Exército do Iêmen afirma que vários combatentes houthis foram mortos ou feridos em ataque na província de Taiz

 


Forças governamentais mataram e feriram vários combatentes houthis na segunda-feira durante um ataque na província de Taiz, no sudoeste do país, enquanto um soldado morreu em confrontos separados, informaram os militares.

A 35ª Brigada Blindada informou que disparos de artilharia atingiram um veículo militar houthi no momento em que combatentes tentavam se infiltrar na área de Al-Saila, a sudeste de Taiz.


"Vários membros da milícia houthi foram mortos ou feridos" no ataque, declarou a brigada em um comunicado no Facebook, sem especificar o número exato de baixas.

Paralelamente, o centro de mídia do Eixo Militar de Taiz informou que um soldado morreu em confrontos com combatentes houthis no distrito de Jabal Habashi, a oeste de Taiz.

Não houve comentários por parte dos houthis sobre o ocorrido.


No domingo, o exército havia informado que cinco combatentes houthis morreram durante uma tentativa "fracassada" de infiltração no monte estratégico Jabal Han, a oeste da cidade de Taiz.

Apesar de uma relativa calmaria desde abril de 2022, confrontos esporádicos continuam ocorrendo entre as forças governamentais e os houthis, que controlam a capital, Sanaa, e outras partes do Iêmen desde setembro de 2014.


Os combates se intensificaram em várias frentes desde o início de julho, marcando a escalada mais letal desde 2022 e deixando dezenas de combatentes mortos e feridos em ambos os lados.

Em 25 de julho, a coalizão liderada pela Arábia Saudita — que apoia o governo do Iêmen reconhecido internacionalmente — anunciou ataques aéreos contra posições houthis na província de Al Hudaydah e na ilha de Kamaran, no oeste do Iêmen, pela primeira vez desde 2022.

No mesmo dia, os houthis afirmaram ter atacado locais e instalações dentro da Arábia Saudita utilizando drones.

Somália: Al-Shabaab reivindica tomada de vilarejo estratégico no centro do país

 


O Al-Shabaab afirmou, na segunda-feira, ter tomado o vilarejo estratégico de Teedaan, na região de Hiiraan, no centro da Somália, após dois dias de combates contra tropas do governo e milícias de clãs aliados.

Em um comunicado divulgado por meio de seus canais de mídia, o grupo militante islâmico disse ter expulsado as forças do governo somali da área durante confrontos no sábado e no domingo, além de ter capturado armas, veículos militares e outros equipamentos.


O grupo também alegou ter matado 41 soldados do governo e combatentes locais aliados — incluindo oficiais — e afirmou ter apreendido um veículo do tipo "technical" (caminhonete armada) equipado com uma arma antiaérea, juntamente com outros suprimentos militares.


O Al-Shabaab acrescentou que parte das baixas resultou de um atentado suicida que, segundo o grupo, ocorreu a cerca de cinco quilômetros de Teedaan durante os combates.

As alegações não puderam ser verificadas de forma independente, e o governo federal somali e as autoridades militares não comentaram de imediato os confrontos relatados ou as afirmações do grupo.

Os combates fazem parte de confrontos em curso entre as forças do governo somali — apoiadas por combatentes aliados do clã Ma'awisley em Hiiraan — e o Al-Shabaab, que intensificou ataques em partes do centro da Somália, apesar das operações militares contínuas contra o grupo.

Teedaan é considerada uma localidade estratégica no leste de Hiiraan, conectando as regiões de Hiiraan, Shabelle Central e Galgaduud. O controle da área pode afetar a movimentação de forças militares e suprimentos entre essas três regiões.

Níger : Soldados nigerinos foram mortos em um ataque do grupo terrorista Boko Haram no sudeste do país


 O ataque ocorreu na sexta-feira perto de N'Guigmi, uma cidade com forte presença militar situada na região pantanosa do Lago Chade — área compartilhada também pela Nigéria, Camarões e Chade, onde o Boko Haram mantém vários acampamentos.

 Detalhes do Ataque

Alvo: Forças de segurança que operam na bacia do Lago Chade.

Baixas: Moradores locais relataram a morte de 10 soldados, além de quatro membros da Guarda Nacional.

Resposta Militar: As Forças Armadas do Níger realizaram uma varredura na região e neutralizaram sete terroristas durante os confrontos.

Confirmação Oficial: A Agência de Informação do Níger (ANP) confirmou o ataque e as mortes, e o governador de Diffa, general Mahamadou Ibrahim, compareceu a N'Guigmi para acompanhar o sepultamento dos militares

A cidade de N'Guigmi fica na área pantanosa do Lago Chade, uma zona de fronteira convergente entre o Níger, Nigéria, Camarões e Chade. O local abriga múltiplos acampamentos do Boko Haram e sofre com a violência insurgente desde que o conflito se espalhou da Nigéria em 2015. A instabilidade na região de Diffa é agravada pela crise humanitária, acolhendo cerca de 300 mil refugiados e deslocados internos



Principais Ações de Retaliação e Defesa

Varredura Terrestre: Tropas do Níger realizam incursões na bacia pantanosa do Lago Chade para destruir acampamentos satélites do Boko Haram.

Bloqueio de Contrabando: Forças de segurança interceptaram um grande carregamento de armas ao norte de N'Guigmi destinado a Bakura, um dos líderes de facções locais.

Aumento da Pressão Operacional: Ordens diretas exigem neutralização imediata de insurgentes ao menor sinal de infiltração nas bases, eliminando burocracias de aprovação tática.

As rotas de tráfico de armas vindas da Líbia têm sido o principal combustível para a instabilidade em todo o Sahel, abastecendo diretamente grupos como o Boko Haram no Níger e na Nigéria, além do Estado Islâmico (ISSP).

