'Somos oprimidos no Brasil': a onda de brasileiros rumo ao Paraguai em busca de 'sonho de direita'

 


"Bem-vindos ao Paraguai", repetia alto o chefe do serviço de imigração em Ciudad del Este enquanto caminhava entre cadeiras de praia, bancos de plástico e cangas.

"Amanhã, às 7h, começaremos a distribuição de fichas. Às 8h, começa o atendimento para quem quer tirar residência."

A mensagem era destinada a centenas de brasileiros organizados em uma longa fila que faziam silêncio - pontuado por aplausos - para ouvir as orientações em espanhol após um dia inteiro acampados sob o sol forte e no chão de terra vermelha de Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil.

Era noite do penúltimo domingo de março. Só dali a 12 horas começaria de fato o mutirão itinerante do governo paraguaio para agilizar a emissão de documentos para quem quer se mudar para o país. A fila, porém, já quase dobrava a esquina, e os brasileiros ainda tinham pela frente várias horas mais de calor, chuva e mosquitos para garantir atendimento no dia seguinte. "Viemos conhecer tudo isso que o Paraguai tem para oferecer aos brasileiros", dizia sorridente Delly Fragola, de 55 anos, sentada em uma cadeira de praia colorida comprada para encarar a espera. Dona de um salão de cabeleireiro em Anápolis, no interior de Goiás, ela tinha chegado às 8h junto com a filha e o genro. Estavam ali porque o "Brasil não tem mais oportunidades" para seu negócio. No Paraguai, diziam, poderiam encontrar "mão de obra mais facilitada". Um pouco mais atrás, o também empresário Dilberto Wegrnen, de 63 anos, de Cascavel, no interior do Paraná, tomava uma cerveja enquanto esperava assar as carnes de um churrasco improvisado numa grelha em cima de um tonel, organizado pelos novos amigos de espera. Dilberto estava ali pela crença de que "o Paraguai vai ser o maior país da América Latina muito em breve" e também porque tem muitas críticas ao governo Lula. "Empresários estão saindo do Brasil para vir para o Paraguai. Aqui, a carga tributária é muito menor e as leis trabalhistas são muito mais acessíveis. Tudo isso leva a quê? A essa fila enorme aqui hoje", explicava o paranaense. O grupo faz parte de uma onda crescente de brasileiros que querem se mudar para o Paraguai e tem chamado a atenção de autoridades do país, que desde o ano passado promove mutirões para organizar a demanda e atender os aspirantes a residentes.


A principal porta de entrada é Ciudad del Este, famosa pelas compras baratas e comércio caótico do outro lado da Ponte da Amizade. O mutirão de março foi o segundo do ano na cidade — somados, foram cerca de 4 mil atendimentos só ali — e o governo paraguaio planeja mais 19 ao longo do ano no país. Em 2025, o Paraguai bateu recorde ao conceder 40,6 mil autorizações de residência a estrangeiros. Mais da metade (23,5 mil) eram brasileiros, muito mais do que os segundos colocados, os argentinos (4,3 mil). Para 2026, a expectativa é que o número seja ainda maior. Só nos três primeiros meses do ano, foram emitidas 9,2 mil autorizações para brasileiros. A BBC News Brasil acompanhou por três dias a fila do mutirão. Todos com quem a reportagem conversou disseram estar ali movidos por suas posições políticas e pela busca de uma vida com mais conforto e menos impostos. São pessoas de todas as regiões do Brasil, que em geral começam a sonhar com a vida no Paraguai navegando nas redes sociais.

Os vídeos que se proliferam em geral enumeram as "vantagens econômicas" de se mudar para o país, reforçando a baixa carga tributária do Paraguai e a predominância de governos de direita na sua história. Eles são publicados principalmente por influenciadores brasileiros que vivem ou fazem compras na Paraguai. Muitos oferecem serviços de assessoria para quem quiser fazer o mesmo caminho. Foi assim que Marcelo Mendes, um arquiteto aposentado de 70 anos de Recife, abandonou o plano de se mudar para Portugal, onde sua filha mora. "Na internet, a gente teve conhecimento em vários grupos. A gente viu vídeos de pessoas que já vieram contando a situação, como é que tira os documentos", conta ele. Seu plano agora é vender sua casa na capital pernambucana e comprar outra na cidade de Encarnación, a quatro horas de carro ao sul de Ciudad del Leste, na fronteira com a Argentina. Mas antes precisa convencer sua mulher, que chegou a ir ao Paraguai, mas ainda não está disposta a se mudar para lá. "A gente não está aguentando o Brasil, o salário da gente está perdendo valor. O que eu ganho em real também não dá para viver em Portugal. Aqui, consigo viver bem", diz Marcelo, que pretende complementar a renda trabalhando como corretor de imóveis. 

A mudança de perfil: de estudantes de medicina à motivação política


A carioca Zena Cheraze, de 68 anos, percorreu sozinha 1,5 mil km de ônibus do Rio de Janeiro à Ciudad del Este "no escuro", sem saber direito se tinha em mãos todos os documentos que precisava.

"É muita propaganda no YouTube, cada um diz uma coisa. Mas vim aqui pra ver", explica. Professora aposentada e viúva, ela espera conseguir pagar um plano de saúde mais barato no Paraguai. Desde 3 horas da manhã na fila do mutirão, Zena gravava um vídeo para dizer a amigos que, na verdade, não estava só: havia uma legião de pessoas como ela à espera de um "sim" do Paraguai. "Nós, da direita, nos sentimos as pessoas mais oprimidas. A gente não tem liberdade", justificou a aposentada à BBC News Brasil sobre sua empreitada. "É um governo que só está nos fazendo mal." Um grande número de brasileiros com o mesmo perfil de Zena tem sido notado pelas autoridades de imigração.  Cornelio Melgarejo, que chefia a imigração no departamento de Alto Paraná, na fronteira com o Brasil, calcula que há dois anos 80% dos que solicitavam residência eram estudantes de Medicina em busca de faculdades com mensalidades mais baratas do que no Brasil. Mas, nos últimos tempos, apareceram muitos empresários querendo abrir negócios no país e aposentados, "em busca da estabilidade econômica e política", diz Melgarejo. Em comum, a visão de que a vida no Paraguai hoje corresponde melhor às suas posições ideológicas. O atual presidente paraguaio, Santiago Peña, é o nono governante de direita entre os dez que comandaram o país desde a redemocratização, após o fim da ditadura do general Alfredo Stroessner, em 1989. Foi seu governo que criou os mutirões migratórios, chamados de Migramovil. Criada em 2025, a iniciativa reúne em um só lugar órgãos como a Direção Nacional de Migração e a Polícia Nacional, que pode fornecer garantias de que o imigrante não tem problemas com a Justiça.


