Indonésia : Soldados indonésios acusados ​​de ataque a manifestante com ácido. O que aconteceu e por quê?

 Analistas afirmam que o ataque faz parte de um padrão mais amplo de repressão em meio a preocupações com o crescente papel dos militares.


O julgamento de quatro soldados indonésios acusados ​​de realizar um ataque com ácido contra um ativista que fazia campanha contra a expansão do papel das forças armadas no governo começou em um tribunal militar em Jacarta. O caso atraiu atenção nacional e internacional, com especialistas descrevendo as supostas ações dos soldados como parte de um padrão mais amplo de repressão em meio a crescentes preocupações com a influência militar e o retrocesso democrático na Indonésia.

O julgamento, que começou na quarta-feira, centra-se em um ataque ocorrido em 12 de março, quando Andrie Yunus, um ativista de 27 anos da Comissão para Pessoas Desaparecidas e Vítimas de Violência, estava pilotando uma motocicleta em Jacarta. Dois homens em outra motocicleta jogaram ácido nele, deixando-o cego de um olho e com queimaduras em mais de 20% do rosto e do corpo, de acordo com o promotor militar Mohammad Iswadi. Os promotores acusaram os quatro soldados, todos ligados à Agência de Inteligência Estratégica das Forças Armadas, de agressão premeditada, crime que prevê pena máxima de 12 anos de prisão. O chefe da agência renunciou ao cargo, mas nenhum motivo foi divulgado publicamente para a renúncia. Os promotores alegaram que os suspeitos foram motivados pela raiva em relação ao ativismo de Yunus, mas afirmaram que eles não agiram sob ordens oficiais. As Nações Unidas condenaram o ataque, com o Alto Comissário para os Direitos Humanos, Volker Turk, classificando-o como um "ato covarde de violência" e a Relatora Especial Mary Lawlor descrevendo-o como "horrível".


Yunus tem sido um crítico ferrenho dos esforços recentes para expandir o papel dos militares na governança civil na Indonésia. Ele protestou contra uma emenda aprovada no ano passado que permite que militares da ativa ocupem uma gama mais ampla de cargos governamentais, incluindo no gabinete do procurador-geral e em agências de gestão de desastres e de combate ao terrorismo. Dias antes da aprovação da lei, Yunus interrompeu uma reunião parlamentar a portas fechadas que discutia a emenda, gritando objeções antes de ser retirado à força. Na época do ataque contra ele, Yunus havia acabado de gravar um podcast criticando o que descreveu como a “militarização” do governo sob o presidente Prabowo Subianto, ele próprio um ex-general. 
Grupos de direitos humanos disseram que há sérias preocupações sobre a impunidade e se a extensão total do ataque com ácido será investigada. O pesquisador regional da Anistia Internacional, Chanatip Tatiyakaroonwong, disse à Al Jazeera que também tem preocupações significativas sobre a imparcialidade do julgamento. Em particular, disse ele, julgar o caso em um tribunal militar poderia enfraquecer a responsabilização. “Podemos ver muitos desafios em relação a um julgamento justo neste caso, particularmente devido ao uso de tribunais militares”, disse Tatiyakaroonwong. “A Anistia Internacional já documentou que os tribunais militares na Indonésia muitas vezes carecem da imparcialidade, independência e transparência exigidas pelos padrões legais internacionais sobre julgamento justo.” Ele acrescentou: “A sociedade civil já levantou preocupações sobre a acusação que incluiu apenas quatro oficiais militares, embora outras investigações indiquem que pelo menos 14 indivíduos podem ter estado envolvidos neste ataque com ácido.” Observadores afirmaram que o ataque não foi um incidente isolado, mas parte de uma tendência mais ampla na Indonésia de pressão sobre ativistas e jornalistas. Wijayanto, diretor do Centro de Mídia e Democracia do Instituto de Pesquisa Econômica e Social, Educação e Informação (LP3ES) na Indonésia, disse à Al Jazeera que o caso reflete um aumento constante da repressão na última década. “Andrie Yunus é apenas um exemplo. ... Este é um sintoma do declínio democrático na Indonésia e um dos sinais do crescente papel dos militares”, disse ele. Em março de 2025, o veículo de notícias investigativas Tempo recebeu pacotes contendo uma cabeça de porco decepada e carcaças de ratos. O incidente foi amplamente visto como uma tentativa de intimidar jornalistas que trabalham lá.

O papel dos militares está se expandindo na Indonésia?


No centro das preocupações sobre este julgamento está o crescente papel dos militares indonésios no governo, à medida que as fronteiras entre o poder político e as forças armadas se tornam cada vez mais tênues, disseram analistas. Sob a presidência de Prabowo, que ocupa o cargo desde 2024 e é um ex-general das forças especiais e genro do ex-presidente Suharto, o papel dos militares na vida pública se expandiu, segundo especialistas. Os trinta anos de governo de Suharto foram marcados por repressão política e violações generalizadas dos direitos humanos. Apesar desse legado, ele foi nomeado postumamente um “herói nacional” durante a presidência de Prabowo, uma decisão que gerou críticas de grupos de direitos humanos e ativistas pró-democracia. Essa mudança ocorre em meio a uma nova legislação que permite que militares da ativa assumam cargos civis sem precisar renunciar aos seus postos militares, revertendo reformas anteriores. Introduzidas após a queda de Suharto em 1998, quando a Indonésia buscou limitar o papel dos militares no governo e nos assuntos políticos, as mudanças na Constituição têm sido alvo de contestações por grupos da sociedade civil no Tribunal Constitucional, que alertam para o risco de erosão das salvaguardas democráticas e enfraquecimento da supervisão civil. Wijayanto afirmou que as mudanças representam um risco para a governança e a confiança pública. "Duvidamos que os militares sejam realmente capazes de administrar projetos civis. Eles não possuem as habilidades necessárias", disse ele. "Mais importante ainda, isso tem um efeito político. Os militares deveriam servir à defesa, não interferir na vida civil. Isso faz com que as pessoas tenham medo de criticar o governo." As preocupações com a influência militar cresceram juntamente com a insatisfação pública generalizada. No início de 2025, estudantes foram às ruas protestar contra cortes no orçamento e a expansão dos poderes militares. Mais tarde, no mesmo ano, as manifestações se intensificaram, impulsionadas pelo aumento do custo de vida, pela desigualdade e pela indignação com a corrupção. Os manifestantes apontaram para as crescentes pressões econômicas, incluindo inflação e estagnação salarial, bem como para os benefícios concedidos aos parlamentares. Relatos de que 580 parlamentares recebem um auxílio-moradia mensal de 50 milhões de rupias (US$ 3.000), além de seus salários, alimentaram a indignação pública. O auxílio, introduzido no ano passado, é quase 10 vezes o salário mínimo de Jacarta e cerca de 20 vezes o salário mínimo em regiões mais pobres do país. Wijayanto afirmou que a desigualdade econômica está aprofundando a frustração política. “A queixa do povo não se resume à menor liberdade de expressão, mas também à disparidade econômica”, disse ele. “A desigualdade está aumentando enquanto as pessoas estão ficando mais pobres. Isso gera ressentimento.”


