O Parque do Flamengo, um dos maiores e mais belos complexos de lazer do Rio de Janeiro, é famoso por suas pistas de corrida, áreas verdes projetadas por Burle Marx e a vista incrível da Baía de Guanabara. No entanto, por ser um extenso ecossistema urbano que conecta a vegetação à orla marítima, ele também abriga uma fauna rica e, às vezes, um tanto quanto assustadora.
Se você costuma caminhar, correr ou fazer piqueniques por lá, existem alguns inquilinos selvagens que merecem sua atenção. Abaixo, explicamos os perigos e mitos sobre três animais que você não gostaria de encontrar no parque, e por que a melhor estratégia é sempre evitá-los.
1. Lacraia-vermelha-grande
As lacraias (ou centopeias) adoram ambientes úmidos e escuros, escondendo-se sob troncos, pedras e folhas secas acumuladas nos canteiros do parque. A espécie lacraia-vermelha-grande chama a atenção pelo tamanho intimidador e pela agilidade.
O perigo real: Elas são animais peçonhentos. O veneno é injetado por meio de duas garras afiadas localizadas perto da cabeça. Embora o veneno não seja letal para os seres humanos, a picada causa uma dor aguda instantânea e muito forte, acompanhada de inchaço e vermelhidão locais. Em pessoas mais sensíveis, podem surgir febre e calafrios.
Por que evitar: São bichos rápidos e agressivos quando acuados. Se vir uma, afaste-se. Nunca tente mexer nelas ou pisar descalço perto de folhagens secas.
2. Ratazanas (mesmo durante o dia)
Encontrar ratos em grandes metrópoles infelizmente é comum, mas cruzar com ratazanas circulando livremente à luz do dia no Parque do Flamengo é um sinal de alerta. Ratos têm hábitos predominantemente noturnos; vê-los de dia geralmente indica superpopulação ou escassez de alimentos.
O perigo real: O maior risco associado às ratazanas não é a mordida, mas a transmissão de doenças graves. A mais preocupante em áreas urbanas é a leptospirose, transmitida pela urina do animal que contamina a água ou o solo úmido (especialmente perigoso após chuvas). Além disso, elas podem transmitir infecções por meio de suas fezes e pulgas.
Por que evitar: O lixo deixado por frequentadores e restos de piqueniques atrai esses roedores. Se encontrar uma ratazana, mude de caminho. Evite andar descalço nos gramados e nunca consuma alimentos que tenham caído no chão do parque.
3. Cobra-de-Capim (Erythrolamprus poecilogyrus)
Se você avistar uma serpente com o dorso verde e o ventre amarelo deslizando pela vegetação do parque, muito provavelmente estará diante da Erythrolamprus poecilogyrus, popularmente conhecida como cobra-de-capim. Embora o encontro com qualquer serpente possa causar um grande susto, esta espécie é cercada de mitos.
O perigo real: A cobra-de-capim é totalmente não peçonhenta e inofensiva para os seres humanos. Ela não possui dentes capazes de injetar veneno. Quando adulta, ela tende a medir cerca de 70 centímetros de comprimento (com a cauda correspondendo a uma pequena fração desse tamanho) e tem hábitos terrestres, alimentando-se principalmente de pequenos anfíbios.
Distribuição e habitat: É uma espécie nativa muito comum, encontrada desde o leste dos Andes até quase toda a América do Sul. No Rio de Janeiro, ela se adapta muito bem a áreas abertas e gramados úmidos, justamente o ambiente que encontra no Aterro.
Por que evitar: Embora seja dócil, ela pode tentar se defender ou dar pequenos botes se for pisada ou manipulada por engano. Como muitas vezes é confundida por leigos com cobras perigosas, o melhor é não mexer com ela.
4. Aranha-Caranguejeira Urbana (Vitalius spp.)
As caranguejeiras (ou tarântulas) são as maiores aranhas encontradas no Brasil. Apesar do tamanho avantajado e do corpo coberto de pelos, que costumam causar pânico imediato, a caranguejeira urbana é uma vizinha pacífica.
O perigo real: O veneno da caranguejeira brasileira não tem importância médica, ou seja, é fraco e inofensivo para humanos. O verdadeiro incômodo está em sua defesa secundária: quando ameaçada, ela raspa as pernas traseiras no abdômen para lançar pelos urticantes no ar. Esses pelos causam forte coceira, irritação na pele e podem ser perigosos se entrarem em contato com os olhos ou forem respirados.
Por que evitar: Elas costumam ficar entocadas e só saem para caçar insetos ou procurar parceiros. Não há motivo para matá-las; basta manter a distância para evitar a dispersão dos pelos irritantes.
5. Aranha-Lobo Marrom (Lycosa erythrognatha)
Também conhecida como aranha-de-jardim ou aranha-de-grama, a aranha-lobo marrom adora viver exatamente no tipo de ambiente que o Aterro oferece: gramados abertos e áreas ensolaradas. Ela tem tamanho médio (cerca de 5 cm), cor acinzentada ou marrom e uma marca escura em formato de seta ou "festa" no abdômen.
O perigo real: Ela caça ativamente correndo pela grama em vez de construir teias aéreas. Seu veneno também não é considerado de importância médica. Caso ocorra uma picada — que geralmente parece uma fisgada dolorosa —, os sintomas costumam ser leves, resumindo-se a vermelhidão, coceira e um pequeno inchaço local.
Por que evitar: Como elas ficam camufladas no capim, os acidentes acontecem quando as pessoas sentam na grama ou andam descalças e acabam pressionando a aranha. Usar uma canga ou esteira ao sentar no parque resolve a maioria dos problemas.
O que fazer se encontrar um desses animais?
Mantenha a distância: Nenhum desses animais costuma atacar humanos sem motivo; os acidentes acontecem quando eles se sentem encurralados ou são pisados acidentalmente.
Não tente matar ou capturar: Matar animais silvestres é crime ambiental. Além disso, tentar golpear uma lacraia ou uma aranha aumenta drasticamente as chances de provocar uma reação defensiva.
Sinalize às autoridades: Se encontrar um animal ferido, fora de seu habitat ou oferecendo risco imediato em áreas de grande circulação, acione a Patrulha Ambiental ou os órgãos de proteção do município.
O Parque do Flamengo é a casa deles tanto quanto é a nossa área de lazer. Respeitar o espaço da vida selvagem garante a segurança de todos e a preservação do meio ambiente urbano!





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