos EUA realizaram ataques aéreos perto da fronteira com o Iraque, no noroeste do Irã.

A emissora afirmou que a cidade de Piranshahr, na província do Azerbaijão Ocidental, foi alvo de ataques americanos.

A agência de notícias semioficial iraniana Fars informou que os ataques na província do Azerbaijão Ocidental não causaram vítimas nem danos materiais, pois atingiram uma área desabitada.

A mídia estatal iraniana também informou que três pessoas morreram em ataques americanos na ilha de Qeshm.

Expectativas Curdas

Uma figura importante de um dos partidos de oposição curda do Irã disse à MBN que a intensificação dos ataques americanos contra bases e quartéis-generais da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) no noroeste do Irã sinaliza “uma mudança para a preparação do terreno para uma esperada operação terrestre contra o regime iraniano”.



O representante da oposição curda afirmou que as crescentes fragilidades militares e de segurança do Irã podem facilitar o início de “uma revolta armada nessas áreas, que poderia se espalhar para outras cidades”.

O Irã não divulgou a extensão de suas perdas militares. O representante da oposição afirmou que os ataques aéreos dos EUA e de Israel, desde o início da guerra em 28 de fevereiro, destruíram mais de 60% da infraestrutura militar e de segurança do Irã em regiões predominantemente curdas. A MBN não conseguiu verificar essa afirmação de forma independente.

Os curdos representam cerca de 10% da população do Irã e estão concentrados nas províncias do noroeste do Curdistão, Kermanshah, Azerbaijão Ocidental e Ilam. Ativistas curdos há muito reclamam de discriminação e marginalização política sob o governo iraniano. Vários partidos de oposição curdos iranianos estão sediados na região do Curdistão iraquiano.

Khalil Nadari, porta-voz do Partido da Liberdade do Curdistão, da oposição, disse à MBN que os ataques dos EUA contra a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e a infraestrutura militar do Irã eram “extremamente importantes”.

“Eles removem grandes obstáculos do nosso caminho se avançarmos para libertar nossas terras do regime”, disse ele. “Mas esses ataques devem continuar até que todas as instalações e bases da IRGC sejam destruídas.” Nadari afirmou que as forças curdas estavam preparadas para confrontar o governo iraniano caso recebessem apoio internacional, o qual, segundo ele, deveria incluir impedir que a Turquia realizasse ações militares contra elas.

O presidente Donald Trump enviou sinais contraditórios no início da guerra sobre um possível papel dos combatentes curdos em uma campanha terrestre contra o Irã. No sexto dia do conflito, Trump disse acreditar que um ataque de combatentes curdos iranianos baseados no Iraque seria “uma ótima coisa”. Dois dias depois, no entanto, ele mudou de ideia, dizendo: “Não estamos buscando envolver os curdos. Descartei essa opção.”

Preparando-se para a escalada

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) recentemente redistribuiu suas forças pelo noroeste do Irã, realocando posições e concentrando armas, mísseis e drones em cidades curdas, transformando-as efetivamente em zonas militares.

O Tabnak, um veículo de notícias próximo à Assembleia de Especialistas do Irã, publicou imagens de vídeo mostrando exercícios militares em áreas montanhosas e vales em regiões de maioria curda no noroeste do Irã.



Farzin Karbasi, um analista político curdo iraniano radicado na região do Curdistão iraquiano, afirmou: "Os curdos fazem parte desta guerra, quer queiram ou não."

"Um confronto militar com o regime iraniano é inevitável", disse ele. "A República Islâmica está se aproximando do seu fim, e é por isso que está tentando destruir tudo ao seu redor e eliminar seus oponentes."

Apesar da escala dos recentes ataques dos EUA, Karbasi disse que mais ataques eram necessários contra as bases da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) em áreas de maioria curda, argumentando que muitas instalações militares ainda não haviam sido alvejadas.

Ele disse que esperava o surgimento de uma insurgência armada liderada por partidos curdos no noroeste do Irã se o governo continuasse seus ataques contra as comunidades curdas.

Jamil Ahmadi, um ativista político da oposição curda radicado na Europa, disse à MBN que os curdos sediados na Região do Curdistão iraquiano poderiam avançar militarmente para as áreas curdas do Irã e aproveitar a oportunidade para confrontar o governo, liderando, ao mesmo tempo, um levante popular mais amplo.

Ele afirmou que esses partidos também buscavam responder a críticas de apoiadores e membros que acreditavam que eles haviam deixado passar a chance de capitalizar sobre o conflito anterior de 40 dias agindo contra o governo iraniano.

Ahmadi disse que os partidos curdos ainda não haviam recebido garantias internacionais em troca de um confronto com Teerã. Por enquanto, segundo ele, eles permaneciam concentrados em proteger a si mesmos e aos civis — tanto dentro quanto fora do Irã — dos ataques iranianos em curso.

Desde o início do conflito, o Irã lançou centenas de ataques contra as sedes e os acampamentos de grupos de oposição curdos iranianos na Região do Curdistão iraquiano, sendo a cidade de Erbil a que mais sofreu com os bombardeios.

Comandantes naturais de Camarões no Boko Haram estão ampliando o alcance de ações do grupo terrorista/jihadista

 A crescente dependência do Boko Haram em relação aos seus líderes camaroneses está alimentando ataques no país e fortalecendo a resiliência do grupo.











