Redes criminosas perigosas ligadas a Marrocos alimentam o tráfico de drogas e armas no sul da Espanha

 


Uma investigação da imprensa espanhola revelou a existência de perigosas redes criminosas que fornecem armas de guerra a traficantes de drogas no sul da Espanha, destacando o papel da máfia marroquina que controla a “rota das armas” para a Andaluzia. A investigação, publicada na segunda-feira pelo jornal El Español sob o título “Máfias marroquinas inundam o Guadalquivir e a Costa del Sol com AK-47: Esta é a 'rota das armas' que abastece os traficantes de drogas”, descreve como diversas redes criminosas internacionais fornecem armas de guerra a traficantes de drogas que operam ao longo do rio Guadalquivir e na Costa del Sol, especialmente fuzis de assalto AK-47. Segundo fontes próximas aos serviços de segurança espanhóis, citadas pela imprensa e consultadas pela agência de notícias APS, essas armas têm como objetivo fortalecer o poder de clãs envolvidos no tráfico de drogas, especialmente aqueles que controlam as rotas de haxixe proveniente de Marrocos e de cocaína destinada ao mercado europeu. Citando altos funcionários, o jornal espanhol indica que o mercado negro de armas “há muito tempo é controlado por clãs e máfias marroquinas que operam em cidades francesas”.



“Os franceses têm boas conexões e uma boa relação de trabalho com Marrocos. Ambas as organizações estão bem posicionadas, com contatos na Turquia e em países do Leste Europeu”, afirmaram funcionários do Ministério do Interior. As autoridades espanholas observam uma crescente militarização desses grupos criminosos, que agora possuem armas incomuns em redes locais de narcotráfico, como AK-47, AR-15, submetralhadoras Uzi e Skorpion, armas de fogo, granadas e até drones provenientes de zonas de guerra recentes. Investigações das forças de segurança espanholas indicam a existência de uma verdadeira “rota das armas”. No centro dessa rede está Marrocos, que desempenha um papel fundamental no tráfico de drogas para a Europa. Segundo a investigação, algumas máfias que operam a partir de Marrocos participam da organização dessas rotas criminosas, atuando como intermediárias entre fornecedores internacionais de armas e organizações de narcotráfico sediadas na Andaluzia.



Essas armas, muitas vezes originárias de circuitos ilegais, zonas de conflito ou antigos arsenais militares, são transportadas por diversos países antes de chegarem às redes ativas entre Marrocos e Espanha. Uma vez em território espanhol, são utilizadas para proteger comboios de droga, assegurar armazéns clandestinos ou intimidar as forças de segurança e grupos rivais.



De acordo com os serviços de inteligência espanhóis (Polícia Nacional, Guarda Civil, CITCO), "a presença de armas de guerra já não é marginal: armamento pesado é apreendido em quase todas as operações antidrogas, e mais de 50 armas longas foram confiscadas em menos de seis meses". A situação preocupa particularmente as autoridades espanholas, que observam um aumento da violência em certas áreas da região. A presença de armas de guerra nas mãos de narcotraficantes aumenta o risco de confrontos entre clãs rivais e de ataques contra as forças de segurança. Localizada perto do Estreito de Gibraltar, a Andaluzia continua a ser um dos principais pontos de entrada de drogas na Europa.

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