Investigação sobre facções no Brasil faz uma revelação sobre a atuação de grupos terroristas na Tríplice Fronteira que já havíamos feito em 2010

 Para o jornalista e cientista político Segadas Vianna existem movimentos radicais atuando na região. No artigo ‘A Luta Armada no Brasil’, publicado no site Vote Brasil, ele afirmava que ‘no Sul do país, na chamada Tríplice Fronteira, há fortíssimas evidências da existência de bases ativas da al-Qaeda e de grupos palestinos como o Hamas, sendo que a maioria dessas bases destina-se a abrigar militantes `queimados´ em suas áreas de ação e à obtenção de fundos para as suas atividades’. Estudioso das políticas públicas de segurança, Segadas Vianna foi correspondente na Nicarágua e atuou em 1995 como observador e consultor de um grupo especial da Polícia Civil do Rio.


No artigo "A Luta Armada no Brasil", de Segadas Vianna, analisou a presença de bases de grupos radicais na Tríplice Fronteira, focando em atividades de militantes "queimados" e na obtenção de fundos. O texto, escrito por um especialista em segurança, destacou indícios dessas operações na região. Leia o artigo completo no Observatório da Imprensa. 

https://www.observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/as-fronteiras-que-dao-o-que-falar/



As autoridades identificaram um grupo de empresários de origem libanesa à frente dos negócios na região da Tríplice Fronteira. Entre os denunciados, destacam-se os irmãos Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun.

O Modelo de Atuação Comercial

Diferente dos operadores tradicionais de facções que agem na clandestinidade, os irmãos Zayoun utilizavam uma estrutura formal de negócios para dar aparência lícita aos fluxos financeiros:

Empresas de Importação e Exportação: 

Sediados em uma região de livre comércio e intenso fluxo de mercadorias (Foz do Iguaçu/Ciudad del Este), eles utilizavam registros comerciais legítimos de comércio internacional para justificar a movimentação de milhões de reais.

Simulação de Notas Fiscais: 

O Ministério Público apontou que o grupo emitia notas fiscais frias de compra e venda de produtos falsificados ou eletrônicos. Essas notas serviam para justificar a entrada de dinheiro em espécie gerado pelo tráfico de drogas nos grandes centros urbanos (como Rio de Janeiro e São Paulo).🔄 

A Relação com o Sistema Hawala

A origem libanesa e a forte conexão com o comércio do Oriente Médio facilitavam o uso do sistema Hawala para a remessa de valores:

Compensação Transnacional: 

O dinheiro arrecadado pelas facções brasileiras não precisava ser enviado fisicamente ao exterior de forma imediata. Ele era utilizado para pagar fornecedores de mercadorias locais ou compensado globalmente por meio de doleiros e operadores comerciais em Beirute, Dubai ou Miami.

Quebra de Rastro: 

Ao misturar o dinheiro do narcotráfico com o faturamento de lojas e distribuidoras na fronteira, os irmãos conseguiam enviar os fundos para contas de laranjas no exterior sem disparar os alertas automáticos do Banco Central do Brasil.🔍

 O Foco da Inteligência Policial

A centralização das investigações sobre os irmãos Zayoun ocorreu devido ao cruzamento de dados com agências internacionais:

Monitoramento de Divisas: 

A intensa movimentação financeira internacional incompatível com o porte físico das empresas chamou a atenção do Coaf e de órgãos de controle aduaneiro.

Relações de Parentesco e Sociedades: 

A investigação detalhou que os três irmãos dividiam funções de gerência, representação legal e abertura de novas contas bancárias, pulverizando os ativos para dificultar o confisco de bens pela Justiça.

O Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) rastreou transações financeiras e comerciais diretas de empresas do núcleo dos irmãos Zayoun com um indivíduo localizado no exterior.

Este alvo estrangeiro está oficialmente sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Os relatórios de inteligência americanos o classificam formalmente como um operador ativo da estrutura global de arrecadação de fundos da Al-Qaeda.

Como a máfia chinesa opera uma fábrica de golpes em Mianmar

 


No KK Park, na fronteira entre Mianmar e a Tailândia, aqueles que se recusam a aplicar golpes enfrentam tortura, inanição e até mesmo o assassinato.

Aaron não conseguia acreditar na sua sorte. Uma empresa de tecnologia em ascensão na Tailândia lhe oferecia o emprego dos sonhos: salário alto, ótimos benefícios e uma saída para um futuro sombrio no sul da África.

"Eu esperava ir trabalhar no exterior. E, um dia, fui abordado", disse Aaron. "Achei que tudo fosse legítimo — até chegar a Bangkok."

No aeroporto, Aaron recebeu uma recepção calorosa e foi conduzido a um carro com outros dois jovens do leste da África.

"Deveríamos ir para um hotel que fica a uns 10 minutos do aeroporto. Mas seguimos em uma direção diferente."


O motorista dirigiu por quase oito horas antes de chegar à cidade fronteiriça tailandesa de Mae Sot, de onde Aaron e seus companheiros foram traficados através do rio Moei para uma região de Mianmar devastada pela guerra.

"Havia pessoas armadas", recordou ele. "Disseram que devíamos entrar no barco — e atravessamos."

Mianmar: polo de tráfico de pessoas


Aaron e seus companheiros foram traficados para um complexo semelhante a uma prisão, chamado KK Park. Lá, milhares de pessoas são forçadas a cometer crimes — aplicando golpes em pessoas nos Estados Unidos, na Europa e na China. A ONU estima que mais de 100 mil pessoas estejam sendo forçadas a trabalhar em centros de golpes em Mianmar.

A equipe de investigação da DW conversou com vários sobreviventes do complexo. Eles descreveram vigilância constante, tortura e até assassinatos semanais.

"Trabalhávamos 17 horas por dia, sem reclamações, sem folgas, sem descanso", disse Lucas, um jovem do oeste da África. "E, se dizemos que queremos ir embora, eles nos ameaçam dizendo que vão nos vender ou nos matar."

Mas quem está por trás dessa operação brutal?