O ataque a Yunus resume uma mudança mais profunda na Indonésia, levantando questões sobre se as críticas aos militares estão se tornando mais perigosas, se os mecanismos de responsabilização estão enfraquecendo e se as reformas democráticas introduzidas após 1998 estão sendo revertidas. Grupos de direitos humanos afirmaram que o caso também reflete um padrão mais amplo de como as autoridades têm respondido à dissidência. Tatiyakaroonwong afirmou: “Todos esses protestos foram recebidos com respostas severamente repressivas por parte das autoridades indonésias, incluindo assassinatos, agressões e intimidação contra manifestantes, bem como contra jornalistas que cobriam os protestos e defensores dos direitos humanos que prestavam assistência aos manifestantes”. Com o julgamento em andamento, grupos de direitos humanos afirmaram que a questão crucial é se ele levará a um escrutínio mais amplo do papel dos militares na vida pública. Tatiyakaroonwong disse que o caso de Yunus é emblemático de desenvolvimentos mais amplos no país. “O que estamos documentando na Indonésia é o enraizamento de práticas autoritárias com sérias consequências para os direitos humanos. Isso inclui a expansão dos poderes militares, a redução do espaço para protestos pacíficos e jornalismo independente, e novas leis… que facilitam a repressão em vez da responsabilização”, disse ele. “Nos últimos 18 meses, desde que o presidente Prabowo assumiu o poder, a Anistia Internacional documentou muitos casos em que indivíduos como Andrie, que se manifestaram contra a militarização da Indonésia, sofreram ataques e assédio online e offline”, acrescentou.

Cisjordânia : Um colono ilegal israelense, vestindo uniforme militar, atirou e matou um agricultor palestino depois que outros colonos israelenses invadiram as terras de uma família palestina e atacaram o patriarca da família

 


No sábado por volta das 16h, agricultores de Khirbet Wadi a-Rakhim, nas colinas do sul de Hebron, notaram quatro colonos israelenses pastoreando um rebanho de gado em suas terras agrícolas particulares. Os colonos israelenses carregavam porretes e paus.

Os agricultores chamaram a polícia e abordaram os colonos. Eles começaram a filmá-los, gritaram para que fossem embora e tentaram expulsá-los, juntamente com o gado, das plantações. Um confronto irrompeu entre os colonos israelenses e os moradores, alguns dos quais carregavam paus e canos, durante o qual Muhammad Shinaran ficou ferido. De acordo com veículos de mídia de direita, um dos colonos israelenses, Nahman Gold, também ficou ferido.




Em determinado momento, os agricultores palestinos começaram a se afastar. Ao mesmo tempo, dois colonos israelenses chegaram em um quadriciclo, acompanhados por Luria Luski, um colono israelense armado com um rifle e vestindo uniforme militar, e seu irmão Shem Tov Luski. Quando os dois irmãos chegaram, os colonos israelenses voltaram a atacar os residentes palestinos com porretes e pedras, e Nahman atingiu Muhammad Shinaran na cabeça e nas pernas com um porrete. Nesse momento, o filho de Shinaran, Amir, de 28 anos, chegou ao local e Luria Luski disparou um tiro para o ar.

Amir se aproximou dos colonos israelenses, e Luria então disparou um tiro contra ele a uma distância de cerca de cinco metros. A bala atingiu seu ombro e saiu pelo pescoço, fazendo-o cair imediatamente no chão. Luria então disparou novamente, atingindo o irmão de Amir, Khaled, de 33 anos. A bala atravessou seu braço e alojou-se em seu abdômen.


Os colonos israelenses permaneceram no local por vários minutos enquanto Amir e Khaled Shinaran jaziam no chão, até que moradores palestinos da aldeia os levaram em veículos particulares para o hospital em Yatta, onde Amir foi declarado morto. O pai da família, Muhammad, recebeu alta naquela mesma noite, após o ferimento acima do olho ter sido suturado. Khaled Shinaran foi transferido para o Hospital al-Ahli em Hebron e ainda está em reabilitação em Beit Jala. Somente depois que os palestinos feridos foram evacuados é que grandes forças militares e policiais chegaram ao local. Os soldados começaram a invadir as casas dos moradores e a realizar buscas. Entre outras coisas, os soldados entraram na casa da palestina Hajar Shinaran e a confinaram na cozinha junto com seus filhos, a esposa de Amir, Dalal Shinaran, e seus dois filhos pequenos, e outras mulheres da família. Os soldados revistaram a casa e, ao encontrarem um rifle de brinquedo e um bastão de pastor, gritaram com Hajar e as crianças e as acusaram de atacar colonos israelenses.

Os soldados mantiveram as mulheres e as crianças na cozinha até por volta das 21h30 e depois saíram, levando consigo o dispositivo de gravação das câmeras de segurança instaladas no local. O dispositivo e as gravações não foram devolvidos.

Tropas britânicas abateram mais de 28 mísseis e drones disparados por dia contra a base da coalizão no Iraque

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ma base que abriga forças da coalizão no Iraque foi alvo de até 28 drones e mísseis por dia no auge das hostilidades, após o ataque inicial dos EUA e de Israel ao Irã, informou a Sky News na quinta-feira.

Soldados britânicos do Regimento da Força Aérea Real foram responsáveis ​​por interceptar mais de 100 projéteis em um período de seis semanas, antes de um cessar-fogo temporário ser acordado em abril.


A base abriga pessoal armado do Reino Unido, dos EUA e de outros países há mais de 10 anos, como parte dos esforços para combater o Daesh/Estado Islâmico na região.

Ela se tornou um alvo importante para o Irã e grupos aliados na área, que retaliaram após o início dos ataques dos EUA e de Israel.

A Sky News informou que foi um dos locais mais visados ​​nos estágios iniciais do conflito, mas que não houve impactos diretos por três semanas. Mais de 100 munições da RAF na base foram usadas para ajudar a combater o Daesh.

Rebeldes tuaregues do Mali afirmam que combatentes russos devem se retirar do país

 Enquanto o governo militar do Mali luta para retomar o controle, porta-voz dos rebeldes tuaregues diz que ele cairá “mais cedo ou mais tarde”.

Mohamed Elmaouloud Ramadane

Os rebeldes tuaregues do Mali, envolvidos em uma revolta contínua, que inclui o assassinato do ministro da Defesa do país, afirmaram que querem expulsar os apoiadores russos do governo militar do país. Mohamed Elmaouloud Ramadane, porta-voz da Frente de Libertação de Azawad (FLA), disse à agência de notícias AFP durante uma visita a Paris para se encontrar com autoridades francesas de segurança e defesa que o “objetivo” de seu movimento é que o Afrika Korps da Rússia se retire “permanentemente” do país.


Combatentes russos apoiaram o governo militar do presidente Assimi Goita, que sofreu um ataque coordenado de uma aliança de separatistas tuaregues, rebeldes fulani e árabes, e combatentes ligados à Al-Qaeda, que entraram na capital Bamako e conquistaram terreno em várias cidades do norte e do centro do país, incluindo Kidal e Sevare. “Não temos nenhum problema específico com a Rússia, nem com qualquer outro país. Nosso problema é com o regime que governa Bamako”, disse Ramadane à AFP, enquanto buscava apoio da França, a antiga potência colonial cujas tropas foram expulsas pelos governantes militares do Mali em 2022. Ele disse que os rebeldes viam a intervenção da Rússia de forma negativa porque “apoiavam pessoas que cometeram crimes graves e massacres”, referindo-se ao governo de Goita, que tomou o poder em um golpe de Estado em 2020. 
A aliança rebelde, incluindo o FLA e o JNIM, ligado à Al-Qaeda, lançou uma ofensiva coordenada em várias cidades no sábado. O ministro da Defesa do Mali, Sadio Camara, foi morto em um ataque à sua casa em Kati, uma cidade-guarnição perto de Bamako, onde residem vários altos funcionários do governo. O governo maliano afirmou que ele foi morto por um "carro-bomba dirigido por um homem-bomba suicida". Seu funeral será realizado na quinta-feira, às 10h (09h GMT).