Pesquisas do Instituto de Estudos de Segurança (ISS) mostram que o Boko Haram está nomeando um número crescente de combatentes camaroneses para cargos de chefia. Esses comandantes desempenham um papel ativo na resiliência do grupo, proporcionando acesso a recursos locais e informações sobre alvos para ataques e extorsão.

Essa tendência acompanha uma mudança na localização dos ataques realizados pelas duas facções do grupo extremista: o Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP) e o Jama’tu Ahlis Sunna Lidda’awati wal-Jihad (JAS). Segundo a ACLED, em 2025, o maior número de incidentes ocorreu na região do Extremo Norte de Camarões, em comparação com as outras sete regiões afetadas na Bacia do Lago Chade: os estados nigerianos de Borno, Adamawa e Yobe; as províncias de Lac e Hadjer-Lamis, no Chade; a região Norte de Camarões; e Diffa, no Níger.

O elevado número de ataques no Extremo Norte decorre da estratégia de expansão territorial do ISWAP. Combatentes de origem camaronesa recebem uma parcela de poder para viabilizar ataques contra pessoas e propriedades em território camaronês.


Esses líderes conseguem influenciar a tomada de decisões internas e as operações em solo camaronês. Com seu conhecimento direto do contexto local, eles podem planejar e coordenar ataques em sua própria região, recrutar combatentes e garantir apoio logístico a partir de Camarões.

Pesquisas do ISS indicam que, sob a liderança desses comandantes, foram registrados 714 ataques do Boko Haram em 2025 e 227 entre janeiro e junho de 2026.

As regiões fronteiriças de Camarões são de grande interesse tanto para o ISWAP quanto para o JAS. Encurralados na Nigéria pelas ofensivas militares contínuas do exército — incluindo ataques aéreos —, os grupos armados encontram refúgio em áreas remotas ao longo da fronteira entre a Nigéria e Camarões.

Eles saqueiam comunidades camaronesas próximas e lavam recursos provenientes de atividades terroristas. O gado roubado na Nigéria, por exemplo, é geralmente vendido nos mercados de fronteira de Camarões. O intenso comércio transfronteiriço proporciona ao ISWAP e à JAS acesso fácil a suprimentos essenciais, como alimentos, roupas, medicamentos e combustível. Quanto mais áreas eles conseguem acessar para obter recursos, mais resilientes se tornam, utilizando combatentes locais como batedores.

Líderes camaroneses desempenham agora papéis fundamentais nas atividades do Boko Haram. Em nível estratégico, um conselheiro especial responsável pelos assuntos de Camarões atua ao lado de Ali Ngulde, o segundo no comando da JAS. Em nível tático, há pelo menos cinco *qaids* (comandantes) camaroneses entre Ngoshé e Sambisa, na Nigéria, responsáveis ​​por mobilizar cerca de 1.000 combatentes em solo nas regiões de Mayo-Sava e Mayo-Tsanaga, no Extremo Norte de Camarões.


Os *qaids* comandam cerca de 400 combatentes. Entre seus pontos fortes estão o domínio de idiomas locais e o conhecimento profundo da região, o que viabiliza operações quase diárias do Boko Haram. Esses comandantes selecionam combatentes de patentes inferiores de suas próprias áreas para atuarem como seus adjuntos; eles lideram operações envolvendo de 50 a 100 combatentes em vilarejos camaroneses.

O ISWAP encarregou Abu Zara, um camaronês de Mayo-Sava, de estabelecer uma célula perto do Parque Nacional de Waza, no Extremo Norte. Essa é uma ameaça significativa. Ela pode levar à perda de controle territorial por parte do governo, ao aumento da vulnerabilidade dos corredores de fronteira e ao deslocamento populacional.


O avanço do ISWAP em direção a Mayo-Sava precisa ser contido. O governo de Camarões necessita de uma estratégia direcionada para desmobilizar esses líderes terroristas, valendo-se de redes familiares ou comunitárias. Isso reduziria a ameaça do Boko Haram em Camarões e desestimularia o recrutamento de camaroneses pelo grupo. Membros das comunidades afetadas conseguem identificar os combatentes — geralmente jovens locais — responsáveis ​​por ataques em suas terras. Suas famílias e amigos no vilarejo são conhecidos, e muitos moradores mantêm contato com combatentes do Boko Haram. Membros da comunidade poderiam promover a conscientização, incentivar a desmobilização e atuar como mediadores. Um programa de deserção mais formal poderia oferecer incentivos financeiros e capacitação profissional, contando com forte envolvimento das comunidades locais. A "Operação Sulhu", da Nigéria, serve de exemplo. Lançado em 2019 pelo Serviço de Segurança do Estado nigeriano, o programa — mantido longe dos olhos do público — visa incentivar comandantes de alto escalão do Boko Haram a abandonar o grupo. Isso levou a deserções em massa, enfraquecendo as capacidades operacionais do grupo e incentivando ex-combatentes a aderir a campos de reabilitação.

Uma iniciativa semelhante poderia reduzir as atrocidades do Boko Haram em Camarões, especialmente porque há menos combatentes camaroneses do que nigerianos no ISWAP e no JAS. Além disso, comandantes nigerianos ocupam os cargos de liderança máxima de ambas as facções e detêm o monopólio de recursos financeiros, espólios de guerra e suprimentos. Eles priorizam seus próprios interesses em detrimento dos interesses dos líderes camaroneses na linha de frente, o que poderia incentivar estes últimos a se renderem.


