Para o jornalista e cientista político Segadas Vianna existem movimentos radicais atuando na região. No artigo ‘A Luta Armada no Brasil’, publicado no site Vote Brasil, ele afirmava que ‘no Sul do país, na chamada Tríplice Fronteira, há fortíssimas evidências da existência de bases ativas da al-Qaeda e de grupos palestinos como o Hamas, sendo que a maioria dessas bases destina-se a abrigar militantes `queimados´ em suas áreas de ação e à obtenção de fundos para as suas atividades’. Estudioso das políticas públicas de segurança, Segadas Vianna foi correspondente na Nicarágua e atuou em 1995 como observador e consultor de um grupo especial da Polícia Civil do Rio.
No artigo "A Luta Armada no Brasil", de Segadas Vianna, analisou a presença de bases de grupos radicais na Tríplice Fronteira, focando em atividades de militantes "queimados" e na obtenção de fundos. O texto, escrito por um especialista em segurança, destacou indícios dessas operações na região. Leia o artigo completo no Observatório da Imprensa.
https://www.observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/as-fronteiras-que-dao-o-que-falar/
As autoridades identificaram um grupo de empresários de origem libanesa à frente dos negócios na região da Tríplice Fronteira. Entre os denunciados, destacam-se os irmãos Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun.
O Modelo de Atuação Comercial
Diferente dos operadores tradicionais de facções que agem na clandestinidade, os irmãos Zayoun utilizavam uma estrutura formal de negócios para dar aparência lícita aos fluxos financeiros:
Empresas de Importação e Exportação:
Sediados em uma região de livre comércio e intenso fluxo de mercadorias (Foz do Iguaçu/Ciudad del Este), eles utilizavam registros comerciais legítimos de comércio internacional para justificar a movimentação de milhões de reais.
Simulação de Notas Fiscais:
O Ministério Público apontou que o grupo emitia notas fiscais frias de compra e venda de produtos falsificados ou eletrônicos. Essas notas serviam para justificar a entrada de dinheiro em espécie gerado pelo tráfico de drogas nos grandes centros urbanos (como Rio de Janeiro e São Paulo).🔄
A Relação com o Sistema Hawala
A origem libanesa e a forte conexão com o comércio do Oriente Médio facilitavam o uso do sistema Hawala para a remessa de valores:
Compensação Transnacional:
O dinheiro arrecadado pelas facções brasileiras não precisava ser enviado fisicamente ao exterior de forma imediata. Ele era utilizado para pagar fornecedores de mercadorias locais ou compensado globalmente por meio de doleiros e operadores comerciais em Beirute, Dubai ou Miami.
Quebra de Rastro:
Ao misturar o dinheiro do narcotráfico com o faturamento de lojas e distribuidoras na fronteira, os irmãos conseguiam enviar os fundos para contas de laranjas no exterior sem disparar os alertas automáticos do Banco Central do Brasil.🔍
O Foco da Inteligência Policial
A centralização das investigações sobre os irmãos Zayoun ocorreu devido ao cruzamento de dados com agências internacionais:
Monitoramento de Divisas:
A intensa movimentação financeira internacional incompatível com o porte físico das empresas chamou a atenção do Coaf e de órgãos de controle aduaneiro.
Relações de Parentesco e Sociedades:
A investigação detalhou que os três irmãos dividiam funções de gerência, representação legal e abertura de novas contas bancárias, pulverizando os ativos para dificultar o confisco de bens pela Justiça.
O Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) rastreou transações financeiras e comerciais diretas de empresas do núcleo dos irmãos Zayoun com um indivíduo localizado no exterior.
Este alvo estrangeiro está oficialmente sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Os relatórios de inteligência americanos o classificam formalmente como um operador ativo da estrutura global de arrecadação de fundos da Al-Qaeda.


Nenhum comentário:
Postar um comentário