Em meio aos ataques de sábado, combatentes russos foram vistos saindo da cidade de Kidal, no norte do país, em caminhões, supostamente após negociarem sua saída com a mediação da vizinha Argélia. Ramadane disse que os russos pediram um corredor seguro para se retirar e foram escoltados até Anefis, a sudoeste de Kidal. "Os russos se viram em perigo. Não havia saída", disse ele. O Ministério da Defesa da Rússia havia declarado anteriormente que a retirada de Kidal foi uma decisão do governo maliano, acrescentando que as unidades estacionadas na cidade "lutaram por mais de 24 horas... e repeliram quatro ataques massivos". 
Goita afirmou na noite de terça-feira que as operações militares continuariam até que os “grupos armados” fossem “neutralizados”. Na quarta-feira, a agência de notícias Reuters informou que as forças malianas haviam retomado o controle da cidade de Menaka, perto da fronteira com o Níger, afirmando que combatentes do grupo afiliado ao Estado Islâmico na Província do Sahel (ISSP) haviam recuado após confrontos com o exército. Presença militar também foi relatada na região central de Mopti, no Mali, e em Gao, a maior cidade do norte do país. A tensão permaneceu alta na cidade central de Sevare. 


Ramadane afirmou que o regime cairia “mais cedo ou mais tarde”, acrescentando que os rebeldes agora pretendem assumir o controle de Gao, Timbuktu e Menaka após a captura de Kidal. 
O FLA, alegou ele, estava pronto para governar as principais cidades do norte aplicando uma “forma moderada da lei islâmica” semelhante à da Mauritânia e contando com cádis, juízes islâmicos que tomam decisões com base na lei islâmica. A França instou seus cidadãos no Mali a deixarem o país "o mais rápido possível" na quarta-feira, afirmando que a situação de segurança permanece instável.

Forças de resistência de Mianmar conquistam uma “fortificação mais forte” e estratégica em Kalewa após 10 dias de batalha enquanto as tropas da Junta Militar fazem uma grande ofensiva no sul do país

 


As forças revolucionárias capturaram com sucesso o acampamento da vila de Aung Chan Thar, no município de Kalewa, região de Sagaing, apreendendo armas e munições após uma árdua batalha de 10 dias que terminou em 25 de abril. O acampamento, que servia como um centro estratégico para operações militares e comerciais, era defendido por aproximadamente 50 membros da junta. Apesar de sua reputação nos círculos militares como uma das “fortificações mais fortes” da área, a base caiu para uma coalizão das Forças de Defesa Popular (PDF) após mais de uma semana de intensos combates terrestres.


“Houve mortes e feridos do lado da junta. Também obtivemos armas e munições, embora nenhum prisioneiro de guerra tenha sido feito”, disse um membro das forças de defesa ao Mizzima. O grupo “Bed Nga Nyo”, com sede em Salingyi, lançou um vídeo documentário após a vitória, mostrando combatentes comemorando dentro da instalação capturada e zombando da alegação da junta de que o acampamento era uma fortaleza impenetrável. A vitória foi alcançada apesar das tentativas da junta de repelir o ataque por meio de repetidos bombardeios aéreos. Após a queda do acampamento, as tropas militares sobreviventes teriam recuado para a vila de Sin Aing Ma, um conhecido reduto da milícia pró-junta Pyu Saw Htee. 
Embora os confrontos ativos tenham cessado desde que a base foi assegurada, as tensões militares no município permanecem altas, enquanto as forças revolucionárias monitoram as unidades reagrupadas da junta e da milícia na vizinha Sin Aing Ma. Detalhes oficiais sobre o número exato de baixas e o volume de equipamentos apreendidos devem ser divulgados em breve pelas autoridades de defesa.


Uma coluna militar de aproximadamente 500 soldados da junta lançou uma varredura em grande escala pelo município de Kani, no sul do país, na terça-feira, forçando cerca de 8.000 moradores de sete vilarejos a abandonar suas casas. A ofensiva começou por volta das 7h do dia 28 de abril, quando a coluna se deslocou da vila de Tayawkyin, no município de Yinmabin, em direção à vila de Chaung Ma, em Kani. A força, que supostamente se originou do Comando Noroeste e avançou pela base militar de Banbwekone, está avançando em duas linhas separadas, uma tática que, segundo os moradores, torna a evacuação praticamente impossível. “As tropas estão avançando em duas linhas, bloqueando as rotas de fuga. Está chovendo levemente, o que piora ainda mais a situação. As famílias estão tentando construir abrigos improvisados ​​usando carroças e triciclos”, disse um morador local ao Mizzima. Embora nenhum confronto direto em terra tenha sido relatado até o meio-dia de terça-feira, grupos revolucionários locais confirmaram que os militares estão realizando ataques com drones para abrir caminho para a infantaria. Moradores das aldeias de Linponyay, Chaung Ma, Thintwin e Laeshay estão entre os atualmente deslocados. Em resposta ao aumento da atividade militar nos últimos dois dias na fronteira Yinmabin-Kani, as forças de resistência fecharam temporariamente a estrada Kani-Yargyi-Monywa ao tráfego civil. Fontes revolucionárias afirmaram que estão monitorando a posição da coluna em Chaung Ma, mas se recusaram a fornecer mais detalhes sobre seus próprios movimentos táticos por motivos de segurança.

Forças de Defesa de Israel eliminam importante agente de inteligência do Hamas em ataque no norte de Gaza


 As Forças de Defesa de Israel, em um ataque aéreo no norte de Gaza na terça-feira, eliminaram o chefe do departamento de operações do quartel-general de inteligência do Hamas, informou o exército na quarta-feira. Iyad Ahmed Abd al-Rahman Shambari teve participação ativa no planejamento do massacre liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, segundo as Forças de Defesa de Israel. Além disso, Shambari era responsável por compilar a avaliação da situação operacional do Hamas em toda a Faixa de Gaza nos últimos anos, afirmou o exército.


Ele era considerado uma figura-chave encarregada de coletar informações sobre soldados israelenses "para direcionar e executar planos de ataque". Ele representava uma ameaça imediata às tropas, acrescentou o exército israelense. Os soldados permanecem posicionados no enclave de acordo com o acordo de cessar-fogo de 10 de outubro de 2025, mediado pelos EUA, "e continuarão a operar para eliminar qualquer ameaça imediata", concluiu o exército. O cessar-fogo atual entrou em vigor na Faixa de Gaza em 10 de outubro de 2025, pondo fim à guerra de dois anos que começou quando o Hamas, outros grupos palestinos e "civis" de Gaza invadiram o noroeste do Negev em 7 de outubro.