Os colaboradores locais em Mianmar


Analisamos imagens exclusivas feitas dentro do complexo e conversamos com vários sobreviventes que foram mantidos no local. Todos reconheceram os emblemas nos uniformes dos guardas.

Trata-se da insígnia da Força Oficial de Guarda de Fronteira (*Border Guard Force*), um grupo de ex-rebeldes que cessou os combates contra a junta militar de Mianmar há uma década em troca de liberdade de ação em seus territórios.

Seus soldados estão presentes no KK Park. No entanto, segundo várias fontes, os chefes da operação são chineses.

Rastreando criptomoedas até o KK Park

Seguimos o rastro do dinheiro de várias vítimas de golpes para verificar aonde ele levava. O caminho nos conduziu a carteiras de criptomoedas utilizadas pelo KK Park para arrecadar os fundos das vítimas. A partir daí, os recursos eram transferidos para outras carteiras, que funcionam como contas digitais e armazenam criptomoedas.


Uma dessas carteiras foi aberta por Wang Yi Cheng, um empresário chinês radicado na Tailândia. Ele recebeu o equivalente a dezenas de milhões de dólares em criptomoedas provenientes de carteiras usadas pelo KK Park.

Wang integra uma rede mais ampla de empresários chineses no exterior, a qual, em última análise, remete a um notório chefe da máfia chinesa.

Na época em que recebia transferências diretas de carteiras gerenciadas pelo KK Park, Wang ocupava o cargo de vice-presidente da Associação de Intercâmbio Econômico Tailândia-Ásia (*Thai-Asia Economic Exchange Association*), uma entidade sediada em Bangkok que promove relações entre a China e a Tailândia.

A Thai-Asia divide suas instalações com o Centro de Intercâmbio Cultural Overseas Hongmen (*Overseas Hongmen Culture Exchange Center*), que foi alvo de uma operação policial em 2023 — juntamente com outro centro Hongmen em Bangkok — por operar ilegalmente e servir de fachada para o crime organizado chinês.

A conexão chinesa

Essas organizações estão estreitamente ligadas a Wan Kuok Koi, também conhecido como "Broken Tooth" (Dente Quebrado). Ele lançou a Associação Mundial de História e Cultura Hongmen em 2018, uma organização que, desde então, sofreu sanções dos EUA por seu envolvimento com o crime organizado.

No entanto, a organização Hongmen de Wan também promove a ambiciosa Iniciativa Cinturão e Rota (BRI, na sigla em inglês) de Pequim — um projeto de infraestrutura multibilionário destinado a integrar ainda mais a China à economia global. A iniciativa também é conhecida como a Nova Rota da Seda.

"Wan Kuok Koi também costuma citar uma frase com bastante frequência: ele diz que, antigamente, lutava pelos cartéis e que, agora, luta pelo Partido Comunista Chinês", disse à DW Jason Tower, um importante especialista em crime organizado do Instituto dos Estados Unidos para a Paz (USIP).

A área onde o KK Park foi construído é uma região-alvo dos investimentos da BRI chinesa. Relatórios do governo chinês exaltaram projetos de desenvolvimento nas imediações do KK Park como parte das ambições da BRI, embora o governo tenha posteriormente se distanciado deles após alegações de fraudes generalizadas.

O KK Park, em si, não é mencionado em comunicados oficiais chineses, nem houve cerimônias de lançamento da pedra fundamental, como ocorreu com outros projetos de desenvolvimento na região.

Em vez disso, o KK Park foi construído especificamente para a prática de golpes.

A rede do KK Park se expande

As operações de fraude do KK Park remontam a uma rede complexa de empresas e associações utilizadas por criminosos para legitimar seus crimes e lavar milhões em ativos obtidos ilegalmente — e essa rede continua a se expandir do Sudeste Asiático para a África, a Europa e a América do Norte.

"Realmente vemos que essas redes criminosas estão se tornando cada vez mais poderosas, influentes e arraigadas em diferentes países ao redor do mundo", diz Tower.

"E os esforços das autoridades policiais estão apenas tocando a ponta do iceberg."

Guerrilheiros do ELN sequestram 39 pessoas na Colômbia


 Rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN) capturaram as pessoas em uma estrada na região de Chocó, área onde mantêm forte presença e se financiam por meio de atividades como narcotráfico e mineração ilegal.

"Exigimos que o ELN respeite a vida e a segurança das pessoas sequestradas e proceda à sua libertação imediata e incondicional", afirmou o Exército na rede social X ao relatar o sequestro.

Uma fonte militar informou à AFP que tropas já foram enviadas para a região. Informações preliminares indicam que todos os reféns são civis que viajavam de ônibus pela estrada.

O departamento de Chocó, localizado na costa do Pacífico e na fronteira com o Panamá, é um reduto do ELN. Lá, o grupo exerce rígido controle sobre a população por meio de extorsão e da frequente detenção de civis e membros das forças de segurança, com quem entra em confronto armado regularmente.

Com raízes guevaristas e tendo pegado em armas em 1964, o ELN não participou do histórico acordo de paz que, há uma década, levou ao desarmamento da maior parte do grupo guerrilheiro FARC, hoje extinto.


Segundo o relatório mais recente da Fundação Ideias para a Paz (Fundación Ideas para la Paz), publicado em janeiro, o ELN contava com 6.810 combatentes em 2025 — um aumento de 9% em relação ao ano anterior. Além de atuar em Chocó, o grupo mantém influência no nordeste e no sudoeste do país.

O governo do presidente Gustavo Petro — ex-guerrilheiro do extinto grupo M-19 — tentou, sem sucesso, negociar a paz com o ELN ao assumir o cargo em 2022.

A iniciativa foi definitivamente abandonada em janeiro de 2025, quando confrontos entre o ELN e dissidentes das FARC deixaram mais de cem mortos e dezenas de milhares de deslocados em Catatumbo, região na fronteira com a Venezuela.

Segundo especialistas, grupos armados ilegais na Colômbia se fortaleceram nos últimos quatro anos. Na Colômbia, o sequestro por traficantes de drogas é uma prática comum que marcou a campanha presidencial deste ano. O presidente eleito Abelardo de la Espriella, uma figura de extrema-direita, promete endurecer a política de segurança e lançar campanhas de bombardeio em larga escala contra os insurgentes.

