Acompanhamento dos recentes ataques dos EUA e Israel contra a infraestrutura iraniana


O presidente Donald Trump prometeu atacar a infraestrutura em todo o Irã, a menos que o país chegue a um acordo "aceitável" para encerrar a guerra com os EUA e Israel até a noite de terça-feira.

Prometendo bombardear o país "de volta à Idade da Pedra", Trump disse que as forças americanas atacariam pontes e usinas de energia em todo o Irã. Ele também publicou nas redes sociais na terça-feira que "toda uma civilização morrerá esta noite" se um acordo não for firmado.

Houve uma série de ataques contra infraestrutura essencial para os iranianos comuns desde o início do conflito, com escolas e hospitais danificados.

A BBC Verify confirmou que ataques dos EUA e de Israel atingiram pelo menos duas siderúrgicas, três pontes e uma fábrica farmacêutica nas últimas duas semanas.

Alguns democratas de alto escalão no Congresso dos EUA e funcionários da ONU alertaram que ataques como esses poderiam configurar crimes de guerra. Mas, em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, Trump descartou essas preocupações.

Que infraestrutura civil foi atingida pelos ataques?


Na quinta-feira, aviões americanos atacaram uma ponte que estava em construção na cidade de Karaj, na região central do país. Autoridades locais disseram que o ataque matou pelo menos 13 pessoas.

Imagens confirmadas pela BBC Verify mostraram pelo menos dois impactos na ponte. Uma grande abertura na ponte pode ser vista após o ataque, com guindastes de construção visíveis em ambos os lados.

Mais tarde, Trump compartilhou imagens do ataque online, escrevendo que "a maior ponte do Irã desabou e nunca mais será usada", acrescentando: "Muito mais por vir".

Diversas instalações siderúrgicas também foram alvo dos ataques. Em 27 de março, imagens verificadas mostraram fumaça saindo da siderúrgica Isfahan Mobarakeh Steel, forçando os trabalhadores a suspenderem as operações. A usina - a maior fabricante de aço do Irã - exportou cerca de US$ 860 milhões (R$ 649 milhões) entre março de 2025 e janeiro de 2026, de acordo com informações da própria empresa.

Imagens de satélite também mostraram danos na Khuzestan Steel Company - a segunda maior fabricante do país. Autoridades locais disseram que a reparação dos danos causados ​​à usina pelos ataques pode levar até um ano.


O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que os ataques interromperam até 70% da capacidade de produção de aço do Irã. Arman Mahmoudian, pesquisador do Instituto de Segurança Global e Nacional da Universidade do Sul da Flórida, afirmou que os danos podem impactar seriamente a economia iraniana.

"O aço é um pilar da capacidade econômica não petrolífera do Irã", disse ele. "Se os ataques israelenses de fato desmantelaram cerca de 70% da capacidade de produção de aço do Irã, isso colocaria quase 20 milhões de toneladas de produção em risco, afetando potencialmente cerca de 3 a 3,5% do PIB iraniano."

Mahmoudian também observou que ataques à indústria farmacêutica iraniana podem representar grandes problemas para o sistema de saúde. Em 31 de março, um porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF) disse que realizaram um ataque à Tofigh Daru Research & Engineering Company - uma das maiores empresas farmacêuticas do Irã, que produz anestésicos e medicamentos para o câncer.


As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram em um comunicado que realizaram o ataque e alegaram que a empresa havia transferido "substâncias químicas, incluindo fentanil, que eram usadas para pesquisa e desenvolvimento de armas químicas". A BBC não pode verificar essa alegação de forma independente.

Embora os produtos farmacêuticos representem apenas uma pequena parte da economia do Irã, Mahmoudian observou que os ataques contra o setor podem afetar o acesso a medicamentos em um momento de necessidade e prejudicar a "independência médica" de Teerã. A mídia iraniana já afirmou que mais de 90% dos produtos farmacêuticos são produzidos internamente, mas o BBC Verify não pode confirmar essa informação.

Instalações educacionais foram gravemente danificadas em ataques recentes, conforme sugerem imagens e vídeos verificados. No sábado, imagens mostraram destroços ao redor da Universidade Shahid Beheshti, em Teerã, e partes do prédio foram destruídas após um suposto ataque.

Imagens também mostraram danos na Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerã, na segunda-feira, após ataques à capital.

Prédios religiosos também foram atingidos. Na cidade de Zanjan, na região central do país, um ataque destruiu partes da Mesquita Husseinya, como mostram as fotos. Autoridades locais informaram que duas pessoas morreram no ataque, que destruiu uma clínica e uma biblioteca dentro do complexo.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) também afirmaram na terça-feira que bombardearam 10 partes "chave" da ferrovia iraniana. Imagens verificadas da vila de Aminabad, no centro do Irã, mostraram uma ponte ferroviária desabada, supostamente devido aos ataques.

Outro vídeo publicado pelo Crescente Vermelho Iraniano, e que verificamos, mostra paramédicos carregando um homem ferido para longe de uma linha férrea perto de Karaj. Não está claro o que causou seus ferimentos.

Um ferroviário em Teerã, que falou com a BBC, expressou frustração com os ataques às linhas. "Estou muito irritado", disse o trabalhador. "Tudo está desmoronando."

Os ataques ocorreram depois que as IDF alertaram os iranianos na manhã de terça-feira para que não viajassem. Em uma publicação em farsi nas redes sociais, as IDF alertaram os civis de que sua "presença em trens e perto de linhas férreas coloca sua vida em perigo".

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