"Este é o primeiro drone", disse o soldado que nos acompanhava no sudoeste do Iêmen. "Geralmente, ele é seguido por um ataque."
O zumbido acima de nós ficou mais alto enquanto buscávamos abrigo sob os arbustos, antes de voltarmos para o veículo e partirmos.
Cerca de 10 minutos depois, ouviram-se fortes estrondos de ataques, um após o outro, embora não estivesse claro onde haviam caído.
É difícil determinar onde começa a linha de frente nas montanhas a sudoeste da cidade de Taiz.
Forças pró-governo apoiadas pela Arábia Saudita lutam para repelir os combatentes Houthis, que avançaram pela costa do Mar Vermelho no início deste mês, assumindo o controle de um ponto estratégico para a navegação e intensificando a guerra civil no Iêmen.
Viajamos com as forças governamentais saindo de Taiz, passando por postos de controle até a linha onde termina o domínio delas e começa a "terra de ninguém", para ver o combate de perto. Casas estão espalhadas pelas encostas, mas muitas permanecem abandonadas depois que as famílias fugiram para escapar dos confrontos.
Há um silêncio inquietante; não se ouve o som dos carros ou motocicletas que passam continuamente em alta velocidade pela cidade. Tudo o que se escuta é o balido do gado e o som de disparos de artilharia e tiros.
"Dois morteiros caíram aqui na minha propriedade", disse Ali, sentado do lado de fora de casa com um rebanho de cabras, a cerca de 1 km da linha de frente.
Ele me contou que havia enviado os filhos para um campo de deslocados porque eles não suportavam mais os bombardeios e os tiros. Ele permaneceu com a esposa e as irmãs para cuidar dos animais.
"Estou apavorado", disse ele, "mas não tenho escolha; sem nossos animais, todos passaremos fome e morreremos de qualquer maneira."
Ele informou apenas o primeiro nome, temendo represálias caso os Houthis tomem a área nos próximos dias. Fontes do lado Houthi nos disseram que eles estão concentrando tropas e preparando uma grande ofensiva. Quando questionamos as forças governamentais sobre isso, elas disseram estar cientes e também se preparando. No posto de controle mais próximo da linha de frente, encontramos alguns combatentes que haviam acabado de retornar de posições no alto da montanha, a apenas algumas centenas de metros do avanço dos Houthis. Um deles disse que os corpos de 18 soldados do governo estavam em uma área que sua unidade conseguia atingir com disparos, mas não alcançar fisicamente. "Atiramos por cima deles, mas não conseguimos resgatá-los", disse ele.
Os combates nos arredores de Taiz se intensificaram desde que os Houthis tomaram o porto estratégico de Mokha, no Mar Vermelho — situado a 85 km a oeste da cidade —, em 10 de setembro, após o colapso de um cessar-fogo que havia sido amplamente respeitado por quatro anos. O grupo assumiu o controle de uma vasta área com vista para o estratégico Estreito de Bab al-Mandab, um corredor marítimo crucial que liga a Europa à Ásia. Isso contribuiu para a alta dos preços do petróleo, em meio a temores de novas interrupções no abastecimento proveniente da região.
Taiz é a terceira maior cidade do Iêmen e sua capital cultural, abrigando cerca de um milhão de habitantes. A cidade situa-se em um entroncamento vital entre as áreas controladas pelos Houthis, no norte do Iêmen, e aquelas sob controle do governo, no sul — estando cercada por linhas de frente em várias direções.
As forças governamentais controlam o centro de Taiz, enquanto as posições Houthis situam-se ao norte e a leste. Os combates mais intensos recentemente ocorreram nas vias de acesso a oeste, onde os dois lados disputam posições elevadas que dominam a rota da cidade em direção ao sul. Se os Houthis garantirem o controle dessas áreas, as forças governamentais poderão enfrentar muito mais dificuldade para retomar Mokha.
Viajamos para Taiz partindo de Aden, no sul, onde estão sediados o governo e o Conselho de Liderança Presidencial do Iêmen, reconhecido internacionalmente.
Cerca de 30 postos de controle ao longo do trajeto demarcavam trechos da estrada controlados por diferentes comandantes — um sinal claro da fragmentação das forças que combatem ao lado do governo.
À medida que nos aproximávamos da cidade, começamos a cruzar com ambulâncias. Contamos pelo menos cinco em um intervalo de meia hora, todas a caminho do principal hospital de Taiz. Ficou evidente que estávamos entrando em uma cidade que era palco de uma batalha brutal.