Várias explosões ocorrem na ilha iraniana de Qeshm em meio a hostilidades com os Estados Unidos

 


Várias explosões ocorreram na ilha iraniana de Qeshm, perto do Estreito de Ormuz. A mídia relata que a área de Masan foi alvo de ataques por parte dos Estados Unidos.

Hoje, ouviu-se uma explosão na ilha iraniana de Qeshm, localizada perto do Estreito de Ormuz. A informação foi divulgada pela agência de notícias Fars, em meio à retomada das hostilidades entre os Estados Unidos e a República Islâmica, segundo a UNN.

"Por volta das 18h45, ouviram-se sons de várias explosões na ilha de Qeshm", informou a Fars.

"Nos últimos dias, a área de Masan, na ilha de Qeshm, foi atacada diversas vezes pelos Estados Unidos."

Tropas neutralizam espião do ISWAP que tentava se infiltrar em posição militar em Borno


 Tropas do 222º Batalhão (Mecanizado) neutralizaram um espião do ISWAP que tentava se infiltrar em uma posição defensiva militar na Área de Governo Local de Konduga, no estado de Borno.

Fontes de segurança informaram a Zagazola Makama que o incidente ocorreu por volta das 19h45 de 11 de julho, quando tropas que monitoravam câmeras de vigilância detectaram um indivíduo suspeito aproximando-se de sua posição, vindo da região geral de Yuwe, na Floresta de Sambisa.


Segundo as fontes, suspeitava-se que o indivíduo fosse um agente do ISWAP realizando reconhecimento da posição militar.

Tropas posicionadas para uma emboscada foram imediatamente alertadas e confrontaram o suspeito no momento em que ele tentava se infiltrar no local defensivo, resultando em sua neutralização.

Fontes militares afirmaram que a operação bem-sucedida destaca a eficácia do emprego de tecnologia de vigilância e de respostas terrestres coordenadas na detecção e eliminação de ameaças terroristas antes que estas possam comprometer as posições das tropas.

Base Avançada de Telecomunicações da China: Como a Fusão Civil-Militar Transforma Redes Globais em Armas


 A doutrina chinesa de fusão civil-militar (MCF) transformou sistematicamente as redes globais de telecomunicações em uma base de operações avançada para o Exército de Libertação Popular e o Ministério da Segurança do Estado. Ao incorporar, legal e tecnicamente, requisitos de inteligência em operadoras civis, dispositivos de borda (*edge devices*) e cadeias de suprimentos, Pequim obteve um acesso duradouro e discreto — exemplificado por campanhas como a "Salt Typhoon" — que sobrevive a ciclos de correção de segurança e oferece tanto inteligência em tempos de paz quanto opções de perturbação em tempos de guerra.

Governos e operadoras do Ocidente enfrentam agora uma assimetria estrutural: correções técnicas pontuais são insuficientes contra uma doutrina que trata a infraestrutura comercial como uma preparação rotineira do campo de batalha para fins de inteligência. A resiliência sustentada exige segmentação baseada no modelo *zero-trust* (confiança zero), análise comportamental, processos de aquisição que levem em conta a MCF e cooperação multilateral, antes que a implementação do 6G corra o risco de consolidar esse desequilíbrio por décadas.

Em uma das avaliações públicas mais francas feitas por uma líder de inteligência ocidental nesta primavera, a diretora do GCHQ do Reino Unido, Anne Keast-Butler, alertou em 27 de maio que o Ocidente enfrenta uma "janela de oportunidade cada vez menor" para manter a superioridade sobre a China em tecnologias cibernéticas e emergentes, descrevendo o país como "uma superpotência científica e tecnológica com capacidades sofisticadas em suas agências de inteligência, cibernéticas e militares".

Essas declarações ocorreram poucas semanas depois de o Serviço de Inteligência e Segurança da Defesa da Holanda avaliar, em abril, que as capacidades cibernéticas ofensivas da China haviam alcançado paridade com as dos Estados Unidos. O relatório destacou um aumento acentuado em campanhas visando dispositivos de borda — roteadores, *firewalls* e concentradores VPN — utilizados por provedores de telecomunicações em todo o mundo. Essas operações, rastreadas em parte sob campanhas como a "Salt Typhoon", demonstram um acesso oculto, sustentado e persistente, em vez de espionagem pontual.


O que possibilita essa persistência não é apenas a sofisticação técnica, mas a doutrina de fusão civil-militar (MCF) de Pequim, que integra sistematicamente a infraestrutura civil de telecomunicações, contratantes privados e empresas estatais aos requisitos do Exército de Libertação Popular (ELP) e do Ministério da Segurança do Estado (MSE).

Longe de ser apenas uma ferramenta tática, a MCF serve como a base estrutural que converte a inovação comercial em telecomunicações em capacidade estratégica para o ELP e o MSE. Documentos recentes de aquisição do ELP revelam que a China busca ativamente sistemas de IA para fundir dados de várias redes, possibilitando uma tomada de decisão mais rápida e operações de perturbação de sistemas em conflitos futuros. Evidências de Relatórios Públicos

Relatórios públicos indicam que agentes patrocinados pelo Estado chinês recorrem cada vez mais a redes clandestinas de grande escala, compostas por dispositivos de borda comprometidos, para obter acesso persistente a redes de telecomunicações em todo o mundo. Essas redes são constituídas principalmente por roteadores de pequenos escritórios/escritórios domésticos (SOHO), firewalls, concentradores de VPN e dispositivos de Internet das Coisas (IoT) que, frequentemente, já chegaram ao fim de sua vida útil e não recebem mais atualizações de segurança. Uma vez dentro dos ambientes das operadoras de telecomunicações, os agentes utilizam técnicas de "living off the land" (uso de ferramentas nativas do sistema), ferramentas administrativas legítimas, coleta de credenciais e *webshells* para realizar movimentação lateral, minimizando ao mesmo tempo os rastros detectáveis ​​de malware.