Após o colapso do regime líbio em 2011, vastos arsenais ficaram sem vigilância, transformando o sul da Líbia em um mercado aberto de armas que escoam em direção ao sul através do deserto do Saara. O fluxo é altamente adaptável e utiliza antigas rotas comerciais transarianas



O Corredor Principal e Pontos de Entrada no Níger

A Rota do Passe de Salvador: 

Localizado na tríplice fronteira entre Níger, Líbia e Argélia, o Passe de Salvador é um ponto geográfico crítico. Comboios em veículos 4x4 cruzam essa área desértica isolada para evitar sistemas de vigilância eletrônica e patrulhas

O Eixo Central (Agadez): 

Uma vez dentro do território do Níger, os traficantes movem o armamento em direção a Agadez (o coração logístico do deserto nigerino). Dali, os carregamentos são divididos: uma parte segue para o oeste (Mali/Burkina Faso) e outra desce para o sul.

O Eixo Oriental (Dirkou - Diffa): 

Armas destinadas especificamente ao Boko Haram e ao ISWAP seguem pela rota leste, cruzando a área de Dirkou e descendo em direção à região de Diffa, Tasker (Zinder) e à bacia do Lago Chade



Logística e Modus Operandi

Camuflagem de Carga: O transporte é feito por redes criminosas transnacionais ou por comunidades nômades militarizadas (como os Tubus e Tuaregues). As armas leves e munições costumam ser escondidas sob mercadorias legítimas, alimentos ou combustíveis em caminhões e caminhonetes.

Disponibilidade e Custos: Autoridades e analistas de segurança da região apontam que a proliferação atingiu níveis epidêmicos, com armas sendo vendidas informalmente de forma banalizada devido ao imenso estoque disponível no sudoeste líbio.



A Disputa pelo Controle das Rotas (O Cenário Atual)

O controle desses corredores informais virou alvo de uma guerra de poder no deserto:

Ofensivas do Clã Haftar: Sob o comando de Saddam Haftar (filho do comandante líbio Khalifa Haftar), o Exército Nacional Líbio (LNA) tem lançado operações no sul da Líbia (região de Fezzan) para assumir o controle total e lucrar com as taxas cobradas pelo contrabando transfronteiriço.

Resistência das Milícias Locais: Grupos armados baseados na fronteira, como a facção liderada pelo comandante Mohammed Wardougou, travam combates diretos contra o exército líbio ao longo da linha de fronteira com o Níger e o Chade, tentando manter os bloqueios e taxas independentes sobre os carregamentos.Essa facilidade de reabastecimento logístico explica por que os grupos extremistas no Níger conseguem manter um alto poder de fogo, mesmo após sucessivas baixas contra as forças estatais.


EUA : Atirador abre fogo em restaurante de fast-food em Idaho e mata duas pessoas

 


Três pessoas morreram e outras sete ficaram feridas após um atirador abrir fogo em um restaurante da rede In-N-Out Burger, no estado americano de Idaho. O atirador estava entre os mortos após o ataque em Twin Falls, na tarde de sábado, informou o chefe de polícia Matthew Hicks.

"Acreditamos que a ameaça à comunidade tenha acabado", disse Hicks, acrescentando que o número total de vítimas ainda não estava claro e que os familiares estavam sendo notificados.


"Foi uma cena muito caótica", acrescentou ele.

Uma testemunha, Lane Koehn, contou que estava parado em um semáforo perto do restaurante quando viu uma pessoa armada com um fuzil (estilo AR) saindo da área de *drive-thru* e sendo alvo de disparos feitos por um homem com uma pistola.

Ele também viu um funcionário arrastar para um local seguro uma mulher que havia sido baleada no peito; lá, eles aguardaram a chegada dos paramédicos.

"Ela estava em estado grave, mas não sei dizer. Espero que ela tenha sobrevivido", disse Koehn.







O porta-voz da cidade, Josh Palmer, afirmou que os investigadores acreditam ter havido apenas um atirador e trabalham para identificá-lo e determinar se houve a participação de outras pessoas.

O senador de Idaho, Mike Crapo, disse estar "grato pela rápida resposta das equipes de emergência de Idaho".

Homem-bomba do Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP) mata 14 pessoas em frente a delegacia no vale de Swat, no Paquistão


 Um homem-bomba matou pelo menos 14 pessoas e feriu outras em frente a uma delegacia de polícia no vale de Swat, no Paquistão, atingindo uma multidão que havia se reunido para protestar. O atentado ocorreu na noite de domingo em Kabal, uma cidade do vale situada na província de Khyber Pakhtunkhwa, perto da fronteira com o Afeganistão.

Segundo o chefe de polícia do distrito de Swat (DPO), Umar Khan, o homem-bomba detonou explosivos depois que policiais tentaram pará-lo e revistá-lo na entrada da delegacia. O vice-inspetor-geral de polícia de Swat, Fida Hussain, informou que pelo menos 22 pessoas ficaram feridas. A explosão ocorreu nas proximidades de centenas de pessoas reunidas em um cruzamento próximo para exigir ações do governo contra a crescente violência na região. A explosão atingiu a multidão no momento em que o último orador discursava, fazendo com que moradores em pânico fugissem do local. Khan afirmou que as forças de segurança isolaram a área e iniciaram uma investigação.


Os feridos foram levados para um hospital na cidade vizinha de Saidu Sharif — alguns em estado crítico —, enquanto a polícia realizava uma operação de busca na região. O ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, condenou o ataque e divulgou um comunicado expressando condolências às famílias das vítimas fatais e desejando a rápida recuperação dos feridos. Os manifestantes haviam se reunido especificamente para condenar o ressurgimento de ataques violentos em Swat, um vale que se tornou reduto do Talibã paquistanês antes de uma ofensiva militar em 2009 expulsar o grupo da região.