A gestão busca capitalizar ativamente a nova onda imigratória. A chegada de imigrantes ao Paraguai é anunciada como uma indicação de que o país vai bem - uma das peças promocionais oficiais sobre o assunto diz que o "Paraguai abre suas portas ao mundo". Os estrangeiros são apontados como responsáveis por trazer dinamicidade à economia local, ao mesmo tempo em que o governo muda leis e dá ainda mais incentivos fiscais para atrair investimentos e empresas. Alinhado ao governo de Donald Trump, Peña sancionou em março um polêmico acordo que autoriza a presença de militares e empresas americanas no país para combater o crime organizado. "99% das pessoas que estão vindo são de direita", contabiliza a carioca Roberta Viegas, que mora há 1 ano no Paraguai e tem promovido reuniões entre empresários como ela e oferece serviços de assessoria a interessados pela mudança. Antes de se mudar, Roberta, de 47 anos, estava especialmente preocupada com a educação de seus quatro filhos no Rio de Janeiro, especialmente a do de 14 anos, mesmo matriculado numa escola particular e cristã. "A gente não estava se sentindo bem no Brasil no cenário atual, pelas minhas crenças, por aquilo que eu acredito", explica Roberta, que planejava inicialmente ir para a Austrália, mas mudou a rota para o Paraguai após um amigo passar a viver lá. A família, explica Roberta, também não estava vendo futuro no negócio de venda planos de saúde que mantinha no Rio e se sentia acuada pela violência urbana na cidade. "Não tem aquele ditado 'quem está incomodado que se mude'?. Eu falei para o meu marido: 'Não adianta a gente ficar aqui passando ranço'. Vamos para outro lugar onde a gente se sinta bem para criar nossos filhos." 
Entre os pais com filhos pequenos na fila do serviço de imigração, também é comum encontrar quem deseja ensinar os filhos em casa, o chamado homeschooling. A paranaense Marluize Ávila, de 42 anos, vendia brigadeiros acompanhada dos dois filhos, Eduardo e Isabela, enquanto esperava para dar entrada nos documentos. Ela pretende cuidar da educação deles de manhã e vender a comida à tarde na porta de universidades.  "O Paraguai é um país bem tradicional e não prejudica se você fizer a educação domiciliar", diz Marluize. Quem apoia essa ideia argumenta que a educação tem que ser decidida pela família e não por regras educacionais estabelecidas pelo Estado. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) defendeu a liberdade dos pais de optar por essa forma de ensino e propôs regulamentá-la em sua campanha à reeleição. No Brasil, em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a educação domiciliar no Brasil era ilegal, cabendo ao Congresso Nacional aprovar uma lei federal a respeito. Um projeto passou pela Câmara em maio de 2022 e, hoje, tramita no Senado. O Paraguai, apesar de não ter regulamentação específica sobre o tema, é frequentemente apontado pela comunidade de pais que defende o homeschooling como um destino possível para a prática, porque não haveria uma "perseguição" a quem faz isso. "Vou ter mais liberdade tanto para empreender como para fazer as aulas extracurriculares com eles", diz Marluize. "Todos os lugares têm coisas boas e ruins, mas aqui tem um pensamento mais conservador. Caiu a tarde, os jovens estão conversando e brincando na rua. É diferente de estar bebendo e fumando, sabe?" 

Baixos impostos e 'maquilas' da Lupo e Riachuelo


Quem pede o direito à residência no Paraguai é questionado pelos funcionários do governo sobre as razões por que querem imigrar. 
"As respostas mais frequentes são sobre o custo do nosso imposto", diz Cornelio Melgarejo, do serviço migratório paraguaio. A carga tributária total do Paraguai, ou o peso dos tributos arrecadados pelo governo em relação à economia, gira em torno de 14,5% do PIB, segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). No Brasil, a taxa é mais que o dobro, 32%, segundo o Ministério da Fazenda. O Paraguai consolidou ao longo dos anos 1990 e 2000 uma regra simples sobre a cobrança de impostos: 10-10-10. Ou seja, os três tributos mais importantes — o imposto sobre valor agregado (IVA), o imposto de renda de pessoa física e o imposto de renda das empresas — têm a mesma alíquota de 10%. Em comparação, o Brasil pretende criar seu IVA, aprovado na reforma tributária de 2023, unificando cinco tributos federais, estaduais e municipais. A estimativa é que esse imposto entre em vigor completamente em 2033, com uma alíquota entre 25% e 28%. A tributação da renda no Brasil vai de 7,5% a 27,5% para pessoas físicas e, no caso de empresas, começa em 15%, com adicional de 10% sobre lucros acima de R$ 20 mil por mês. A carga tributária mais baixa e o sistema mais simples do Paraguai são destacados pelos governantes do país como uma das bases para atrair investimentos que poderiam ir para as outras nações mais desenvolvidas da região. O sistema começou a ser delineado em 1992 e foi sendo consolidado nos sucessivos governos de direita. O único presidente de esquerda, Fernando Lugo (2008–2012), chegou a propor algumas reformas, mas sofreu um impeachment. Além disso, desde 2000 o país adotou o esquema chamado de "maquila", em que fábricas instaladas no Paraguai podem importar matéria-prima quase sem imposto, produzir no terrório paraguaio e exportar pagando quase nenhum tributo. A estratégia levou ao país unidades fabris de marcas brasileiras como a Lupo e Riachuelo. O economista Alexandre da Costa, pesquisador na Unila (Universidade da integração latino americana) e na UFPR (Universidade Federal do Paraná), explica que o modelo paraguaio tem contribuído para o país crescer em torno de 4% nos últimos três anos, acima da média da América Latina, embora ainda seja uma das menores economias da região e tenha um dos mais baixos índices de desenvolvimento humano e também de renda per capita. O PIB do Brasil, ressalta Costa, é cerca de 50 vezes maior do que o do Paraguai — e a economia paraguaia acaba sendo muito atrelada ao que acontece no Brasil, seu maior parceiro comercial. "A estratégia de desenvolvimento do Paraguai tem como base, sobretudo, o baixo custo de produção para empresas e o baixo custo de vida para os demais", diz Costa. Um dos exemplos mais citados sobre o custo de vida mais baixo no Paraguai é a energia elétrica. Graças à grande quantidade de eletricidade excedente gerada pelas hidrelétricas de Itaipu, construída em parceria com o Brasil, e Yacyretá, em parceria com a Argentina, os paraguaios têm a energia mais barata da região. Mas, no caso de Itaipu, há uma negociação em curso para o acordo atual que pode deixar os paraguaios em situação menos confortável. Segundo dados da consultoria do setor elétrico SEG, em média, a energia no Brasil é 2,8 vezes mais cara que no Paraguai. "No caso do empresário, ele também é atraído principalmente pela baixa carga tributária e baixo custo da mão de obra. Os direitos trabalhistas no Paraguai, se comparados com no Brasil, são bem inferiores", segue Costa. O país, por exemplo, não tem FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), e as férias começam em 12 dias úteis por ano, aumentando com o tempo de empresa, podendo chegar a 30 dias. Não há seguro desemprego. Mas a carga tributária menor também significa que o Paraguai arrecada menos dinheiro e tem uma baixa capacidade de estimular a economia e o desenvolvimento, sobretudo com projetos de infraestrutura, saúde e educação. "Então, o ponto central é verificar a sustentabilidade desse modelo no médio e longo prazo. Muitos desses brasileiros, por exemplo, vêm procurar o SUS aqui em Foz do Iguaçu quando precisam", afirma Costa. O sistema público de saúde no Paraguai é bastante fragmentado — entre quem tem emprego formal ou não, por exemplo — e, apesar de existir uma gratuidade por lei, tem muitas limitações. Quem é atendido muitas vezes precisa pagar por todos os insumos, de remédio à seringa usada. Apesar de reduções importantes nos últimos anos, a extrema pobreza atinge 4,1% no país (no Brasil, é 3,5%), segundo os órgãos de estatísticas oficiais. Para o economista, essa nova onda de divulgação de informações sobre um "milagre econômico" do Paraguai precisa ser vista com cautela, especialmente quando começa a atrair pessoas em busca de emprego. No Paraguai, o salário mínimo oficial é maior do que no Brasil (o equivalente a R$ 2.300), mas a taxa de informalidade dos empregos — ou seja, pessoas sem vínculos formais de trabalho — é de 62,5%, índice muito maior que o do Brasil, que está em 37,5%.


