Desde 1984 eu já sabia quem era Ortega - Opinião


 Em 1984 recebi um convite para trabalhar como assessor do então Ministro da Cultura na Nicarágua Padre Fernando Cardenal. 
Fui então morar em Manágua em uma casa que alojava profissionais estrangeiros que trabalhavam em Manágua. Como o bairro anteriormente à vitória sandinista era ocupado pela alta elite nicaraguense que em sua grande maioria havia abandonado o país com a vitória dos sandinistas o novo governo tomou para si todas as residências, muitas de alto luxo para o padrão do país.







Daniel Ortega que comandou o país nos primeiros anos do governo sandinista morava em uma residência luxuosíssima bem próximo de onde residíamos . Todas as manhãs víamos sair acompanhado por uma escolta composta por oito Jipes russos de cor preta , muito novos, lotados de combatentes sandinistas fortemente armados. Passavam em alta velocidade sem se importarem com os passantes e crianças que brincavam na rua.


Quando fazíamos refeições ou lanches em estabelecimentos comerciais e porventura fizéssemos qualquer comentário crítico aos sandinistas em 80% das vezes éramos abordados por jovens à paisana que se identificavam como 'agentes do Ministério da Justiça comandado pelo comunista Tomás Borge, que pediam nossos passaportes e éramos ameaçados de imediata deportação caso renovássemos em qualquer ocasião críticas ao novo regime.


Para que fossemos mantidos alojados na casa onde vivíamos éramos 'obrigados' de certa forma a 'presentear', de preferência com maços de cigarro com filtro comprados no 'mercado negro' de Manágua que inexistiam no comércio legal devido ao boicote imposto pelos EUA. Algum tempo depois, mesmo ocupando funções em órgãos governamentais , para renovarmos nossos vistos de trabalho também 'éramos coagidos' , de certa forma repito, a presentear também com itens comprados no 'mercado negro' , como calças jeans novas, os responsáveis pela emissão dos vistos.

Essa era a Nicarágua no início do regime sandinista e as características do governo Ortega , visíveis a todos já naquela época só se acentuaram com o passar dos anos.

Segadas Vianna - jornalista

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