Membros importantes do Conselho de Paz do presidente dos EUA, Donald Trump, deveriam se reunir com representantes do Hamas no Cairo esta semana para conversas sobre desarmamento, informou a mídia israelense na terça-feira.

Líderes importantes do Hamas, incluindo Khaled Mashaal e Musa Abu Marzouk, rejeitaram partes importantes do plano de Trump nos últimos meses, incluindo o desarmamento, apesar de terem concordado com a proposta em outubro. No entanto, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, membro fundador do Conselho de Paz, disse ao Conselho de Segurança da ONU na terça-feira que "a esperança reside no progresso substancial feito na implementação do plano do presidente". "O Hamas — e todos os outros grupos armados em Gaza — devem desarmar-se e desativar as armas como parte de um processo liderado pelos palestinos, com implementação monitorada e verificada", reiterou ele. "O Hamas, na sua configuração atual, não pode ter qualquer papel na governança de Gaza. Nem diretamente, administrando o governo de Gaza. Nem indiretamente, mantendo suas armas e, portanto, seu poder", acrescentou Blair. Enquanto isso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, disse a repórteres em Doha, na terça-feira, que "continuamos nosso papel na mediação" entre o Hamas e Israel. "Há um impulso nas negociações, com os desenvolvimentos que estão ocorrendo, e fazemos parte desse impulso", disse ele, respondendo a relatos de que o Catar havia interrompido sua mediação.


As Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, o "braço militar" do Hamas, denunciaram no início deste mês os apelos ao seu desarmamento sob o plano de cessar-fogo de Trump como "extremamente perigosos". Em uma declaração televisionada traduzida pela Reuters, um porta-voz do Hamas disse que levantar a questão da desmilitarização “de maneira grosseira” é inaceitável. 
“O que o inimigo está tentando impor hoje contra a resistência palestina, por meio de nossos mediadores irmãos, é extremamente perigoso”, disse Abu Obeida, um nome de guerra usado por porta-vozes do Hamas. A declaração afirmou que as exigências de desarmamento de Washington “nada mais são do que uma tentativa flagrante de continuar o genocídio contra o nosso povo, algo que não aceitaremos sob nenhuma circunstância”.

Somália : Forças somalis neutralizam mais de 50 jihadistas do al_Shabaab, inclusive um Comandante Sênior e jihadistas estrangeiros do Iêmen, Síria e Afeganistão, que estavam integrados ao al_Shabaab

 


As forças armadas somalis, apoiadas por parceiros internacionais, mataram 22 militantes do al-Shabaab, incluindo um comandante, durante operações direcionadas realizadas nos últimos três dias na região sul do país. O Ministério da Defesa informou na quarta-feira que as operações, que envolveram forças terrestres e ataques aéreos, resultaram na morte de militantes em Buulo Cabdalla, na região de Lower Shabelle. Entre os mortos estava o comandante Cabdiraxmaan Jeeri, conhecido por aterrorizar a população civil local. "O ministério também expressa seu apreço aos parceiros internacionais pelo apoio contínuo às operações destinadas a promover a paz e a estabilidade na Somália", afirmou em comunicado. O ministério ressaltou seu compromisso contínuo de intensificar as operações, que fazem parte de uma estratégia mais ampla para manter a estabilidade por meio da eliminação dos terroristas do al-Shabaab. O grupo extremista al-Shabaab foi expulso da capital, Mogadíscio, em 2011, mas militantes ainda se escondem em áreas rurais dessas regiões, realizando emboscadas e plantando minas terrestres.


Relatórios do sul da Somália indicam uma série de operações aéreas coordenadas visando posições do Al-Shabaab em partes de Lower Juba e Lower Shabelle, com várias figuras importantes supostamente mortas em ataques de precisão envolvendo veículos aéreos não tripulados e helicópteros de ataque. De acordo com fontes de segurança, as operações atingiram vários locais, incluindo Jilib em Lower Juba e Yaaqbariweyne e Kunya-Barrow em Lower Shabelle. A inteligência somali teria desempenhado um papel fundamental no fornecimento de informações acionáveis ​​que permitiram o direcionamento de posições de liderança militante. Em Jilib, um ataque aéreo teria atingido um veículo que transportava operativos do Al-Shabaab ligados ao exterior, matando cerca de cinco comandantes importantes. Ataques adicionais na área de Kunya-Barrow teriam como alvo uma instalação de treinamento usada por combatentes estrangeiros afiliados ao grupo.

Entre os mortos relatados no ataque ao campo de treinamento estão indivíduos identificados como Anwar Hassan, de origem iemenita, Shuraak, de origem síria, e Muzamil Abu-Haashi, afegão. Em uma operação separada em Sablaale, fontes de segurança relatam que quase 30 combatentes do Al-Shabaab foram mortos, incluindo um comandante sênior responsável por supervisionar as operações militares do grupo na área. As operações relatadas representam uma escalada significativa nos esforços contínuos de contra-insurgência contra a presença consolidada do Al-Shabaab no sul da Somália, onde o grupo continua a manter posições fortificadas apesar da pressão militar constante.

Apesar dos incessantes ataques do Boko Haram o exército da Nigéria, mesmo sofrendo perdas significativas, não diminui a intensidade das ações militares contra o grupo jihadista/terrorista

 


As tropas da Força-Tarefa Conjunta (Nordeste), Operação HADIN KAI (OPHK), em estreita coordenação com o Comando do Componente Aéreo, mataram 18 combatentes do Boko Haram/ISWAP após destruírem enclaves importantes em ataques coordenados por terra e ar no Triângulo de Timbuktu, em algumas partes de Sambisa e nas Florestas de Bulabulin. Fontes disseram que as operações, conduzidas sob a ‘Operação Desert Sanity V’, visaram esconderijos terroristas, com a recuperação de um arsenal de armas e munições pelas tropas. 
Em um comunicado à imprensa assinado pelo Oficial de Informação de Mídia do Quartel-General da Força-Tarefa Conjunta Nordeste, Operação HADIN KAI, Tenente-Coronel Sani Uba, na quarta-feira, o incidente foi confirmado. “As tropas da Força-Tarefa Conjunta (Nordeste) da Operação HADIN KAI (OPHK) continuaram a manter a pressão ofensiva contra elementos terroristas, no âmbito da Operação DESERT SANITY V, registrando ganhos operacionais significativos em dois confrontos operacionais distintos, porém coordenados, envolvendo tropas do Setor 2 na Ponte Azir (eixo de Timbuktu) e na área da Floresta de Bulabulin, em estreita coordenação com o Comando do Componente Aéreo da OPHK. No eixo da Floresta de Bulabulin, as tropas do Setor 2 da OPHK, em conjunto com elementos da Força de Estabilização do Setor 2 e da Força-Tarefa Conjunta Civil, eliminaram enclaves terroristas em Mar, Subdu, Yaro Lawanti e Yaro Shuwari, bem como em outras áreas contíguas à Floresta de Bulabulin e ao trecho de Kamadogu Yobe.


