China exibe vídeo impressionante do míssil DF-17 na TV estatal em demonstração de força

 O míssil balístico chinês Dong Feng-17 provavelmente existe há mais de uma década, integrando discretamente o arsenal de armamentos cada vez mais modernos do Exército de Libertação Popular.


De repente, em junho, ele foi exibido pela primeira vez na mídia oficial chinesa — segundo analistas — e descrito como um dos principais ativos militares da China, enquanto legendas em inglês exaltavam suas capacidades em combate.

Especialistas afirmam que a transmissão é uma resposta a exercícios militares realizados por outros países na região da Ásia-Pacífico e visa alertar as forças armadas dos EUA de que os mísseis — conhecidos abreviadamente como DF-17 — têm capacidade para causar danos severos em qualquer conflito com a China.

"A divulgação do vídeo pode ser um sinal político ou uma forma de dissuasão moderada, pois é muito difícil se defender do DF-17, especialmente no caso de grandes alvos de superfície", disse Alexander Huang, presidente do Conselho de Estudos Estratégicos e de Simulação de Guerra (Council of Strategic and Wargaming Studies) em Taipei. "É uma grande ameaça para porta-aviões e outros navios de assalto."


Esses mísseis de médio alcance são equipados com um veículo planador hipersônico, o que significa que podem voar em altitudes mais baixas e em trajetórias imprevisíveis.

Os DF-17 existem há pelo menos 12 anos e estão à disposição do Exército de Libertação Popular desde 2019, segundo um relatório do *think tank* Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), sediado em Washington.

A divulgação de imagens do DF-17 na mídia chinesa coincide com a realização dos exercícios militares marítimos RIMPAC (Rim of the Pacific) de 2026, liderados pelos EUA perto do Havaí, e com os exercícios conjuntos entre EUA e Japão ocorridos no final de junho.

"Os outros exercícios foram bastante intensos e rigorosos, claramente voltados para possíveis ações chinesas", observou Huang.


Ao exibir os DF-17 após o RIMPAC, a China pretende sugerir que os mísseis conseguem escapar de interceptações e realizar "ataques de saturação" simultâneos, afirmou Chen Yi-fan, professor assistente do Departamento de Diplomacia e Relações Internacionais da Universidade Tamkang, em Taiwan. "Essa sinalização visa destacar a crescente confiança do Exército de Libertação Popular em sua capacidade de sobrecarregar os sistemas regionais de defesa antimísseis e complicar o planejamento operacional" de quaisquer adversários militares, disse Chen. Os mísseis, conforme demonstrado durante um exercício em um vídeo em inglês da CGTN — veículo de mídia estatal chinesa —, podem realizar ataques "ultraprecisos" e "penetrar sistemas de defesa avançados", segundo o vídeo. A CGTN afirmou que os mísseis podem ser utilizados sem a necessidade de locais de lançamento fixos e sob quaisquer condições climáticas. "Os lançamentos coordenados de salvas aumentam significativamente a eficiência do ataque e a segurança no campo de batalha, demonstrando os avanços da China em tecnologia militar", disse a CGTN. Um *think tank* dos EUA descreve os mísseis DF-17 como tendo 11 metros de comprimento e um alcance de 1.800 a 2.500 quilômetros. O órgão afirma que eles podem transportar ogivas convencionais ou nucleares. A China possui 1.300 mísseis e 300 lançadores. "Como um dos principais ativos estratégicos do Exército de Libertação Popular (ELP), o DF-17 provavelmente está reservado para os cenários de maior impacto, como uma intervenção militar estrangeira percebida como apoio à independência de Taiwan", disse Chen. Bases militares americanas no Havaí, em Guam e no Japão estão monitorando o aumento dos exercícios navais do ELP ao redor de Taiwan e as disputas de Pequim com as Filipinas no Mar do Sul da China. A China reivindica soberania sobre Taiwan — território que se autogoverna e é um aliado *de facto* dos EUA. A China e as Filipinas — aliada dos EUA por tratado — disputam a soberania sobre pequenas ilhotas no mar situado entre os dois países.

O veículo planador hipersônico do DF-17 conferiria aos mísseis uma vantagem em combate, disse M. Taylor Fravel, diretor do Programa de Estudos de Segurança do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). "Essa capacidade de manobra torna o míssil muito mais difícil de neutralizar do que um míssil balístico sem veículo planador hipersônico", disse Fravel. "Ele consegue penetrar defesas antimísseis com mais facilidade." Mísseis anteriores da série DF seguiam a trajetória tradicional de um míssil superfície-superfície, o que tornava sua rota de voo mais previsível do que a do DF-17, observou Huang. As forças dos EUA podem precisar expandir sua tecnologia de radar de longo alcance para detectar lançadores de DF-17 e responder preventivamente em caso de conflito, segundo analistas. Os EUA já estão desenvolvendo sistemas "semelhantes" ao DF-17, afirmou Fravel. Ele afirmou que isso inclui o sistema de mísseis hipersônicos de longo alcance do Exército dos EUA, bem como equipamentos capazes de neutralizar veículos planadores hipersônicos. Um sistema hipersônico de longo alcance é projetado para atingir alvos fortemente defendidos a milhares de milhas de distância.

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