A violência intercomunitária no centro-oeste da Nigéria matou pelo menos 48 pessoas na quarta-feira, segundo um relatório de segurança visto pela AFP nesta quinta-feira.
O relatório, elaborado para as Nações Unidas, informou que uma "milícia de pastores" armada com facões atacou agricultores da etnia Kamuku na cidade de Tegina, no estado de Níger, "matando pelo menos 42 pessoas", o que provocou uma represália que resultou na morte de seis pastores que trabalhavam em uma plantação.
O estado de Níger já sofre com a violência letal de militantes, bem como com quadrilhas de sequestradores e ladrões de gado, conhecidos localmente como "bandidos".
Um líder comunitário local, Abdullahi Alhassan, disse à AFP que pastores da etnia Fulani invadiram a área, atacando moradores com facões e queimando outros vivos dentro de suas casas.
"O ataque foi uma represália pela morte, no mês passado, do patriarca dos pastores — um ato que eles atribuíram a grupos de autodefesa formados por agricultores Kamuku", disse Alhassan.
Os agricultores Kamuku lançaram ataques de retaliação contra três assentamentos de pastores nos arredores de Tegina, também incendiando casas e matando pelo menos dois pastores, afirmou Alhassan.
No mês passado, agricultores Kamuku mataram Muhammad Shehu, um líder comunitário respeitado entre os pastores, devido a uma disputa sobre a divisão de dinheiro doado à comunidade por um político, segundo o relatório de segurança.
A morte do líder dos pastores desencadeou "um ciclo de conflitos intercomunitários entre os dois grupos", acrescentou o documento.
O estado de Níger, conhecido por suas vastas reservas de ouro e considerado um importante polo de produção agrícola, tem sido aterrorizado por bandidos e militantes que realizam ataques letais e provocam o deslocamento de comunidades rurais.
Um mês após o início da estação chuvosa anual, que vai de junho a setembro, um grande número de agricultores não conseguiu acessar suas terras devido a ataques de bandidos e militantes, que exigem taxas elevadas dos produtores em troca de permissão para cultivar suas terras.
Agências internacionais de ajuda humanitária alertaram que o deslocamento de comunidades nas regiões norte e central do país representa um risco para a segurança alimentar da Nigéria.
Em seu boletim mais recente, divulgado nesta quinta-feira, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas alertou que a segurança alimentar na Nigéria está "se deteriorando mais rapidamente do que o previsto anteriormente".
O PMA informou que mais de 17 milhões de pessoas enfrentam níveis de fome classificados como "crise, emergência ou catástrofe" no norte da Nigéria. Segundo autoridades, a mineração ilegal — da qual militantes e bandidos tiram proveito — alimenta, em parte, a violência em algumas regiões da Nigéria.
As regiões noroeste e central da Nigéria registram frequentemente episódios de violência letal envolvendo a exploração de terras e recursos hídricos e confrontos entre comunidades de agricultores e pastores; tal situação tem se agravado nos últimos anos devido à pressão demográfica e às mudanças climáticas.



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