Forças de segurança foram enviadas à cidade cristã de Suqaylabiyah, no centro da Síria, durante o fim de semana, depois que jovens sunitas de uma área próxima foram ao local e iniciaram uma briga, segundo moradores e a mídia estatal.
Foi o segundo incidente de violência sectária na região este ano. O governo sírio, liderado por sunitas, estabeleceu como prioridade máxima a melhoria das relações com os EUA. Isso ajudou a poupar os cristãos da violência sofrida por outras minorias, principalmente drusos e alauítas, desde a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024.
A televisão estatal informou que o efetivo de segurança foi enviado após uma "briga entre jovens" em Suqaylabiyah, no sábado, "durante a qual ocorreu um ataque a uma loja". Forças de segurança também foram enviadas à cidade sunita de Qalaat Al Madiq, onde os homens moravam, situada 4 km ao norte.
A província de Hama descreveu a violência como resultado de uma "incitação sistemática entre os segmentos do povo sírio". A TV estatal afirmou que "a calma retornou a Suqaylabiyah após a briga ter sido contida e vários dos envolvidos terem sido presos". Não houve relatos imediatos de vítimas.
Vídeos nas redes sociais mostravam, supostamente, a cena da briga perto de uma praça em Suqaylabiyah, com um incêndio na rua e pelo menos um jovem segurando um porrete. Outras imagens mostravam um grupo de jovens tentando invadir uma loja. Uma foto mostrava agentes de segurança usando coletes à prova de balas e portando armas automáticas, posicionados diante de um caminhão do Ministério do Interior na cidade.
Suqaylabiyah, localizada na planície de Ghab, em Hama, tem cerca de 16.000 habitantes, em sua maioria cristãos greco-ortodoxos. A população diminuiu em relação aos 20.000 habitantes registrados em dezembro de 2024. Muitos partidários do regime na cidade fugiram após a queda de al-Assad. Esse regime, dominado por membros da seita alauíta, buscou construir uma chamada "aliança de minorias", especialmente durante a guerra civil de 2011-2024.
Durante a guerra, o regime recrutou alguns cristãos de Suqaylabiyah para uma brigada local das Forças de Defesa Nacional, uma importante força auxiliar leal ao governo. A associação da cidade com a ordem anterior contribuiu para tensões entre Suqaylabiyah e as áreas vizinhas — de maioria sunita — após dezembro de 2024.
Quando a guerra civil síria começou, em 2011, a Síria abrigava cerca de 850 mil cristãos, o que representava aproximadamente 4,5% da população. Eles se dividem principalmente entre as igrejas Ortodoxa Grega, Ortodoxa Siríaca e Católica (incluindo as vertentes greco-melquita, maronita, caldeia e armênia).
O novo governo sírio tem enfrentado uma série de desafios para estabelecer seu controle sobre o país multiétnico. Tensões com as minorias curda, alauíta e drusa, por vezes, escalaram para episódios de violência aberta.
A Síria também busca conter a influência do Hezbollah libanês e o contrabando através da fronteira compartilhada. Na semana passada, o exército do Líbano informou ter apreendido quase 250 kg de explosivos que estavam sendo contrabandeados da Síria.
Em meio à alta tensão, a Reuters noticiou na semana passada que a Síria e o Hezbollah haviam realizado uma reunião secreta na Turquia, numa tentativa de acalmar a situação. Tanto a Turquia quanto a Síria negaram a realização do encontro.



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