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História : A lenda do 'Sawney Bean e seu clã de canibais' criada pelos ingleses para desumanizar, ridicularizar e estigmatizar os escoceses durante os conflitos jacobitas

 Sawney Bean e seu clã de canibais. 


Historiadores modernos apontam que a história foi criada pela imprensa inglesa no século XVIII como propaganda política para desumanizar, ridicularizar e estigmatizar os escoceses durante os conflitos jacobitas

A narrativa surgiu impressa pela primeira vez na Inglaterra em panfletos sensacionalistas e em catálogos criminais como o The Newgate Calendar por volta de 1740. A história continha elementos calculados para chocar o público:

O Cenário Selvagem: 

Alexander "Sawney" Bean e sua companheira teriam se isolado em uma caverna profunda na costa de Ayrshire (sudoeste da Escócia). O isolamento em uma caverna reforçava a ideia de que os escoceses viviam como "animais".

Incesto e Superpopulação: 

O casal viveu escondido por 25 anos e gerou uma linhagem incestuosa de 48 pessoas (entre filhos e netos).

O Canibalismo em Massa: 

Para sobreviver sem trabalhar, o clã emboscava viajantes nas estradas escuras. Eles assassinavam, esquartejavam, salgavam e devoravam as vítimas, totalizando mais de 1.000 pessoas mortas.

A Intervenção Real: 


O mito dizia que os crimes eram tão absurdos que o próprio rei Jaime VI da Escócia (Jaime I da Inglaterra) liderou um exército de 400 homens com cães de caça para capturá-los e executá-los brutalmente sem julgamento.

Por que os ingleses criaram o mito (A Motivação)





O século XVIII foi marcado pelas Rebeliões Jacobitas, uma série de revoltas militares em que os escoceses tentaram derrubar a coroa britânica para restaurar a dinastia Stuart ao trono. Para os ingleses, os escoceses eram uma ameaça militar real e constante. A lenda de Sawney Bean serviu como uma arma de guerra psicológica baseada em três pilares:

O uso de nomes pejorativos

O termo "Sawney" (uma abreviação de Alexander) era um apelido altamente depreciativo usado na Inglaterra da época para insultar qualquer escocês, equivalente a um estereótipo preconceituoso. Dar esse nome ao monstro canibal associava diretamente a identidade de todo o povo escocês à depravação.

Deslegitimação política através do Savage (Selvagem)

Historicamente, impérios e culturas dominantes usam acusações de canibalismo para justificar a colonização ou a opressão de outros povos. Ao retratar os escoceses das colinas como criaturas bárbaras que comiam carne humana e praticavam incesto, a imprensa inglesa passava a mensagem de que a Escócia era incapaz de se autogovernar e precisava do controle civilizatório da Inglaterra.

Ataque a heroínas locais


A lenda diz que a esposa de Sawney se chamava "Black Agnes". Historiadores apontam isso como uma clara tentativa de difamar a memória de Agnes Randolph, Condessa de Dunbar (também apelidada de Black Agnes), uma heroína escocesa real que, no século XIV, humilhou os ingleses ao defender com sucesso o Castelo de Dunbar contra um longo cerco militar.

3. As provas da falsidade histórica

Não há absolutamente nenhum registro histórico na Escócia sobre o caso.

Um crime dessa magnitude (mais de mil desaparecidos) com execução sumária ordenada pelo próprio rei geraria uma enorme quantidade de documentos oficiais, julgamentos públicos e cartas da época.

O silêncio total dos arquivos escoceses prova que a história foi inteiramente inventada a centenas de quilômetros dali, em Londres.


Confrontos entre a Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF) e o exército federal etíope eclodem em Tigray, na Etiópia

 


Confrontos entre a Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF) e o exército federal etíope estão ocorrendo em uma área disputada da região norte, com temores de uma nova guerra. A última guerra em Tigray, que ocorreu entre 2020 e 2022, deixou 600.000 mortos, e a região ainda não se recuperou. Mas as tentativas de mediação dos EUA e da União Africana aparentemente falharam em evitar o pior. Nosso correspondente em Addis Abeba, Tom Canetti, traz mais informações.

Em um comunicado divulgado hoje, a administração regional liderada pela Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF) alegou que o governo federal havia "declarado guerra aberta" na Zona Ocidental de Tigray, acusando-o de intensificar o que o comunicado descreveu como um confronto prolongado com a região.

"Ao intensificar o bloqueio e o cerco abrangentes que vem conduzindo contra o povo de Tigray, bem como os ataques realizados por drones e forças armadas por procuração, o regime ditatorial e genocida da Prosperidade declarou guerra aberta", afirmou o comunicado.


As autoridades de Tigray alegaram que os acontecimentos relatados ocorreram após meses de tensões políticas e militares entre o governo federal e a administração regional. O comunicado alegou que, desde a assinatura do Acordo de Cessação das Hostilidades de Pretória, em 2022, o governo federal se envolveu em "várias conspirações, bloqueios, cercos e preparativos militares", sem fornecer provas específicas.

“Mesmo após a assinatura do Acordo de Pretória… continuou a envolver-se em várias conspirações, bloqueios, cercos e preparativos militares”, afirmou o comunicado.

O comunicado apelou aos residentes de Tigray, às forças de segurança, às organizações da sociedade civil e às instituições religiosas para se prepararem para o que descreveu como um conflito renovado, instando-os a juntarem-se ao que chamou de luta pela “sobrevivência nacional”.