O alcance dessas operações é explicitamente global. A campanha monitorada como Salt Typhoon/RedMike teve como alvo roteadores de borda de provedor e de borda de cliente em infraestruturas de telecomunicações na Europa, Ásia-Pacífico, África e América Latina, incluindo algumas estações de aterrissagem de cabos submarinos. Os agentes exploraram vulnerabilidades em roteadores de *backbone* e conexões confiáveis ​​para saltar para outras redes, muitas vezes mantendo o acesso por meses ou anos. Algumas operações da Salt Typhoon mantiveram o acesso por períodos de 18 a 36 meses.


De fato, uma característica marcante dessas campanhas é a persistência. Mesmo após os fabricantes corrigirem vulnerabilidades conhecidas, os agentes de ameaça frequentemente recuperam o acesso inicial explorando a cadeia de suprimentos, comprometendo novamente dispositivos ou abusando de recursos legítimos de gerenciamento remoto. O resultado é um acesso furtivo e de longo prazo ("low-and-slow") que sobrevive a ciclos de manutenção de rotina e proporciona tanto valor imediato de inteligência (metadados de comunicações, interfaces de interceptação legal) quanto opções estratégicas de longo prazo, ressaltando que o desafio é estrutural, e não episódico.

Por exemplo, a campanha Salt Typhoon comprometeu pelo menos nove grandes operadoras de telecomunicações dos EUA e visou infraestruturas de telecomunicações na Europa, na região da Ásia-Pacífico e em dezenas de outros países, concedendo aos agentes acesso a metadados de comunicações de milhões de usuários. A campanha envolveu modificações extensas nas configurações dos roteadores e, em alguns casos, a inserção de implantes no nível do firmware para manter a persistência a longo prazo, mesmo após a reinicialização dos dispositivos.

Fusão Civil-Militar: Da Política ao Acesso Persistente

Embora a Fusão Civil-Militar (FCM) tenha se tornado um importante ponto de atrito nas relações entre os EUA e a China durante o mandato do presidente Xi Jinping — que a elevou ao status de estratégia nacional e a colocou sob sua supervisão pessoal —, essa abordagem tem sido, na verdade, uma característica constante do pensamento estratégico chinês há décadas. Ela remonta às diretrizes de Mao Tsé-Tung de 1956 sobre a transferência de tecnologia civil para militar e à política de "dezesseis caracteres" de Deng Xiaoping, de 1982, que preconizava a combinação do desenvolvimento militar e comercial.

Uma mudança notável em relação aos 13º e 14º Planos Quinquenais — que faziam referência explícita à FCM — é que as diretrizes do 15º Plano Quinquenal da China (2026–2030) não contêm menção direta ao termo. No entanto, em vez de abandonar seu objetivo central de integrar sistematicamente o desenvolvimento tecnológico civil e militar, Pequim continua a implementar a política sob uma terminologia alternativa.

A FCM é supervisionada pela Comissão Central de Desenvolvimento da Fusão Civil-Militar, criada em 2017. Ela exige que entidades civis — incluindo operadoras estatais, contratadas privadas, instituições de pesquisa e empresas de tecnologia — atendam a demandas militares e de inteligência, em cumprimento a obrigações vinculativas estabelecidas pela Lei de Inteligência Nacional (2017) e pela Lei de Cibersegurança (2016). Esses dispositivos legais efetivamente diluem a fronteira entre a inovação comercial em telecomunicações e as necessidades de inteligência do Estado. O Artigo 7 da lei é particularmente explícito ao obrigar todas as organizações e cidadãos chineses a apoiar, auxiliar e cooperar com os esforços nacionais de inteligência. Essa disposição é amplamente interpretada como a criação de uma obrigação legal que poderia compelir empresas de tecnologia chinesas a fornecer acesso via *backdoor* ou dados de clientes estrangeiros quando solicitadas por agências de inteligência, levantando sérias preocupações à luz do direito internacional e dos regimes de controle de exportação.


A China encara o ciberespaço como um cenário privilegiado para a guerra assimétrica, a dissuasão estratégica e a busca pela superioridade informacional. No cerne do pensamento cibernético moderno de Pequim está o conceito de "informatização", que preconiza a incorporação sistemática de tecnologias da informação em toda a economia, na sociedade e na infraestrutura crítica. Na prática, isso significa integrar capacidades cibernéticas à infraestrutura civil de telecomunicações durante a implantação e a manutenção rotineiras das redes, em vez de tratá-las como sistemas militares separados. A partir da década de 1990, estrategistas chineses passaram a reconhecer que o domínio da informação havia se tornado um fator decisivo para o poder e a segurança nacionais. Eles observaram que os adversários podiam, agora, obter uma visão profunda dos sistemas econômicos, das populações e dos processos de tomada de decisão uns dos outros. Essa constatação levou a liderança militar e política da China a colocar as operações cibernéticas no centro da estratégia nacional.

Apesar da retórica pública mais contida, a estratégia de Fusão Civil-Militar (MCF) não foi abandonada; em vez disso, foi reformulada e integrada mais profundamente aos processos de aquisição e planejamento. No domínio cibernético, essa fusão permite que a Força de Ciberespaço do Exército de Libertação Popular (ELP) e os contratados do Ministério da Segurança do Estado (MSS) aproveitem cadeias de suprimentos civis, a fabricação de dispositivos de borda (*edge devices*) e a expertise em gestão de redes para garantir acesso global contínuo. Provedores comerciais de telecomunicações fornecem hardware de duplo uso, atualizações de software e interfaces de gerenciamento remoto que permitem a atores estatais manter pontos de acesso sem a necessidade de implantar constantemente malwares personalizados. Isso inclui preocupações em relação a grandes fornecedores chineses, como Huawei, ZTE e Hikvision, que dominam os mercados globais de infraestrutura de 5G e vigilância. Pequim integra deliberadamente avanços tecnológicos civis — particularmente em infraestrutura 5G/6G, cabos submarinos e sistemas de interceptação legal — aos planos de modernização do ELP.

