Cisjordânia enfrenta escalada da violência de colonos israelenses e aumento de postos de controle do exército

 


A Cisjordânia vive uma situação crítica à medida que colonos israelenses intensificam seus ataques contra palestinos e o exército israelense instala ainda mais postos de controle.

MICHEL MARTIN, APRESENTADORA:

Foi uma semana de violência na Cisjordânia ocupada. Tudo começou na sexta-feira, quando as forças armadas de Israel informaram que colonos israelenses entraram em um vilarejo palestino, em uma área que deveria ser de acesso proibido a cidadãos israelenses. No confronto que se seguiu, dois israelenses e quatro palestinos foram mortos. Houve uma onda de represálias por parte dos colonos contra comunidades palestinas. Emily Feng, da NPR, tem feito reportagens na Cisjordânia esta semana e está conosco agora. Bom dia, Emily.

EMILY FENG, REPÓRTER: Bom dia, Michel.

MARTIN: Você poderia descrever como está o clima por lá?

FENG: Sim. Estive na Cisjordânia muitas vezes após o ataque do Hamas a Israel, vindo de outro território palestino, Gaza. Mas, nesta viagem à Cisjordânia, vi níveis de desespero ainda maiores do que antes. Ouça só o relato deste homem, Ahmed Dweikat. Ele é de Beita, um vilarejo ao sul da área que o exército israelense isolou após aquele confronto.

AHMED DWEIKAT: (Falando em árabe).

FENG: Ele diz: "Estamos sem fôlego. Não temos mais fôlego", querendo dizer que estão totalmente exaustos, pois o vilarejo é cercado por quatro assentamentos israelenses que tomaram à força casas e terras agrícolas nos arredores, encurralando os palestinos. E agora, comunidades como a dele dizem que os colonos se sentem ainda mais encorajados a praticar atos de violência.

MARTIN: Eles lhe deram exemplos disso?

FENG: Têm ocorrido ataques noturnos e também roubos durante o dia por parte de colonos israelenses, inclusive neste vilarejo próximo chamado Qusra, onde, no domingo, incendiários queimaram a mesquita local durante a noite. Mohammad Alhajahmed foi um dos moradores que me contou ter visto as chamas primeiro.

MOHAMMAD ALHAJAHMED: (Falando em árabe). FENG: Então, ela está descrevendo aqui os pichações em hebraico deixadas na mesquita: uma prometendo vingança e outra que, entre aspas, dizia: "a terra de Israel é conquistada com sangue". O exército israelense afirma estar investigando e condena atos como esse. Alhajahmed e seus vizinhos acreditam que o incendiário veio de um assentamento próximo.

MARTIN: Emily, você poderia explicar brevemente o que são assentamentos para quem não sabe?

FENG: Sim. Eles foram estabelecidos por israelenses judeus. Sua construção é considerada ilegal pelo direito internacional, embora Israel conteste isso. São construídos em terras que, futuramente, deveriam integrar um Estado palestino, mas o objetivo é, na verdade, colocar essas terras sob controle israelense. O próprio exército de Israel afirma que a violência grave perpetrada por esses colonos aumentou 50% entre 2024 e 2025. As Nações Unidas informam que 76 palestinos e um israelense foram mortos em ataques de colonos apenas neste ano. Por isso, quase todas as comunidades rurais palestinas na Cisjordânia precisam organizar vigílias noturnas para se protegerem de possíveis ataques.

Acompanhei uma dessas vigílias nesta semana com o pastor palestino Ibrahim Abu al-Kebash. Enquanto conversávamos sob o luar, ele descreveu como, em março passado, colonos de um posto avançado próximo roubaram mais de 400 ovelhas — todo o patrimônio de sua família. Eles agrediram a ele e à sua família e prenderam os genitais de seu filho com abraçadeiras de plástico; tudo isso foi registrado em vídeo.

IBRAHIM ABU AL-KEBASH: (Fala em árabe).

FENG: Mas, depois disso, tudo em que ele consegue pensar é no futuro de seus filhos e nas ovelhas perdidas. E, quando pensa nisso, ele diz que chega a desmaiar.

Todos os palestinos com quem conversei dizem estar atentos às eleições gerais de outubro em Israel. Eles esperam uma mudança de governo e, talvez, um policiamento mais rigoroso contra a violência dos colonos. São eleições nas quais eles não votam — não podem votar —, mas cujo resultado moldará suas vidas e seu futuro.

MARTIN: Essa é Emily Feng, da NPR. Emily, obrigada.

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