“Nunca cederemos à destruição nacional”, afirmou o comunicado, apelando às forças e apoiantes de Tigray para que “se preparem para fazer história hoje, tal como ontem”.

As autoridades de Tigray também instaram a comunidade internacional a intervir, alertando para as consequências do que descreveram como um conflito iniciado pelo governo federal.


“A comunidade internacional deve compreender as consequências que podem advir da guerra desencadeada nesta região… e tomar as medidas necessárias”, afirmou o comunicado.

As últimas alegações surgem em meio a uma deterioração mais ampla das relações entre Addis Abeba e as autoridades de Tigray. Em 7 de Julho, o Primeiro-Ministro Abiy Ahmed alegou que o Sudão, a TPLF e a Eritreia estão a colaborar contra a Etiópia, traçando paralelos com a aliança que contribuiu para a derrubada do regime Derg, sugerindo ao mesmo tempo que intervenientes externos não identificados também estão envolvidos.

As autoridades de Tigray responderam declarando que o Acordo de Pretória de 2022 “entrou em colapso”, acusando o governo federal de não ter implementado as principais disposições do acordo e de se preparar para novas hostilidades. A TPLF alegou que as forças federais estão a mobilizar tropas e a transferir pessoal do oeste para o leste de Tigray, em preparação para um possível confronto. 

Nos últimos meses, milícias e combatentes de Tigray entraram em confronto nas fronteiras vizinhas, realizando incursões nas regiões de Afar e Amhara, o que reacendeu o conflito étnico e territorial.

O papel da Eritreia na fronteira de Tigray mudou de aliança militar de Adis Abeba para uma força de ocupação agressiva e desestabilizadora. O país vizinho, liderado pelo ditador Isaias Afewerki, tornou-se o elemento mais perigoso na iminência de um novo conflito regional

Relatórios de inteligência locais apontam que soldados eritreus, muitas vezes disfarçados com fardas do exército etíope, realizam incursões constantes em vilas fronteiriças de Tigray. Isso gera pânico generalizado e impede o retorno de refugiados

Para desestabilizar o governo da Etiópia por dentro, a Eritreia passou a fornecer armas, inteligência e munição para milícias regionais, especialmente grupos da região de Amhara e dissidentes que combatem o Estado etíope.

Com uma produção anual de 400 aeronaves J-20, J-35 e J-16, a China está se preparando para replicar sua estratégia naval com jatos de combate


Produzido a uma taxa de 70 a 80 aeronaves por ano a partir de meados de 2024, e atingindo 320 a 350 unidades em meados de 2025, o J-20 tornou-se a pedra angular da modernização da China. Nesse contexto, a perspectiva de uma capacidade de produção de até 400 caças por ano até 2027, apoiada pela expansão da fábrica de Chengdu e de outras três unidades, direciona o foco para a produção em massa. Essa escala industrial, que supera os aproximadamente 156 F-35 entregues anualmente, redefine os parâmetros transpacíficos e levanta questões sobre os cronogramas de substituição dos 700 caças de terceira geração ainda em serviço.


Resta saber se o Exército de Libertação Popular conseguirá converter esse aumento na taxa de produção em produção em múltiplas linhas de montagem já em 2026, como observado no setor naval na última década. As decisões relativas às modernizações do J-16, do J-35A e do J-20, a sustentabilidade dos motores e o alinhamento com os fornecedores são as variáveis ​​imediatas que moldam essa trajetória.


O J-20 atinge seu primeiro marco industrial confirmado em 2024.

A partir de meados de 2024, as estimativas confirmaram um marco industrial inicial para o J-20. A Janes estimou a produção anual entre 70 e 80 aeronaves. Os inventários públicos indicavam uma frota total entre 320 e 350 unidades até meados de 2025, refletindo várias ondas de entregas consolidadas. Um ano recente registrou a entrega de quase 120 aeronaves, segundo Justin Bronk, da RUSI. Esse volume já coloca a aeronave no centro do esforço de modernização e abre caminho para uma expansão mais ambiciosa a partir de 2026.


Em paralelo, o J-16 manteve uma alta taxa de produção, estimada em cerca de cem aeronaves por ano. Espera-se que as entregas acumuladas se aproximem de quatrocentas e cinquenta unidades até o final de 2025, estabelecendo uma base sólida para a geração 4.5. Essa versátil plataforma complementa a gama superior oferecida pelo J-20, aumenta rapidamente a densidade de unidades e introduz novos padrões em sensores e armamentos, além de preparar o terreno para a renovação acelerada das frotas mais antigas.

No total, a Força Aérea Chinesa possuía aproximadamente 1.800 caças em operação até 23 de março de 2026, dos quais quase 700 eram de terceira geração. Essa estrutura exige prioridades de curto prazo, com o objetivo de aposentar a última aeronave de terceira geração até 2030. O cronograma pressupõe um ritmo constante de entregas, aposentadorias coordenadas e aumento de recursos para treinamento, manutenção e suporte. Os ganhos na taxa de produção alcançados em programas recentes atendem diretamente a esses requisitos.


O portfólio de caças expandiu-se no segmento de ponta com o J-35A, apresentado publicamente no Zhuhai Airshow em novembro de 2024. Essa introdução marcou um novo patamar de capacidade dentro da quinta geração de caças terrestres e, potencialmente, embarcados em porta-aviões. Ela levanta questões sobre a alocação de recursos entre as forças aéreas e navais durante os estágios iniciais de produção e testa a capacidade do setor de absorver simultaneamente diversos programas avançados. Por fim, alimenta o debate em torno da possibilidade de uma estratégia de produção em massa com múltiplas linhas de produção a partir de 2026.

