Sirenes de ataque aéreo soaram e as ruas ficaram desertas em Taipei, capital de Taiwan, nesta quinta-feira, durante os exercícios anuais de defesa aérea. A ação incluiu uma medida deliberada do governo de limitar o acesso à internet móvel para simular o que poderia ocorrer em caso de um ataque chinês.
Taiwan, território que a China reivindica como seu, está chegando ao fim de seus exercícios militares anuais "Han Kuang", com duração de 10 dias; neles, as forças armadas treinaram o combate a uma invasão chinesa e o governo realizou exercícios de defesa civil.
Na segunda-feira, o governo realizou seu primeiro exercício de redução deliberada da velocidade ("throttling") da internet móvel na região central de Taiwan, repetindo a ação na parte norte da ilha na tarde de quinta-feira.
Durante os 30 minutos de duração, a velocidade da internet móvel caiu drasticamente, embora a internet fixa e o Wi-Fi não tenham sido afetados. O governo havia anunciado os exercícios com bastante antecedência.
A polícia orientou as pessoas a saírem das ruas e buscarem abrigo em locais fechados durante a simulação de ataque aéreo, enquanto ônibus e carros encostavam no acostamento.
Amy Lin, de 33 anos, disse não ter se preocupado muito com o exercício, já que estava ciente dele com antecedência.
"Acho que, se realmente houvesse uma guerra, poderia ser assim mesmo: uma situação de ficar absolutamente sem internet", disse ela, falando de um shopping subterrâneo em Taipei.
DIPLOMATAS ACOMPANHAM O PRESIDENTE
Mais cedo, o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, visitou um estacionamento subterrâneo em um hospital na cidade vizinha de Nova Taipei — convertido em ala de emergência — e um supermercado, para verificar como seriam distribuídos os suprimentos em uma situação de emergência.
Lai estava acompanhado por diplomatas estrangeiros de alto escalão sediados em Taiwan, incluindo os representantes diplomáticos *de facto* dos EUA, de Israel e do Canadá. Taiwan tem buscado aprender com Israel sobre suas operações de defesa civil.
"Não estamos enfrentando mudanças geopolíticas regionais sozinhos, mas sim contando com a preocupação compartilhada e os esforços conjuntos da comunidade internacional", disse Lai no supermercado, referindo-se à presença dos diplomatas.
O governo democraticamente eleito de Taiwan rejeita as reivindicações de soberania de Pequim.
EXERCÍCIO NAVAL CONTRA BLOQUEIO
As etapas militares dos exercícios também continuaram. Na quarta-feira, as forças armadas realizaram um exercício de combate a bloqueios durante manobras militares anuais, utilizando a Marinha e a Guarda Costeira para simular a escolta de um navio mercante.
Taiwan teme há muito tempo que Pequim possa tentar isolar a ilha por meio de um bloqueio ou quarentena para forçá-la a se render.
Em junho, a China iniciou o que chama de patrulhas de "aplicação da lei" na costa leste de Taiwan, provocando a indignação de Taipé e gerando preocupação em Washington e em outras capitais ocidentais.
A Marinha atuou em conjunto com embarcações da Guarda Costeira para cumprir as tarefas de escolta e segurança, enquanto um navio varredor de minas abria um canal de navegação seguro e conduzia o navio mercante simulado até o porto, informou o Ministério da Defesa de Taiwan em comunicado.
A Guarda Costeira de Taiwan — que desempenharia um papel de apoio à Marinha em caso de guerra — afirmou que o exercício ocorreu na quarta-feira e que os portos para onde o navio foi levado situam-se na costa leste.
A instituição declarou que essa foi a primeira vez que atuou em conjunto com a Marinha na realização de um exercício de combate a bloqueios.



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