Para os brasileiros que estão imigrando, porém, o modelo paraguaio é o que eles defendem como o ideal. Quase todos ouvidos pela reportagem disseram considerar que o Brasil vive uma crise econômica, mesmo que os dados hoje apontem para uma inflação dentro da meta, um baixo índice de desemprego e crescimento do PIB. "Falam que os índices [do Brasil] são muito bons. Mas não sabemos se são todos verdadeiros. Não sei...", dizia Joraci de Lima, empresário de 61 anos de Campo Mourão, no interior do Paraná, que não conseguiu ser atendido no primeiro dia mutirão em Ciudad del Este, mesmo chegando às 3h na fila. O paranaense explicava que seu negócio do ramo de metalurgia estava saudável no Brasil, mas, devido à carga tributária e possiblidade de reeleição do presidente Lula, ele queria uma filial no Paraguai. "Ninguem quer trocar sua pátria. Mas a condição dos impostos no Brasil não nos ajuda em nada." "O sentimento de todos aqui é de perda, dor, angústia e desilusão", lamentava. Muitos na fila não consideram rever a decisão de se mudar mesmo que a direita volte à presidência brasileira em 2027. Eles argumentam que a sistema brasileiro já estaria viciado. 
Na casa de Miriam Costa, 37 anos, e Guilherme Lopes, 34, em uma rua tranquila na periferia da Ciudad del Este, o tereré, uma bebida gelada a base de mate, já virou tradição. O casal trocou há três meses seu pequeno apartamento em Serra, no Espírito Santo, por uma casa de dois andares, onde trabalham juntos para vender romances eróticos para um "público mais conservador" escritos por Miriam em português e vendidos pela internet. Os dois sentiam que não precisavam estar mais no Brasil para manter o negócio. No mundo da "literatura hot", Miriam é "Alicia Bianchi", que assina romances como Tudo Pela Luxúria, com cenas picantes de sexo, mas sem entrar em temas considerados tabus. Guilherme organiza a estratégia de vendas. No Paraguai, eles usufruem de uma regra que aplica tributação mínima a quem recebe renda do exterior. Os dois se consideram libertários e anarcocapitalistas e consideram positivo o fato de os serviços públicos do Paraguai serem pouco desenvolvidos, já que o governo arrecada menos dinheiro.

A gente prefere um Estado menor, com menos intervenção na economia, menos intervenção na nossa vida pessoal. Isso significa que o Paraguai não tem uma saúde planificada como no Brasil, mas, ao mesmo tempo, você tem um plano de saúde top de linha com um preço muito mais acessível", defende Miriam, que diz pagar o equivalente a R$ 800 de plano de saúde para toda família. "Eu prefiro essa maneira de viver. Eu vou escolher aonde que o meu dinheiro vai e onde vou investir na minha educação e saúde." Pais de um filho no espectro autista, o casal diz conseguir pagar por uma escola melhor no Paraguai (por cerca de R$ 742) e, apesar de reconhecerem o Brasil como um país mais desenvolvido, não pretendem voltar. "Eu não estou vendo com bons olhos para onde o país está indo", diz Miriam. "A gente tá vendo uma radicalização tanto da esquerda quanto da direita. A gente não vê, como no Paraguai, uma união em prol do Brasil." A última estimativa feita pelo governo brasileiro, de 2023, aponta que 263 mil brasileiros viviam no Paraguai, formando a terceira maior comunidade no exterior, depois de EUA e Portugal. Segundo o Itamaraty, não há números recentes que identifiquem essa nova onda migratória ou quantos desses brasileiros que obtêm residência de fato criam raízes em território paraguaio. Mas os dados detalhados divulgados pelo Paraguai ajudam a traçar como está o cenário atual. Ao mesmo tempo em que há um crescimento grande de pedidos de residências temporárias, o aumento dos pedidos de residência permanente, que podem ser feitos após dois anos vivendo no Paraguai, é mais tímido. Em 2025, dos 23,5 mil pedidos de residência de brasileiros, apenas 4,6 mil (19%) eram permanentes. Em 2020, os pedidos permanentes representavam 68%. Isso pode indicar que grande parte das pessoas que imigra não necessariamente fica no país. Além disso, a proximidade com o Brasil faz com que o caminho de volta seja mais simples muitas vezes. O vendedor de suco de laranja Leonardo Ribeiro, de 22 anos, trocou Marília, no interior de São Paulo, por Ciudad del Este há três meses depois de receber uma proposta do patrão que imigrou para lá, mas já vê que seu tempo de Paraguai está acabando.

"Eu acho que o pessoal deu uma magia a mais pela internet, pelos vídeos no Paraguai. Mas não achei muita diferença do Brasil, não", diz Leonardo. "Eu vim mais pela questão econômica, para ver se mudava pouquinho de patamar. Até vale a pena ficar aqui, mas, particularmente, prefiro o meu Brasil", conta o vendedor, que pretende voltar ainda neste ano. Já Roberta Viegas está satisfeita com o novo endereço, mas tem alertado que "tem muita gente vendendo que o Paraguai é 'mil maravilhas', por interesse próprio". "Não é assim, tem muitos defeitos. Se você tem vontade de vir ao Paraguai, é preciso ver primeiro se a pessoa se identifica", orienta a empresária. Ainda com saudade das praias do Rio de Janeiro, ela diz que o lugar dela e da sua família segue longe do Brasil. "Obviamente que, se eu vejo que o meu país, está segundo aquilo que eu acho bom para mim, eu volto. Eu amo o Brasil. Mas, hoje, eu me sinto melhor aqui." 

