Pelo menos 20 combatentes canadenses foram mortos em ação nas linhas de frente da Ucrânia.

 


Os gritos do soldado canadense são angustiados, ainda mais comoventes pelo fato de ele estar gravando os sons com sua própria câmera GoPro
“Meu pé está ferrado. Me ajudem”, ele grita na floresta ucraniana que escurece, terra de ninguém entre as linhas amigas e russas, antes de gemer de agonia. “Ei, alguém, venha me ajudar.”

O combatente e paramédico de 21 anos do Corpo de Khartia da Ucrânia, identificado apenas como Cooper, havia acabado de pisar em uma mina terrestre russa e, em seguida, apertou um torniquete em volta da perna dilacerada para estancar o sangramento. Mas seus apelos naquele dia, no outono passado, foram em vão e nenhuma ajuda chegou. Então, ele começou a mancar e rastejar em direção à segurança de uma posição ucraniana, esperando contra todas as expectativas que não fosse avistado no caminho por um drone de ataque russo.


Cooper foi finalmente encontrado por soldados ucranianos que o arrastaram para um local relativamente seguro e, mais tarde, o enviaram, ainda sangrando profusamente e oscilando entre a consciência e a inconsciência, para um hospital de campanha. Os cirurgiões amputaram parte da perna do canadense. Muitos soldados teriam desistido naquele momento. Mas não Cooper, ao que parece. Recentemente, ele disse a um entrevistador do Corpo de Khartia que planeja retornar ao combate, depois de ter sido elogiado por oficiais por salvar a vida de 50 soldados ucranianos feridos. 
“Ainda não terminei”, disse ele durante a entrevista em vídeo, entre tragadas repetidas em um cigarro. “O que vou fazer a respeito? Perdi minha perna — bola pra frente, certo? Não posso mudar o que aconteceu. Sei no que me alistei. Não me arrependo.” O Corpo de Khartia identifica Cooper apenas por seu indicativo de chamada, conforme exigido pelas normas militares ucranianas, e ele recusou, por meio do Corpo, ser entrevistado pelo National Post. Mas sua comovente história de coragem pessoal e fuga por pouco da morte ressalta um fenômeno quase esquecido: as dezenas de canadenses que arriscaram tudo para ajudar a defender a Ucrânia da invasão lançada pela Rússia há quatro anos, em 24 de fevereiro. Muitos dos que foram lutar ficaram feridos. Outros nunca retornarão. Pelo menos 20 combatentes deste país foram mortos em ação nas linhas de frente da guerra brutal, diz Jean-Francois Ratelle, professor adjunto da Universidade de Ottawa que está acompanhando a experiência dos combatentes estrangeiros. Suas estimativas apontam para uma taxa de mortalidade chocantemente alta, de 15%, para esses canadenses, mesmo que seu sacrifício receba pouca atenção aqui. Durante os intensos combates na província de Kandahar, no Afeganistão, em 2006, em contraste, o Departamento de Defesa Nacional estimou que 1,6% dos soldados canadenses que serviam lá perderam a vida.


O número total de canadenses mortos em combate na Ucrânia, na verdade, iguala ou supera o número de mortos entre os voluntários franceses e alemães, diz Ratelle, embora a Alemanha e a França sejam muito mais populosas, estejam mais próximas da Ucrânia e, como nações europeias, tenham, indiscutivelmente, um interesse maior no resultado da guerra. 
"Tivemos um desempenho bastante acima da média para o nosso tamanho", diz ele. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Canadá, Thida Ith, disse que o departamento não monitora os canadenses que viajam para a Ucrânia para lutar ou aqueles mortos em combate, mas tem conhecimento de 27 cidadãos canadenses que morreram na Ucrânia por todas as causas desde o início da guerra. Os estrangeiros que vieram em defesa da Ucrânia foram saudados no início do conflito como um grande reforço para as forças que continuam em menor número e com armamento inferior ao de seu inimigo russo. O país buscou ativamente recrutas internacionais com experiência militar. Mas Ratelle disse que o número de canadenses que se juntaram à luta foi relativamente modesto, talvez apenas 130, de acordo com sua estimativa, reconhecidamente aproximada. Sua pesquisa indica que a maioria eram ex-soldados atraídos pela oportunidade de confrontar um ataque sangrento e não provocado por um país autoritário, às vezes sentindo que o governo canadense não havia feito o suficiente para ajudar a Ucrânia. Embora admire a bravura dos combatentes, Ratelle disse que sua contribuição, em muitos casos, pode não ter feito uma diferença significativa "no moedor de carne daquela guerra". Mas esses combatentes ainda podem representar um desafio — para o Canadá, disse o acadêmico. Sobrevivendo à guerra de trincheiras, que se tornou ainda mais aterrorizante pelo uso generalizado de drones assassinos, alguns, sem dúvida, retornarão com cicatrizes psicológicas, se não físicas, disse ele. Por esse motivo, Ratelle acredita que o Ministério das Relações Exteriores deveria ter monitorado os combatentes canadenses, pelo menos para que pudessem receber a ajuda de saúde mental necessária quando voltassem para casa. "Acredito que estamos cometendo um erro como país ao não termos uma ideia melhor do que está acontecendo", disse ele. “Isso pode se tornar uma questão de segurança, pode se tornar um problema humanitário, de certa forma, quando os veteranos voltarem de uma frente de batalha onde não são reconhecidos como tal… Depois da guerra, a maioria dessas pessoas ficará em uma zona cinzenta. Elas não serão realmente bem-vindas na Ucrânia e não teremos os recursos para ajudá-las no Canadá.”