O princípio doutrinário que norteia o ELP é a "guerra inteligente" (*intelligentised warfare*), que trata as operações cibernéticas em tempos de paz como uma atividade rotineira de preparação de inteligência do campo de batalha. Sob essa estrutura, o acesso sustentado a redes globais de telecomunicações não constitui espionagem por si só, mas sim uma forma de pré-posicionamento: a obtenção de metadados de comunicação, o mapeamento de dependências de infraestruturas críticas e a preparação de opções de interrupção para contingências futuras, incluindo um cenário envolvendo Taiwan. As telecomunicações constituem um terreno ideal justamente por serem, em sua concepção, tecnologias de duplo uso. As redes das operadoras oferecem pontos críticos de tráfego global, interfaces de interceptação legal exigidas pelos governos anfitriões e vastos volumes de metadados que podem ser coletados discretamente por meio de contratados vinculados à MCF. Essa integração sistêmica ajuda a explicar por que tais campanhas persistem mesmo após ciclos de correção de falhas (*patching*) e mudanças de fornecedores, uma vez que entidades do setor privado são legalmente obrigadas a apoiar os esforços de inteligência nacional. O resultado é uma arquitetura de acesso resiliente, escalável e que permite a negação de autoria — exatamente o desfecho que a MCF foi projetada para produzir.

Implicações para a Dissuasão e as Normas Internacionais


A natureza institucionalizada da MCF complica fundamentalmente a dissuasão tradicional no ciberespaço. Como incorpora legal e organizacionalmente os requisitos estatais nas cadeias de fornecimento de telecomunicações civis, a atribuição torna-se mais lenta e a interrupção mais custosa politicamente. Nomear publicamente os contratados ou as operadoras estatais acarreta o risco de escalada com entidades comerciais que Pequim trata como ativos nacionais, enquanto as desativações técnicas de dispositivos comprometidos são frequentemente revertidas por meio de mecanismos de reentrada habilitados pela mesma arquitetura de fusão.

Essa dinâmica enfraquece as estratégias de dissuasão baseadas em punição e em negação. Os governos ocidentais não podem facilmente impor custos a campanhas individuais quando a infraestrutura que as viabiliza está difusa entre atores nominalmente civis vinculados à lei chinesa. A estratégia deve, portanto, adaptar-se, e os governos devem tratar os fornecedores vinculados à MCF como um risco sistêmico nas revisões de aquisição de infraestrutura crítica e investir em padrões multilaterais de resiliência para redes globais de telecomunicações. Embora nem todos os fornecedores chineses possuam uma designação oficial de MCF, a Lei Nacional de Inteligência efetivamente disponibiliza os principais provedores e contratados de telecomunicações para atender aos requisitos de inteligência do Estado. Maior transparência sobre as obrigações de MCF em fóruns internacionais também poderia ajudar a moldar as normas cibernéticas emergentes, deslocando o debate de campanhas episódicas para o modelo doutrinário subjacente que as sustenta. Sem tais adaptações, cria-se uma dinâmica assimétrica na qual as operadoras arcam com o ônus defensivo diário, enquanto Pequim ganha opções estratégicas.

O que deve mudar: Reformas de políticas e aquisições

As defesas de perímetro tradicionais e as atualizações periódicas são insuficientes contra a persistência habilitada por MCF, porque a ameaça está incorporada nas cadeias de suprimentos e nos recursos legítimos de gerenciamento dos quais as operadoras dependem.

Os adversários exploram rotineiramente a visibilidade limitada do tráfego leste-oeste em dispositivos de borda e planos de gerenciamento, permitindo que o acesso lento e de baixa velocidade sobreviva aos ciclos de manutenção de rotina. As operadoras globais de telecomunicações devem, portanto, adotar uma mudança estrutural na postura defensiva.

Primeiro, implementar uma segmentação rigorosa de confiança zero das interfaces de gerenciamento, sistemas de interceptação legal e caminhos de acesso remoto, tratando cada dispositivo de borda como potencialmente comprometido.

Em segundo lugar, estabelecer análises comportamentais contínuas e monitoramento do tráfego leste-oeste especificamente para ambientes de roteadores e VPNs, passando da detecção baseada em assinaturas para a análise comportamental.

Em terceiro lugar, integrar indicadores explícitos de risco de fusão militar-civil nos processos de due diligence da cadeia de suprimentos e de avaliação de risco de fornecedores, incluindo avaliações de país de origem e requisitos contratuais de transparência sobre obrigações de dupla utilização sob a lei chinesa. Isso deve incluir a divulgação obrigatória de quaisquer obrigações junto a serviços de inteligência estrangeiros, cláusulas contratuais que exijam notificação sobre solicitações governamentais de acesso e auditorias de terceiros sobre a implementação de tecnologias de duplo uso.

Em quarto lugar, desenvolver e testar regularmente protocolos de resposta para isolamento rápido, permitindo que as operadoras coloquem em quarentena segmentos comprometidos sem interromper o atendimento ao cliente, aproveitando as lições aprendidas em exercícios intersetoriais.

Em quinto lugar, ampliar a participação em mecanismos internacionais de compartilhamento de informações — como Centros de Compartilhamento e Análise de Informações (ISACs) específicos do setor e canais multilaterais de confiança — para suprir a lacuna de visibilidade que contratados de MCF exploram em redes de terceiros países.

Essas medidas não eliminam a ameaça, mas aumentam o custo e o risco de detecção para a manutenção de acessos persistentes. As operadoras que tratam a MCF como um elemento permanentemente integrado, e não apenas como uma campanha tática, estarão mais bem posicionadas para proteger tanto suas operações comerciais quanto a resiliência mais ampla da infraestrutura crítica, essencial em uma era de competição entre grandes potências.

A MCF alcançou um sucesso de uma magnitude raramente vista em doutrinas estratégicas: transformou partes significativas da infraestrutura global de telecomunicações comerciais em um ativo estratégico para Pequim. Consequentemente, isso está longe de ser uma campanha cibernética passageira; trata-se da expressão prática de uma visão doutrinária vigente há décadas, na qual o acesso a redes em tempos de paz serve como preparação rotineira do domínio da informação para conflitos futuros. Essa assimetria é de natureza estrutural: enquanto as operadoras precisam defender suas redes diariamente, Pequim se beneficia de uma opcionalidade persistente e de baixo custo, que resiste a atualizações de segurança, trocas de fornecedores e até mesmo a revelações públicas.

