O Exército da Nigéria declarou desertores 104 soldados do 162º Batalhão Anfíbio, no estado de Borno, após um ataque letal do Boko Haram/ISWAP à base militar deles na estrada Mandara–Buratai, segundo um comunicado interno militar obtido pelo SaharaReporters.
O documento sigiloso, classificado como "RESTRITO", apontava que os militares em questão abandonaram seus postos de serviço levando suas armas pessoais, depois que insurgentes invadiram a base do batalhão em 5 de junho de 2026.
O fato ocorre semanas após relatos de que terroristas fortemente armados lançaram um ataque de madrugada contra o batalhão, matando pelo menos oito soldados, incluindo um major.
Fontes militares citadas pelo SaharaReporters afirmaram que os insurgentes atacaram por volta das 4h da manhã, sob forte chuva, aproveitando a visibilidade reduzida para superar as tropas posicionadas ao longo da estratégica estrada Mandara–Buratai, em Borno.
Segundo as fontes, pelo menos oito soldados morreram no ataque, enquanto vários outros sofreram ferimentos de gravidade variada. Imagens fortes, supostamente obtidas no local, evidenciaram a dimensão do ataque, embora o Exército nigeriano ainda não tenha emitido um comunicado oficial público sobre o incidente.
Mais de três semanas após o ataque, o Exército declarou desertores os 104 militares do batalhão, afirmando que eles abandonaram suas posições no dia do ataque e não retornaram ao serviço desde então. Um comunicado militar assinado pelo Tenente Ndubuisi informou que os militares em questão deixaram seus postos "rumo a destino desconhecido" com suas armas pessoais após o ataque do Boko Haram/Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP). A ordem determinava que os soldados fossem formalmente classificados como desertores a partir de 5 de junho de 2026 e que suas identidades fossem divulgadas a unidades militares de todo o país para possível prisão.
Fontes militares alegaram ainda que as autoridades haviam bloqueado as contas bancárias dos militares envolvidos e instruído unidades em todo o país a deter e entregar qualquer um dos soldados encontrados em suas respectivas áreas de atuação.
Uma fonte a par do assunto afirmou que as autoridades militares ainda não conseguiram determinar se alguns dos militares listados morreram durante o ataque ou se fugiram do campo de batalha. Segundo a fonte, o ataque vitimou um major e outros sete soldados, enquanto o paradeiro de muitos outros permanece incerto.
O documento interno revela que o grupo declarado desertor é composto por um sargento-ajudante, três sargentos, sete cabos, 38 cabos-interinos e 55 soldados.
O incidente voltou a chamar a atenção para os desafios de segurança enfrentados pelas tropas engajadas em operações de contrainsurgência no nordeste da Nigéria, onde o Boko Haram e o ISWAP continuam a lançar ataques contra unidades militares, apesar de anos de operações contínuas.
Até o momento da redação desta reportagem, o Exército nigeriano não havia respondido oficialmente às informações contidas no documento militar vazado nem às alegações sobre o destino dos soldados afetados.






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