O epicentro do conflito é Borno, no nordeste da Nigéria; é por isso que a maior parte de redutos do Boko Haram seencontram lá.. A região do Extremo Norte de Camarões situa-se na periferia de Borno. Ao visar alguns indivíduos específicos — os líderes do Boko Haram no Extremo Norte —, é possível romper a conexão entre a periferia e o centro. Operações militares e serviços de inteligência devem visar sistematicamente os principais líderes camaroneses para desestabilizar a estrutura descentralizada do grupo. Igualmente importante é a reorganização do programa de desarmamento, desmobilização e reintegração já existente em Camarões. O programa enfrenta dificuldades para alcançar resultados ideais devido a deficiências processuais, programáticas e de infraestrutura. Além disso, carece de incentivos para a rendição, não concentra esforços nos líderes do Boko Haram e atribui um papel limitado às partes interessadas das comunidades afetadas.

É preciso impedir que o Boko Haram confira maiores responsabilidades aos combatentes camaroneses, fortaleça as redes terroristas no país e realize mais ataques no norte de Camarões.

Exército do Iêmen afirma que vários combatentes houthis foram mortos ou feridos em ataque na província de Taiz

 


Forças governamentais mataram e feriram vários combatentes houthis na segunda-feira durante um ataque na província de Taiz, no sudoeste do país, enquanto um soldado morreu em confrontos separados, informaram os militares.

A 35ª Brigada Blindada informou que disparos de artilharia atingiram um veículo militar houthi no momento em que combatentes tentavam se infiltrar na área de Al-Saila, a sudeste de Taiz.


"Vários membros da milícia houthi foram mortos ou feridos" no ataque, declarou a brigada em um comunicado no Facebook, sem especificar o número exato de baixas.

Paralelamente, o centro de mídia do Eixo Militar de Taiz informou que um soldado morreu em confrontos com combatentes houthis no distrito de Jabal Habashi, a oeste de Taiz.

Não houve comentários por parte dos houthis sobre o ocorrido.


No domingo, o exército havia informado que cinco combatentes houthis morreram durante uma tentativa "fracassada" de infiltração no monte estratégico Jabal Han, a oeste da cidade de Taiz.

Apesar de uma relativa calmaria desde abril de 2022, confrontos esporádicos continuam ocorrendo entre as forças governamentais e os houthis, que controlam a capital, Sanaa, e outras partes do Iêmen desde setembro de 2014.


Os combates se intensificaram em várias frentes desde o início de julho, marcando a escalada mais letal desde 2022 e deixando dezenas de combatentes mortos e feridos em ambos os lados.

Em 25 de julho, a coalizão liderada pela Arábia Saudita — que apoia o governo do Iêmen reconhecido internacionalmente — anunciou ataques aéreos contra posições houthis na província de Al Hudaydah e na ilha de Kamaran, no oeste do Iêmen, pela primeira vez desde 2022.

No mesmo dia, os houthis afirmaram ter atacado locais e instalações dentro da Arábia Saudita utilizando drones.

Somália: Al-Shabaab reivindica tomada de vilarejo estratégico no centro do país

 


O Al-Shabaab afirmou, na segunda-feira, ter tomado o vilarejo estratégico de Teedaan, na região de Hiiraan, no centro da Somália, após dois dias de combates contra tropas do governo e milícias de clãs aliados.

Em um comunicado divulgado por meio de seus canais de mídia, o grupo militante islâmico disse ter expulsado as forças do governo somali da área durante confrontos no sábado e no domingo, além de ter capturado armas, veículos militares e outros equipamentos.


O grupo também alegou ter matado 41 soldados do governo e combatentes locais aliados — incluindo oficiais — e afirmou ter apreendido um veículo do tipo "technical" (caminhonete armada) equipado com uma arma antiaérea, juntamente com outros suprimentos militares.


O Al-Shabaab acrescentou que parte das baixas resultou de um atentado suicida que, segundo o grupo, ocorreu a cerca de cinco quilômetros de Teedaan durante os combates.

As alegações não puderam ser verificadas de forma independente, e o governo federal somali e as autoridades militares não comentaram de imediato os confrontos relatados ou as afirmações do grupo.

Os combates fazem parte de confrontos em curso entre as forças do governo somali — apoiadas por combatentes aliados do clã Ma'awisley em Hiiraan — e o Al-Shabaab, que intensificou ataques em partes do centro da Somália, apesar das operações militares contínuas contra o grupo.

Teedaan é considerada uma localidade estratégica no leste de Hiiraan, conectando as regiões de Hiiraan, Shabelle Central e Galgaduud. O controle da área pode afetar a movimentação de forças militares e suprimentos entre essas três regiões.

Níger : Soldados nigerinos foram mortos em um ataque do grupo terrorista Boko Haram no sudeste do país


 O ataque ocorreu na sexta-feira perto de N'Guigmi, uma cidade com forte presença militar situada na região pantanosa do Lago Chade — área compartilhada também pela Nigéria, Camarões e Chade, onde o Boko Haram mantém vários acampamentos.

 Detalhes do Ataque

Alvo: Forças de segurança que operam na bacia do Lago Chade.

Baixas: Moradores locais relataram a morte de 10 soldados, além de quatro membros da Guarda Nacional.