Para as operadoras globais de telecomunicações e os governos aliados, a implicação prática é clara: medidas técnicas de correção jamais serão suficientes — ou, melhor dizendo, oferecerão apenas soluções temporárias. A verdadeira resiliência exige tratar a MCF como um elemento permanente do ambiente operacional, o que implica reformular redes, cadeias de suprimentos e a cooperação internacional de acordo com essa realidade. Somente assim o Ocidente poderá começar a reduzir essa assimetria em um domínio onde a infraestrutura comercial passou a integrar o espaço de batalha expandido de um adversário. Sem uma ação internacional coordenada — provavelmente a ser realizada nos próximos três a cinco anos, à medida que a implementação do 6G se acelera —, essa assimetria tende a se aprofundar ainda mais, à medida que as redes civis se integram cada vez mais aos sistemas militares de comando e controle.

Líbano : Resistência Libanesa anunciou emboscadas bem-sucedidas contra as forças de ocupação israelenses em Majdal Zoun e Kfar Tebnit


A Resistência Islâmica no Líbano – Hezbollah – anunciou no sábado que seus combatentes enfrentaram forças de ocupação israelenses que tentavam se infiltrar em áreas do sul do Líbano, atacando concentrações de tropas e veículos com disparos de foguetes e drones de ataque, em resposta às contínuas violações israelenses do cessar-fogo. 
Em uma série de comunicados, a Resistência informou que seus combatentes detectaram uma força israelense que havia avançado para a localidade de Majdal Zoun, no distrito de Tiro (Sour). Na sequência, os combatentes da Resistência montaram uma emboscada, confrontando a força inimiga com armas leves e médias, bem como com munições disparadas por foguetes, durante cerca de duas horas. Segundo a Resistência, vários veículos militares israelenses que acompanhavam a tropa foram destruídos e incendiaram-se durante o confronto. Simultaneamente, combatentes da Resistência atacaram concentrações de tropas israelenses nos arredores sul e sudeste de Majdal Zoun com três salvas sucessivas de foguetes. Os confrontos prolongaram-se pela noite; moradores compartilharam imagens que mostravam colunas de fumaça subindo do que pareciam ser veículos militares israelenses atingidos durante tentativas de avançar para dentro da localidade.

Resistência atrai força israelense para emboscada em Kfar Tebnit


Em uma operação distinta, a Resistência relatou ter detectado uma unidade de infantaria israelense tentando se infiltrar na localidade de Kfar Tebnit, no sul do país, pouco depois da meia-noite, sob cobertura de artilharia, disparos e cortinas de fumaça ao longo da estrada Arnoun-Zaffata. 
Os combatentes afirmaram ter atraído a força inimiga para uma "zona de aniquilamento" preparada previamente, onde dispositivos explosivos foram detonados antes do início do combate direto. A operação teria forçado a unidade israelense a recuar da área. A Resistência acrescentou que realizou ataques concentrados de artilharia na zona da emboscada e disparou uma salva de foguetes contra um agrupamento de veículos militares israelenses nos arredores de Kfar Tebnit.

Escalada perto de Nabatieh e Tiro


As operações mais recentes ocorrem no momento em que as forças de ocupação israelenses intensificam as tentativas de estabelecer posições em terrenos elevados no sul do Líbano, particularmente nas áreas ao redor de Nabatieh e Tiro. 
Essa escalada coincide com relatos de esforços diplomáticos acelerados em torno de um possível memorando de entendimento entre o Irã e os Estados Unidos; as discussões abordariam a implementação de um cessar-fogo no Líbano e o status futuro das forças de ocupação na região. A renovada atividade militar israelense é vista por observadores como uma tentativa de alterar a realidade no terreno, após meses de confrontos não terem conseguido assegurar um controle israelense duradouro sobre áreas estratégicas no sul do Líbano.

Somália e aliados fazem operações contra o al_Shabaab com excelentes resultados no combate ao jihadismo terrorista na região

 


O Exército Nacional da Somália, com o apoio de parceiros internacionais, matou 26 militantes do Al-Shabaab em uma série de ataques aéreos contra três locais na região de Shabelle Médio, no sul da Somália. 
Em um comunicado divulgado no domingo, o Ministério da Defesa informou que a operação também destruiu um veículo blindado e um caminhão-tanque de combustível utilizados pelos militantes para lançar ataques nas localidades de Cadow Jilib, Geyfo e Qordheere. "Essas operações fazem parte dos esforços contínuos das Forças Armadas Nacionais da Somália para perseguir líderes e militantes do Al-Shabaab e reduzir a capacidade do grupo de organizar e realizar ataques terroristas", acrescentou o ministério.


Forças de segurança do Quênia mataram 11 supostos militantes do Al-Shabaab e feriram outros sete em uma incursão contra um acampamento improvisado perto da fronteira entre o Quênia e a Somália, frustrando o que as autoridades descreveram como um ataque planejado a uma vila no Condado de Mandera.



Forças do governo somali afirmaram ter matado um comandante de alto escalão do Al-Shabaab durante uma operação de inteligência cuidadosamente planejada na região de Shabelle Inferior, destacando tanto a crescente sofisticação dos serviços de segurança da Somália quanto o desafio contínuo representado pelas redes arraigadas do grupo militante em todo o país. 
Em um comunicado, o Ministério da Defesa anunciou que forças do Exército Nacional da Somália realizaram a operação em 10 de julho de 2026, na vila de Hantiwadaag, onde visaram uma casa que, segundo se acredita, era utilizada por membros de alto escalão do Al-Shabaab. Segundo o ministério, a incursão resultou na morte de Abdisalaan Macallin Abuukar, descrito como um líder sênior do Al-Shabaab responsável pelo recrutamento de combatentes e pela supervisão da cobrança de extorsões impostas a civis e empresas em áreas sob influência do grupo. Autoridades informaram que a operação ocorreu após meses de coleta de informações, período em que agências de segurança monitoraram de perto os movimentos de Abuukar antes de lançar o que descreveram como um ataque preciso e cuidadosamente executado. O governo também relatou que outro militante de alto escalão, Macallin Da’uud, sofreu ferimentos graves durante a operação. As autoridades o identificaram como uma figura-chave no aparato de segurança interna e contrainteligência do Al-Shabaab, alegando que ele desempenhava um papel importante no planejamento e na coordenação de ataques contra civis e instituições governamentais. Segundo relatos de moradores locais, o Al-Shabaab sepultou o corpo de Abuukar em Hantiwadaag ainda naquele mesmo dia — um fato que o governo apontou como evidência adicional de que o comandante visado havia sido morto durante a operação. O Ministério da Defesa declarou que ambos os comandantes planejavam ataques futuros quando foram alvejados, acrescentando que a incursão faz parte de uma campanha mais ampla destinada a desmantelar a estrutura de liderança, as redes de recrutamento e as operações financeiras do Al-Shabaab.