Diversos indicadores convergentes justificam a análise de uma rápida transição industrial. As projeções sugerem que uma capacidade anual de quatrocentos caças avançados poderá ser alcançada até 2027, dando continuidade aos esforços observados desde 2024 com os caças J-20 e J-16. Esse cenário reflete o efeito líquido anual da entrada em serviço desses caças contra frotas adversárias e coloca a infraestrutura industrial no centro da trajetória de 2026-2030.

Os caças J-20, J-35 e J-16 formam a espinha dorsal da modernização da Força Aérea (PLAAF) e da Marinha (PLAN) da China, representando uma das frotas de combate mais avançadas do mundo. Juntas, essas aeronaves combinam tecnologias de quinta geração (furtividade) com o poder bruto de caças de quarta geração avançada


1. Chengdu J-20 (Mighty Dragon)

Geração: 5ª Geração (Furtivo/Stealth)

Função Principal: Superioridade aérea e interceptação de longo alcance

Status: Em serviço ativo massivo (mais de 300 unidades operacionais).

Características: É um caça pesado bimotor equipado com asas canard. O J-20 foi projetado para penetrar defesas aéreas complexas, focado em alta velocidade (Mach 2.0), grande autonomia e combate BVR (além do alcance visual) usando mísseis como o PL-15 e PL-21. Recebeu atualizações importantes com os motores nacionais WS-15.


2. Shenyang J-35 (Gyrfalcon / Flying Shark)

Geração: 5ª Geração (Furtivo/Stealth)

Função Principal: Caça multifunção embarcado e terrestre

Status: Em fase de produção em série e integração operacional.

Características: O Shenyang J-35 é um caça médio bimotor. Ele foi desenvolvido principalmente para operar a partir dos porta-aviões chineses (como o Fujian, utilizando catapultas eletromagnéticas), além de possuir a variante terrestre J-35A para a força aérea. É considerado a resposta direta ao F-35 norte-americano e possui forte apelo para o mercado de exportação (com o Paquistão sendo o primeiro cliente confirmado).


 Shenyang J-16 (Flanker-H)

Geração: 4.5ª Geração (Advanced Flanker)

Função Principal: Caça de ataque multifunção de longo alcance

Status: Totalmente operacional em larga escala (estimado em mais de 250-300 unidades).

Características: Baseado na plataforma russa Sukhoi Su-27, o J-16 é um caça pesado de assalto de dois assentos. Embora não seja furtivo como o J-20 ou J-35, ele atua como um "caminhão de mísseis", carregando uma carga útil imensa de armamentos ar-ar e ar-superfície. É equipado com radar AESA avançado, sistemas eletrônicos modernos e motores chineses WS-10. Existe também a variante de guerra eletrônica, o J-16D.

O arsenal que equipa os caças J-20, J-35 e J-16 reflete o salto tecnológico da China em mísseis inteligentes de longo alcance, enquanto o J-16D consolida o domínio do país na guerra eletromagnética.


O principal míssil da frota é o PL-15, um míssil ar-ar guiado por radar AESA com alcance estimado em até 300 km. Ele obriga forças ocidentais a reformularem suas táticas devido à sua capacidade de abater alvos bem antes do combate visual

Os três caças utilizam uma família padronizada e altamente tecnológica de armamentos nacionais:






PL-10 (Curto Alcance): 

Míssil ar-ar guiado por infravermelho de última geração. Possui extrema manobrabilidade e é usado para combates aproximados (dogfights). Pode ser disparado "fora de mira" por meio do capacete do piloto.



PL-15 (Longo Alcance / BVR): 

O padrão de combate a longas distâncias. Possui variantes com asas dobráveis (PL-15E) projetadas especificamente para caber dentro dos compartimentos internos ocultos dos caças furtivos J-20 e J-35.





PL-16 e PL-21 / PL-17 (Ultra Longo Alcance): 

Mísseis massivos projetados com alcances que superam os 400 km. O objetivo principal dessas armas é destruir aeronaves de apoio inimigas críticas nas retaguardas, como aviões-radar (AWACS) e reabastecedores civis convertidos.

KD-88 e Mísseis Antinavio (YJ-83 / YJ-91):

 Focados em ataque terrestre e naval, integrados principalmente no J-16. O KD-88 utiliza orientação eletro-óptica para ataques de precisão a mais de 200 km de distância.

O arsenal que equipa os caças J-20, J-35 e J-16 reflete o salto tecnológico da China em mísseis inteligentes de longo alcance, enquanto o J-16D consolida o domínio do país na guerra eletromagnética.

O principal míssil da frota é o PL-15, um míssil ar-ar guiado por radar AESA com alcance estimado em até 300 km. Ele obriga forças ocidentais a reformularem suas táticas devido à sua capacidade de abater alvos bem antes do combate visual

Os três caças utilizam uma família padronizada e altamente tecnológica de armamentos nacionais:

PL-10 (Curto Alcance): 

Míssil ar-ar guiado por infravermelho de última geração. Possui extrema manobrabilidade e é usado para combates aproximados (dogfights). Pode ser disparado "fora de mira" por meio do capacete do piloto.

PL-15 (Longo Alcance / BVR): 

O padrão de combate a longas distâncias. Possui variantes com asas dobráveis (PL-15E) projetadas especificamente para caber dentro dos compartimentos internos ocultos dos caças furtivos J-20 e J-35.

PL-16 e PL-21 / PL-17 (Ultra Longo Alcance): 

Mísseis massivos projetados com alcances que superam os 400 km. O objetivo principal dessas armas é destruir aeronaves de apoio inimigas críticas nas retaguardas, como aviões-radar (AWACS) e reabastecedores civis convertidos.