Resposta Militar: As Forças Armadas do Níger realizaram uma varredura na região e neutralizaram sete terroristas durante os confrontos.

Confirmação Oficial: A Agência de Informação do Níger (ANP) confirmou o ataque e as mortes, e o governador de Diffa, general Mahamadou Ibrahim, compareceu a N'Guigmi para acompanhar o sepultamento dos militares

A cidade de N'Guigmi fica na área pantanosa do Lago Chade, uma zona de fronteira convergente entre o Níger, Nigéria, Camarões e Chade. O local abriga múltiplos acampamentos do Boko Haram e sofre com a violência insurgente desde que o conflito se espalhou da Nigéria em 2015. A instabilidade na região de Diffa é agravada pela crise humanitária, acolhendo cerca de 300 mil refugiados e deslocados internos



Principais Ações de Retaliação e Defesa

Varredura Terrestre: Tropas do Níger realizam incursões na bacia pantanosa do Lago Chade para destruir acampamentos satélites do Boko Haram.

Bloqueio de Contrabando: Forças de segurança interceptaram um grande carregamento de armas ao norte de N'Guigmi destinado a Bakura, um dos líderes de facções locais.

Aumento da Pressão Operacional: Ordens diretas exigem neutralização imediata de insurgentes ao menor sinal de infiltração nas bases, eliminando burocracias de aprovação tática.

As rotas de tráfico de armas vindas da Líbia têm sido o principal combustível para a instabilidade em todo o Sahel, abastecendo diretamente grupos como o Boko Haram no Níger e na Nigéria, além do Estado Islâmico (ISSP).

Após o colapso do regime líbio em 2011, vastos arsenais ficaram sem vigilância, transformando o sul da Líbia em um mercado aberto de armas que escoam em direção ao sul através do deserto do Saara. O fluxo é altamente adaptável e utiliza antigas rotas comerciais transarianas



O Corredor Principal e Pontos de Entrada no Níger

A Rota do Passe de Salvador: 

Localizado na tríplice fronteira entre Níger, Líbia e Argélia, o Passe de Salvador é um ponto geográfico crítico. Comboios em veículos 4x4 cruzam essa área desértica isolada para evitar sistemas de vigilância eletrônica e patrulhas

O Eixo Central (Agadez): 

Uma vez dentro do território do Níger, os traficantes movem o armamento em direção a Agadez (o coração logístico do deserto nigerino). Dali, os carregamentos são divididos: uma parte segue para o oeste (Mali/Burkina Faso) e outra desce para o sul.

O Eixo Oriental (Dirkou - Diffa): 

Armas destinadas especificamente ao Boko Haram e ao ISWAP seguem pela rota leste, cruzando a área de Dirkou e descendo em direção à região de Diffa, Tasker (Zinder) e à bacia do Lago Chade



Logística e Modus Operandi

Camuflagem de Carga: O transporte é feito por redes criminosas transnacionais ou por comunidades nômades militarizadas (como os Tubus e Tuaregues). As armas leves e munições costumam ser escondidas sob mercadorias legítimas, alimentos ou combustíveis em caminhões e caminhonetes.

Disponibilidade e Custos: Autoridades e analistas de segurança da região apontam que a proliferação atingiu níveis epidêmicos, com armas sendo vendidas informalmente de forma banalizada devido ao imenso estoque disponível no sudoeste líbio.



A Disputa pelo Controle das Rotas (O Cenário Atual)

O controle desses corredores informais virou alvo de uma guerra de poder no deserto:

Ofensivas do Clã Haftar: Sob o comando de Saddam Haftar (filho do comandante líbio Khalifa Haftar), o Exército Nacional Líbio (LNA) tem lançado operações no sul da Líbia (região de Fezzan) para assumir o controle total e lucrar com as taxas cobradas pelo contrabando transfronteiriço.

Resistência das Milícias Locais: Grupos armados baseados na fronteira, como a facção liderada pelo comandante Mohammed Wardougou, travam combates diretos contra o exército líbio ao longo da linha de fronteira com o Níger e o Chade, tentando manter os bloqueios e taxas independentes sobre os carregamentos.Essa facilidade de reabastecimento logístico explica por que os grupos extremistas no Níger conseguem manter um alto poder de fogo, mesmo após sucessivas baixas contra as forças estatais.


EUA : Atirador abre fogo em restaurante de fast-food em Idaho e mata duas pessoas

 


Três pessoas morreram e outras sete ficaram feridas após um atirador abrir fogo em um restaurante da rede In-N-Out Burger, no estado americano de Idaho. O atirador estava entre os mortos após o ataque em Twin Falls, na tarde de sábado, informou o chefe de polícia Matthew Hicks.

"Acreditamos que a ameaça à comunidade tenha acabado", disse Hicks, acrescentando que o número total de vítimas ainda não estava claro e que os familiares estavam sendo notificados.


"Foi uma cena muito caótica", acrescentou ele.

Uma testemunha, Lane Koehn, contou que estava parado em um semáforo perto do restaurante quando viu uma pessoa armada com um fuzil (estilo AR) saindo da área de *drive-thru* e sendo alvo de disparos feitos por um homem com uma pistola.

Ele também viu um funcionário arrastar para um local seguro uma mulher que havia sido baleada no peito; lá, eles aguardaram a chegada dos paramédicos.

"Ela estava em estado grave, mas não sei dizer. Espero que ela tenha sobrevivido", disse Koehn.