Chegamos depois de escurecer. As lojas estavam iluminadas, os restaurantes, lotados, e crianças brincavam nas ruas. Mas, de tempos em tempos, outros sons rompiam o silêncio: o estrondo de bombardeios e o estampido de tiros vindos das montanhas ao redor da cidade.
Taiz tem sido um importante palco de batalhas na devastadora guerra civil do país. Após expulsarem o governo de Sanaa em 2015, os houthis tentaram assumir também o controle de Taiz, mas foram expulsos da maior parte da cidade por milicianos locais.
Agora, em sua ofensiva mais recente, os houthis estão fazendo amplo uso de drones, além de outras armas.
Seu principal fornecedor externo é o Irã, que tem fornecido armas, financiamento e assessoria militar, segundo a Arábia Saudita, países ocidentais e especialistas da ONU. O Irã, no entanto, já negou anteriormente o fornecimento de armas aos houthis, afirmando que apenas os apoia politicamente.
Há relatos persistentes, ao longo de muitos anos, de que os houthis recrutam crianças-soldado, e um soldado do governo nos contou que as enfrentou na linha de frente.
"É difícil olhar para uma criança iemenita e atirar nela. Mas elas estão apontando a arma para você, e você precisa se defender", disse ele.
Os houthis assinaram um "plano de ação" com a ONU em 2022, comprometendo-se a acabar com essa prática. A BBC também conversou com adolescentes que servem nas forças governamentais.
Enquanto isso, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita apoia o governo iemenita e lhe fornece armas. As forças militares sauditas realizaram centenas de ataques aéreos contra posições houthis na costa do Mar Vermelho, ao passo que os houthis lançaram drones e mísseis contra cidades e infraestruturas no sudoeste da Arábia Saudita.
À noite, no hospital al-Thawra, em Taiz, feridos vindos das linhas de frente eram levados para uma unidade de terapia intensiva onde todos os leitos que vimos estavam ocupados.
Alguns pacientes eram combatentes; outros, civis. Ghana Nabeel, de 12 anos, pastoreava cabras quando estilhaços atingiram sua cabeça. Sua família relatou que um morteiro disparado pelos Houthis havia caído nas proximidades.
Ela estava inconsciente, com a cabeça enfaixada e o rosto inchado e com hematomas. Sua família aguardava ao lado de sua cama para saber como seria sua vida caso ela despertasse.
Um médico me disse que o ferimento havia causado danos cerebrais. "Ela nunca mais será a mesma", afirmou.
Cerca de 20 km ao sul de Taiz, no campo de deslocados de al-Monig, famílias que haviam fugido de Mokha e de vilarejos atingidos pelos combates chegavam ao local, onde se viam centenas de tendas.
Fomos informados de que 200 famílias haviam chegado nos últimos 10 dias.
Maryam Saleh — nome fictício — havia chegado uma semana antes, vinda de Mokha com o marido e cinco filhos. O mais novo tem sete anos. Maryam estava sentada, trançando um chapéu para vender e assim comprar comida para o dia.
"Caminhamos descalços e não levamos nada conosco, apenas nossos filhos", ela me contou.
Seu sobrinho foi morto por estilhaços de um morteiro enquanto fugiam, disse ela. Ele caminhava logo atrás dela. Ela descreveu confrontos e disparos de franco-atiradores tanto à frente quanto atrás da família, e relatou ter visto homens armados na montanha.
"Achamos que era o nosso fim", disse ela. As crianças gritavam e choravam, mas a família continuou caminhando, acrescentou.
Fatma Mohammed Saleh estava deitada sobre um saco de arroz vazio, do lado de fora da barraca de outra família. Ela tem uma deficiência que a impede de andar e me disse que não tinha um lugar próprio para dormir: "Não tenho nada... nem abrigo, nem colchão, nem família. Nada."
Fatma contou que estava com seus dois filhos e os netos quando os combates chegaram à sua aldeia. Mas, como ela os atrasava, disse para eles levarem as crianças e fugirem.
Ela passou os dois dias seguintes se arrastando de mãos e joelhos, relatou.
"Eu estava me arrastando enquanto as balas vinham de um lado e os projéteis caíam de outro. Balas aqui, projéteis ali. E, acima de mim, o barulho era como um trovão. Eu rezava a Deus."
Um homem em uma motocicleta a viu e a levou para o campo de refugiados, disse ela. Desde então, não viu mais sua família.
Em 22 de setembro, a agência da ONU para refugiados informou que mais de 130 mil pessoas haviam sido deslocadas no Iêmen apenas naquele mês, somando-se aos 5,2 milhões já deslocados pela guerra civil.
A agência alertou que outras 100 mil pessoas poderiam — assim como Fatma — ser forçadas a deixar suas casas nos próximos três meses.




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