Ratelle argumentou em um artigo de 2024 que o transtorno de estresse pós-traumático, se não tratado 
criado, poderia até tornar alguns combatentes repatriados vulneráveis ​​ao recrutamento por grupos extremistas. Na entrevista gravada em vídeo e publicada online por seu regimento, Cooper diz que viajou para a Ucrânia há um ano por motivos que ele insiste serem pessoais, e não necessariamente em busca de uma causa nobre. “Eu só queria mais da vida — é só isso mesmo”, disse o canadense, cujo cabelo encaracolado, barba cheia e óculos de aro de metal o fazem parecer mais um estudante de pós-graduação do que um soldado de infantaria. “Gosto de poupar as pessoas dos clichês morais de ‘Ah, estou aqui para salvar a Ucrânia’. Todo estrangeiro diz isso… A verdade é que eu só queria algo mais. E se eu ajudar as pessoas no caminho, isso também é ótimo e acho que é meu dever.” Ele não parece ter nenhuma experiência militar anterior e disse que provavelmente não teria escolhido ser médico, mas foi direcionado para essa profissão depois de chegar à Ucrânia. Sua última missão foi perto da cidade de Kupyansk, um raro ponto positivo para os ucranianos atualmente. Nos últimos meses, o Corpo de Khartia e outros repeliram uma ofensiva russa para tomar o entroncamento ferroviário, localizado em uma importante rota de abastecimento no nordeste do país. No dia em que Cooper foi ferido, ele e seus camaradas — pelo menos um deles um combatente estrangeiro com sotaque inglês — receberam a missão de limpar uma floresta que ficava entre as posições russas e ucranianas. Grande parte da operação foi registrada por sua câmera. Movendo-se silenciosamente pela densa mata, eles encontraram trincheiras russas, atirando ou lançando granadas nelas caso ainda estivessem ocupadas. Mas, em sua maioria, encontraram soldados inimigos mortos, provavelmente mortos por drones-bomba ucranianos. Em um dado momento, o grupo encontrou um combatente gravemente ferido do seu lado, carregando-o de volta para um bunker improvisado em um galho grosso de árvore. Eles retornaram à floresta para procurar mais, terminando "um pouco decepcionados" com a falta de contato com inimigos vivos, diz Cooper na entrevista. Quando o esquadrão retornou no final da tarde, ele era o último do grupo — e teve o azar de pisar na mina que ninguém viu. “Lembro-me vividamente de meus pés serem jogados para cima e de eu ser atirado de costas. Soube imediatamente que devia ter pisado em uma mina, porque, ao ser arremessado para cima, vi minha bota rasgada.” Cooper aplicou o torniquete e procurou abrigo, antes de ligar sua GoPro, pensando: “Se vou morrer aqui, posso muito bem gravar”. Seus companheiros soldados aparentemente não ouviram nada, deixando-o sozinho na escuridão iminente. Os soldados que o resgataram o mantiveram durante a noite em seu bunker, antes de ele ser levado às pressas para um hospital de campanha na carroceria de um veículo todo-terreno. “Havia sangue por toda parte quando eu estava saindo. Me senti muito mal porque os ucranianos tiveram que limpar tudo depois que eu fui embora.” O entrevistador pergunta mais tarde se é uma “opção viável” para ele retornar ao serviço militar. Absolutamente, responde Cooper, da mesma forma discreta com que descreveu toda a experiência angustiante. “Em algum momento, as pessoas têm um bloqueio mental e eu simplesmente não aceito isso”, diz ele. “Em breve estarei usando uma prótese… Há muitas outras pessoas que fazem isso, então por que eu não posso? Não há desculpa para não fazer. Nenhuma desculpa.”

Comandante de unidade brasileira na Ucrânia autorizou tortura que matou pernambucano, diz delator

 Braço direito de Leanderson Paulino desertou, fugiu da unidade e agora está sob proteção de autoridades da União Europeia

Daniel Reis

Uma nova testemunha que está sob proteção da polícia em um país da União Europeia revelou ao SBT News que o chefe de uma unidade brasileira na Ucrânia autorizou a sessão de tortura que provocou a morte do pernambucano Bruno Gabriel Leal da Silva e que liderava um esquema que inclui retenção de passaportes, apropriação de salários e até ocultação de corpos. 
Segundo ele, corpos de brasileiros eram deliberadamente abandonados nos campos de batalha para que o comando continuasse recebendo os salários. Esta acusação é confirmada por outras testemunhas ouvidas pelo SBT News. Agora, porém, a acusação parte de um dos homens mais influentes na Unidade Advanced, considerado um dos braços direitos e homem de confiança de Leanderson Paulino. Daniel Reis, de 29 anos, tornou-se um delator, já prestou depoimento a autoridades policiais e tornou-se uma das testemunhas mais importantes na investigação. Ele afirma que o comando da unidade deu sinal verde para o espancamento de Bruno.


Remasso
é um termo usado pelos brasileiros da unidade que significa uma punição coletiva, em que um grupo de 3 ou mais pessoas espanca uma única vítima como forma de punição. A prática é mostrada em um dos vídeos publicados na reportagem exibida no SBT Brasil, na última quarta-feira.  Daniel Reis afirmou que fugiu de um treinamento que fazia pela Unidade, na Espanha. Ele está agora sob proteção policial em um país da União Europeia. A localização dele não será revelada por questões de segurança.

"Inclusive, fizeram retenção do meu passaporte, dos meus documentos oficiais. Estavam com eles. Se alguém for lá no curso onde está o pessoal, vai achar meu passaporte. Está lá com eles. Pegaram meu passaporte justamente para eu não fugir. Em uma conversa, ele falou que quem tentasse fugir ele ia matar se conseguisse pegar essa pessoa. Reis tinha o cargo de soldado, mas foi informalmente promovido a sargento por Paulino. Ele diz que estava ao lado do comandante, na região de Zaporíjia, no dia da morte de Bruno e que foi o primeiro a receber uma mensagem de um dos brasileiros envolvidos que fizeram parte do "remasso".