O porta-voz da cidade, Josh Palmer, afirmou que os investigadores acreditam ter havido apenas um atirador e trabalham para identificá-lo e determinar se houve a participação de outras pessoas.

O senador de Idaho, Mike Crapo, disse estar "grato pela rápida resposta das equipes de emergência de Idaho".

Homem-bomba do Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP) mata 14 pessoas em frente a delegacia no vale de Swat, no Paquistão


 Um homem-bomba matou pelo menos 14 pessoas e feriu outras em frente a uma delegacia de polícia no vale de Swat, no Paquistão, atingindo uma multidão que havia se reunido para protestar. O atentado ocorreu na noite de domingo em Kabal, uma cidade do vale situada na província de Khyber Pakhtunkhwa, perto da fronteira com o Afeganistão.

Segundo o chefe de polícia do distrito de Swat (DPO), Umar Khan, o homem-bomba detonou explosivos depois que policiais tentaram pará-lo e revistá-lo na entrada da delegacia. O vice-inspetor-geral de polícia de Swat, Fida Hussain, informou que pelo menos 22 pessoas ficaram feridas. A explosão ocorreu nas proximidades de centenas de pessoas reunidas em um cruzamento próximo para exigir ações do governo contra a crescente violência na região. A explosão atingiu a multidão no momento em que o último orador discursava, fazendo com que moradores em pânico fugissem do local. Khan afirmou que as forças de segurança isolaram a área e iniciaram uma investigação.


Os feridos foram levados para um hospital na cidade vizinha de Saidu Sharif — alguns em estado crítico —, enquanto a polícia realizava uma operação de busca na região. O ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, condenou o ataque e divulgou um comunicado expressando condolências às famílias das vítimas fatais e desejando a rápida recuperação dos feridos. Os manifestantes haviam se reunido especificamente para condenar o ressurgimento de ataques violentos em Swat, um vale que se tornou reduto do Talibã paquistanês antes de uma ofensiva militar em 2009 expulsar o grupo da região.

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História : A lenda do 'Sawney Bean e seu clã de canibais' criada pelos ingleses para desumanizar, ridicularizar e estigmatizar os escoceses durante os conflitos jacobitas

 Sawney Bean e seu clã de canibais. 


Historiadores modernos apontam que a história foi criada pela imprensa inglesa no século XVIII como propaganda política para desumanizar, ridicularizar e estigmatizar os escoceses durante os conflitos jacobitas

A narrativa surgiu impressa pela primeira vez na Inglaterra em panfletos sensacionalistas e em catálogos criminais como o The Newgate Calendar por volta de 1740. A história continha elementos calculados para chocar o público:

O Cenário Selvagem: 

Alexander "Sawney" Bean e sua companheira teriam se isolado em uma caverna profunda na costa de Ayrshire (sudoeste da Escócia). O isolamento em uma caverna reforçava a ideia de que os escoceses viviam como "animais".

Incesto e Superpopulação: 

O casal viveu escondido por 25 anos e gerou uma linhagem incestuosa de 48 pessoas (entre filhos e netos).

O Canibalismo em Massa: 

Para sobreviver sem trabalhar, o clã emboscava viajantes nas estradas escuras. Eles assassinavam, esquartejavam, salgavam e devoravam as vítimas, totalizando mais de 1.000 pessoas mortas.

A Intervenção Real: 


O mito dizia que os crimes eram tão absurdos que o próprio rei Jaime VI da Escócia (Jaime I da Inglaterra) liderou um exército de 400 homens com cães de caça para capturá-los e executá-los brutalmente sem julgamento.

Por que os ingleses criaram o mito (A Motivação)





O século XVIII foi marcado pelas Rebeliões Jacobitas, uma série de revoltas militares em que os escoceses tentaram derrubar a coroa britânica para restaurar a dinastia Stuart ao trono. Para os ingleses, os escoceses eram uma ameaça militar real e constante. A lenda de Sawney Bean serviu como uma arma de guerra psicológica baseada em três pilares:

O uso de nomes pejorativos

O termo "Sawney" (uma abreviação de Alexander) era um apelido altamente depreciativo usado na Inglaterra da época para insultar qualquer escocês, equivalente a um estereótipo preconceituoso. Dar esse nome ao monstro canibal associava diretamente a identidade de todo o povo escocês à depravação.

Deslegitimação política através do Savage (Selvagem)

Historicamente, impérios e culturas dominantes usam acusações de canibalismo para justificar a colonização ou a opressão de outros povos. Ao retratar os escoceses das colinas como criaturas bárbaras que comiam carne humana e praticavam incesto, a imprensa inglesa passava a mensagem de que a Escócia era incapaz de se autogovernar e precisava do controle civilizatório da Inglaterra.

Ataque a heroínas locais


A lenda diz que a esposa de Sawney se chamava "Black Agnes". Historiadores apontam isso como uma clara tentativa de difamar a memória de Agnes Randolph, Condessa de Dunbar (também apelidada de Black Agnes), uma heroína escocesa real que, no século XIV, humilhou os ingleses ao defender com sucesso o Castelo de Dunbar contra um longo cerco militar.

3. As provas da falsidade histórica

Não há absolutamente nenhum registro histórico na Escócia sobre o caso.