A Contagem Regressiva Começa Agora: Será que 2026 marcará o avanço estratégico da Al-Qaeda no Sahel?

 


Em 26 de abril de 2026, o Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), um grupo afiliado à Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQIM), em coordenação com a Frente de Libertação de Azawad, lançou uma ofensiva em larga escala contra instituições governamentais em diversas regiões do Mali, culminando no assassinato do Ministro da Defesa do país. Este ataque não foi um incidente isolado. Pelo contrário, reflete a maturação de um plano estratégico de longo prazo, desenvolvido ao longo de mais de uma década, com o objetivo de transformar o Mali no centro geopolítico da atividade jihadista no Sahel.

A ausência de uma força antiterrorista robusta, a retirada de contingentes militares estrangeiros e a transformação da região em uma arena de competição entre grandes potências agravaram ainda mais a situação. Ao mesmo tempo, a exploração de recursos naturais, o aprofundamento das crises humanitárias e as persistentes falhas de governança continuam a alimentar a instabilidade. Nesse contexto, as organizações jihadistas estão consolidando sua presença e expandindo seu alcance operacional.

Isso levanta uma questão central: 2026 marca um ponto de virada rumo a um avanço estratégico para a Al-Qaeda no Sahel?

Definindo “Vitória Estratégica” no Sahel


Para avaliar a trajetória com precisão, é essencial esclarecer o que constitui uma “vitória estratégica” nesse contexto. No Sahel, tal vitória não exige necessariamente o controle territorial total. Em vez disso, envolveria a erosão sustentada da autoridade estatal em grandes áreas, o estabelecimento de estruturas de governança jihadista duradouras, a normalização de atores jihadistas como autoridades políticas de fato e a capacidade de projetar instabilidade além da região. Por esses critérios, a Al-Qaeda ainda não alcançou uma vitória definitiva, mas está mais perto do que em qualquer outro momento da última década, e os acontecimentos de 2026 sugerem que a região está se aproximando de um limiar crítico.

O Sahel como Arena de Segurança Global


O Sahel, uma faixa semiárida que se estende pela África ao sul do Saara, tornou-se o epicentro mais letal do terrorismo no mundo. Nos últimos anos, a escala e a intensidade da violência aumentaram drasticamente, com Mali, Burkina Faso e Níger na vanguarda dessa tendência, e com a expansão dos ataques para os estados costeiros da África Ocidental sinalizando um alcance geográfico cada vez maior da instabilidade.

Além das estatísticas, a importância estratégica do Sahel reside em suas implicações mais amplas. Sua proximidade com a Europa o torna um corredor crítico para fluxos migratórios e um vetor potencial de instabilidade que pode afetar diretamente os ambientes de segurança europeus. Ao mesmo tempo, o declínio dos redutos jihadistas no Oriente Médio deslocou o centro de gravidade da jihad global para a África, onde o espaço operacional é menos restrito e a governança é mais frágil. Paralelamente, os recursos naturais da região, incluindo ouro, minerais e ativos energéticos, estão cada vez mais inseridos tanto na dinâmica dos conflitos locais quanto na competição econômica global.

Como resultado, o Sahel não pode mais ser visto como uma crise periférica. Está emergindo como uma frente central na segurança global, com consequências que se estendem muito além do continente africano.

O Sahel sob a ótica das organizações jihadistas globais


As organizações jihadistas globais, particularmente a Al-Qaeda e o Estado Islâmico, percebem o Sahel como um ambiente operacional ideal. A governança frágil, a corrupção sistêmica, as dificuldades econômicas e as tensões intercomunitárias criam condições que facilitam sua expansão. Esses grupos conseguem explorar vastos espaços sem governo, fronteiras porosas e a capacidade limitada do Estado para se entrincheirar em grandes territórios.

Ao mesmo tempo, desenvolveram estruturas financeiras adaptáveis ​​e resilientes. Em diversas áreas, os grupos jihadistas controlam ou influenciam as operações de mineração de ouro, impõem impostos às populações locais e dependem de redes de contrabando para sustentar suas atividades. As pressões ambientais, incluindo as mudanças climáticas e a escassez de recursos, intensificam ainda mais essas dinâmicas, provocando deslocamentos, aprofundando as queixas socioeconômicas e ampliando o número de potenciais recrutas.

Mali como Núcleo Estratégico


Dentro da estrutura estratégica de longo prazo da Al-Qaeda, o Mali ocupa uma posição central. Os primeiros conceitos operacionais enfatizavam uma abordagem gradual para o estabelecimento de uma entidade jihadista, baseada em alianças com atores locais e evitando o confronto direto com as populações, a fim de construir legitimidade ao longo do tempo.

Essa abordagem evoluiu significativamente com a criação do JNIM como uma organização guarda-chuva, que possibilitou a consolidação de múltiplas facções e o fortalecimento dos laços com grupos étnicos locais, particularmente os tuaregues e os fulanis. Ao integrar a liderança local, mediar disputas e fornecer serviços limitados, a organização se inseriu profundamente no tecido sociopolítico da região. Ao longo do tempo, o JNIM expandiu suas operações para além do Mali, alcançando países vizinhos e aproveitando-se de estruturas de governança frágeis e fronteiras permeáveis ​​para estender sua influência pelo Sahel e pela costa da África Ocidental.

Da Insurgência à Governança


Uma característica marcante da fase atual é a transição do JNIM da guerra de guerrilha para uma estratégia mais sofisticada, centrada na governança e na influência territorial. A partir de 2022, aproximadamente, a organização passou a adotar táticas voltadas para o isolamento de centros urbanos, interrompendo rotas de transporte, restringindo o acesso a bens essenciais, como alimentos e combustível, e atacando infraestruturas críticas.

O objetivo não é apenas enfraquecer o Estado militarmente, mas também minar sua legitimidade e sua capacidade de funcionamento. Paralelamente, o JNIM expandiu seu papel na governança local, mediando disputas, prestando serviços e incorporando as populações locais em suas estruturas operacionais. Essa abordagem dupla permite que a organização se posicione como uma autoridade alternativa, e não apenas como um grupo armado.

Essa evolução reflete uma transformação mais ampla na qual as organizações jihadistas atuam cada vez mais como entidades protoestatais, capazes de exercer influência sobre território e população.

