A capital da Líbia, Trípoli, viveu uma nova onda de tensão na segurança entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta-feira, após grupos armados ligados às autoridades do oeste do país se posicionarem em diversas partes da cidade, despertando nos moradores o medo de um possível retorno aos confrontos armados.
Os movimentos militares ocorreram sem qualquer declaração oficial do Conselho Presidencial ou do Governo de Unidade Nacional explicando o objetivo da mobilização ou as razões para o aumento da atividade de segurança.
Segundo fontes locais, testemunhas oculares e vídeos que circulam nas redes sociais, a mobilização armada concentrou-se nos arredores do bairro de Al-Mansoura, perto do prédio da rádio estatal. As forças incluíam, segundo relatos, unidades da Força de Contraterrorismo — comandada pelo Major-General Mokhtar Al-Jahawi e vinculada ao Estado-Maior do Governo de Unidade Nacional — e patrulhas da Brigada 222, liderada por Hussein Al-Shawat.
Vídeos compartilhados na internet mostravam um grande número de veículos militares e pessoal armado circulando pelas principais vias, enquanto moradores relatavam ouvir disparos esporádicos em vários bairros. A situação levou muitas pessoas a permanecerem em casa, temendo uma escalada de violência semelhante aos confrontos que, periodicamente, abalam a capital.
A Instituição Nacional de Direitos Humanos da Líbia expressou preocupação com o que descreveu como tensões crescentes de segurança e mobilização militar acompanhadas de disparos indiscriminados, alertando que tais ações assustaram civis e colocaram áreas residenciais em risco. A organização instou todas as partes a exercerem moderação, evitarem o uso da força e prevenirem qualquer confronto que pudesse colocar em perigo a vida de civis. Também alertou que violações do direito internacional humanitário poderiam sujeitar os responsáveis a sanções legais.
Esses acontecimentos ocorrem em meio à incerteza sobre relatos de que uma reunião planejada em Sirte — entre o vice-comandante do Exército Nacional Líbio, Saddam Haftar, e o vice-ministro da Defesa do Governo de Unidade Nacional, Abdul Salam Al-Zoubi — teria sido adiada. A reunião faria parte de uma iniciativa apoiada pelos EUA para promover o diálogo entre as instituições militares do leste e do oeste da Líbia.
Nem autoridades líbias nem americanas comentaram o suposto adiamento. Os acontecimentos mais recentes destacam, mais uma vez, a frágil situação de segurança no oeste da Líbia, onde a presença contínua de grupos armados rivais permanece como um dos maiores desafios do país, apesar dos esforços internacionais em curso para promover um acordo político e militar abrangente.



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