Batalha por Bibwe expõe a presença persistente das Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda no leste da República Democrática do Congo


 Intensos disparos ecoaram pelas colinas de Masisi no início de junho, quando rebeldes da AFC/M23 travaram batalhas ferozes contra a FDLR — grupo de caráter genocida apoiado por Kinshasa — e as milícias aliadas Nyatura, nas imediações de Bibwe e localidades vizinhas. Fontes de segurança informaram que dezenas de combatentes da FDLR e da CMC-Nyatura morreram nos confrontos, o que evidenciou uma realidade frequentemente obscurecida pela retórica política: a FDLR permanece armada, organizada e ativa nas linhas de frente do leste da RDC.


Também houve combates intensos nas áreas de Bulende, Busasa e Shingisha, no Território de Masisi (província de Kivu do Norte), segundo confirmaram fontes locais. O número de mortos não pôde ser verificado de forma independente. Nem o exército congolês (FARDC) nem a FDLR divulgaram números detalhados de baixas.




Fontes locais confirmaram especificamente combates intensos em Bibwe no dia 11 de junho, quando posições da AFC/M23 foram atacadas por combatentes *Wazalendo* e os rebeldes repeliram as forças da coalizão. Os disparos continuaram durante grande parte do dia. Os confrontos se estenderam por uma área mais ampla, abrangendo posições mantidas por grupos armados ligados à FDLR e alinhados ao governo.

Bibwe e Bulende não são vilarejos comuns em um mapa militar já fragmentado. Fontes familiarizadas com o posicionamento da FDLR descrevem esses locais como importantes centros de comando e logística para o grupo genocida. Bulende foi identificada por essas fontes como um reduto do Major-General Cyprien Uzabakiriho (conhecido como Kolomboka), vice-comandante da ala militar da FDLR (FOCA), enquanto Bibwe serviu como quartel-general do líder político da FDLR, Gaston Iyamuremye (conhecido como Rumuli).

Uma milícia dada como derrotada, mas que continua a combater

Durante anos, autoridades e figuras políticas em Kinshasa alternaram entre negar a colaboração com a FDLR, minimizar sua força militar e descartar o grupo como um pretexto usado por Ruanda para justificar uma intervenção em território congolês.

Os combates em Bibwe e na região mais ampla de Masisi tornam esse argumento cada vez mais difícil de sustentar.

A FDLR não é uma força fantasma inventada em Kigali. O grupo permanece sob sanções da ONU e dos EUA. Em 2 de junho, os Estados Unidos impuseram novas sanções a Gustave Kubwayo, comandante de inteligência e operações especiais da FDLR, citando a ocupação contínua de territórios pelo grupo, ataques a civis e atividades desestabilizadoras no leste da RDC.

Washington também afirmou que a milícia havia buscado apoio de grupos armados congoleses e de elementos do exército congolês.

A Human Rights Watch documentou anteriormente casos em que unidades do exército congolês forneceram munição, uniformes e outras formas de assistência à FDLR e a milícias aliadas que combatiam a AFC/M23. Comandantes da FDLR também estiveram presentes, ou foram representados, em reuniões nas quais grupos armados alinhados ao governo formaram coalizões contra a rebelião.

Na prática, a FDLR tem operado repetidamente ao lado de setores das FARDC, facções Nyatura e outros grupos armados coletivamente apresentados como *Wazalendo*. Essas forças atacam regularmente territórios controlados pela AFC/M23, frequentemente visando civis por meio de saques, deslocamentos forçados e assassinatos.

A AFC/M23 acusou a FDLR e combatentes aliados de atacar civis em áreas sob controle rebelde para aterrorizar comunidades e criar a impressão de que o movimento é incapaz de garantir a segurança.

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