Um crime dessa magnitude (mais de mil desaparecidos) com execução sumária ordenada pelo próprio rei geraria uma enorme quantidade de documentos oficiais, julgamentos públicos e cartas da época.

O silêncio total dos arquivos escoceses prova que a história foi inteiramente inventada a centenas de quilômetros dali, em Londres.


Confrontos entre a Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF) e o exército federal etíope eclodem em Tigray, na Etiópia

 


Confrontos entre a Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF) e o exército federal etíope estão ocorrendo em uma área disputada da região norte, com temores de uma nova guerra. A última guerra em Tigray, que ocorreu entre 2020 e 2022, deixou 600.000 mortos, e a região ainda não se recuperou. Mas as tentativas de mediação dos EUA e da União Africana aparentemente falharam em evitar o pior. Nosso correspondente em Addis Abeba, Tom Canetti, traz mais informações.

Em um comunicado divulgado hoje, a administração regional liderada pela Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF) alegou que o governo federal havia "declarado guerra aberta" na Zona Ocidental de Tigray, acusando-o de intensificar o que o comunicado descreveu como um confronto prolongado com a região.

"Ao intensificar o bloqueio e o cerco abrangentes que vem conduzindo contra o povo de Tigray, bem como os ataques realizados por drones e forças armadas por procuração, o regime ditatorial e genocida da Prosperidade declarou guerra aberta", afirmou o comunicado.


As autoridades de Tigray alegaram que os acontecimentos relatados ocorreram após meses de tensões políticas e militares entre o governo federal e a administração regional. O comunicado alegou que, desde a assinatura do Acordo de Cessação das Hostilidades de Pretória, em 2022, o governo federal se envolveu em "várias conspirações, bloqueios, cercos e preparativos militares", sem fornecer provas específicas.

“Mesmo após a assinatura do Acordo de Pretória… continuou a envolver-se em várias conspirações, bloqueios, cercos e preparativos militares”, afirmou o comunicado.

O comunicado apelou aos residentes de Tigray, às forças de segurança, às organizações da sociedade civil e às instituições religiosas para se prepararem para o que descreveu como um conflito renovado, instando-os a juntarem-se ao que chamou de luta pela “sobrevivência nacional”.

“Nunca cederemos à destruição nacional”, afirmou o comunicado, apelando às forças e apoiantes de Tigray para que “se preparem para fazer história hoje, tal como ontem”.

As autoridades de Tigray também instaram a comunidade internacional a intervir, alertando para as consequências do que descreveram como um conflito iniciado pelo governo federal.


“A comunidade internacional deve compreender as consequências que podem advir da guerra desencadeada nesta região… e tomar as medidas necessárias”, afirmou o comunicado.

As últimas alegações surgem em meio a uma deterioração mais ampla das relações entre Addis Abeba e as autoridades de Tigray. Em 7 de Julho, o Primeiro-Ministro Abiy Ahmed alegou que o Sudão, a TPLF e a Eritreia estão a colaborar contra a Etiópia, traçando paralelos com a aliança que contribuiu para a derrubada do regime Derg, sugerindo ao mesmo tempo que intervenientes externos não identificados também estão envolvidos.

As autoridades de Tigray responderam declarando que o Acordo de Pretória de 2022 “entrou em colapso”, acusando o governo federal de não ter implementado as principais disposições do acordo e de se preparar para novas hostilidades. A TPLF alegou que as forças federais estão a mobilizar tropas e a transferir pessoal do oeste para o leste de Tigray, em preparação para um possível confronto. 

Nos últimos meses, milícias e combatentes de Tigray entraram em confronto nas fronteiras vizinhas, realizando incursões nas regiões de Afar e Amhara, o que reacendeu o conflito étnico e territorial.

O papel da Eritreia na fronteira de Tigray mudou de aliança militar de Adis Abeba para uma força de ocupação agressiva e desestabilizadora. O país vizinho, liderado pelo ditador Isaias Afewerki, tornou-se o elemento mais perigoso na iminência de um novo conflito regional

Relatórios de inteligência locais apontam que soldados eritreus, muitas vezes disfarçados com fardas do exército etíope, realizam incursões constantes em vilas fronteiriças de Tigray. Isso gera pânico generalizado e impede o retorno de refugiados

Para desestabilizar o governo da Etiópia por dentro, a Eritreia passou a fornecer armas, inteligência e munição para milícias regionais, especialmente grupos da região de Amhara e dissidentes que combatem o Estado etíope.

Com uma produção anual de 400 aeronaves J-20, J-35 e J-16, a China está se preparando para replicar sua estratégia naval com jatos de combate


Produzido a uma taxa de 70 a 80 aeronaves por ano a partir de meados de 2024, e atingindo 320 a 350 unidades em meados de 2025, o J-20 tornou-se a pedra angular da modernização da China. Nesse contexto, a perspectiva de uma capacidade de produção de até 400 caças por ano até 2027, apoiada pela expansão da fábrica de Chengdu e de outras três unidades, direciona o foco para a produção em massa. Essa escala industrial, que supera os aproximadamente 156 F-35 entregues anualmente, redefine os parâmetros transpacíficos e levanta questões sobre os cronogramas de substituição dos 700 caças de terceira geração ainda em serviço.


Resta saber se o Exército de Libertação Popular conseguirá converter esse aumento na taxa de produção em produção em múltiplas linhas de montagem já em 2026, como observado no setor naval na última década. As decisões relativas às modernizações do J-16, do J-35A e do J-20, a sustentabilidade dos motores e o alinhamento com os fornecedores são as variáveis ​​imediatas que moldam essa trajetória.


