Rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN) capturaram as pessoas em uma estrada na região de Chocó, área onde mantêm forte presença e se financiam por meio de atividades como narcotráfico e mineração ilegal.
"Exigimos que o ELN respeite a vida e a segurança das pessoas sequestradas e proceda à sua libertação imediata e incondicional", afirmou o Exército na rede social X ao relatar o sequestro.
Uma fonte militar informou à AFP que tropas já foram enviadas para a região. Informações preliminares indicam que todos os reféns são civis que viajavam de ônibus pela estrada.
O departamento de Chocó, localizado na costa do Pacífico e na fronteira com o Panamá, é um reduto do ELN. Lá, o grupo exerce rígido controle sobre a população por meio de extorsão e da frequente detenção de civis e membros das forças de segurança, com quem entra em confronto armado regularmente.
Com raízes guevaristas e tendo pegado em armas em 1964, o ELN não participou do histórico acordo de paz que, há uma década, levou ao desarmamento da maior parte do grupo guerrilheiro FARC, hoje extinto.
Segundo o relatório mais recente da Fundação Ideias para a Paz (Fundación Ideas para la Paz), publicado em janeiro, o ELN contava com 6.810 combatentes em 2025 — um aumento de 9% em relação ao ano anterior. Além de atuar em Chocó, o grupo mantém influência no nordeste e no sudoeste do país.
O governo do presidente Gustavo Petro — ex-guerrilheiro do extinto grupo M-19 — tentou, sem sucesso, negociar a paz com o ELN ao assumir o cargo em 2022.
A iniciativa foi definitivamente abandonada em janeiro de 2025, quando confrontos entre o ELN e dissidentes das FARC deixaram mais de cem mortos e dezenas de milhares de deslocados em Catatumbo, região na fronteira com a Venezuela.
Segundo especialistas, grupos armados ilegais na Colômbia se fortaleceram nos últimos quatro anos. Na Colômbia, o sequestro por traficantes de drogas é uma prática comum que marcou a campanha presidencial deste ano. O presidente eleito Abelardo de la Espriella, uma figura de extrema-direita, promete endurecer a política de segurança e lançar campanhas de bombardeio em larga escala contra os insurgentes.


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