KD-88 e Mísseis Antinavio (YJ-83 / YJ-91):

 Focados em ataque terrestre e naval, integrados principalmente no J-16. O KD-88 utiliza orientação eletro-óptica para ataques de precisão a mais de 200 km de distância.

Modo Furtivo (J-20 e J-35): 

Carregam mísseis estritamente em suas baias internas (geralmente 4 a 6 mísseis PL-15/PL-10) para não gerar eco de radar.

Modo Fera / Beast Mode (J-16 e J-20): 

Quando a furtividade não é prioridade, utilizam pilones externos nas asas. O J-16, por ser um "caminhão de mísseis", consegue carregar até 12 toneladas de armamento distribuídas em 12 pontos de fixação

J-16D: 


O Tubarão Eletromagnético da China

O Shenyang J-16D é a variante de assento duplo dedicada exclusivamente a missões de Guerra Eletrônica (EW) e Supressão de Defesas Aéreas Inimigas (SEAD). Ele é o equivalente direto ao caça norte-americano EA-18G Growler.

A estrutura original do caça J-16 foi profundamente alterada:

Remoção do Canhão e Sensores IRST: 

O canhão interno de 30 mm e o sensor infravermelho do bico foram removidos para dar espaço a sistemas computacionais e antenas internas de interferência.

Radome Modificado: O bico do jato foi redesenhado e abriga um radar AESA otimizado para guerra eletrônica e rastreamento de emissores de radar inimigos.

O principal diferencial do J-16D é a sua capacidade de transportar múltiplos pods externos da família RKZ930 nas pontas das asas, fuselagem e entradas de ar. 

Esses sistemas atuam de três formas:

Guerra Eletrônica Ofensiva: Emite ondas de interferência de banda larga que inutilizam radares inimigos e cortam redes de comunicação de dados militares.

"Furtividade Virtual" para Aliados: Ao "cegar" os radares terrestres e de caças inimigos, o J-16D consegue mascarar e ocultar a presença de caças de quarta geração (como o J-16 padrão) que voam próximos a ele.

Escolta de Ataque: Atua lado a lado com formações de caças furtivos J-20, assumindo o controle do espectro eletromagnético para garantir o sucesso da missão.

Armamento Dedicado do J-16D

Embora seu foco seja eletrônico, ele não é indefeso. Configurações operacionais mostram o J-16D armado com mísseis antirradiação YJ-91 (que rastreiam e destroem antenas de radares inimigos ativos) e, mais recentemente, integrado com mísseis de defesa aérea de longo alcance como o PL-15, garantindo que a aeronave possa se defender de ameaças aéreas sem depender apenas de escoltas

Paraguai : Grupo guerrilheiro 'Exército do Povo Paraguaio' ataca posto policial

 


As autoridades paraguaias atribuíram ao EPP um violento atentado ocorrido na noite de 21 de julho de 2026 contra o posto policial da colônia Naranjito, no distrito de Ybyrarobaná.

Um grupo armado com fuzis abriu fogo e arremessou bombas molotov contra as instalações. 

O ataque resultou na morte de três pessoas — os suboficiais Atilio Martínez e Hermínio González, além do cidadão civil Josemar Píris. O ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, confirmou que as perícias balísticas vincularam diretamente uma das armas utilizadas no local a um ataque anterior cometido pela guerrilha em maio de 2025.

Relatórios de inteligência militar divulgados no início de 2026 revelaram uma mudança estrutural na composição interna do EPP.

 










Estima-se que a atual célula ativa operando entre Canindeyú e Caaguazú conte com apenas 13 a 15 integrantes.  De acordo com os dados oficiais, a liderança e a base operacional remanescente passaram a ser compostas por sete mulheres e seis homens. Entre os nomes identificados na estrutura atual estão Liliana Villalba, Magna Meza e Jorgelina Silva. O governo paraguaio alertou para o surgimento dessa "nova geração" de combatentes criada dentro do próprio núcleo familiar dos antigos líderes já capturados ou mortos.

Afeganistão : Grupo rebelde armado 'Frente de Liberdade do Afeganistão' reivindica ataque com foguetes ao aeroporto de Kunduz

 


A Frente de Liberdade do Afeganistão afirma que suas forças atacaram o aeroporto de Kunduz e helicópteros do Talibã com foguetes na noite de quinta-feira. Anteriormente, fontes haviam relatado um ataque com foguetes contra uma concentração de membros do Talibã no aeroporto.

Em um comunicado divulgado na quinta-feira, a frente alegou que o ataque causou baixas significativas e danos ao Talibã, mas informou que o número exato de mortos e feridos ainda não era conhecido.


A frente também afirmou que o Talibã intensificou o envio de tropas e equipamentos para áreas sob sua influência nos últimos dias.

Autoridades do Talibã não comentaram o ataque.

A província de Badakhshan tem registrado um aumento nos ataques de opositores do Talibã nos últimos dias. Forças da Frente de Liberdade do Afeganistão e o Talibã têm entrado em confronto há vários dias no distrito de Zebak, na província.

Paquistão : Ataque do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) a posto de controle policial paquistanês deixa 11 mortos, 31 feridos e 18 policiais foram capturados


 Fontes locais informaram que 11 policiais morreram e pelo menos outros 31 ficaram feridos em um ataque realizado pelo Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) a um posto de controle policial na área de Khazina Band, no distrito de Hango, província de Khyber Pakhtunkhwa, na quarta-feira.

Pelo menos 18 policiais paquistaneses foram capturados vivos por forças do TTP, segundo fontes de notícias.


O Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), formado em dezembro de 2007, busca derrubar o governo paquistanês e estabelecer um governo baseado na lei islâmica.