O J-20 atinge seu primeiro marco industrial confirmado em 2024.

A partir de meados de 2024, as estimativas confirmaram um marco industrial inicial para o J-20. A Janes estimou a produção anual entre 70 e 80 aeronaves. Os inventários públicos indicavam uma frota total entre 320 e 350 unidades até meados de 2025, refletindo várias ondas de entregas consolidadas. Um ano recente registrou a entrega de quase 120 aeronaves, segundo Justin Bronk, da RUSI. Esse volume já coloca a aeronave no centro do esforço de modernização e abre caminho para uma expansão mais ambiciosa a partir de 2026.


Em paralelo, o J-16 manteve uma alta taxa de produção, estimada em cerca de cem aeronaves por ano. Espera-se que as entregas acumuladas se aproximem de quatrocentas e cinquenta unidades até o final de 2025, estabelecendo uma base sólida para a geração 4.5. Essa versátil plataforma complementa a gama superior oferecida pelo J-20, aumenta rapidamente a densidade de unidades e introduz novos padrões em sensores e armamentos, além de preparar o terreno para a renovação acelerada das frotas mais antigas.

No total, a Força Aérea Chinesa possuía aproximadamente 1.800 caças em operação até 23 de março de 2026, dos quais quase 700 eram de terceira geração. Essa estrutura exige prioridades de curto prazo, com o objetivo de aposentar a última aeronave de terceira geração até 2030. O cronograma pressupõe um ritmo constante de entregas, aposentadorias coordenadas e aumento de recursos para treinamento, manutenção e suporte. Os ganhos na taxa de produção alcançados em programas recentes atendem diretamente a esses requisitos.


O portfólio de caças expandiu-se no segmento de ponta com o J-35A, apresentado publicamente no Zhuhai Airshow em novembro de 2024. Essa introdução marcou um novo patamar de capacidade dentro da quinta geração de caças terrestres e, potencialmente, embarcados em porta-aviões. Ela levanta questões sobre a alocação de recursos entre as forças aéreas e navais durante os estágios iniciais de produção e testa a capacidade do setor de absorver simultaneamente diversos programas avançados. Por fim, alimenta o debate em torno da possibilidade de uma estratégia de produção em massa com múltiplas linhas de produção a partir de 2026.

Diversos indicadores convergentes justificam a análise de uma rápida transição industrial. As projeções sugerem que uma capacidade anual de quatrocentos caças avançados poderá ser alcançada até 2027, dando continuidade aos esforços observados desde 2024 com os caças J-20 e J-16. Esse cenário reflete o efeito líquido anual da entrada em serviço desses caças contra frotas adversárias e coloca a infraestrutura industrial no centro da trajetória de 2026-2030.

Os caças J-20, J-35 e J-16 formam a espinha dorsal da modernização da Força Aérea (PLAAF) e da Marinha (PLAN) da China, representando uma das frotas de combate mais avançadas do mundo. Juntas, essas aeronaves combinam tecnologias de quinta geração (furtividade) com o poder bruto de caças de quarta geração avançada


1. Chengdu J-20 (Mighty Dragon)

Geração: 5ª Geração (Furtivo/Stealth)

Função Principal: Superioridade aérea e interceptação de longo alcance

Status: Em serviço ativo massivo (mais de 300 unidades operacionais).

Características: É um caça pesado bimotor equipado com asas canard. O J-20 foi projetado para penetrar defesas aéreas complexas, focado em alta velocidade (Mach 2.0), grande autonomia e combate BVR (além do alcance visual) usando mísseis como o PL-15 e PL-21. Recebeu atualizações importantes com os motores nacionais WS-15.


2. Shenyang J-35 (Gyrfalcon / Flying Shark)

Geração: 5ª Geração (Furtivo/Stealth)

Função Principal: Caça multifunção embarcado e terrestre

Status: Em fase de produção em série e integração operacional.

Características: O Shenyang J-35 é um caça médio bimotor. Ele foi desenvolvido principalmente para operar a partir dos porta-aviões chineses (como o Fujian, utilizando catapultas eletromagnéticas), além de possuir a variante terrestre J-35A para a força aérea. É considerado a resposta direta ao F-35 norte-americano e possui forte apelo para o mercado de exportação (com o Paquistão sendo o primeiro cliente confirmado).


 Shenyang J-16 (Flanker-H)

Geração: 4.5ª Geração (Advanced Flanker)

Função Principal: Caça de ataque multifunção de longo alcance

Status: Totalmente operacional em larga escala (estimado em mais de 250-300 unidades).

Características: Baseado na plataforma russa Sukhoi Su-27, o J-16 é um caça pesado de assalto de dois assentos. Embora não seja furtivo como o J-20 ou J-35, ele atua como um "caminhão de mísseis", carregando uma carga útil imensa de armamentos ar-ar e ar-superfície. É equipado com radar AESA avançado, sistemas eletrônicos modernos e motores chineses WS-10. Existe também a variante de guerra eletrônica, o J-16D.

O arsenal que equipa os caças J-20, J-35 e J-16 reflete o salto tecnológico da China em mísseis inteligentes de longo alcance, enquanto o J-16D consolida o domínio do país na guerra eletromagnética.