A operação também ressalta a natureza cada vez mais orientada por inteligência da estratégia de contraterrorismo da Somália. Autoridades de segurança afirmam que a ação baseou-se em informações coletadas ao longo de um período prolongado, sugerindo que agências governamentais conseguiram infiltrar-se em elementos da rede operacional do Al-Shabaab por meio de vigilância e coleta de inteligência.

Exército do Mali informa que cerca de 30 soldados morreram e dezenas ficaram feridos durante uma operação para retomar a cidade de Anefis

 


O exército do Mali informa que cerca de 30 soldados morreram e dezenas ficaram feridos durante uma operação para retomar a cidade de Anefis, no norte do país, das mãos de rebeldes.

Separatistas tuaregues e combatentes de um grupo armado ligado à Al-Qaeda haviam capturado Anefis em 4 de julho, como parte de uma série de ataques simultâneos a posições do exército em todo o país.


Na sexta-feira, o exército anunciou ter assumido o controle da cidade — localizada a cerca de 100 km da estratégica cidade de Kidal — após quase uma semana de combates. "Lamento a perda de cerca de 30 pessoas, 30 mártires que tombaram", disse o chefe do exército, general Jean Elysee Dao, à televisão estatal, acrescentando que cerca de 60 militares ficaram feridos, alguns em estado grave. "Também temos cerca de 60 feridos, incluindo casos graves", afirmou Dao.

As declarações ocorreram um dia depois de a Frente de Libertação de Azawad (FLA), liderada por tuaregues, afirmar ter perdido alguns de seus melhores combatentes na batalha contra o exército e seus aliados — paramilitares russos —, mas ter infligido "as maiores perdas materiais e humanas de sua história na região".

O Mali, governado por militares, enfrenta uma crise de segurança, política e humanitária há mais de uma década. O grupo Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin, ligado à Al-Qaeda, controla vastas áreas rurais do país, enquanto a FLA busca estabelecer um Estado independente no norte do Mali.

EUA lançam novos ataques contra o Irã, intensificando confrontos no Estreito de Ormuz

 As forças armadas dos EUA começaram a lançar novos ataques contra o Irã na segunda-feira, após um fim de semana marcado por uma troca de intensos ataques com mísseis e drones.


A mais recente ofensiva americana teve início por volta das 7h de segunda-feira (horário padrão do leste da Austrália — AEST), segundo comunicado do Comando Central dos EUA na plataforma X, com o objetivo de "continuar a reduzir a capacidade [do Irã] de atacar navegantes civis e navios comerciais que transitam livremente pelo Estreito de Ormuz".

Forças dos EUA e do Irã passaram o fim de semana realizando intensos ataques com mísseis e drones; no domingo, Teerã atacou instalações americanas em países da região do Golfo e afirmou ter fechado novamente o estratégico Estreito de Ormuz.


Essas ações fazem parte de um ciclo de ataques e contra-ataques, à medida que o Irã tenta impor controle sobre a navegação no estreito. No entanto, a recente onda de ataques representou uma escalada em termos de frequência e alcance.

Os ataques do fim de semana estenderam-se ao Catar — mediador nas negociações de cessar-fogo que não sofria ataques desde abril —, enquanto os Emirados Árabes Unidos, que não eram alvo desde o início de maio, informaram que suas defesas aéreas interceptaram mísseis e drones provenientes do Irã.

Em uma breve entrevista por telefone à Reuters na tarde de domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, comentou os ataques americanos ao Irã ocorridos no fim de semana. "Estamos dando uma surra neles", disse ele.

A mídia iraniana relatou, no domingo, ataques com mísseis e explosões nas imediações do porto de Bandar Abbas — onde se localizam instalações militares voltadas para o estreito — e da ilha vizinha de Qeshm. A nova onda de violência gera mais incertezas sobre o futuro de um acordo provisório entre EUA e Irã, assinado no mês passado, que visava reabrir o estreito e encerrar o conflito após um período adicional de 60 dias de negociações.

Na semana passada, Trump declarou considerar encerrado o cessar-fogo, embora tenha deixado a porta aberta para novas negociações.

Iêmen : Confrontos tribais continuam envolvendo os houthis

 


Um militante Houthi morreu e outros dois ficaram feridos no domingo, após confrontos armados com combatentes tribais na área de Al-Santeen, no distrito de Khamr, ao norte da província de Amran.

Fontes locais relataram que a milícia enviou um veículo militar, liderado pelo diretor de segurança do distrito de Khamr — conhecido como "Abu Ghalib Al-Ghaili" —, para deter membros da família Dhirham Sayel. No entanto, a família recusou-se a se render, desencadeando confrontos armados.

A troca de tiros resultou na morte de um membro do contingente Houthi e ferimentos em outros dois. Os demais integrantes da milícia retiraram-se do local em seguida.

Após o incidente inicial, os Houthis enviaram reforços adicionais, incluindo vários veículos militares. Desde então, eles impuseram um cerco à residência de Dhirham Sayel, ameaçando explodi-la. A tensão de segurança permanece elevada na região.

Irã ataca cinco nações do Golfo e fecha o Estreito de Ormuz após bombardeio dos EUA


 O Irã lançou ataques contra Estados do Golfo e declarou o fechamento do Estreito de Ormuz depois que os Estados Unidos realizaram sua terceira rodada de ataques em uma semana, marcando uma grave escalada à medida que o conflito em curso se intensifica.

