Confrontos entre gangues no Haiti deixam pelo menos 78 mortos nos subúrbios de Porto Príncipe


 Confrontos entre gangues nos subúrbios da capital haitiana deixaram pelo menos 78 mortos desde sábado, incluindo 10 civis, segundo um balanço provisório divulgado nesta quinta-feira à AFP pelo Escritório das Nações Unidas no Haiti (BINUH).

"Confrontos armados entre diversas gangues nas comunas de Cité Soleil e Croix-des-Bouquets deixaram pelo menos 78 mortos e 66 feridos desde 9 de maio", disse o BINUH, acrescentando que entre as vítimas fatais estão 10 "membros da população (cinco homens, quatro mulheres e uma menina)".


O Haiti, o país mais pobre do Caribe, é assolado pela violência de gangues. A situação tem se deteriorado constantemente nos últimos dois anos.

A violência desde o fim de semana deslocou cerca de 5.300 pessoas. Diversas famílias ainda estão presas nos bairros afetados, informou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, citando organizações humanitárias locais. Leia mais: ONU afirma que expansão de gangues poderosas no Haiti foi interrompida, mas ameaça persiste

Um hospital e uma unidade dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) foram obrigados a suspender as operações e evacuar suas equipes.


Antes da evacuação, os Médicos Sem Fronteiras relataram que 40 vítimas de tiros foram atendidas no hospital em menos de 12 horas. As mesmas duas comunas na região metropolitana de Porto Príncipe registraram surtos de violência em março e abril, que deslocaram quase 8.000 pessoas, segundo a ONU. A BINUH informou na quinta-feira que, entre 5 de março e 11 de maio, pelo menos 305 pessoas foram mortas e 277 ficaram feridas em Cité Soleil e Croix-des-Bouquets.

Das vítimas fatais, 63 eram moradores – incluindo 17 mulheres e 13 crianças – enquanto as demais eram membros de gangues. Uma nova força multinacional de combate a gangues está sendo enviada ao Haiti para substituir a Missão Multinacional de Apoio à Polícia Haitiana, que é mal equipada e subfinanciada. Mas até agora, apenas um contingente de 400 soldados chadianos chegou a Porto Príncipe. A nova força anunciou na quinta-feira a chegada de seu comandante, o general mongol Erdenebat Batsuuri.

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