Leanderson Paulino

"Eles não estavam tendo mais treinamento. Estavam tendo mais remasso (tortura), mais atos ilícitos do que, vamos dizer, treinamento básico que deveriam receber". Segundo Daniel, o comandante Leanderson Paulino não apenas participava, como também torturava pessoalmente as vítimas. "Pisão no pescoço, enforcamento, tapa na cara, murro na cara, chute na costela, que já aconteceu comigo".

A testemunha que já relatou os casos de tortura para autoridades da União Europeia revela ainda que o brasileiro Leanderson Paulino obrigava seus recrutas a doar 10% do salário para a Unidade.  "Esse valor não ia para a conta dele (Paulino) diretamente. Ia para outra conta, de outro componente que fazia parte da área financeira da Advance Company.


México : Um confronto em Tapalpa desencadeou bloqueios no interior do estado e na Região Metropolitana de Guadalajara.

 


Um confronto entre civis e membros do Exército Mexicano provocou bloqueios com veículos incendiados no interior do estado e na Região Metropolitana de Guadalajara. Alguns locais confirmados incluem o cruzamento das avenidas Alcalde e Federalismo, o anel viário Periférico e a rua Tabachines, o cruzamento da Calzada Independencia com o anel viário Periférico perto do Zoológico e a rodovia para Chapala. Veículos também foram incendiados em outras partes do estado, como Autlán de Navarro e Puerto Vallarta.


Da mesma forma, um confronto foi relatado no município de Cihuatlán entre civis e autoridades, segundo moradores locais. Até o momento, nenhuma autoridade comentou sobre os veículos incendiados ou quaisquer prisões que possam ter desencadeado o incidente. Um tiroteio foi relatado entre membros do Exército Mexicano e indivíduos armados no município de Tapalpa. 
Os bloqueios de estradas montados pelo cartel de drogas CJNG em resposta a uma operação federal em Tapalpa, Jalisco, se espalharam para Tamaulipas, Guanajuato, Zacatecas, Nayarit, Colima e Michoacán.


O que começou como uma operação direcionada das forças federais no município de Tapalpa, Jalisco, desencadeou uma reação em cadeia de ações de grupos criminosos aliados ao CJNG, afetando agora grande parte do oeste e norte do México. O governador de Jalisco, Pablo Lemus Navarro, confirmou que a estratégia de bloqueios de estradas e veículos incendiados ultrapassou as fronteiras estaduais, atingindo níveis de emergência regional. Por meio de canais oficiais, o governador alertou que grupos criminosos — supostamente ligados ao Cartel Jalisco Nova Geração — estenderam suas táticas de obstrução a estados vizinhos e pontos estratégicos em todo o país para dificultar o envio de reforços militares. "Os bloqueios se espalharam para as fronteiras territoriais, inclusive para estados vizinhos", observou Lemus Navarro, ressaltando a gravidade da expansão geográfica do conflito. A crise de segurança, que começou com confrontos na região montanhosa de Jalisco, agora inclui incidentes, veículos incendiados e bloqueios de estradas nas seguintes regiões:


Regiões Ocidental e do Bajío: Além de Jalisco, distúrbios foram confirmados nas estradas de Michoacán, Guanajuato, Nayarit, Colima e Zacatecas. Fronteira Norte: A cidade de Reynosa, em Tamaulipas, também sofreu bloqueios, o que sugere uma resposta coordenada ou a desestabilização das rotas logísticas do crime organizado.

Dada a magnitude desses eventos, os Conselhos de Segurança dos estados afetados declararam-se em sessão permanente. Em Jalisco, municípios importantes como Guadalajara, Zapopan e Puerto Vallarta mantêm a segurança reforçada após ataques a postos de gasolina e escritórios federais. Enquanto isso, as autoridades de Nayarit e Colima reforçaram suas fronteiras com Jalisco para impedir que grupos criminosos usem suas rodovias como rotas de fuga ou áreas adicionais para confrontos. Até o momento, o Governo Federal manteve completo sigilo quanto ao principal objetivo da operação em Tapalpa e ao número total de prisões ou mortos.


Em um golpe estratégico que redefine o cenário de segurança no México, as forças federais mataram Nemesio Oseguera Cervantes, vulgo "El Mencho", fundador e líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), no domingo, 22 de fevereiro. Fontes de alto escalão confirmaram que o narcotraficante foi morto durante uma operação de alta precisão liderada pelo Exército Mexicano no município de Talpa de Allende, Jalisco, área considerada seu principal reduto. A confirmação de sua morte desencadeou uma resposta imediata e coordenada de grupos criminosos. Bloqueios de estradas, incêndios em veículos e confrontos foram relatados em pelo menos seis estados: Jalisco, Michoacán, Colima, Tamaulipas, Guanajuato e Aguascalientes. Essa ofensiva criminosa busca obstruir o envio de reforços militares e marca o início de um período de incerteza quanto à sucessão no topo da organização.

Nemesio Oseguera nasceu em 17 de julho de 1966, em Naranjo de Chila, Michoacán. Sua história é uma de ascensão forjada entre a pobreza e a ambição:

Primeiros Anos: Ele abandonou a escola na sexta série para colher abacates antes de imigrar para os Estados Unidos como imigrante indocumentado.

Primeiras Prisões: Em 1992, ele e seu irmão Abraham foram condenados nos EUA por vender heroína para agentes disfarçados; após cumprir sua pena, ele foi deportado para o México.

Infiltração Institucional: Ao retornar, ele trabalhou, de forma improvável, como policial em Tomatlán, Jalisco, uma experiência que lhe permitiu aprender os mecanismos operacionais das autoridades por dentro.

A ascensão de "El Mencho" esteve ligada a figuras-chave do narcotráfico. Inicialmente fez parte do Cartel Milenio, braço armado que protegia Ignacio "Nacho" Coronel, braço direito de Joaquín "El Chapo" Guzmán.