“Durante a operação, com o apoio de plataformas aéreas de ataque do Comando do Componente Aéreo, as tropas fizeram contato na vila de Malam Shiri e enfrentaram os terroristas em uma manobra de flanqueamento tática e bem coordenada, neutralizando 11 terroristas e forçando outros a fugir com ferimentos de gravidade variável. “Todas as estruturas de suporte à vida foram posteriormente destruídas, e a exploração da área levou à recuperação de 9 fuzis AK-47, 3 metralhadoras automáticas antiaéreas PKT, 5 motocicletas, munições variadas e diversos materiais usados ​​para dispositivos explosivos improvisados, interrompendo significativamente a logística e a capacidade operacional dos terroristas dentro do eixo”, disse Uba. Continuando, o comunicado afirmou: “Da mesma forma, no eixo de Timbuktu, ao longo do corredor Wajiroko Sabongari, as tropas realizaram novas operações com os terroristas, com o apoio do Comando do Componente Aéreo da OPHK.


“As tropas, com resiliência e disciplina tática, mantiveram suas posições e lidaram decisivamente com os terroristas. Análises posteriores revelaram a neutralização de 7 terroristas, com rastros de sangue e partes de corpos adicionais indicando um número significativamente maior de baixas inimigas durante o ataque. Os itens recuperados incluem fuzis AK-47, lançadores de RPG, um grande estoque de munição, bandoleiras e equipamentos de comunicação.” “O Comando da Força Aérea da OPHK desempenhou um papel crucial e decisivo em ambos os confrontos, fornecendo Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR) persistentes que permitiram a aquisição precisa de alvos e o conhecimento situacional em tempo real para o fogo coordenado das tropas terrestres. Ataques aéreos de precisão foram posteriormente conduzidos por aeronaves da Força Aérea Nigeriana contra posições terroristas confirmadas e elementos em fuga, dizimando ainda mais dezenas de insurgentes e garantindo o sucesso de uma ofensiva ar-terra bem sincronizada que subjugou o adversário. Além disso, as tropas, em conjunto com forças voluntárias, estão atualmente conduzindo operações agressivas de exploração subsequentes ao longo dos eixos de Forfor, Multe e Wajiroko para consolidar os ganhos, perseguir terroristas em fuga e impedir qualquer tentativa de reagrupamento.” “Esses confrontos bem-sucedidos reforçam ainda mais a crescente eficácia operacional e o domínio sustentado da OPHK em todo o campo de batalha. O Alto Comando Militar elogia as tropas por sua bravura e resiliência, ao mesmo tempo que as insta a manter o ritmo operacional. Isso é do interesse da segurança e da economia da região Nordeste”, explicou Uba.

O senador Ali Ndume condenou o assassinato de seis soldados e vários civis por terroristas do Boko Haram na vila de Mussa, município de Askira Uba, estado de Borno. Ndume, que representa Borno Sul, descreveu o ataque como trágico e pediu uma ação militar renovada para garantir a segurança das comunidades ainda sob ameaça insurgente. Ele instou o Governo Federal a equipar as tropas e fortalecer a inteligência para evitar mais perdas de vidas. O ataque a Mussa é o mais recente de uma série de ataques contra posições militares e vilarejos no sul de Borno. O incidente ocorreu por volta do meio-dia de quarta-feira, quando insurgentes tentaram se infiltrar em uma posição militar na área.  Fontes também disseram que dezenas de terroristas foram neutralizados no confronto frustrado. Ndume, que confirmou o incidente ao nosso correspondente em Maiduguri na quarta-feira, expressou condolências às vítimas dos ataques, ao mesmo tempo em que reiterou seus apelos ao governo federal para equipar totalmente as forças armadas, a polícia e outras agências de segurança com armas sofisticadas para acabar com as atrocidades do Boko Haram.

EUA : 'Meu avô abusou sexualmente de dezenas de crianças e mulheres — isso foi o que aprendi após confrontá-lo com uma câmera': A história de Amanda Mustard

 Aos 23 anos, a americana Amanda Mustard embarcou em uma viagem que mudaria a sua vida para sempre.


Uma viagem pelas profundezas mais sombrias de uma história familiar para descobrir quem realmente era o seu avô, William Flickinger, um quiropraxista (profissional que trata dores na coluna e articulações através de ajustes manuais) que abusou sexualmente de inúmeras crianças e mulheres, dentro e fora de sua família.

O resultado dessa viagem, dessa experiência foi o documentário da HBO Bela Foto, Bela Vida (Great Photo, Lovely Life), dirigido por Mustard e Rachel B. Anderson.

Uma das coisas que mais chamaram a atenção de Mustard durante a realização do filme foi a maneira com que os seres humanos reagem a situações extremamente dolorosas como essas. "Eu me dei conta de que tudo que era considerado normal na minha família não era normal", afirmou a fotojornalista americana Mustard à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.


E ela descobriu como esses segredos de família que todos conheciam, mas sobre os quais ninguém falava, "acabam apodrecendo as raízes da árvore genealógica durante gerações". Ao vasculhar arquivos obscuros, coletar fotos e vídeos de família, conversar com pessoas que conheceram o seu avô e contatar alguns sobreviventes de abusos sexuais que ele cometeu, Mustard conseguiu montar um quebra-cabeça para recriar o perfil de um pedófilo que cometeu crimes com total impunidade durante décadas, inclusive depois de passar um breve período na prisão. Ela não apenas teve longas conversas com a sua irmã e a sua mãe, abusadas por Flickinger quando eram crianças, mas também com o seu avô.

Um dia, juntou forças e, com uma câmera, foi confrontá-lo diretamente. Este é um resumo da entrevista que Mustar concedeu à BBC News Mundo.

BBC News Mundo - Do que se trata o documentário Bela Foto, Bela Vida?

Mustard - O documentário foi uma tentativa, ao longo de oito anos, de falar pela primeira vez sobre o abuso desenfreado que minha família havia sofrido por três gerações. Foi a primeira tentativa de levantar o tapete ver o que estávamos escondendo debaixo dele.

BBC News Mundo - A figura central do filme é o seu avó. Como ele era? O que ele fazia da vida?

Mustard - Ele era quiropraxista, o que lhe dava acesso físico tanto a crianças quanto a mulheres. No início dos anos 1980, ele perdeu a sua licença para exercer a profissão por causa de má conduta, pois abusava de seus pacientes.

BBC News Mundo - As vítimas eram crianças ou também eram adultas?

Mustard - Eram crianças e adultos. Meu avô era um agressor sexual que, de fato, acabou no registro de agressores sexuais.

BBC News Mundo - Ele chegou a ser condenado à prisão?

Mustard - Acredito que ele só tenha cumprido dois anos e meio de uma sentença de quatro anos. E, pelo que eu sei, ele cometeu abusos durante toda a sua vida adulta, embora só tenha sido preso em 1992.

Havia muitos, muitíssimos casos de abuso contra ele, mas simplesmente todos foram arquivados. Meu avô escapou da Justiça uma vez ou outra, e grande parte disso se deveu a uma enorme cadeia de falhas institucionais, uma após a outra.

BBC News Mundo - Poderia me contar mais sobre a personalidade do seu avô?

Mustard - Ele era um homem muito carismático, manipulador e encantador. Devo dizer que não o conhecia tão bem quanto outros membros da minha família, e essa distância realmente me ajudou a fazer meu trabalho e quebrar o ciclo. Nasci nos anos 1990, quando ele já morava em outro Estado, então não me sentia próxima dele, nem o conhecia bem. Eu simplesmente sabia que não deveríamos estar perto dele, embora ele ainda viesse à nossa casa quando visitava a Pensilvânia [um Estado americano].

