História : Trágico uso e morte de crianças paraguaias em batalha na Guerra do Paraguai na Batalha de Acosta Ñu

 Batalha de Acosta Ñu (conhecida no Brasil como Batalha de Campo Grande). Cerca de 3.500 crianças e adolescentes paraguaios enfrentaram as tropas da Tríplice Aliança, resultando em um massacre que marcou a história da América Latina

Contexto da Batalha


O conflito ocorreu após anos de guerra, quando a população masculina adulta do Paraguai já havia sido quase totalmente dizimada. O presidente paraguaio Francisco Solano López ordenou o recrutamento de menores de idade, idosos e mulheres para tentar deter o avanço aliado.

Relatos históricos apontam que muitas crianças tinham idades entre 6 e 15 anos e usavam barbas postiças para parecerem soldados adultos aos olhos dos inimigos.

O Confronto e o Massacre

As forças aliadas, lideradas majoritariamente pelo exército brasileiro, enfrentaram os jovens combatentes em um combate desigual que durou horas. Milhares de crianças paraguaias morreram no campo de batalha, um episódio detalhado em análises sobre a Batalha de Acosta Ñu da BBC.

A brutalidade do evento é abordada em revisões históricas sobre o Aventuras na História e em estudos sobre a Guerra do Paraguai pela UDESC.

Legado da Data

O dia 16 de agosto é lembrado no Paraguai como o Dia das Crianças, instituído em póstuma homenagem aos "meninos mártires" que pereceram no confronto.

Calcula-se que, em 5 anos, tenham morrido entre 200 mil e 300 mil paraguaios, que correspondiam na época à metade da população do país. Do total de mortos, 80% eram homens.

Mas o que aconteceu na Batalha de Acosta Ñu para que ela se tornasse, nas palavras de Chiavenato, o "símbolo mais terrível da crueldade dessa guerra"?

Travada em 16 de agosto de 1869, a batalha foi protagonizada, do lado paraguaio, crianças e adolescentes. Seu impacto foi tão forte que a data acabou virando o Dia da Criança no Paraguai.

Com o Exército paraguaio praticamente exterminado, explica Chamorro, figuras importantes dentro das forças aliadas chegaram a sinalizar que a guerra teria terminado e que seria o momento de deixar o país.

Conforme Chiavenato, uma dessas figuras era o general Luís Alves de Lima e Silva, futuro duque de Caxias, que liderava as tropas brasileiras no Paraguai.

"Quanto tempo, quantos homens, quantas vidas e de quantos recursos necessitaremos para terminar a guerra, quer dizer, para transformar em fumaça e pó toda a população paraguaia, para matar até os fetos no ventre das mulheres?", argumentou com o imperador Dom Pedro 2º.

A ordem, entretanto, era de que a guerra só chegaria ao fim com a morte do presidente do Paraguai, o marechal Francisco Solano López, o que só aconteceria em 1º de março de 1870.

"Não tinha necessidade de fazer toda essa caçada, em que a população civil foi a principal prejudicada", ressalta Chamorro.

Enquanto lutava pela própria sobrevivência, Solano López recrutava soldados cada vez mais jovens.


"Primeiro eles tinham 16 anos, depois 14, 13 anos", relata Barbara Potthast, professora de História Ibérica e Latino-americana na Universidade de Colônia, na Alemanha.

A historiadora encontrou até registros de alistamento de meninos de 11 anos - que não chegavam a ir para a frente de batalha, mas se dedicavam a outras tarefas, como transportar materiais.

O mesmo acontecia com as mulheres, muitas vezes encarregadas da logística.

"Não era um exército profissional como conhecemos hoje", pontua Potthast. "Como muitos dizem, era o 'povo pegando em armas'."

A batalha de Acosta Ñu aconteceu próximo ao que hoje é a cidade de Eusebio Ayala, no centro do Paraguai, e foi, nas palavras de Chamorro, "um verdadeiro massacre".

"De um lado estavam os brasileiros, com 20 mil homens", escreveu Chiavenato. "De outro, os paraguaios, com 3,5 mil soldados entre 9 e 15 anos, além de crianças de 6, 7 e 8 anos que também acompanhavam o grupo."

"As armas usadas pelos paraguaios tinham um alcance máximo de 50 metros", diz Chamorro, enquanto "os rifles Spencer, usados sobretudo pela cavalaria imperial do Brasil, tinha um alcance de mais de 500 metros."

A isso se soma o fato de que os mais novos não tinham nem força física para empunhar as armas, muito menos nas condições em que estavam, com fome e muitas vezes doentes, acrescenta Potthast.

"As crianças de 6 a 8 anos, no calor da batalha, aterrorizadas, se agarravam às pernas dos soldados brasileiros, chorando, pedindo que não os matassem. E eram degoladas no ato", escreveu Chiavenato em sua obra, conforme a tradução do Portal Guaraní.

O general brasileiro Dionísio Cerqueira, entretanto, que participou da batalha, deu outra perspectiva. "Que luta terrível entre a piedade cristã e o dever militar! Nossos soldados diziam que não lhes dava gosto lutar contra tantas crianças."

"O campo ficou repleto de mortos e feridos do lado inimigo, entre os quais nos causava muita pena, pelo número elevado, os soldadinhos, cobertos de sangue, com as perninhas quebradas, alguns nem sequer haviam atingido a puberdade", completou.

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