México : Morte de importante líder do Cartel Jalisco Nova Geração desencadeia bloqueios de estradas e tiroteios em Jalisco e partes de Michoacán

 


Uma manhã que parecia calma se transformou em um pesadelo. Neste domingo, 22 de fevereiro de 2026, o oeste do México acordou com fogo, fumaça e medo após uma operação federal em Tapalpa desencadear uma onda de violência sem precedentes que se espalhou como fogo em palha por Jalisco e chegou a Michoacán.




Desde as primeiras horas da manhã, relatos de cidadãos começaram a inundar as redes sociais: rajadas de tiros de armas de grosso calibre, ônibus em chamas, caminhões bloqueando estradas e rodovias completamente bloqueadas. 





De acordo com relatos convergentes da mídia nacional e das autoridades, grupos criminosos ligados ao Cartel Jalisco Nova Geração — reagiram à operação federal instalando bloqueios simultâneos em dezenas de locais estratégicos. 


O terror tomou conta da Região Metropolitana de Guadalajara, onde cruzamentos importantes como Javier Mina, Calzada Independencia e Circunvalación foram paralisados ​​por tiros, incêndios e bloqueios de estradas. Mas a situação era ainda mais grave na parte sul do estado:

Tapalpa, o ponto de partida da operação;

Rodovia Guadalajara-Colima, com o pedágio de Acatlán fechado;

Sayula, Zacoalco de Torres, Autlán, Cihuatlán e trechos da estrada que leva a Puerto Vallarta.

Nesses locais, ônibus, caminhões e vans foram incendiados, e até mesmo um posto de gasolina foi consumido pelas chamas, segundo relatos locais.


A violência se espalhou para outros estados. Em Michoacán, bloqueios de estradas e incêndios foram confirmados em:

Estradas estratégicas ficaram intransitáveis, com a fumaça preta se espalhando pelas rodovias rurais e urbanas. Diante da magnitude dos acontecimentos, o governador de Jalisco, Pablo Lemus, acionou o Código Vermelho, convocou um Conselho de Segurança com representantes dos três níveis de governo e solicitou informações diretas das autoridades federais. Como medida de emergência, o transporte público foi suspenso em diversas rotas, e as autoridades pediram aos moradores que permanecessem em casa e evitassem as rodovias no sul de Jalisco e oeste de Michoacán. Ainda não há números oficiais sobre o número de mortos. No entanto, relatos não confirmados que circulam nas redes sociais indicam que pelo menos seis pessoas ficaram feridas por disparos de arma de fogo, informação que ainda está sendo verificada. Desde as 7h ou 8h da manhã, plataformas como o X (antigo Twitter) foram inundadas com vídeos, gravações de áudio e fotografias. Alguns são reais e recentes, mostrando chamas e bloqueios de estradas. Enquanto isso, o oeste do México vive horas de extrema tensão, com cidades paralisadas, rodovias fechadas e uma população presa ao medo e à incerteza.

Mortes por Fentanil estão às portas das casas brasileiras devido à mistura principalmente com cocaína e em número menor à metanfetamina

 


Cerca de 75% da cocaína hoje vendida nos Estados Unidos contém fentanil. Ele está por trás de muitas mortes catalogadas como “overdose de cocaína”. 
Fentanil é um opioide sintético 50 vezes mais potente do que a heroína e cerca de cem vezes mais potente do que a morfina. Administrado por via oral ou intravenosa, sua ação é rápida, bem como rápida é sua eliminação do organismo, propriedades farmacológicas que justificam seu emprego em anestesia, especialmente em procedimentos pouco invasivos. É possível que você, leitor, já tenha recebido esse medicamento numa endoscopia ou na correção de uma fratura óssea, sem saber. Os anestesistas consideram o fentanil bastante seguro, desde que administrado por mãos experientes. O risco é o seu uso indevido, porque a margem de segurança é estreita: doses de até 2 mg podem provocar paradas respiratórias fatais. Quanto mais curto o intervalo entre a administração de uma droga psicoativa e a sensação de prazer provocada por ela, maior o risco de dependência química. É o que explica o sucesso da nicotina: a fissura acaba em segundos já na primeira tragada. Pela mesma razão, fumar crack é mais compulsivo do que cheirar cocaína. O que faz do fentanil uma droga de uso compulsivo é o prazer quase imediato que ele traz, seguido de sua excreção rápida. O que o torna muito perigoso são as mortes por overdose em segundos ou minutos após a administração.

 


Na comparação, os óbitos por overdose de outros opioides, como heroína ou oxicodona, levam minutos ou horas para acontecer. 
Nesse cenário, o exemplo dos Estados Unidos, o país que mais consome drogas ilícitas, é trágico: as mortes por overdose de drogas sintéticas aumentam a cada ano. Entre 2019 e 2020, o número duplicou. Em 2021, foram 107 mil casos, dos quais 70 mil associados a opioides sintéticos – destes, 2/3 provocadas pelo fentanil. Antes de uso restrito a adolescentes e jovens, o fentanil não tardou a chegar aos adultos. No período de 2020 a 2021, o consumo na faixa etária de 65 anos ou mais aumentou 28%. É droga fácil de sintetizar, a maior parte da produção vem de pequenos laboratórios na China, por um preço bem menor do que o da heroína. A margem de lucro é astronômica. Os cartéis mexicanos compram o quilo na China por U$ 5 mil, quantidade que rende em média 20 quilos depois de batizada. Ao atravessar a fronteira americana, o quilo passa a valer U$ 80 mil. A venda dos comprimidos no varejo confere aos traficantes U$ 1,6 milhão. Para os que ganham a vida no tráfico, é tentação demais. Além do que, é mais fácil e menos arriscado transportar e distribuir comprimidos do que grandes volumes maconha ou cocaína. Os números das apreensões feitas pelo DEA, dos Estados Unidos, refletem essa facilidade. Em outubro de 2022, na Califórnia, foram apreendidos 24 quilos de fentanil em pó, quantidade suficiente para prensar 2,5 mil comprimidos. Neste ano, o DEA já apreendeu 4,5 toneladas de fentanil em pó e 50,6 milhões de comprimidos, quantidade suficiente para exterminar a população americana. Acrescentar fentanil a medicamentos vendidos clandestinamente pela internet, com os nomes de Percocet, OxyContin, Ritalina, Xanax, Adderal, Ecstazy e outros, virou prática corrente entre os traficantes, com a finalidade de potencializar o efeito psicoativo e/ou analgésico e criar dependência. Numa ação do DEA, foram apreendidos 20,4 milhões desses comprimidos falsificados, de aparência igual à dos verdadeiros. Encontraram doses letais de fentanil em 4 de cada 10 comprimidos analisados. Muitos dos que perderam a vida por causa desses comprimidos fake não tinham ideia de que ingeriam doses letais de fentanil. Segundo o DEA, cerca de 75% da cocaína hoje vendida nos Estados Unidos contém fentanil. Ele está por trás de muitas mortes catalogadas como “overdose de cocaína”.