Mas sim, ele era muito encantador, muito inteligente e muito privilegiado. Acho que ele se safou de muitas coisas que fez nas décadas de 1950, 60 e 70 porque seu pai era muito influente, e acho que isso lhe deu muitos privilégios no início da vida. Meu avô preenche todos os critérios para psicopatia, mas não posso afirmar com certeza que ele era um psicopata porque não existe um diagnóstico formal. Não posso afirmar isso com segurança.


BBC News Mundo - Ainda que o tenha visto poucas vezes, que lembranças você tem dele?
Mustard - Quando éramos pequenos, tínhamos que enviar para ele e para a minha avó cartões de Natal, presentes, pequenas mensagens em fitas VHS que ninguém queria gravar, mas sentíamos que se esperava que o fizéssemos. Eram principalmente para a minha avó. Todos nós nos sentíamos muito mal por ela ter decidido ficar com ele. Eu só queria ser um raio de luz ou de positividade na vida de minha avó, porque sempre me senti em bastante conflito em relação ao fato de ela estar com ele.
BBC News Mundo - Então você sabia que o seu avô era um agressor sexual…
Mustard - Não se tratava de sabermos ou não. Esse tipo de linguagem não fazia parte do modo de falar da minha família. Minha família tinha um linguajar um tanto distorcido sobre o que ele era e a gravidade do tema. Não quero dizer que eles não levavam isso a sério, simplesmente acredito que todos estavam tão traumatizados por sua própria experiência com ele que nunca aprenderam a se expressar sobre isso ou tiveram as ferramentas para enxergar a situação de outra maneira.
Se você cresce sofrendo abusos cometidos pelo seu pai ou alguém próximo, não conhece outra realidade. E se não há recursos disponíveis, como terapia ou qualquer outro tipo de intervenção, a situação se distorce de geração em geração.
Foi assim que eu cresci. Nós sabíamos, nunca houve um momento em que eu não soubesse o que ele era, digamos assim, carinhoso demais ou assustador. Mas não, nunca usamos palavras como abuso, nunca usamos palavras como estupro, sabe?
E foi preciso minha própria experiência de ter sido agredida sexualmente em outro contexto, no início dos meus 20 anos, para aprender esse linguajar e relacioná-lo à minha família, e perceber que aquilo não estava certo.
Comecei a me perguntar: como é possível que todas as mulheres da minha família tenham sobrevivido a isso? Esse foi o grande despertar que tive no início dos meus 20 anos e que me levou a fazer o filme.
BBC News Mundo - Seu avô era uma pessoa religiosa?
Mustard - Sim, muito religioso, era um cristão evangélico. O cristianismo está bastante arraigado na minha família, e acho que isso desempenhou um papel realmente problemático ao permitir o abuso, porque todas as vezes que queríamos julgá-lo ou algo assim, nos diziam: "Não, isso é um assunto entre ele e Deus". Ou nos diziam coisas como que era nosso dever respeitar os mais velhos.
Há uma expressão que aprendi durante esse processo chamada "desvio espiritual", que se refere ao fato de ser possível interpretar certos valores ou doutrinas religiosas para evitar sentimentos realmente incômodos que surgem com problemas tão sombrios como esse.
Então, sim, grande parte de minha família se apegou à fé como uma maneira de sobreviver ao dano e ao trauma que havia vivido. Acho que isso nos impediu de enfrentá-lo pelo que ele era.
E meu avô também usou a religião para se absolver. Ele dizia: "Bem, a única coisa que tenho a fazer é perdoar a mim mesmo e estou bem com Deus". Então, não importava para ele o que qualquer outra pessoa na Terra pensava, porque ele só prestava contas a Deus. Então, é interessante ver as diferentes interpretações da religião, tanto para a sobrevivência quanto para a permissividade do abuso.
BBC News Mundo - Então, para te proteger, sua família lhe dizia para não se aproximar dele. Que idade tinha quando ouvir essas mensagens?
Mustard - Ele saiu da prisão quando eu tinha cinco anos, e vinha nos visitar a cada dois anos mais ou menos. Me diziam para não ficar no mesmo cômodo que ele, acho que houve algumas tentativas inquietantes, mas eu sabia o suficiente para dizer: "Não vou entrar naquele cômodo com ele". Mas o problema aqui é que ele tinha permissão para entrar em nossa casa.
Havia uma espécie de consciência, com uma espécie de advertência em voz baixa. É muito complexo o que acontece quando não são abordadas as situações de abuso que, ao não serem tratadas, são normalizadas.
BBC News Mundo - Você sentiu medo em algum momento?

