Na manhã de terça-feira, ocorreu um intenso confronto envolvendo tropas ruandesas, as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique e membros da milícia étnica conhecida como Força Local, que tentam desalojar insurgentes apoiados pelo Estado Islâmico de aldeias ao longo da Rodovia Nacional nº 380 (N380), onde um ataque foi realizado no domingo contra um comboio de veículos sob escolta militar.
Segundo fontes locais, os confrontos estão ocorrendo entre as aldeias de Nova Zambézia e V Congresso, no distrito de Macomia. As forças governamentais buscam retomar o controle da área e reabrir a estrada ao tráfego. A via está fechada desde domingo, após o ataque ao comboio escoltado. Uma fonte militar na cidade de Macomia afirmou que os confrontos de terça-feira deixaram vários mortos e feridos em ambos os lados. Entre os mortos, estariam pelo menos três membros das Forças de Defesa de Ruanda, segundo a mesma fonte.
A mobilização das forças conjuntas ocorreu após o ataque de 22 de fevereiro, que interrompeu o tráfego no trecho Macomia-Oasse da rodovia. "Alguns dos veículos que faziam parte do comboio permanecem parados no meio do percurso, alguns com pneus furados", disse a mesma fonte militar. Desde o ataque de domingo, confrontos regulares têm sido relatados na área. No entanto, os combates de terça-feira foram descritos como "mais intensos do que os registrados no domingo e na segunda-feira". Uma fonte do Centro de Saúde de Macomia informou ao MOZTIMES na tarde de terça-feira que a unidade recebeu vários feridos dos combates na área do V Congresso, mas não confirmou a chegada de corpos de soldados mortos. A fonte acrescentou que as tropas ruandesas possuem clínicas próprias para o tratamento de seus feridos. “Temos informações de que soldados ruandeses perderam a vida hoje em confrontos, e no hospital, eu mesma vi um membro da UIR (a polícia de choque moçambicana) recebendo tratamento. Ele tem uma bala alojada no corpo que não pôde ser removida e será transferido para Pemba”, disse uma enfermeira que trabalha no Centro de Saúde de Macomia.
Uma fonte militar que fazia parte da escolta do comboio atacado no domingo disse ao MOZTIMES que, após a emboscada, houve uma intensa troca de tiros entre insurgentes e forças ruandesas durante várias horas, enquanto os passageiros abandonaram os veículos e passaram a noite no chão. Segundo relatos, várias pessoas, tanto civis quanto militares, foram resgatadas pelas forças de defesa e transportadas para o hospital rural na cidade de Mueda, que abriga o Comando do Teatro de Operações do Norte. Enquanto aguardavam a chegada de reforços militares, os insurgentes saquearam as mercadorias transportadas nos caminhões atacados. “Entre os veículos, havia dois caminhões com a inscrição 'Mangas', pertencentes ao empresário Issa Neru, de Mocímboa da Praia. Outro caminhão pertence ao empresário Mussa Daima, de Nangade. Todos foram completamente saqueados”, disse uma fonte militar. Segundo fontes militares, a área do V Congresso abriga uma célula insurgente ativa que cobra taxas ilegais de motoristas que utilizam a N380 para financiar suas atividades. Quando veículos trafegam sob escolta militar, são atacados por insurgentes com o objetivo de saquear bens. O último grande ataque foi registrado em dezembro, na mesma região. A última vez que insurgentes atacaram veículos ao longo da N380 foi em dezembro do ano passado, o que levou à suspensão do tráfego rodoviário por vários dias. Entretanto, os insurgentes têm intensificado as suas atividades no bairro de Mocímboa da Praia.
Na manhã de sábado (21 de fevereiro), houve troca de tiros entre um grupo de insurgentes e forças governamentais na vila costeira de Ulo, ao sul da cidade de Mocímboa da Praia. Segundo fontes locais, os insurgentes entraram na vila na noite de sexta-feira para obrigar os moradores a vender-lhes comida. No dia 19 de fevereiro, insurgentes foram avistados perto da vila de Mocímboa da Praia, no bairro de Nambubussi. Naquela mesma noite, compraram arroz, mas, no caminho de volta para seus esconderijos, o barco em que viajavam encalhou na zona de Livula. Pescadores locais foram sequestrados e obrigados a ajudar a puxar a embarcação para águas navegáveis. Na manhã seguinte, muitos dos pescadores ainda não haviam retornado. Anteriormente, em 13 de fevereiro, outro grupo de insurgentes realizou uma incursão na vila de Maculo, ao norte da cidade de Mocímboa da Praia. Segundo fontes locais, os insurgentes entraram na vila costeira à noite sem cometer atos de extrema violência. “Eles chegaram de barco e obrigaram os comerciantes locais a vender-lhes mantimentos. Enquanto alguns faziam compras forçadas, outros saqueavam alimentos de outras casas na mesma aldeia”, disse uma fonte local. Na mesma noite, o mesmo grupo tentou, sem sucesso, atravessar a ilha de Quifuque. Devido à presença das forças de defesa e segurança na ilha, a missão foi abortada.





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