Esse comércio ilícito é feito com liberdade pelo Facebook, Instagram, Telegram, TikTok, Twitter, Snapchat e pela deep web. Nessas plataformas, o fentanil é oferecido em mensagens cifradas, acompanhadas de emojis que funcionam como senhas de acesso.


Dado esse contexto internacional, fica evidente que não seríamos poupados. Neste ano, a polícia civil do Espírito Santo apreendeu no município de Cariacica – região metropolitana de Vitória – 31 frascos de fentanil líquido. EM SP e Mg os traficantes também já começam a misturar o fentanil à cocaína conforme apreensões recentes de cocaína em 'laboratórios' de 'batismo' da droga são acompanhadas de apreensões de ampolas de fentanil. 

Estou convencido de que as mortes por fentanil estão às portas das casas brasileiras, infelizmente. Vamos agir como os avestruzes?

Roraimense enganado, carioca voluntário: os brasileiros no front em 4 anos de guerra entre Rússia e Ucrânia

 Ao completar quatro anos, o conflito do Leste Europeu permanece em um impasse diplomático e territorial sem previsão de fim; pelas estatísticas do Itamaraty, 45 brasileiros desapareceram e 23 morreram desde o início do conflito.

De lados opostos, os brasileiros Marcelo e Cândido lutam na guerra entre Rússia e Ucrânia.

De um lado, um roraimense, enganado por uma falsa promessa de emprego na Rússia. Do outro, um carioca, que se alistou voluntariamente no exército ucraniano. Ao completar quatro anos, o conflito do Leste Europeu permanece em um impasse diplomático e territorial sem previsão de fim. Os brasileiros Marcelo e Cândido são mais dois no front. Pelas estatísticas do Itamaraty, 45 brasileiros desapareceram e 23 morreram desde o início do conflito. 

e Marcelo Alexandre da Silva Pereira

O 'bem' de Marcelo Alexandre da Silva Pereira é um alívio frágil. Aos 29 anos, o boa-vistense e pai de quatro filhos trocou o calor de Roraima pelo inverno rigoroso do Leste Europeu. Mas ele não foi em busca de glória militar. Marcelo foi atraído por uma promessa de emprego falsa e acabou empunhando um fuzil sob a bandeira russa.

Gisele Pereira, namorada de Marcelo, narra o início de um pesadelo que começou com um convite casual. Um conhecido ofereceu uma vaga de emprego como motorista na Rússia. Passagem paga, moradia inclusa. O bilhete de saída para uma vida melhor.

"O amigo dele falou: você só tem que tirar o passaporte... Quando ele assinou o contrato, ele me mandou a mensagem: 'eu assinei um contrato', só que tava tudo em russo. E ele não entendia nada."

Marcelo embarcou em novembro de 2025 acreditando em um salário de 40 mil reais por um ano de trabalho. No destino, descobriu que o "escritório" era a trincheira. Hoje, ele luta uma guerra que não entende, numa língua que não fala, com o passaporte confiscado pelo exército de Putin"Ele só fala por gesto... Teve que pegar em arma. Lá é muita neve e acaba se debilitando, ele não tinha costume com o frio. Ele tá com os pés todo machucado. E para ele tudo é medo de drone... ele quer ver os filhos dele crescer. Eu quase não durmo. Aparecem manchas no meu corpo e somem. Isso é crise de ansiedade." Enquanto Marcelo tenta, via embaixada em Moscou, um caminho de volta, a angústia de Gisele é medida pelo silêncio. No front, não há sinal de celular.


Do outro lado da linha de tiro, a 500 metros das posições russas, está outro brasileiro. Mas a motivação do carioca Carlos Eduardo Cândido, de 32 anos, é oposta. Ele não foi enganado: se alistou. Comprou a própria passagem e buscou o recrutamento ucraniano por vontade própria.

"Desde que eu cheguei, vivi num batalhão... Você assume o posto e você fica de vigia ali, esperando para ver se alguém vem tentar tomar a sua posição. O russo usa muito grupo suicida. Eles vêm em pequenos grupos tentar se infiltrar... E aí a gente fica na posição lá no bunker." Para Cândido, a guerra virou rotina. O salário varia de dois mil e quinhentos reais a valores mais altos, a depender das missões e dos riscos. Há dois anos, ele vive entre a "casa segura" e o som da artilharia que não avisa quando chega. "Teve momentos que pensei que não iria voltar pra casa. Pensei: chegou minha hora agora... Artilharia caindo pra tudo qualquer lado, você não sabe de onde tá vindo... Já perdeu amigos na guerra? Já, já perdi muitos..." Hoje, Cândido opera drones — a mesma arma que apavora Marcelo do outro lado. Ele não tem previsão de volta. Marcelo e Cândido são mais dois no front. Pela estatísticas frias do Itamaraty, 45 brasileiros desapareceram e 23 morreram nesses quatro anos de conflito. O governo brasileiro é enfático: alistar-se em forças estrangeiras é um risco pessoal e o Ministério recomenda que qualquer convite desse tipo seja recusado.


