O exército do Mali informou ter lançado um contra-ataque após combatentes ligados à Al-Qaeda e membros de um grupo separatista emboscarem soldados na instável região norte. As forças armadas malinesas declararam no sábado que grupos armados emboscaram um comboio em uma área remota da região de Gao.
Tanto a filial regional da Al-Qaeda, o Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), quanto o grupo separatista Frente de Libertação de Azawad (FLA) reivindicaram a autoria do ataque em comunicados separados, mencionando "grandes perdas humanas" e "graves danos materiais" sofridos pelo exército do Mali.
O exército não divulgou detalhes sobre suas baixas, mas informou que seus parceiros também foram atacados — uma referência provável a paramilitares ou mercenários russos.
"Nosso comboio, que seguia de Anefis para Gao, foi atacado esta manhã perto de Tabankort. Os combates continuam. Trata-se de uma emboscada", disse uma fonte militar sediada em Gao à agência de notícias AFP.
O Mali enfrenta uma crise de segurança há mais de 14 anos.
A FLA busca estabelecer um Estado independente no norte do Mali. Enquanto isso, o JNIM é considerado o grupo armado mais letal do gênero na África Ocidental.
O JNIM tenta conquistar mais território e atualmente controla vastas áreas rurais. Os combates desencadearam uma crise humanitária, deixando mais de cinco milhões de pessoas — quase 20% da população — necessitando de assistência. A AFP relatou que imagens divulgadas pela FLA mostravam, supostamente, dezenas de soldados capturados durante a emboscada. Os rebeldes também divulgaram vídeos que, segundo eles, mostravam soldados malineses se rendendo.
No vídeo, os rebeldes aparecem atirando em alguns dos soldados enquanto estes estão deitados no chão. A emboscada ocorreu quando o comboio do exército malinês se deslocava da cidade estratégica de Anefis, no norte, em direção a Gao. Em 10 de julho, o exército do Mali confirmou a retomada de Anefis em uma operação que resultou na morte de cerca de 30 soldados e deixou outros 60 feridos. A cidade havia sido tomada pela FLA e pelo JNIM seis dias antes. A FLA afirmou ter perdido alguns de seus melhores combatentes durante a ofensiva.


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