O incidente é um dos ataques mais graves contra as forças de segurança paquistanesas em Khyber Pakhtunkhwa.

Jihad na África Ocidental – Esforços contínuos de reforma e tensões no seio do Boko Haram, conforme relatado por Adnan Absi.


 Os relatos seguintes das memórias de Adnan Absi sobre a África Ocidental fornecem mais detalhes sobre os esforços significativos de reforma e as tensões resultantes no seio do Boko Haram. Ele começa compartilhando a história de Abu Abdul-Rahman al-Sudani, mais um veterano jihadista sudanês que se juntou às fileiras do Boko Haram. Abu Abdul-Rahman possuía vasta experiência em questões administrativas e de gestão; por isso, elaborou um plano para reestruturar o funcionamento interno do "Estado" do Boko Haram. Segundo o relato de Adnan, tudo nesse Estado era microgerenciado por Shekau, o "Imã", sem cuja permissão nada acontecia. Dada a vasta extensão territorial do grupo, Abu Abdul-Rahman propôs dividi-lo em regiões administrativas, cada uma governada por seu próprio governador, atuando conforme instruções redigidas por ele mesmo. Paralelamente, Shekau assumiria o papel de emir supremo, definindo as políticas gerais do "Estado" em coordenação com um Conselho da Shura recém-criado, enquanto a implementação dessas políticas ficaria a cargo dos governadores regionais. Abu Abdul-Rahman também propôs um curso de treinamento para profissionalizar o exército do Boko Haram, que contava, ao que tudo indica, com um total de 40.000 integrantes, sendo 20.000 combatentes armados. Tais reformas teriam sido muito bem-sucedidas, embora tenham enfrentado forte resistência por parte de Shekau. Antes de analisar a reação de Shekau, vale a pena examinar a narrativa mais ampla envolvendo Abu Abdul-Rahman e os outros combatentes estrangeiros sudaneses mencionados por Adnan.


Ao longo de suas memórias, Adnan narra a história do papel desempenhado pelos jihadistas sudaneses na criação do ISWAP, a ramificação mais poderosa do Estado Islâmico. Em suma, Adnan relata que eles foram fundamentais para a formação do grupo. A veracidade de suas afirmações é menos importante do que as próprias afirmações em si. Ou seja, Adnan conta essa história por um motivo específico; considerando que suas memórias foram publicadas como um livro formatado, é provável que esse motivo tenha sido autorizado pelo escritório de mídia do Estado Islâmico. As contribuições — reais ou percebidas — dos jihadistas sudaneses para o ISWAP elevam o prestígio do jihadismo sudanês (e, consequentemente, do próprio Sudão) no imaginário do Estado Islâmico. Isso ocorre na esteira de várias declarações de grande repercussão do grupo — especialmente no boletim informativo *al-Naba* — sobre a necessidade da jihad no Sudão. Isso, por sua vez, decorre da crescente importância estratégica do Sudão para a rede global do Estado Islâmico (EI). A célula do EI que opera no país constitui um polo logístico essencial, servindo como a principal porta de entrada para que agentes do grupo oriundos do Oriente Médio ingressem na África e sigam para outras ramificações da organização, especialmente o ISWAP e o ISGS.

Ao que tudo indica, a mensagem subliminar nas histórias de Adnan sobre seus compatriotas sudaneses combatentes é destacar a necessidade da jihad (liderada pelo EI) no Sudão: "Se existe um contingente tão talentoso, certamente o projeto do EI teria sucesso ali!" Vale lembrar que essa narrativa foi publicada originalmente na página de Adnan no Facebook (hoje excluída), onde ele frequentemente comentava outros assuntos. Um tema de destaque era o Sudão, sua terra natal; ele ressaltava com frequência as terríveis provações que assolavam o país. Isso também servia como uma forma sutil de propaganda sobre a necessidade de um projeto jihadista sudanês (sob a liderança do EI). Sua página oferecia tanto a justificativa moral — a situação crítica do Sudão — quanto o argumento prático: a existência de talentos sudaneses. Além disso, dado o enorme desenvolvimento ocorrido desde a época retratada nas memórias de Adnan, o papel do ISWAP não se limitaria a receber combatentes estrangeiros, mas também a servir como local de treinamento para eles. Após desempenharem um papel fundamental no desenvolvimento do ISWAP, os combatentes sudaneses poderiam integrar suas fileiras para, posteriormente, desenvolver uma ramificação do EI no próprio Sudão. Assim, o ciclo de transferência de conhecimento jihadista se completaria.


Retomemos as memórias de Adnan. Adnan levou as propostas de Abu Abdul-Rahman a Shekau para discuti-las durante uma refeição — algo que, ao que parece, era extremamente incomum. Inicialmente, Shekau mostrou-se receoso (provavelmente desconfiado), mas convidou o *Emir al-Jaysh* (comandante militar) Aliyu para participar da discussão. Por fim, Shekau convenceu-se e autorizou Aliyu a definir as diferentes regiões administrativas e a instituir um curso de treinamento — iniciativa que, aparentemente, obteve grande sucesso e foi bem recebida pelas tropas. Mais tarde, Aliyu revelou a Adnan que Shekau não compartilhava suas refeições com ninguém devido a uma tentativa de assassinato sofrida durante tentativas anteriores de reforma.