Mustard - Não sei. Acho que muitas pessoas têm essa imagem de que ele é um monstro, mas, no fim das contas, ele é só um cara. Um cara muito, muito manipulador que estava rodeado por estruturas que lhe permitiram fazer o que fez.
As pessoas podem assistir ao meu filme e dizer: "Ah, que loucura o que aconteceu com essa família". Mas não é só com a minha família, é muito mais comum do que se pensa, muito mais comum do que se imagina.
E sabe o que mais? Eu não acredito que existam monstros. Eu acredito que todos somos seres humanos que podem fazer coisas monstruosas e que devem pagar por isso.
Mas acho que usar um linguajar demonizante, na realidade, nos absolve de nossa própria responsabilidade de buscar que essas pessoas paguem por isso. É como se disséssemos: "Bem, ele é um monstro, não podemos fazer nada porque isso está além do nosso controle".
Mas, no fim das contas, quando o abuso ocorre, todos os que estão ao redor se veem obrigados a escolher fazer algo ou não. E acredito que muitas pessoas não sabem o que fazer. Por isso, compartilho a história de minha família porque acredito que é muito importante tirar o estigma disso.
BBC News Mundo - Sabe quantas pessoas foram abusadas sexualmente?
Mustard - Não há como saber, mas é mais provável que isso atinja 3 dígitos [mais de 100] do que 2 dígitos.
BBC News Mundo - Você decidiu confrontar o seu avô. Como foi essa experiência?
Mustard - Eu realmente não sentia que tinha outra alternativa. Naquele momento, aos 23 anos, eu me dei conta de que tudo que era considerado normal na minha família não era normal.
A morte da minha avó, a esposa dele, foi o que realmente… Eu estava lá com ela, segurando a sua mão quando ela morreu. Foi algo muito sombrio, uma tragédia ver morrer essa mulher que havia dedicado a sua vida a ele, com profundo pesar. Sem poder dizer tudo o que queria. E percebi que, se não começássemos a falar sobre isso, todas as mulheres da minha família enfrentam a mesma situação.
Então, se tornou algo bastante urgente, e, sabe, eu não teria conseguido fazer isso sem a ajuda de minha mãe.
Quando fomos visitar o meu avô, foi assustador e estressante, mas, ao mesmo tempo, ele era apenas o meu avô. E eu era uma jornalista iniciante. Quando eu me dei conta do contexto mais amplo e do que havia acontecido com a minha família, e o fato de ele ter se safado de tantas coisas, eu senti que não tinha outra opção. Pensei: "Eu tenho que falar com ele".
BBC News Mundo - O que ele te disse?
Mustard - Eu cheguei com uma série de perguntas. O curioso é que eu o entrevistei com uma câmera antes de saber que iria fazer um filme sobre isso.
BBC News Mundo - Ele admitiu as acusações?
Mustard - Ele respondeu a todas as perguntas que lhe fiz. Admitiu que sempre teve essa atração por crianças. Disse que não a entendia, que não sabia o que fazer a respeito, que nunca se sentiu à vontade para falar com ninguém sobre isso.
A situação era complicada porque ele havia aprendido a mentir tão bem que eu sabia que ele estava escondendo algumas coisas, eu sabia que ele não estava sendo completamente honesto.
Mas o fato de ele ter sido honesto o suficiente para admitir que havia abusado de crianças e que tinha dificuldade de controlar essa atração foi, para mim, como um estranho presente de reconhecimento que, muitas vezes, não está disponível para sobreviventes de abusos.
E, no contexto da produção cinematográfica, o fato de ele assumir a responsabilidade por seu próprio comportamento também significou, em certa medida, um alívio para as vítimas, que tiveram que compartilhar os detalhes para convencer as pessoas do que lhes havia acontecido.
Eu me senti realmente agradecida, do ponto de vista cinematográfico, de ele ter admitido o que fez, porque isso ajuda a tirar esse fardo das vítimas.
BBC News Mundo - Soa como uma espécie de jornada de cura.
Mustard - E, ao mesmo tempo, foi horrível, ultrajante e repugnante. Foi muitas coisas. Mas o fato de ele ter admitido parte do que faz foi um reconhecimento que pode ser absolutamente curativo.
BBC News Mundo - Olhando para trás, o que aprendeu depois de percorrer todo esse caminho?
Mustard - Eu me transformei completamente. Esse filme foi uma terapia artística para mim. A princípio, quando eu estava, por assim dizer, no pé da montanha, me dando conta dos horrores que estavam ocorrendo e que haviam sido normalizados em minha família, não sabia o que fazer.
A gente não sabe o que fazer. Recebi milhares de mensagens e emails de pessoas que me dizem: "Isso está acontecendo em minha família. O que eu faço? Como posso denunciar?". Porque não sabemos o que fazer quando se trata de nossa família.
Naquele momento, eu era uma jovem jornalista e pensei: "Bem, eu posso confiar no processo jornalístico e em minha própria curiosidade para sair e chegar onde for preciso".
Fiz uma autoavaliação bastante exaustiva. A forma que os terapeutas costumam explicar é que todos nascemos com uma mochila cheia de coisas e que em algum momento de nossa vida vai ser útil olhar dentro dessa mochila e perguntar: O que tem aqui dentro? Sobre o que eu quero falar? O que eu não quero manter? O que está pesando? Como eu quero realmente viver a minha vida?
Sim, eu me sinto extremamente curada pela terapia e sinto que estou vivendo de acordo com os meus valores e que me libertei de muitas coisas que eu nem sabia que estavam afetando a minha vida.
Trata-se da natureza traiçoeira do trauma geracional. E definitivamente aprendi que não é tão simples quanto gostaríamos. É uma situação muito, muito complexa quando se sofre abuso de alguém que se ama, e quanto menos se fala sobre isso, maior será o dano causado à família.
BBC News Mundo - Muitas pessoas pensam que as leis deveriam ser mais duras contra os agressores.
Mustard - Castigar quem comete abusos não é a solução. Uma das coisas mais importantes que aprendi é que a prevenção é possível. Se pudermos proporcionar recursos e criar um espaço onde eles podem pedir ajuda antes de cometer crimes, isso mudaria tudo.
Penso constantemente em quanto sofrimento minha família poderia ter evitado se meu avô tivesse recebido ajuda quando tinha 20, 30 anos. Se não era possível naquele momento, no contexto daquela época, agora é possível. Existem muitas organizações que trabalham na prevenção e no apoio às vítimas.
Não basta mandar para a prisão. Meu avô saiu da prisão e continuou cometendo abusos. Por isso, é urgente falar desse tema e, em última instância, isso dará aos sobreviventes o espaço e a permissão para se sentirem compreendidos na totalidade.

O que é a Frente de Libertação de Azawad, que fez parte dos ataques no Mali?

 


Os tuaregues lutam há muito tempo pela independência no norte do Mali, e a Frente de Libertação de Azawad (FLA) representa a mais recente de muitas rebeliões.

O Mali está em choque com os ataques a bases militares no fim de semana, que mataram o Ministro da Defesa, Sadio Camara, sua esposa, dois filhos e um número indeterminado de outras pessoas. Explosões intermitentes continuaram nos arredores do Aeroporto Internacional de Senou, ao sul da capital, Bamako, no final da segunda-feira, segundo relatos.

Pelo menos 16 pessoas ficaram feridas nas ofensivas coordenadas, que começaram no sábado, pelo Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) e combatentes separatistas da Frente de Libertação de Azawad (FLA). Vídeos mostraram dezenas de combatentes em motocicletas avançando com pouca resistência para cidades em todo o norte do país: Kidal, Gao, Sevare, bem como Kati e Bamako. A FLA luta pela autodeterminação. Eis o que sabemos sobre o movimento que busca autonomia no norte do Mali e o que sua última ação significa para o seu futuro e para o Mali:

Azawad é uma região autônoma autodeclarada no norte do Mali, proclamada durante a guerra civil maliana de 2012. As raízes do movimento de independência remontam a décadas. Os tuaregues étnicos lutam por um estado independente desde o início do século XX. Após a saída dos colonizadores franceses do Mali – então Sudão Francês – em 1960, essa demanda se intensificou. Tuaregues e árabes ocupam predominantemente o norte do Mali. Eles têm laços mais estreitos com as populações da Argélia, do norte do Níger e de partes da Mauritânia do que com o povo bambara, que constitui a maioria da população do Mali. Em 1962, rebeldes tuaregues começaram a atacar posições do governo no norte do Mali em ofensivas descoordenadas. A rebelião foi esmagada, forçando muitos civis a fugir para países vizinhos e causando ressentimento. As secas no norte, que mataram o gado e afetaram gravemente o estilo de vida nômade de seu povo, aumentaram a raiva. Em 1990, os rebeldes atacaram novamente com tuaregues do norte do Níger. Os grupos no Mali eram o Movimento Popular para a Libertação de Azawad (MPLA), fundado por Iyad Ag Ghaly; a Frente Islâmica Árabe de Azawad (FIAA); e os Movimentos e Frentes Unidas de Azawad (MFUA). Um acordo de paz foi firmado com alguns dos rebeldes em 1995, mas os ataques continuaram esporadicamente no norte do Mali.