Mas, enquanto o Brasil alerta, o mundo observa o tabuleiro político mudar. Com a volta de Donald Trump à Casa Branca, a pressão por um acordo cresceu, mas o diálogo ainda não se traduziu em cessar-fogo. A economia russa desacelera após o esforço de guerra; a Ucrânia luta contra a inflação e a destruição. Para Valdir da Silva Bezerra, mestre em relações internacionais, o impasse é existencial. "Os próximos meses não parecem nos levar a uma conclusão para essa guerra que já vai para quatro anos logo mais", analisa. O nó é jurídico e territorial. A Rússia exige as terras ricas em recursos do Donbas e o reconhecimento da Crimeia. A Ucrânia, como explica o doutor em relações internacionais Fabrício Vitorino, não pode abrir mão de sua soberania. "A Ucrânia, pela posição jurídica e para manutenção da soberania, não vai abrir mão dos seus territórios. Esse é o impasse legal que impede o cessar-fogo", explica.


Enquanto os diplomatas discutem "marcos jurídicos" e "ativos macroeconômicos" em salas climatizadas, o custo real da guerra é contado em corpos. Relatórios apontam que as baixas de ambos os lados podem chegar a dois milhões de pessoas nos próximos meses. A Rússia já perdeu mais de 300 mil soldados. A Ucrânia, cerca de meio milhão. No meio dessa matemática de milhões, o conflito se resume a esperas individuais. 
De um lado, um carioca opera drones em um bunker, vigiando uma terra que escolheu defender. Do outro, um roraimense de pés machucados pelo gelo conta os dias para rever os filhos. Já para a diplomacia, a guerra é apenas um impasse geográfico. 

Irã fecha rota marítima crucial no Estreito de Ormuz após aiatolá ameaçar afundar navios de guerra dos EUA


 O Irã fechou temporariamente parte do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica crucial, em meio ao aumento das tensões com os EUA. A medida de terça-feira representa o primeiro fechamento da via navegável no Oriente Médio desde a década de 1980 e ocorreu após o aiatolá iraniano emitir novas ameaças contra os Estados Unidos.

Uma das rotas mais importantes do mundo em termos estratégicos, o Estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é responsável por cerca de 20% do petróleo mundial. A mídia estatal anunciou que o estreito seria parcialmente fechado por algumas horas devido a "precauções de segurança", enquanto a Guarda Revolucionária realizava exercícios militares.


Especialistas já haviam alertado que o fechamento do Estreito poderia causar um aumento nos preços do petróleo caso o combustível não conseguisse passar. O direito internacional permite que os países exerçam controle em uma faixa de até 13,8 milhas (12 milhas náuticas) a partir de sua costa. Em seu ponto mais estreito, a passagem fica sob controle tanto do Irã quanto de Omã. Os EUA e o Irã realizaram conversas sobre um possível acordo nuclear na terça-feira, com o ministro das Relações Exteriores de Teerã anunciando que "princípios orientadores" haviam sido acordados, sem entrar em detalhes. O vice-presidente JD Vance disse à Fox News: "De certa forma, correu bem; eles concordaram em se encontrar depois. Mas, por outro lado, ficou muito claro que o presidente estabeleceu algumas linhas vermelhas que os iranianos ainda não estão dispostos a reconhecer e superar."


Os EUA posicionaram o maior navio de guerra do mundo, o USS Gerald R Ford, no Oriente Médio para se juntar a um porta-aviões anterior, o USS Abraham Lincoln, que havia se deslocado para a região no mês passado. O aiatolá Ali Khamenei respondeu ameaçando afundar os porta-aviões. "O presidente dos EUA continua dizendo: 'nossas forças armadas são as mais fortes do mundo'; as forças armadas mais poderosas do mundo às vezes podem receber um golpe tão forte que não conseguem mais se manter de pé", disse ele na terça-feira. “Eles dizem constantemente: ‘Enviamos um porta-aviões em direção ao Irã’. “OK, claro que um porta-aviões é um dispositivo perigoso, mas mais perigoso do que o porta-aviões é a arma que pode afundá-lo.”


No início da semana, o Irã realizou exercícios militares no Estreito, com mísseis lançados dentro do Irã e ao longo de sua costa, atingindo alvos na hidrovia. Os exercícios, que incluíram testes de mísseis, navios de guerra e helicópteros, demonstraram a “prontidão operacional” da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) e planos de ação recíproca em caso de “potenciais ameaças à segurança e militares”. Na quarta-feira, o Irã e a Rússia anunciaram que exercícios navais conjuntos no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico seriam realizados na quinta-feira. “Criar convergência e coordenação em medidas conjuntas para combater atividades que ameaçam a segurança marítima (...) bem como combater o terrorismo marítimo, estão entre os principais objetivos deste exercício conjunto”, disse o comandante da Marinha iraniana, Hassan Maghsoodloo, segundo a agência de notícias Fars.

Exército sudanês repele ataque das Forças de Apoio Rápido (RSF) em cidade fronteiriça no oeste do Sudão

 Confrontos eclodem em El Tina, perto da fronteira com o Chade, enquanto forças alinhadas ao exército negam reivindicação de controle das RSF


O exército sudanês e forças conjuntas aliadas repeliram um ataque no sábado das Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar, à cidade fronteiriça de El Tina, no estado de Darfur do Norte. A Coordenação dos Comitês de Resistência em El Fasher afirmou em um comunicado que combatentes das RSF se infiltraram em El Tina, localizada na fronteira entre Sudão e Chade, mas foram confrontados por tropas do exército e forças conjuntas de movimentos armados aliados aos militares, recuando após confrontos. O grupo afirmou que as forças atacantes se retiraram no início dos combates na cidade estrategicamente localizada. 
O governador regional de Darfur, Minni Arko Minawi, descreveu o ataque das RSF a El Tina como "almejando civis desarmados e comportamento criminoso". Em uma publicação na rede social americana Facebook, ele compartilhou vídeos que supostamente mostram forças conjuntas apreendendo veículos e armas das RSF em El Tina.