ISIS no Sahel: Rivalidade e Coexistência


Juntamente com a Al-Qaeda, o Estado Islâmico na Província do Sahel estabeleceu uma presença significativa, particularmente na região da tríplice fronteira entre Mali, Níger e Burkina Faso. Embora a rivalidade entre as duas organizações persista, especialmente em relação ao recrutamento e ao controle de recursos, a relação entre elas é complexa e não pode ser reduzida a uma simples competição.

Em certas áreas, o confronto direto é limitado, e ambas as organizações parecem tolerar a presença uma da outra para preservar a capacidade operacional contra adversários comuns. Essa dinâmica levanta a possibilidade de que sua coexistência possa contribuir para um ecossistema jihadista mais diversificado e resiliente, em vez de levar ao enfraquecimento mútuo.

Esforços Antiterroristas: Um Cenário Fragmentado

Os esforços para combater a crescente ameaça têm sido, em grande parte, ineficazes. A retirada das forças estrangeiras e o fim das missões internacionais de estabilização criaram um vácuo de segurança significativo que não foi adequadamente preenchido. As tentativas subsequentes de atores alternativos de assumir esse papel produziram resultados limitados.

Em nível regional, a fragmentação continua sendo um grande obstáculo. Múltiplas estruturas de segurança operam simultaneamente, muitas vezes sem coordenação suficiente ou direção estratégica compartilhada. Essa falta de unidade prejudica a eficácia dos esforços antiterroristas e cria oportunidades para que grupos jihadistas explorem lacunas institucionais e expandam seu alcance.

Além disso, as iniciativas não militares destinadas a abordar as causas profundas, incluindo o desenvolvimento econômico e a reforma da governança, permaneceram insuficientes em escala e tiveram dificuldades para acompanhar a rápida deterioração do ambiente de segurança.

Competição Geopolítica Sem Coerência Estratégica

O Sahel tornou-se cada vez mais um palco de competição geopolítica, com atores externos buscando promover seus interesses na região, particularmente em relação à segurança e aos recursos naturais. No entanto, essa competição não se traduziu em estabilização efetiva.

A influência da França diminuiu significativamente, enquanto outros atores têm lutado para fornecer alternativas viáveis. Os Estados Unidos permanecem relativamente desengajados no nível estratégico, e o envolvimento da China é em grande parte econômico, sem um papel correspondente na área da segurança. Isso resultou em um ambiente caracterizado por interesses sobrepostos, mas com falta de coordenação, o que complica ainda mais os esforços para lidar com as causas subjacentes da instabilidade.

Implicações Estratégicas e Considerações Políticas

A trajetória do Sahel destaca a necessidade de uma abordagem mais coerente e coordenada. As estruturas de segurança regionais devem ser melhor alinhadas, e os principais atores regionais precisam ser integrados em uma estratégia unificada capaz de lidar com a natureza transfronteiriça da ameaça. Os esforços de combate ao terrorismo devem ir além das operações militares para incluir a interrupção sistemática das redes financeiras jihadistas, particularmente aquelas ligadas a recursos naturais e comércio ilícito. Ao mesmo tempo, uma resposta sustentável exige a combinação de medidas de segurança com reforma da governança, desenvolvimento econômico e maior engajamento com as populações locais. Finalmente, os atores internacionais devem abandonar o envolvimento reativo e fragmentado em direção a um compromisso estratégico mais consistente e de longo prazo com a estabilidade regional.

Conclusão

A intensificação da atividade jihadista no Sahel deixou de ser um fenômeno localizado. Reflete uma transformação mais ampla com implicações regionais e globais significativas.

Embora a Al-Qaeda ainda não tenha alcançado uma vitória estratégica completa, os desenvolvimentos observados em 2026 indicam que ela está se aproximando de um limiar crítico. A mudança em direção à governança, à influência territorial e à expansão regional sugere um nível de maturidade operacional que pode ter consequências a longo prazo.

Se as tendências atuais persistirem, o Sahel corre o risco de se tornar um foco duradouro de instabilidade, capaz de projetar ameaças muito além da África.

A janela para uma ação eficaz está se fechando. Sem uma resposta regional e internacional coordenada, as consequências se estenderão muito além do Sahel.

Nigéria : Milícia Berom lança ataques mortais contra soldados em Barkin Ladi enquanto outras tropas repelem emboscada em Jos Sul

 


Um soldado da Operação Paz Duradoura (OPEP) ficou gravemente ferido após ser atacado por membros armados da milícia Berom na Área de Governo Local de Barkin Ladi, no estado de Plateau, em meio à escalada da violência em diversas partes do estado. Fontes de segurança informaram ao Zagazola Makama que o incidente ocorreu por volta das 18h50 do dia 10 de maio, na comunidade de Dorowa Tsoho, em Barkin Ladi.








As fontes disseram que a vítima, identificada como o Sargento Rex Okang, foi atacada por um grupo de membros armados da milícia Berom enquanto estava em serviço oficial com outro soldado na comunidade. "Ele sofreu ferimentos graves durante o ataque e foi imediatamente levado para o Hospital Geral de Barkin Ladi para receber atendimento médico", disse a fonte. O ataque ocorreu poucas horas depois de tropas dos Setores 3 e 6 da OPEP terem repelido outra emboscada de supostos milicianos armados Berom durante uma operação de resposta a ataques contra pastores e gado na área de governo local de Jos Sul.


Fontes de segurança revelaram que as tropas haviam recebido relatos de tiros na área de Gero por volta das 13h e se mobilizaram rapidamente para apoiar o pessoal que já operava na região. Ao tentar se encontrar com as tropas que avançavam, os soldados teriam sofrido uma emboscada coordenada dos milicianos armados posicionados nas colinas e terrenos montanhosos ao redor. As tropas, no entanto, responderam com poder de fogo superior, forçando os atacantes a recuar em direção às comunidades de Nyango e Daron. 
Após a operação, as tropas confirmaram que nove vacas foram mortas, enquanto outras cinco sofreram ferimentos a bala durante o ataque. Um pastor identificado como Aliyu Yusuf também sofreu ferimentos a bala e foi levado às pressas para tratamento médico. Fontes disseram que as tropas mantiveram operações de perseguição nas áreas afetadas para rastrear os suspeitos em fuga e evitar novos ataques. Os incidentes mais recentes fazem parte de uma série crescente de ataques contra civis e membros das forças de segurança em comunidades do Planalto nas últimas semanas.

Anteriormente, no município de Mangu, tropas mobilizadas para restabelecer a ordem durante distúrbios relacionados a atividades de mineração ilegal também sofreram um ataque mortal de jovens armados do Planalto, resultando na morte de um oficial sênior do Exército nigeriano. Posteriormente, as tropas neutralizaram dois atacantes durante operações subsequentes e recuperaram armas na área. Autoridades de segurança afirmaram que as tropas intensificaram patrulhas de combate, operações de busca e apreensão e patrulhas de construção de confiança em comunidades voláteis nos municípios de Barkin Ladi, Riyom, Jos Sul e Mangu para restabelecer a calma e evitar uma maior quebra da lei e da ordem. As operações abrangeram pontos críticos, incluindo Jol, Gana Ropp, Kassa Road, Rakung, Katako, Kwok, Dorowa e comunidades adjacentes. De acordo com fontes militares, a situação geral de segurança permaneceu calma, porém instável, enquanto as tropas permaneceram em alerta máximo para responder rapidamente a pedidos de socorro e ameaças emergentes.