Segundo Aliyu, Shekau havia enviado vários combatentes do Boko Haram, sob o comando de "Abu Khalid al-Barnawi", para treinar com a Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQIM). Não se explica exatamente como esses combatentes se integraram às fileiras da AQIM nem como chegaram à Argélia, mas o episódio constitui mais um indício da vasta rede logística jihadista que se estende pela África. De qualquer modo, o treinamento teria transformado o grupo, que retornou com uma carta expondo as condições para reintegrar-se ao Boko Haram. As duas principais exigências eram a formação de um Conselho *Shura* e a permissão para que muçulmanos fossem desculpados por pecados graves ou atos de descrença caso agissem por ignorância (*al-udhr bil-jahl*). Shekau rejeitou as demandas — opondo-se especialmente ao Conselho *Shura* — e a relação entre as partes tornou-se hostil, culminando em uma tentativa do grupo de Abu Khalid de assassinar Shekau. Esse incidente intensificou a paranoia de Shekau e, ao que parece, contribuiu para sua decisão de reverter a criação das regiões administrativas, nomeando Aliyu como emir acima dos governadores. Adnan e Aliyu contornaram essa decisão criando um conselho conjunto de governadores, no qual podiam tomar decisões de forma independente, sem a supervisão de Shekau. Fica evidente a megalomania de Shekau (ou, pelo menos, a imagem dela que Adnan transmite). Vale notar que essa medida ajudou a lançar as bases para um futuro pós-Shekau, representando um passo importante na eventual formação do ISWAP. Após essa reforma, Adnan partiu em uma missão para uma cidade renomeada como al-Bahrayn, onde conheceu o emir e tomou conhecimento de seu governo brutal. Inicialmente, Adnan sentiu-se cativado pelo emir e, por isso, deixou-o livre para circular pela cidade e observar o cotidiano dos moradores. Em uma conversa, um habitante local informou-lhe que o emir havia executado dez moradores sob a acusação de apostasia — simplesmente por possuírem documentos de identidade —, fato que chocou profundamente Adnan. O emir acabou sendo preso, o que sugeria a existência de agentes favoráveis ​​a reformas atuando na base, em diversos territórios controlados pelo Boko Haram. Durante o interrogatório, Adnan constatou que o emir compartilhava a ideologia ultraextremista de Shekau. Em um momento particularmente chocante, Adnan perguntou ao emir por que a cidade de Banki parecia deserta. O emir admitiu, com orgulho, ter expulsado a população porque os moradores haviam fugido durante a conquista inicial do Boko Haram. A seu ver, eles haviam cometido apostasia ao fugir da iminente imposição da Sharia. Como os moradores haviam buscado refúgio na cidade camaronesa vizinha de Limani, o emir também os perseguiu até lá, deixando, por fim, até mesmo Limani praticamente deserta.


Adnan relata que tal brutalidade o deixou profundamente consternado, pois oprimia muçulmanos comuns e até mesmo colocava em risco combatentes do Boko Haram vindos de estados vizinhos e do exterior. Ele solicitou uma audiência com o Xeique Muhammad Nur, argumentando que documentos de identidade e outras questões básicas de nacionalidade ou cidadania não constituíam motivo para excomunhão. Nur rejeitou o argumento de Adnan, mas o debate foi levado a estudiosos de grande saber — que não foram nomeados, mas que aparentemente atuavam no exterior e já mantinham contato com o Boko Haram — e que concordavam com Adnan. Isso resultou em uma nova *fatwa* que proibia a execução de muçulmanos por possuírem documentos de identidade ou cidadania. Tal decisão enfureceu Shekau, que a rejeitou categoricamente. O comandante Aliyu rapidamente protegeu Adnan, mas Shekau deixou clara sua hostilidade em relação ao reformador sudanês. Aliyu e Abu Musab al-Barnawi (que faz uma breve aparição) então disseram a Adnan, em particular, que divulgariam a *fatwa* sem o conhecimento de Shekau e usariam sua autoridade para fazê-la valer. Esse foi mais um passo rumo à futura formação do ISWAP.

Adnan então faz uma digressão para discutir questões doutrinárias, antes de relatar a suposta tentativa do presidente camaronês de estabelecer uma trégua com o Boko Haram. Segundo o relato de Adnan, a oferta partiu de um emissário enviado exatamente quando o Boko Haram mobilizava um grande exército para o combate. O comandante Aliyu reuniu-se com o emissário e conversou com ele em particular, antes de retornar para junto de Adnan e dos outros. Aliyu revelou então que havia falado por telefone com o presidente camaronês, Paul Biya. Durante a conversa, Biya teria oferecido retirar as forças camaronesas sob a condição de uma trégua. É muito difícil acreditar nisso, pois considero altamente improvável que o próprio Paul Biya negociasse com qualquer membro do Boko Haram. Seja como for, Aliyu não aceitou a trégua de imediato, dizendo que precisava de tempo para pensar. Por sua vez, Adnan insistiu para que Aliyu aceitasse a trégua, com o objetivo de romper a aliança regional contra o Boko Haram.

Mais ou menos na mesma época, uma proposta de trégua semelhante veio do Níger. Shekau autorizou um ataque à cidade nigerina de Diffa, tanto por uma questão de princípio quanto para impedir que Aliyu aceitasse a trégua. Note-se aqui a paranoia e o ultraextremismo de Shekau. A ofensiva contra Diffa desencadeia um ataque simultâneo às forças camaronesas, pondo fim a quaisquer possíveis tréguas com ambos os países. Adnan e Aliyu ficam chocados, temendo que o ataque de Shekau possa comprometer o "Estado" do Boko Haram e os esforços para construí-lo. Isso leva à formação de um Conselho Shura para definir rapidamente o curso de ação adequado — e, o mais importante, como garantir a obediência de Shekau, preparando o terreno para sua eventual destituição. A metanarrativa aqui sugere que, ao contrário do Estado Islâmico (IS), Shekau carecia de pensamento estratégico e o reprimia dentro do Boko Haram — embora o ISWAP tenha mantido sua política de rejeitar tréguas com todos os "infiéis".