Combatentes de movimentos armados alinhados ao exército também divulgaram vídeos nas redes sociais gravados dentro da cidade, mostrando veículos de combate danificados, armas e indivíduos que identificaram como detidos das Forças de Apoio Rápido (RSF). No início da manhã de sábado, as RSF afirmaram em um comunicado em seu canal no Telegram que haviam assumido o controle de El Tina. Dos 18 estados do Sudão, as RSF controlam os cinco estados de Darfur, no oeste, com exceção de partes do Darfur do Norte que permanecem sob controle do exército. Os militares mantêm o controle da maioria dos demais estados, incluindo a capital, Cartum. Darfur representa aproximadamente um quinto da área total do Sudão, que ultrapassa 1,8 milhão de quilômetros quadrados, embora a maioria dos cerca de 50 milhões de habitantes do país viva em áreas controladas pelo exército. O conflito, que começou em abril de 2023, já matou dezenas de milhares de pessoas e deslocou cerca de 13 milhões, criando uma das piores crises humanitárias e condições de fome do mundo, segundo relatórios da ONU.

Conheça como o Irã se prepara para lutar contra os EUA


A guerra é o elo que mantém a República Islâmica unida. Foi o trauma e a agonia da guerra Irã-Iraque da década de 1980 que uniu o regime clerical a uma parcela significativa do povo iraniano. As privações e a agonia daquele longo conflito moldaram toda uma geração de iranianos. É o que, em grande parte, separa aqueles que cresceram dentro do país daqueles que vivem no conforto da diáspora ocidental e agora exigem uma guerra de mudança de regime apoiada pelos EUA. 
O Irã vem se preparando para a possibilidade de uma grande guerra com os EUA desde pelo menos 2003, quando as forças americanas derrubaram o regime no vizinho Iraque e os neoconservadores em Washington começaram a proclamar em alto e bom som que o Irã seria o próximo. Esses preparativos foram intensificados após os ataques aéreos surpresa dos EUA e de Israel no ano passado. Esse programa foi, de certa forma, "aniquilado" naquele conflito de 12 dias, segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, mas também é tema de uma nova rodada de negociações antes de uma iminente nova rodada de conflito armado. A guerra ainda pode ser evitada. Mas parece provável. O mercado de apostas online Polymarket indica uma probabilidade de 59% de ataques dos EUA ao Irã até o final de março. Muito já se falou e escreveu sobre os dois grupos de porta-aviões de guerra dos EUA que estão sendo enviados para o Mediterrâneo Oriental e o Mar Arábico, e sobre as centenas de aviões de guerra e aviões-tanque de reabastecimento que estão sendo posicionados ao redor do Irã. Mas pouca atenção tem sido dada aos preparativos do Irã.


Patricia Marins, especialista em comunicação e analista geopolítica baseada no Rio de Janeiro, está entre os poucos jornalistas que acompanham de perto os recursos militares e a doutrina do Irã. Em uma entrevista por e-mail, ela se descreveu como veterana da indústria armamentista, onde trabalhou por vários anos, e escreve para diversos sites de notícias sobre defesa e assuntos militares. Ela estima que o Irã tenha se recuperado do esgotamento e da destruição do conflito de junho de 2025 há cerca de dois meses. "Ao contrário do que muitos acreditam, o Irã não perdeu nenhum sistema de defesa aérea de longo alcance e perdeu apenas um número muito pequeno de aeronaves", afirmou. O Wall Street Journal publicou uma reportagem descrevendo os preparativos iranianos, que incluem a proteção da liderança e a implementação de uma estratégia de “defesa em mosaico”, que dá aos comandantes autoridade para emitir ordens sem a aprovação de seus superiores na hierarquia. Os preparativos podem falhar completamente em superar o poder americano. Os EUA provavelmente têm novos truques na manga desde que lançaram sua última grande guerra em 2003. Empresas de tecnologia de defesa, como Palantir e Anduril, foram integradas ao Pentágono, fornecendo informações táticas e de direcionamento com o apoio de inteligência artificial. Os EUA também poderiam empregar recursos de guerra eletrônica para tornar as capacidades iranianas inúteis.


Mas, assim como na guerra de 12 dias, que pegou o Irã de surpresa, Teerã provavelmente conseguirá se reagrupar após um ataque inicial. Marins argumentou que a maior parte do arsenal iraniano sobreviveu ao conflito anterior porque havia sido mantida em segredo. “Desde então, o Irã trabalhou para reconstruir sua rede de radares destruída e, acima de tudo, para implementar uma doutrina genuína de contrainteligência”, disse ela. “O Irã se tornou uma potência de mísseis com um estoque muito maior do que o do Ocidente.” Estimativas sugerem.” As agências de inteligência dos EUA têm reconhecido repetidamente as capacidades iranianas. No ano passado, a avaliação anual de ameaças da Diretoria de Inteligência Nacional dos EUA afirmou: “O Irã continua a reforçar a letalidade e a precisão de seus sistemas de mísseis e veículos aéreos não tripulados (VANTs) produzidos internamente, e possui os maiores estoques desses sistemas na região.” Os protestos que eclodiram no final de dezembro e início de janeiro sugerem que a inteligência israelense e estrangeira continua presente no país. Marins disse que prevê uma onda de operações de sabotagem no Irã visando as defesas aéreas à medida que uma nova guerra se aproxima. Mas desta vez pode não ser tão fácil. A inteligência israelense dependia de telefones celulares para comunicações e “os chineses parecem ter fornecido uma solução eficaz” para os iranianos. Israel também pode estar fornecendo armas a grupos curdos, balúchis ou separatistas árabes nas fronteiras do Irã. Marin descreveu o impacto desses grupos como “insignificante” em comparação com as forças armadas iranianas. De qualquer forma, o Irã tem seus próprios aliados para atacar Israel e os EUA, incluindo paramilitares e milícias no Líbano, Iraque e Iêmen.


