Ataque com drone contra base italiana: nova fase da pressão de milícias apoiadas pelo Irã no Iraque


Um ataque com drone contra uma base militar italiana no Curdistão iraquiano destaca o crescente impacto do confronto entre Irã, EUA e Israel em toda a região. À medida que os ataques se multiplicam no Iraque, Teerã e suas milícias aliadas podem estar testando a presença militar ocidental no Oriente Médio.

O gatilho: Um ataque com drone durante a madrugada atingiu o Campo Singara, a instalação militar italiana localizada dentro do complexo militar do Aeroporto Internacional de Erbil, no Curdistão iraquiano. Nenhum militar italiano ficou ferido, embora o drone tenha destruído um veículo de logística e causado danos limitados à infraestrutura. As tropas italianas haviam se abrigado em bunkers após receberem um alerta de ataque aéreo, segundo o Coronel Stefano Pizzotti, comandante do contingente italiano. “Estamos preparados e treinados para lidar com situações como essa, e a segurança de nosso pessoal é sempre nossa principal prioridade”, disse Pizzotti. A base abriga 141 soldados italianos, cuja principal função é treinar as forças de segurança curdas como parte da missão da coalizão liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico (Operação Resolução Inerente).


Um ataque deliberado. O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, disse que o ataque pareceu deliberado e observou que a instalação opera no âmbito da missão da coalizão Operação Resolução Inerente, que envolve parceiros da OTAN.

"Essa é uma base da OTAN dentro da Operação Resolução Inerente, portanto, também é uma base americana", disse Crosetto à emissora italiana RAI. O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, disse que a origem do drone permanece incerta, mas acrescentou que provavelmente foi obra de milícias pró-Irã baseadas no Iraque. O incidente ocorreu em um momento em que as tensões em toda a região continuam a aumentar após a guerra iniciada há quase duas semanas pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Testando o perímetro da OTAN. O ataque em Erbil se encaixa em um padrão mais amplo, sugerindo que o confronto com o Irã está começando a afetar a infraestrutura militar ocidental além do campo de batalha imediato. Nos últimos dias, incidentes afetaram instalações ligadas a membros da OTAN em toda a região.


Drones iranianos atacaram a base aérea britânica da RAF Akrotiri, no Chipre, um dos centros militares mais importantes do Reino Unido no exterior e um nó crucial para as operações ocidentais no Oriente Médio.

Em outro episódio que destaca os riscos de escalada, um míssil lançado do Irã em direção à Turquia — membro da OTAN — foi interceptado pelas defesas aéreas antes de atingir seu alvo. O Iraque também abriga a Missão da OTAN no Iraque, uma missão de treinamento e assessoria coordenada pelo Comando Conjunto da Força da OTAN em Nápoles. Em conjunto, esses acontecimentos sugerem que, embora a OTAN como aliança não esteja envolvida no conflito, a rede de bases e implantações ocidentais em toda a região está cada vez mais exposta aos seus efeitos colaterais. Em detalhe: Iraque. O Iraque está particularmente exposto à escalada regional. Há muito tempo um campo de batalha indireto entre Washington e Teerã, o país abriga forças americanas e da coalizão, uma importante infraestrutura energética e poderosas milícias alinhadas ao Irã. Essa combinação está transformando o país em uma frente de guerra cada vez maior. Nos últimos dias, ataques com drones atingiram aeroportos, infraestrutura petrolífera e instalações militares de Basra a Erbil — incluindo o centro da coalizão que abriga o Campo Singara, a instalação italiana atingida esta semana. O ministro das Relações Exteriores iraquiano, Fuad Hussein, alertou que o país está sendo arrastado cada vez mais para o conflito, enfrentando pressão de ambos os lados.

mísseis da Harakat Hezbollah al‑Nujaba

As milícias: Grande parte dessa pressão vem de milícias xiitas ligadas à Guarda Revolucionária do Irã, muitas delas operando sob o nome de "Resistência Islâmica no Iraque", incluindo o Kataib Hezbollah e o Harakat Hezbollah al-Nujaba
Formalmente integrados às Forças de Mobilização Popular do Iraque, seus combatentes recebem salários do Estado, mantendo, ao mesmo tempo, autonomia operacional.

Esse status duplo permite que eles permaneçam inseridos na estrutura de segurança do Iraque enquanto realizam ataques contra alvos dos EUA e da coalizão.

Somente nas últimas 72 horas, esses grupos reivindicaram cerca de sessenta ataques com drones em território iraquiano — 38 no Curdistão iraquiano e 22 em Bagdá, incluindo áreas ao redor da embaixada dos EUA e instalações próximas ao aeroporto internacional da capital. Grupos de monitoramento afirmam que quase 200 ataques com drones e mísseis atingiram o Curdistão iraquiano desde o início da guerra regional, ressaltando como o Iraque já está se tornando um de seus principais teatros secundários. A conclusão: o ataque à base italiana ilustra a rapidez com que o conflito envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos está se espalhando para o ambiente regional mais amplo. Mesmo que a OTAN não seja uma participante direta da guerra, a rede de bases ocidentais, missões de treinamento e centros logísticos que se estende do Mediterrâneo Oriental ao Iraque significa que o perímetro estratégico da aliança está cada vez mais exposto aos efeitos do conflito.

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