Iêmen: 3 mortos e 10 feridos em confrontos entre forças do Conselho de Transição do Sul (STC) e houthis em Lahj


Pelo menos três pessoas morreram e outras dez ficaram feridas em confrontos entre forças do Conselho de Transição do Sul (STC) do Iêmen e combatentes do movimento houthi na província de Lahj, no sul do país, informaram fontes militares nesta segunda-feira.





De acordo com um oficial militar iemenita, os combates começaram na frente de al-Hadd, no distrito de Yafa, depois que unidades houthis lançaram um ataque contra posições do STC perto da fronteira com a província de al-Bayda. O
s confrontos envolveram armas médias e pesadas e duraram cerca de uma hora.



O oficial relatou que a Terceira Brigada de Infantaria do STC repeliu o ataque, deixando seis de seus soldados feridos, alguns em estado grave. Do lado houthi, pelo menos três combatentes morreram, quatro ficaram feridos e um veículo blindado foi danificado.

O eixo de combate de Yafa do STC reforçou suas posições em al-Hadd após o confronto. O incidente ocorre poucos dias depois de confrontos semelhantes na província de al-Dhalea, na sexta-feira, que deixaram seis mortos e oito feridos em ambos os lados.

O Iémen permanece sob uma trégua frágil desde que as Nações Unidas anunciaram, em outubro de 2022, que os esforços para estender e ampliar um cessar-fogo de seis meses falharam, deixando o país vulnerável a novos surtos de violência.

Myanmar : Rebeldes do 'Exército da Independência Kachin (KIA)' ocupam sua posição na linha de frente perto de Mai Ja Yang, no estado de Kachi


 Os confrontos entre o exército de Mianmar e o Exército da Independência Kachin (KIA) continuaram no município de Shwegu, no estado de Kachin, no sábado, dias depois de uma série de ataques aéreos mortais da Força Aérea de Mianmar terem matado um civil e ferido gravemente outros três em 5 de maio. 
Fontes na linha de frente relatam que uma coalizão de combatentes do KIA e da Força de Defesa Popular (PDF) enfrentou um grande contingente de mais de 1.000 soldados do regime entre 5 e 9 de maio. Uma fonte do KIA, falando à DVB sob condição de anonimato, afirmou que os militares sofreram baixas "pesadas" durante os confrontos, embora os números de baixas da resistência permaneçam em sigilo.

Ataques aéreos e lei marcial


A violência também afetou o vizinho estado de Shan, no norte do país, onde moradores relatam que dois civis foram mortos em 5 de maio durante um ataque aéreo à vila de Thonegwa, no município de Mabein
Tanto Shwegu quanto Mabein são disputadas acirradamente e atualmente operam sob lei marcial. Naypyidaw impôs a lei marcial — que autoriza tribunais militares a julgar civis e a proferir sentenças tão severas quanto a pena de morte — em Shwegu em 23 de abril. Mabein, tomada pelo KIA em janeiro de 2024, é um dos 15 municípios no estado de Shan sob o decreto de lei marcial.

Os confrontos recentes seguem uma contraofensiva militar que partiu da base do Batalhão de Infantaria Leve (LIB) 121 na vila de Ngar Ooe, em Mabein, no final de abril. De acordo com analistas militares, as forças do regime podem estar tentando avançar e reforçar suas posições sitiadas no município de Bhamo, em Kachin. A ofensiva do KIA para tomar Bhamo já dura dois anos. Entretanto, a mídia do regime reivindicou uma vitória estratégica em 6 de maio, relatando que os militares reabriram com sucesso a estrada de 548 km (341 milhas) que liga Mandalay ao estado de Kachin, passando pela região de Sagaing, após retomar o controle de todas as 12 cidades ao longo da rota.

As batalhas em curso fazem parte de uma ofensiva em todo o estado, lançada pelo KIA em 7 de março de 2024, que já viu a resistência capturar vários municípios importantes das forças pró-regime, incluindo Sumprabum, Injangyang, Chipwi, Tsawlaw e Mabein.

Exército sudanês retoma área na fronteira com a Etiópia após confrontos com a milícia Forças de Apoio Rápido (RSF)

 


O exército sudanês afirmou no sábado que recapturou uma área próxima à fronteira com a Etiópia após confrontos com as Forças de Apoio Rápido (RSF) e seus aliados.

As tropas avançaram para a área de Al Kayli, perto da cidade de Al-Kurmuk, na região do Nilo Azul, no sudeste do Sudão, depois de infligir pesadas baixas às RSF e ao Movimento Popular de Libertação do Sudão-Norte (SPLM-Norte), grupo aliado, segundo o comunicado. Enquanto isso, uma aliança liderada pelas RSF relatou que mais de uma dúzia de pessoas foram mortas em um ataque de drone do exército em Kordofan do Sul.


Os combates no sul ocorrem em meio a uma crise diplomática entre o Sudão e a Etiópia, desencadeada por uma série de ataques lançados pelas RSF e uma facção aliada do Movimento Popular de Libertação do Sudão-Norte em diversas áreas do estado.

Cartum convocou esta semana seu embaixador na Etiópia, acusando o país de estar por trás de ataques com drones em diversas áreas do país, incluindo o aeroporto de Cartum. Também acusou os Emirados Árabes Unidos de fornecerem as aeronaves.


“A Quarta Divisão de Infantaria e as forças de apoio conseguiram libertar a área de Al-Kayli, localizada nos arredores da cidade de Al-Kurmuk, na frente sul, após batalhas heroicas contra a milícia terrorista RSF e as forças de Joseph Tuka, afiliadas ao SPLM-Norte”, disse o exército em um comunicado. 
A cidade vizinha de Al-Kurmuk foi tomada pela milícia rebelde em 24 de março. Enquanto isso, a Aliança Fundadora do Sudão, uma coalizão de facções antigovernamentais liderada pela RSF, acusou o exército de atacar sistematicamente civis depois que um ataque com drone atingiu um caminhão em Kordofan do Sul, matando 15 pessoas e ferindo várias outras. O caminhão transportava 37 civis pela estrada principal para Abu Zabad, em Kordofan Ocidental, informou a aliança. Cerca de 700 civis foram mortos em ataques com drones realizados por ambos os lados no Sudão desde janeiro, de acordo com a ONU.


