Militantes islâmicos demonstram “coordenação sem precedentes” em ataques em Burkina Faso


Militantes islâmicos mataram dezenas de soldados e civis e invadiram um destacamento do exército na última semana em ataques coordenados em várias regiões de Burkina Faso, de acordo com relatórios internos de duas missões diplomáticas analisados ​​pela Reuters. 
As operações do Jama’at Nusrat Al-Islam wal-Muslimin, grupo ligado à Al-Qaeda, mostram que o JNIM está cada vez mais apto a se mobilizar em grandes extensões de território simultaneamente, afirmam os relatórios, que descrevem uma lista de locais e áreas que foram atacadas. Os governantes militares de Burkina Faso tomaram o poder em um golpe de Estado em 2022, prometendo melhorar a segurança. Mas os ataques de militantes aumentaram no país da África Ocidental, enquanto as forças estatais combatem uma insurgência que se espalhou pelo Sahel, vinda do Mali.


Os ataques ocorreram em várias cidades do norte e do leste, incluindo Bilanga, Titao, Tandjari e Nare, segundo relatórios diplomáticos. Um deles também descreveu um ataque na cidade de Fada N'Gourma, no leste, e mencionou outro na região de Ouahigouya, no norte. "Esses ataques, que foram quase simultâneos e se espalharam por várias províncias, demonstram uma coordenação sem precedentes entre os militantes e a incapacidade da junta de conter os ataques", disse um dos relatórios internos, que estimou o número de mortos em mais de 180. O outro relatório não apresentou um número exato de mortos, mas afirmou que os incidentes pareciam coordenados e envolviam várias centenas de militantes a serviço do JNIM e possivelmente afiliados ao Daesh. As operações visaram destacamentos militares, comboios civis e áreas de mercado, segundo o relatório. 
O JNIM afirmou ter matado dezenas de soldados do exército de Burkina Faso em ataques na última semana, informou o SITE Intelligence Group, com sede nos EUA, na segunda-feira. As autoridades de Burkina Faso não responderam a um pedido de comentário sobre os ataques ou os relatórios de vítimas.

GANENSES FERIDOS RETORNAM PARA CASA


Na cidade de Titao, no norte do país, militantes atacaram uma base militar e incendiaram um mercado, segundo relatos internos. Quase 80 soldados e membros de milícias pró-governo foram mortos, de acordo com um dos relatos. Outro relatório afirma que cerca de 10 civis foram mortos no local. Entre os civis mortos estavam oito comerciantes de tomate, informou o Ministério das Relações Exteriores de Gana na terça-feira. O SITE citou uma unidade de mídia do JNIM dizendo que os insurgentes haviam apreendido veículos militares, armas e outros pertences nos ataques. Mais de uma década de insurgências no Sahel deslocou milhões de pessoas e provocou um colapso econômico, com a violência avançando para o sul, em direção à costa da África Ocidental. O JNIM reivindicou quase 500 ataques em Burkina Faso em 2025 e quase 300 no Mali, disse a diretora do SITE, Rita Katz, em uma publicação no LinkedIn.

Nenhum comentário:

Postar um comentário