No domingo, Teerã reivindicou ataques contra Bahrein, Kuwait, Jordânia, Catar e Omã, descrevendo-os como uma resposta aos novos bombardeios dos EUA em cidades ao longo de sua costa sul.

Os ataques em larga escala dos EUA ocorreram depois que o Irã fechou o Estreito de Ormuz — uma via navegável crítica e um dos principais pontos de tensão do conflito — acusando Washington de violar um memorando de entendimento (MoU) assinado entre as duas partes no mês passado.


O Irã lançou ataques com mísseis e drones contra bases e instalações militares dos EUA em vários Estados do Golfo, enquanto o Comando Central dos EUA (CENTCOM) realizava uma terceira rodada de ataques contra instalações de radar, mísseis e drones no sul do Irã na semana passada. Os ataques dos EUA ocorreram após o Irã abrir fogo contra navios comerciais no Estreito de Ormuz e anunciar o fechamento da via estratégica por tempo indeterminado; um membro da tripulação está desaparecido, segundo o CENTCOM. O poderoso presidente do parlamento iraniano e importante negociador de paz, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou no domingo: "A era dos acordos unilaterais acabou". "Nós avisamos: cumpram a palavra ou paguem o preço. A realidade está batendo à porta", publicou Ghalibaf na rede social X, acompanhado de uma imagem do Artigo 5 do MoU, que trata da reabertura do Estreito de Ormuz. Na quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o fim do cessar-fogo com o Irã. Sua declaração foi seguida pela promessa do Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, de vingar a morte de seu pai.


O frágil MoU firmado entre os EUA e o Irã apresentava várias lacunas evidentes, deixando a porta aberta para uma escalada. As tensões transbordaram novamente para o Estreito de Ormuz na segunda-feira passada, quando o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) atacou três navios comerciais, incluindo um navio-tanque catariano de gás natural liquefeito (GNL) ao largo da costa de Omã. No dia seguinte, os EUA realizaram ataques contra alvos militares iranianos, e Teerã respondeu com ataques de mísseis e drones contra bases dos EUA no Golfo, levando Trump a cancelar o cessar-fogo. A troca de ataques continuou. Na noite de sábado, o IRGC anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz até segunda ordem, após atacar um navio porta-contêineres que utilizava uma rota não autorizada. No domingo, uma segunda embarcação foi atingida no estreito.

O CENTCOM afirmou que sua terceira rodada de ataques ao Irã, na semana passada, visava "responsabilizar as forças iranianas" pelo ataque recente a um navio com bandeira do Chipre no Estreito de Ormuz. O comando informou ter atingido cerca de 140 alvos militares, incluindo "instalações iranianas de mísseis e drones, capacidades navais, depósitos de munição, redes de comunicação e postos de vigilância costeira". Acrescentou que mais de 300 alvos foram atingidos ao longo de três noites durante a semana, "para reduzir a capacidade do Irã de atacar marinheiros civis e navios comerciais que transitam livremente pelo estreito". A emissora estatal iraniana IRIB relatou que os EUA lançaram ataques aéreos nos arredores da cidade de Veysian, na província ocidental de Lorestan, enquanto outro ataque atingiu uma base militar em Khondab. Autoridades de Bushehr, na costa sul do Irã, informaram à mídia local que forças dos EUA atacaram cinco cidades da província, incluindo Asaluyeh, Dir, Bushehr, Dashti e Tangestan. Teerã declarou que a perda de vidas e a extensão dos danos estão sendo avaliadas.


O IRGC reivindicou a autoria de um ataque "pesado e surpresa" contra centros de apoio logístico e plataformas de reabastecimento utilizadas por porta-aviões dos EUA no porto de Duqm, em Omã, segundo a IRIB. O escritório de relações públicas do IRGC informou à emissora que as instalações foram "destruídas" no ataque. O IRGC afirmou também ter atacado a base aérea de Al Udeid, no Catar, com mísseis balísticos, alegando ter destruído um centro de manutenção de caças e um centro de comando e controle na base. O exército iraniano declarou ter utilizado drones explosivos para atacar um sistema de defesa aérea Patriot, um depósito de munição e uma instalação de radar pertencentes aos militares dos EUA no Kuwait. Em outra onda de ataques com drones, Teerã visou um sistema de comunicações e uma instalação de radar dos EUA no Bahrein. O IRGC afirmou ter atacado instalações militares dos EUA na base aérea Prince Hassan, na Jordânia, com vários mísseis balísticos, e alegou ter destruído um centro de comando e controle na base, bem como hangares que abrigavam drones MQ-9.

Coreia do Sul: Forças Armadas foram alvo de quase 19.000 tentativas de ataque cibernético em 2025


 As tentativas de ataque cibernético contra as Forças Armadas da Coreia do Sul chegaram a quase 19.000 no ano passado, o maior número em cinco anos, informou um parlamentar no domingo.

As Forças Armadas foram alvo de 18.951 tentativas de ataque cibernético em 2025, em comparação com 11.700 em 2021, 9.115 em 2022, 13.599 em 2023 e 14.419 em 2024, segundo o deputado Yu Yong-weon, do principal partido de oposição, o Partido do Poder Popular, citando dados do Ministério da Defesa.

Entre os casos do ano passado, 18.792 foram classificados como tentativas de comprometer sites ao tentar obter privilégios de administrador.


Em seu relatório ao parlamentar, o Comando de Operações Cibernéticas afirmou haver limitações na identificação da origem das tentativas, uma vez que os agentes maliciosos ocultam seus rastros, mas observou que a Coreia do Norte parece ter avançado recentemente em suas capacidades de hacking.

Autoridades sul-coreanas acreditam que a Coreia do Norte realiza operações de guerra cibernética por meio de sua agência de inteligência — o Departamento Geral de Reconhecimento.

A Coreia do Norte defendeu a expansão das funções e missões da agência durante uma reunião da Comissão Militar Central presidida pelo líder Kim Jong-un na quinta-feira, segundo a mídia estatal do país.