O SPLM-Norte afirmou na sexta-feira que suas forças na região do Nilo Azul haviam assumido o controle da área estrategicamente importante de Khawr al-Hassan. 
Stephen Amad, vice-chefe do Estado-Maior do Exército Popular do movimento, relatou que suas forças estavam avançando sobre a capital regional, Damazin, e outras áreas do estado. Enquanto isso, as Forças de Resistência Popular, que apoiam o exército sudanês no estado de Darfur do Norte, disseram que os movimentos das FSR nos últimos dias sugerem que estão se preparando para um ataque à área fronteiriça de Al-Tina, entre o Sudão e o Chade.

Mais de 40 pescadores nigerianos são dados como mortos após ataques aéreos do Chade contra o Boko Haram


 Dezenas de pescadores nigerianos são dados como mortos após o exército do Chade lançar ataques aéreos contra militantes do Boko Haram na região do Lago Chade, disse um líder local de pescadores à BBC. 
Abubakar Gamandi Usman, presidente da Associação de Pescadores da Bacia do Lago Chade da Nigéria, disse que vários membros da associação estão desaparecidos e estimou que mais de 40 morreram. Nenhum corpo foi encontrado até o momento, mas Usman acredita que alguns pescadores foram atingidos pelos ataques, enquanto outros se afogaram ao tentar fugir em barcos sobrecarregados.


As autoridades do Chade e da Nigéria não se pronunciaram, mas no domingo a presidência do Chade afirmou ter realizado "intensos ataques aéreos" de retaliação contra redutos do Boko Haram. 
Em um comunicado no Facebook, a presidência afirmou ter respondido a "ataques injustificados" do Boko Haram, que ocorreram na segunda e quarta-feira da semana passada e tiveram como alvo bases militares chadianas perto do Lago Chade, matando, segundo relatos, pelo menos 24 soldados e dois generais.


A bacia do Lago Chade é uma vasta região de vias navegáveis ​​e pântanos compartilhada pela Nigéria, Chade, Níger e Camarões. Há muito tempo é um reduto do Boko Haram e de sua facção rival, o Estado Islâmico da Província da África Ocidental (Iswap). 
Depois que o Boko Haram atacou as forças chadianas, elas recuaram para as ilhas de onde operam. Pescadores também habitam essas ilhas", disse Usman à BBC.




Depois que a força aérea do Chade começou a sobrevoar a região na sexta-feira, o pânico se instaurou, com combatentes do Boko Haram e pescadores tentando fugir. 
A busca pelos pescadores desaparecidos tem sido lenta, disse Usman, já que algumas partes do Lago Chade são muito profundas. A comunidade local também tem acesso limitado a canoas, pois muitas são controladas pelo Boko Haram, acrescentou Usman.

"O Boko Haram controla o acesso às áreas de pesca, transportando os pescadores de e para o mercado de peixe. O Boko Haram cobra impostos desses pescadores", disse ele.

Recentemente, a região tem visto um aumento nos ataques às forças de segurança, bem como sequestros e incursões em comunidades. As operações militares do Chade já foram acusadas de causar mortes de civis anteriormente - em outubro de 2024, a força aérea teria matado dezenas de pescadores nigerianos durante ataques aéreos contra combatentes do Boko Haram na Ilha de Tilma, no Lago Chade. As autoridades da Nigéria não comentaram publicamente as alegações de que pescadores foram atingidos nos ataques recentes.


Dezenas de mortos em novos ataques jihadistas na região central do Mali

 


Combatentes jihadistas lançaram uma nova onda de ataques mortais no centro do Mali, que matou dezenas de pessoas, disseram fontes locais e de segurança neste sábado. Um funcionário local disse que os últimos ataques elevaram o número de mortos para mais de 70 nos últimos dias, enquanto grupos armados intensificam os ataques a aldeias em toda a região. 
Uma nova onda de ataques de combatentes jihadistas no centro do Mali matou dezenas de pessoas, disseram fontes locais e de segurança neste sábado.


Os ataques de sexta-feira foram reivindicados pelo Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), ligado à Al-Qaeda, que já havia matado pelo menos 30 pessoas em ataques a aldeias na quarta-feira.

Um funcionário local disse que os últimos ataques dos grupos armados elevaram o número de mortos para mais de 70 nos últimos dias. Outro funcionário local elevou o número de mortos para 80.


"Nossos corações estão sangrando", disse um líder jovem local, acusando destacamentos do exército próximos de não fazerem nada para ajudar, apesar dos múltiplos apelos.

Uma fonte de segurança descreveu a situação na região como "preocupante". "O JNIM está atacando aldeias que se recusaram a assinar acordos locais", acrescentou a fonte. Os ataques mais recentes ocorrem depois que o JNIM e a Frente de Libertação de Azawad (FLA), dominada pelos tuaregues, realizaram um ataque sem precedentes contra a junta governante no Mali no mês passado. Desde então, a situação de segurança no Mali tornou-se crítica, com várias áreas no norte agora controladas por grupos armados.

Marinha dos EUA enfrenta um desafio crescente na construção naval e na expansão da frota, à medida que a China acelera a modernização naval

 


Os Estados Unidos continuam a operar a marinha mais poderosa do mundo, mas sua vantagem marítima de longa data sobre a China está diminuindo à medida que Pequim expande rapidamente tanto sua frota quanto suas capacidades de construção naval. O desafio vai cada vez mais além do número de navios, abrangendo também a capacidade industrial, a eficiência de aquisição e a estratégia naval de longo prazo. 
Um dos indicadores mais claros da mudança de equilíbrio é o número de células de mísseis de lançamento vertical implantadas em ambas as frotas. Em 2004, a Marinha dos EUA possuía mais de 200 vezes o número de sistemas de lançamento vertical instalados em navios de guerra chineses, mas, em 2023, essa vantagem teria caído para aproximadamente dois para um. Analistas militares projetam que a China poderá ultrapassar os Estados Unidos em capacidade total de sistemas de lançamento vertical até 2027. Esses sistemas de lançamento são considerados uma medida fundamental do poder de fogo naval, pois dão suporte a mísseis antiaéreos, mísseis de cruzeiro como o Tomahawk e armas antissubmarino.


Ao longo da última década, a China colocou em serviço cerca de 100 grandes navios de combate de superfície, enquanto os Estados Unidos construíram menos de 50 no mesmo período. Como resultado, a frota americana tornou-se menor e mais antiga, enquanto a marinha chinesa continua a expandir-se a um ritmo significativamente mais rápido. 
O planejamento naval chinês visa, segundo relatos, uma frota de 435 grandes navios de combate de superfície até 2030 e nove porta-aviões até 2035. Os planos atuais da Marinha dos EUA têm como meta 381 navios tripulados e 134 sistemas não tripulados até 2035, mantendo a força existente de 11 porta-aviões.