Em janeiro de 2012, uma nova onda de ataques de tuaregues e grupos armados deflagrou a guerra civil do Mali. Ela foi liderada pelo Movimento Nacional para a Libertação de Azawad (MNLA), composto por combatentes tuaregues que anteriormente haviam se refugiado na Líbia e lutado por Muammar Gaddafi. Bilal Ag Cherif liderou o movimento. No início da guerra, o MNLA aliou-se a um grupo ideológico recém-formado, o Ansar Dine, liderado por Iyad Ag Ghali. Apesar da parceria, também houve confrontos entre os dois grupos. O MNLA conseguiu tomar vastas áreas do norte do país, incluindo Kidal, Timbuktu e Gao, após um golpe militar em Bamako, em março, que criou um vácuo de poder. Em 6 de abril de 2012, Bilal Ag Cherif declarou a independência de Azawad. No mês seguinte, ambos os lados anunciaram uma coalizão formal. Contudo, os confrontos entre o MNLA e o Ansar Dine recomeçaram. Enquanto os rebeldes buscavam a autogovernança, o Ansar Dine e seus aliados da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQIM) queriam estabelecer uma lei islâmica rigorosa. Eventualmente, esses elementos sequestraram a causa rebelde, isolando o MNLA. Em 2013, 4.000 soldados franceses foram enviados ao Mali a pedido de Bamako. Bamako acabou por assinar um frágil acordo de paz, os Acordos de Argel, com uma coligação tuaregue organizada, a Coordenação dos Movimentos de Azawad (CMA), em maio de 2015. O Mali concordou em conceder mais autonomia ao norte, integrar ex-combatentes e investir na região para reduzir a pobreza. Uma missão de paz das Nações Unidas, composta por cerca de 11.000 soldados, foi enviada para a área. 
Embora a rebelião tenha arrefecido, os combates do Ansar Dine e de outros grupos emergentes semelhantes continuaram.


Em 2017, o JNIM foi formado pela fusão de quatro grupos aliados à Al-Qaeda: Ansar Dine, AQIM, Katina Macina e al-Mourabitoun. É liderado por Ag Ghaly e opera com cerca de 10.000 combatentes nas áreas fronteiriças do Mali, Níger e Burkina Faso. 
À medida que os ataques do JNIM se intensificavam e o grupo começava a tomar vastas áreas do norte do Mali, os militares retomaram o poder em Bamako em agosto de 2020, prometendo o fim da crise. A França e muitos outros países condenaram o golpe, tornando a postura de Bamako contra Paris e outros parceiros internacionais mais hostil. A indignação popular também crescia nos países do Sahel afetados, já que muitas pessoas alegavam que a presença militar francesa não estava ajudando. Em 2021, quando as tropas francesas foram solicitadas a se retirar do Mali, mercenários russos do Grupo Wagner chegaram a Bamako para preencher a lacuna de segurança. O Mali, agora suspenso pela Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), também solicitou a saída das forças de paz da ONU em 2023, acusando-as de não conseguirem estabilizar a área. Cerca de 310 soldados da paz haviam sido mortos na crise até então.


Os confrontos entre o exército maliano e os tuaregues se intensificaram devido ao controle das bases desocupadas pelas forças de paz, resultando em dezenas de mortes de civis e forçando milhares de pessoas a fugirem para a Mauritânia. Bamako rompeu os Acordos de Argel em janeiro de 2024 e começou a atacar posições do JNIM e dos tuaregues, reacendendo outra rebelião. Em novembro de 2024, a Frente de Libertação de Azawad foi formada a partir de componentes de antigos grupos rebeldes. Liderada por Alghabass Ag Intalla, o grupo volta a reivindicar a autodeterminação. 
Os separatistas tuaregues voltaram a formar parcerias com grupos armados que têm objetivos diferentes, mas com os quais compartilham um inimigo comum: o governo do Mali. Desde que seu movimento foi sequestrado em 2012, os rebeldes tuaregues têm evitado cuidadosamente se associar a grupos armados. Mas eles estão interligados. Ambos recrutam combatentes das mesmas comunidades do norte que há muito denunciam a marginalização. Os rebeldes agora estão "deixando a cautela de lado", no entanto, disse Beverly Ochieng, analista da África Ocidental da empresa de inteligência Control Risks, com sede no Senegal, à Al Jazeera. "Essa aliança não é surpreendente", disse Ochieng, explicando que ambos os lados sempre coexistiram no norte. "O FLA teve que avaliar o que funciona, e isso é mais vantajoso taticamente para eles porque têm os mesmos interesses. O FLA não pode derrotar o exército do Mali sozinho." Seus interesses políticos também estão se alinhando, disse Ochieng, já que o JNIM nos últimos anos suavizou sua retórica em torno de regras religiosas rígidas e se concentrou em campanhas contra as violações de direitos humanos cometidas pelo exército do Mali.


O JNIM também foi acusado de violações. Seus combatentes, assim como os da aliança Mali-Rússia, foram acusados ​​de atacar civis, mas o grupo de monitoramento Armed Conflict Location & Event Data constatou que, em 2024 e 2025, o governo e suas forças aliadas mataram de três a quatro vezes mais civis. Em julho de 2024, rebeldes atacaram um comboio de combatentes malianos e russos na cidade de Tinzaouaten, no norte do país. Os rebeldes afirmaram ter matado 47 soldados malianos e 84 combatentes russos, embora o governo do Mali tenha dito que sofreu baixas, mas que também matou 20 rebeldes. O JNIM reivindicou participação nos ataques. Os rebeldes tuaregues negaram publicamente. 
Os ataques do último fim de semana marcaram a primeira vez que o JNIM e o FLA coordenaram oficialmente suas operações. Os combatentes russos foram autorizados a sair da cidade de Kidal após negociações com a Argélia. Em um comunicado, o JNIM afirmou desejar uma “relação futura equilibrada” com Moscou. Ochieng acrescentou que, embora a Rússia provavelmente trabalhe com qualquer grupo no poder para manter sua influência no Sahel, é improvável que o JNIM ocupe um cargo político em Bamako, pois carece de legitimidade. “Nenhum dos países da região vai querer o JNIM no poder, especialmente os estados da AES”, disse ela, referindo-se à Aliança dos Estados do Sahel, composta por Mali, Burkina Faso e Níger. - O JNIM poderia se aliar a partidos políticos exilados no sul e ao FLA no norte, acrescentou.

Quais países são acusados ​​de apoiar o FLA?

Ucrânia: Um escândalo surgiu após a emboscada em Tinzaouaten. Um oficial ucraniano revelou à imprensa que os rebeldes receberam “informações” para lutar contra os russos. Embora a Ucrânia tenha negado isso posteriormente, o Mali cortou relações com Kiev, expressando “profundo choque”.

Argélia: Argel está atualmente em um impasse tenso com Bamako, já que o Mali acusa a Argélia de abrigar rebeldes. A Argélia nega.

França: Bamako há muito acusa a França de apoiar os rebeldes e facilitar encontros de seus líderes na Europa.

Mauritânia: O país que faz fronteira com o Mali ao norte acolheu 300.000 refugiados malianos. Bamako alega que rebeldes também estão sendo abrigados lá, mas Nouakchott nega e mantém uma postura conciliatória. Há relatos de mauritanos em aldeias fronteiriças sendo mortos por soldados malianos e combatentes russos, mas a Mauritânia não se pronunciou.

O que vem a seguir para o FLA?

O Exército de Libertação do Mali (FLA) agora reivindica o controle de Kidal, um reduto tuaregue. O Movimento Nacional Islâmico do Mali (JNIM) afirma controlar Kidal e Mopti em conjunto. De acordo com vídeos nas redes sociais, combatentes do FLA foram vistos desarmando soldados malianos em Kidal. O paradeiro do líder do governo militar do Mali, o presidente Assimi Goita, é desconhecido. Ele não é visto desde sábado.