O principal míssil da frota é o PL-15, um míssil ar-ar guiado por radar AESA com alcance estimado em até 300 km. Ele obriga forças ocidentais a reformularem suas táticas devido à sua capacidade de abater alvos bem antes do combate visual

Os três caças utilizam uma família padronizada e altamente tecnológica de armamentos nacionais:






PL-10 (Curto Alcance): 

Míssil ar-ar guiado por infravermelho de última geração. Possui extrema manobrabilidade e é usado para combates aproximados (dogfights). Pode ser disparado "fora de mira" por meio do capacete do piloto.



PL-15 (Longo Alcance / BVR): 

O padrão de combate a longas distâncias. Possui variantes com asas dobráveis (PL-15E) projetadas especificamente para caber dentro dos compartimentos internos ocultos dos caças furtivos J-20 e J-35.





PL-16 e PL-21 / PL-17 (Ultra Longo Alcance): 

Mísseis massivos projetados com alcances que superam os 400 km. O objetivo principal dessas armas é destruir aeronaves de apoio inimigas críticas nas retaguardas, como aviões-radar (AWACS) e reabastecedores civis convertidos.

KD-88 e Mísseis Antinavio (YJ-83 / YJ-91):

 Focados em ataque terrestre e naval, integrados principalmente no J-16. O KD-88 utiliza orientação eletro-óptica para ataques de precisão a mais de 200 km de distância.

O arsenal que equipa os caças J-20, J-35 e J-16 reflete o salto tecnológico da China em mísseis inteligentes de longo alcance, enquanto o J-16D consolida o domínio do país na guerra eletromagnética.

O principal míssil da frota é o PL-15, um míssil ar-ar guiado por radar AESA com alcance estimado em até 300 km. Ele obriga forças ocidentais a reformularem suas táticas devido à sua capacidade de abater alvos bem antes do combate visual

Os três caças utilizam uma família padronizada e altamente tecnológica de armamentos nacionais:

PL-10 (Curto Alcance): 

Míssil ar-ar guiado por infravermelho de última geração. Possui extrema manobrabilidade e é usado para combates aproximados (dogfights). Pode ser disparado "fora de mira" por meio do capacete do piloto.

PL-15 (Longo Alcance / BVR): 

O padrão de combate a longas distâncias. Possui variantes com asas dobráveis (PL-15E) projetadas especificamente para caber dentro dos compartimentos internos ocultos dos caças furtivos J-20 e J-35.

PL-16 e PL-21 / PL-17 (Ultra Longo Alcance): 

Mísseis massivos projetados com alcances que superam os 400 km. O objetivo principal dessas armas é destruir aeronaves de apoio inimigas críticas nas retaguardas, como aviões-radar (AWACS) e reabastecedores civis convertidos.

KD-88 e Mísseis Antinavio (YJ-83 / YJ-91):

 Focados em ataque terrestre e naval, integrados principalmente no J-16. O KD-88 utiliza orientação eletro-óptica para ataques de precisão a mais de 200 km de distância.

Modo Furtivo (J-20 e J-35): 

Carregam mísseis estritamente em suas baias internas (geralmente 4 a 6 mísseis PL-15/PL-10) para não gerar eco de radar.

Modo Fera / Beast Mode (J-16 e J-20): 

Quando a furtividade não é prioridade, utilizam pilones externos nas asas. O J-16, por ser um "caminhão de mísseis", consegue carregar até 12 toneladas de armamento distribuídas em 12 pontos de fixação

J-16D: 


O Tubarão Eletromagnético da China

O Shenyang J-16D é a variante de assento duplo dedicada exclusivamente a missões de Guerra Eletrônica (EW) e Supressão de Defesas Aéreas Inimigas (SEAD). Ele é o equivalente direto ao caça norte-americano EA-18G Growler.

A estrutura original do caça J-16 foi profundamente alterada:

Remoção do Canhão e Sensores IRST: 

O canhão interno de 30 mm e o sensor infravermelho do bico foram removidos para dar espaço a sistemas computacionais e antenas internas de interferência.

Radome Modificado: O bico do jato foi redesenhado e abriga um radar AESA otimizado para guerra eletrônica e rastreamento de emissores de radar inimigos.

O principal diferencial do J-16D é a sua capacidade de transportar múltiplos pods externos da família RKZ930 nas pontas das asas, fuselagem e entradas de ar. 

Esses sistemas atuam de três formas:

Guerra Eletrônica Ofensiva: Emite ondas de interferência de banda larga que inutilizam radares inimigos e cortam redes de comunicação de dados militares.

"Furtividade Virtual" para Aliados: Ao "cegar" os radares terrestres e de caças inimigos, o J-16D consegue mascarar e ocultar a presença de caças de quarta geração (como o J-16 padrão) que voam próximos a ele.

Escolta de Ataque: Atua lado a lado com formações de caças furtivos J-20, assumindo o controle do espectro eletromagnético para garantir o sucesso da missão.

Armamento Dedicado do J-16D

Embora seu foco seja eletrônico, ele não é indefeso. Configurações operacionais mostram o J-16D armado com mísseis antirradiação YJ-91 (que rastreiam e destroem antenas de radares inimigos ativos) e, mais recentemente, integrado com mísseis de defesa aérea de longo alcance como o PL-15, garantindo que a aeronave possa se defender de ameaças aéreas sem depender apenas de escoltas