Milícias anti-Hamas em Gaza parecem estar tomando medidas concretas e coordenadas para desestabilizar o grupo da resistência palestina, realizando ataques direcionados e expandindo suas operações em uma tentativa de enfraquecer o domínio do Hamas sobre o território.
No último fim de semana, o grupo armado Forças Populares capturou o comandante do Hamas, Adham al-Akar, em Rafah, território controlado por Israel, no sul de Gaza. As forças das milícias intensificam os esforços para conter a influência do grupo e impedir que ele retome o controle do enclave devastado pela guerra. Em um vídeo divulgado nas redes sociais após a operação, o líder da milícia, Ghassan al-Duhaini, aparece com Akar, enviando um aviso ao grupo palestino de que seus combatentes serão “punidos como as vítimas da Inquisição Espanhola”. Após uma operação bem-sucedida no sul de Gaza, as Forças Populares entregaram Akar às autoridades israelenses, informou a emissora israelense Kan News.
Segundo Joe Truzman, analista sênior de pesquisa da Fundação para a Defesa das Democracias (FDD), um think tank com sede em Washington, DC, este último desenvolvimento se soma às crescentes evidências de que as milícias estão realizando operações ofensivas contra o Hamas, enquanto buscam expandir sua influência no território. “Foi apenas nos últimos meses que começamos a observar essas milícias realizando ataques ativos contra o Hamas”, disse Truzman ao The Algemeiner. “Estamos vendo evidências crescentes de que elas estão ativamente atacando o Hamas, visando tanto membros quanto a alta liderança, com algum sucesso.”
No mês passado, Hussam al-Astal, líder da Força de Ataque Antiterrorista – outra importante milícia anti-Hamas com base em Khan Younis, uma cidade no sul de Gaza – reivindicou a responsabilidade pelo assassinato de Mahmoud al-Astal, chefe da unidade de polícia criminal da cidade e membro sênior do Hamas. O grupo também assumiu a responsabilidade por uma operação ofensiva na área de Abu al-Saber, no campo de Shaboura, em Rafah, que deixou dois membros do Hamas mortos e um terceiro sob custódia. Mesmo com sucessos notáveis contra o grupo terrorista palestino, Truzman alertou que essas milícias podem enfrentar desafios estratégicos significativos em um futuro próximo. “Minha preocupação é como elas se sairão além de suas áreas de operação atuais. Até agora, não vi nenhum indício de que essas milícias estejam entrando em território controlado pelo Hamas”, disse Truzman ao The Algemeiner. “No fim das contas, elas estão progredindo, mas será o suficiente para derrubar o Hamas? Não dessa forma”, continuou. “Elas precisam de muito mais apoio — dinheiro, armas e combatentes — para causar um impacto real contra o Hamas. Estou cético, mas vejo que elas estão progredindo.”
Com a região se preparando para implementar a segunda fase do plano de paz para Gaza do presidente dos EUA, Donald Trump, espera-se que as Forças de Defesa de Israel (IDF) se retirem lentamente de suas posições atuais se o Hamas cumprir suas obrigações de desarmar-se — uma medida que o grupo terrorista se recusou repetidamente a tomar. O Azerbaijão não pretende enviar forças de paz para Gaza. Truzman argumentou que tais retiradas israelenses deixariam as milícias anti-Hamas — que operam atualmente em áreas controladas por Israel — em desvantagem estratégica. “Na minha opinião, essas milícias conseguem sobreviver porque operam sob a proteção das Forças de Defesa de Israel (IDF), direta ou indiretamente”, disse Truzman ao The Algemeiner. No entanto, Truzman alertou que essa força não se concentrará em apoiar as milícias anti-Hamas, o que acabará por minar sua posição e torná-las mais vulneráveis à violência do grupo terrorista. “A situação permitirá que o Hamas e seus aliados operem livremente em território onde antes eram restringidos pelo acordo de cessar-fogo e pela presença das IDF”, disse Truzman. “Isso dá ao Hamas e a outros grupos terroristas a vantagem necessária para atacar essas milícias”, continuou. Contudo, o analista também expressou ceticismo sobre como o cessar-fogo entre Israel e Hamas se desenrolará, observando que muito depende do desarmamento do Hamas, que é crucial para as milícias e sua proteção contra ataques. “Não acredito que o Hamas vá entregar suas armas de forma significativa”, disse Truzman ao The Algemeiner. “E se não o fizerem, as Forças de Defesa de Israel (IDF) podem acabar permanecendo em suas posições atuais, o que, na verdade, beneficiaria essas milícias, dando-lhes a cobertura necessária para continuarem lutando contra o Hamas”, acrescentou. Alguns especialistas chegaram a sugerir a possibilidade de esses grupos se juntarem às Forças de Segurança Israelenses (ISF) em um cenário pós-guerra em Gaza, integrando-os à força e potencialmente lhes dando a proteção necessária contra o Hamas e sua brutal repressão à dissidência.


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