Para atingir essas metas, os Estados Unidos precisariam construir 94 navios de guerra adicionais na próxima década. No entanto, as atuais taxas de construção naval americanas e os crescentes atrasos nos programas estão levantando preocupações sobre se esses objetivos podem ser alcançados de forma realista. 
Espera-se que a Marinha dos EUA diminua temporariamente para cerca de 287 navios durante 2026, antes que o número de navios na frota comece a aumentar gradualmente novamente. Ao mesmo tempo, os estaleiros chineses estão se concentrando cada vez mais em grandes navios de combate oceânicos, em vez de embarcações costeiras menores. Em 2025, a China colocou em operação o porta-aviões Fujian, o terceiro porta-aviões do país e o primeiro equipado com sistemas de catapulta eletromagnética. A embarcação desloca mais de 80.000 toneladas e representa o primeiro projeto de porta-aviões totalmente desenvolvido na China. A China também estaria construindo seu primeiro porta-aviões de propulsão nuclear, com algumas fontes sugerindo que duas dessas embarcações já podem estar em construção. A expansão naval chinesa adicional durante 2025 incluiu novos submarinos de ataque de propulsão nuclear Tipo 093B, submarinos convencionais Tipo 039C equipados com sistemas de propulsão independente do ar, navios de assalto anfíbio Tipo 076 e mais destróieres Tipo 052D e Tipo 055. Os estaleiros chineses agora lançam rotineiramente várias classes de navios de guerra simultaneamente, colocando em operação dois ou três navios anualmente em diversas linhas de produção. Em comparação, os Estados Unidos continuam a depender fortemente da produção do destróier da classe Arleigh Burke como seu principal navio de combate de superfície de grande porte.


Embora os planos de aquisição prevejam uma média de dois destróieres por ano, os estaleiros americanos estão entregando menos navios do que o previsto e os atrasos continuam a aumentar. O destróier USS Ted Stevens (DDG-128) levou aproximadamente sete anos entre a assinatura do contrato e a entrega, refletindo o que se tornou cada vez mais padrão para os principais programas navais dos EUA. 
Documentos orçamentários do Congresso para o ano fiscal de 2026 constataram que os atrasos no programa DDG-51 aumentaram em cerca de 18 meses em dois anos. Os cronogramas de construção atuais para destróieres e submarinos têm uma média de oito a nove anos, em comparação com cinco a seis anos no início dos anos 2000. As tendências de produção de submarinos também mudaram a favor da China. Entre 2016 e 2020, os Estados Unidos lançaram sete submarinos de propulsão nuclear, enquanto a China lançou três, mas de 2021 a 2025, a China teria lançado 10 submarinos, em comparação com os sete submarinos americanos. Apesar do aumento na produção chinesa, os Estados Unidos ainda mantêm uma vantagem substancial, tanto qualitativa quanto numérica, em submarinos nucleares. No final de 2025, a Marinha dos EUA operava aproximadamente 71 submarinos de propulsão nuclear, incluindo submarinos de ataque, submarinos de mísseis balísticos e submarinos de mísseis guiados. A China opera atualmente nove submarinos de ataque de propulsão nuclear dos tipos 093 e 093A, mas expandiu sua frota geral de submarinos nucleares com rapidez suficiente para, segundo relatos, ultrapassar a Rússia em número total no início de 2026. A China também opera 46 submarinos convencionais modernos, uma categoria atualmente ausente do inventário da Marinha dos EUA. Os esforços de modernização naval dos Estados Unidos também enfrentaram repetidas dificuldades programáticas nas últimas duas décadas. O programa de destróieres da classe Zumwalt produziu apenas três navios, após os custos subirem para aproximadamente US$ 4 bilhões por embarcação. O programa de Navios de Combate Litorâneo (LCS) foi encerrado devido a problemas de projeto, altos custos e capacidade de combate limitada. Enquanto isso, o programa de fragatas da classe Constellation sofreu grandes atrasos após repetidas modificações aumentarem o tamanho, a complexidade e os requisitos de documentação dos navios.

A falta de fragatas modernas criou uma lacuna de capacidade nas forças de escolta e patrulha da Marinha dos EUA após a aposentadoria das fragatas da classe Oliver Hazard Perry. A China, por outro lado, opera dezenas de fragatas modernas que apoiam operações de escolta e segurança marítima. Um dos desafios estruturais mais significativos enfrentados pelos Estados Unidos continua sendo a capacidade de construção naval. Os Estados Unidos representam atualmente cerca de 0,1% da produção global de construção naval, enquanto a China produz mais embarcações comerciais do que o resto do mundo combinado. No equipamento naval dos EUA, estima-se que a capacidade de construção naval da China seja 232 vezes maior que a dos Estados Unidos. A estratégia de fusão civil-militar da China permitiu que os investimentos em construção naval comercial fortalecessem simultaneamente a capacidade de construção naval. John Phelan, secretário da Marinha dos EUA, descreveu os programas de construção naval americanos durante uma audiência no Congresso em junho de 2025 como uma "bagunça", "atrasados ​​e com orçamento estourado". Essas preocupações motivaram esforços para reconstruir a capacidade industrial dos EUA com a assistência de aliados, incluindo a Coreia do Sul.

Em um acordo comercial mais amplo assinado em 2025, Seul teria se comprometido com US$ 150 bilhões em empréstimos e garantias para apoiar a cooperação no âmbito da iniciativa “Make American Shipbuilding Great Again” (Tornar a Construção Naval Americana Grande Novamente). O objetivo é ajudar a revitalizar a capacidade de construção naval dos EUA após décadas de declínio industrial. Os Estados Unidos estão atualmente desenvolvendo vários grandes programas de modernização naval, incluindo o programa de destróieres DDG(X), a iniciativa de fragatas FF(X) e o programa proposto de navios de combate de superfície pesados ​​BBG(X), conhecido informalmente como “classe Trump”. Espera-se que os futuros navios de guerra tenham um deslocamento entre 30.000 e 40.000 toneladas e transportem um grande número de mísseis, armas hipersônicas, sistemas a laser e capacidades defensivas avançadas. O presidente Donald Trump anunciou o conceito publicamente no final de 2025, juntamente com o secretário de Defesa Pete Hegseth, o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário da Marinha Phelan. Trump descreveu os navios planejados como “os mais rápidos, maiores e cem vezes mais poderosos do que qualquer navio de guerra já construído”. Apesar dos planos de modernização em curso, analistas alertam que os Estados Unidos enfrentam dificuldades crescentes para acompanhar o ritmo industrial e a expansão naval da China. Embora a Marinha dos EUA ainda mantenha vantagens significativas em porta-aviões, qualidade de submarinos e experiência operacional global, essas vantagens estão diminuindo gradualmente à medida que a China continua expandindo sua frota e infraestrutura de construção naval.