Pelo menos 18 pessoas morreram depois que grandes multidões de migrantes romperam a fronteira com o enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, vindas do vizinho Marrocos, informaram as autoridades.
Centenas de outros migrantes atravessaram durante a noite, disseram fontes a agências de notícias na sexta-feira, um dia depois de o governo de Ceuta afirmar que entre 1.500 e 2.000 pessoas haviam entrado nos últimos 10 dias.
Entre os 18 mortos, muitos se afogaram, mas alguns também morreram no tumulto para atravessar a cerca do quebra-mar na praia de Tarajal, disse à Associated Press Rachid Sbihi, líder de uma associação local de trabalhadores que representa agentes da Guarda Civil.
Ele descreveu a situação como uma "grave crise humanitária".
A situação levou o presidente regional, Jesús Vivas, a declarar uma "emergência humanitária e social absoluta" na quinta-feira e a pedir a Madri que enviasse tropas para retomar o controle da fronteira.
O Ministério do Interior da Espanha rejeitou os apelos para declarar emergência nacional, afirmando que tal medida não se aplica a crises migratórias, mas prometeu recursos adicionais.
Mais tarde, na quinta-feira, o Ministério do Interior anunciou que as forças armadas enviariam 60 militares para reforçar a fronteira.
Imagens de quinta-feira mostravam alguns dos migrantes gritando "Viva a Espanha!" ao entrarem no território; muitos deles haviam feito a travessia por água, partindo do lado marroquino em dispositivos infláveis.
Multidões foram vistas caminhando pelos quebra-mares em direção às estradas locais, relatou a agência de notícias Associated Press. A agência estatal EFE informou que outros cruzaram a fronteira por terra, escalando cercas.
O ativista pelos direitos dos migrantes Zakaria Zarroqui disse à agência de notícias Reuters que o aumento no número de migrantes era semelhante ao ocorrido em maio de 2021, quando cerca de 10.000 jovens marroquinos e subsaarianos entraram no enclave em poucos dias.
"A situação permanece fora de controle neste momento", disse Zarroqui, acrescentando que as pessoas continuavam a afluir para a cidade marroquina de Fnideq na tentativa de cruzar a fronteira.
Ceuta, juntamente com Melilla — outra cidade autônoma espanhola no norte da África —, representa a única fronteira terrestre da União Europeia com a África. Ambas as cidades registram frequentemente picos nas tentativas de travessia por parte de pessoas que buscam migrar para a Europa.
No início deste mês, a Suprema Corte da Espanha decidiu que migrantes interceptados no mar enquanto tentavam chegar a Ceuta ou Melilla não podem ser devolvidos ao Marrocos.
"Desde a decisão da Suprema Corte, o fluxo vinha sendo um gotejamento lento, mas hoje houve uma explosão", disse um porta-voz da Guarda Civil à Reuters.

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