O Irã começou a testar mísseis com alcances superiores a 1.000 quilômetros (600 milhas) há quase 30 anos e desenvolveu de 12 a 15 modelos diferentes nesse alcance, todos capazes de atingir Israel e bases americanas na região. Atualmente, estima-se que o país possua entre 2.000 e 3.000 mísseis de médio alcance em seu arsenal. Além disso, tornou-se uma potência no setor de drones, incluindo veículos subaquáticos não tripulados que, segundo Marins, contam com inteligência artificial integrada. "Acredito que eles guardam algumas grandes surpresas na manga", afirmou. O Irã também alega ter desenvolvido o míssil hipersônico Fattah-1. Alguns especialistas duvidam da alegação de que se trata de uma verdadeira arma hipersônica, descrevendo-a mais como uma arma de alta velocidade que carece de manobrabilidade hipersônica. Ainda assim, outros especialistas descreveram os mísseis de alcance intermediário como uma “ameaça existencial” para Israel. O Irã também teria desenvolvido versões antinavio dos mísseis que poderiam danificar seriamente navios americanos, razão pela qual eles estão, em sua maioria, evitando o Golfo Pérsico e permanecendo no Mar Arábico e no Mediterrâneo. O Irã também possui submarinos baratos que podem ser mobilizados. “Imagine os EUA perdendo um submarino da classe Virginia para um mini-submarino iraniano que custa menos de 1% do preço de um submarino nuclear americano”, disse Marins. “Isso seria uma catástrofe militar e política.” Os EUA têm tido dificuldades em recrutar parceiros estrangeiros para a guerra iminente, com até mesmo o Reino Unido rejeitando seu pedido para usar bases americanas em seu território para um ataque. Com uma exceção, o Irã também carece de aliados, mesmo que alguns de seus rivais regionais tenham se manifestado contra uma ofensiva americana. Vladimir Putin, envolvido na desastrosa guerra na Ucrânia, retirou-se em grande parte deste conflito. A Rússia entregou caças MiG-29 e alguns helicópteros ao Irã, mas adiou a entrega de aeronaves mais modernas, afirmou Marins. A China forneceu radares e equipamentos de contrainteligência ao Irã, mas também divulgou imagens de satélite que expõem ativos militares dos EUA na internet. "Isso significa que, diferentemente do que ocorreu durante a Guerra dos Doze Dias, as forças iranianas agora terão apoio direto via satélite", disse Marins. "O papel da China na inteligência do Irã parece espelhar exatamente o papel dos EUA na Ucrânia."


Os EUA buscarão minimizar os riscos para seu pessoal a bordo de navios e em bases. É por isso que seus navios têm evitado as águas estreitas e rasas do litoral do Golfo Pérsico. É por isso que provavelmente lançarão uma onda inicial de ataques relâmpago contra alvos defensivos e ofensivos do Irã, para dificultar represálias. "Os EUA operarão a partir de bases mais distantes do fogo iraniano, usando tanques de combustível extras e amplo reabastecimento aéreo para ampliar o alcance e a autonomia", disse Marins. Mas alguns especialistas alertam que o Irã estará preparado para causar danos aos EUA. Sua combinação de drones, mísseis e navios de guerra pode confundir as defesas americanas e levar a uma catástrofe no mar. "Eu realmente acho que vamos perder um porta-aviões em breve. Não se trata apenas dos enxames de drones e mísseis balísticos antinavio do Irã (medidos por satélites chineses avançados). Trata-se também do submarino iraniano com propulsão independente do ar", escreveu Brandon J. Weichert, editor de segurança nacional do The National Interest e ex-funcionário do Congresso, no Twitter. “Não se trata de afundar dois porta-aviões. Pode até não afundar nenhum. A estratégia mais inteligente seria danificar drasticamente o porta-aviões de forma impressionante e transmitir as imagens para o mundo.” Se o Irã conseguir, de alguma forma, escapar da onda inicial de ataques eletrônicos e convencionais dos EUA e manter seus sistemas de radar e defesa aérea, “a reação poderá ser bem diferente da Guerra dos Doze Dias, potencialmente infligindo perdas aos atacantes”, disse Marins, que duvida que o Irã possua tais capacidades. Por outro lado, o Irã poderia alvejar radares americanos na região, o que poderia prejudicar os sistemas de defesa antimíssil americanos e israelenses, acrescentou ela. O Irã também pode ter instalado radares e sistemas de defesa além de suas fronteiras para detectar movimentos americanos antecipadamente.


Onde o Irã pode ter vantagem é no mar, devido à quantidade de seus mísseis antinavio, drones submarinos, lanchas de ataque rápido armadas com mísseis, frota de quase 30 submarinos e outros recursos navais. “As forças navais iranianas foram especificamente projetadas e treinadas para esse tipo de guerra assimétrica”, disse Marins. “Estamos falando de uma guerra prolongada com baixas significativas.” Ela descreveu um conflito que poderia se assemelhar a “uma guerra de guerrilha no mar”, caracterizada por operações de ataque e fuga e enxames de drones visando navios americanos. Embora os EUA, sem dúvida, possuam as maiores forças armadas do mundo, nunca em sua história lutaram contra “uma nação do tamanho e nível tecnológico do Irã”, disse Marins. “Não se pode simplesmente dizer: ‘Vou atacar uma das maiores potências mundiais com mísseis e drones e voltar logo’”, disse ela. “Ataques como os que estão sendo planejados significariam uma guerra com pesadas baixas em ambos os lados.”