China está desenvolvendo um tanque submarino capaz de operar debaixo d'água por duas horas (vídeo)

 Uma equipe de pesquisa chinesa propôs quatro tipos de equipamentos capazes de alternar rapidamente entre ambientes de combate — incluindo a operação em grandes profundidades por longos períodos —, antecipando o desenvolvimento do combate multidomínio nas próximas décadas.


Segundo os cientistas, esses equipamentos "heterogêneos" foram projetados para superar os veículos blindados convencionais, permitindo a reconfiguração rápida de módulos físicos e funções em questão de segundos para missões em terra, água, ar e no espectro eletromagnético.

Os pesquisadores afirmaram que seus projetos avançaram para a fase de aplicação de engenharia e "validação orientada para o combate", após protótipos e testes de campo comprovarem sua viabilidade.

Um artigo elaborado por pesquisadores do Inner Mongolia First Machinery Group — empresa envolvida no desenvolvimento de tanques e veículos blindados da China — e do Instituto de Tecnologia de Pequim foi publicado em 6 de agosto na *Acta Armamentarii*, uma revista científica chinesa com revisão por pares.

O estudo insere o conceito no contexto do desenvolvimento projetado de veículos blindados para o período entre 2030 e 2050, quando se espera que as operações militares exijam uma coordenação mais estreita entre plataformas e sistemas em múltiplos domínios.



A pesquisa reflete uma visão mais ampla da guerra blindada do futuro, na qual os veículos poderão se adaptar mais rapidamente a ameaças em constante mudança e coordenar ações com sistemas como drones.


Os autores argumentam que veículos blindados convencionais, cujas capacidades estão vinculadas a módulos físicos fixos, podem levar mais de 45 segundos para transitar da fase de reconhecimento para a de ataque a um alvo.

Eles também apontaram que a eficácia dos veículos convencionais na interceptação de múltiplos alvos poderia cair de 89% para 38,6% durante um ataque de drones com duração de 10 segundos.

Para veículos baseados nessa nova abordagem, os pesquisadores estabeleceram a meta de reduzir o ciclo de decisão OODA (observar, orientar, decidir e agir) para 9 segundos — uma melhoria de cinco vezes em relação ao desempenho atual.

O projeto também visava manter as flutuações na energia fornecida a cargas úteis de alta potência dentro de uma margem de mais ou menos 3%, permitindo, ao mesmo tempo, que diferentes configurações de veículos fossem adaptadas a missões específicas. Nos testes, a equipe registrou um tempo médio de conexão dos módulos de 8,7 segundos e uma taxa de sucesso de 98,3% em 1.000 tentativas realizadas sob temperaturas variando de 50°C a -20°C (122°F a -4°F), em condições de forte interferência eletromagnética e em terreno lamacento.


Entre as capacidades, os pesquisadores propuseram um módulo aquático dedicado, capaz de operar submerso a até 50 metros de profundidade por duas horas, com uma transição entre ambientes operacionais projetada para levar apenas 12 minutos.

No entanto, os testes não avaliaram o desempenho subaquático, e o artigo não apresentou dados sobre velocidade ou autonomia debaixo d'água.

O conceito visa proporcionar maior flexibilidade às unidades blindadas em operações anfíbias, permitindo que o veículo se aproxime pela água antes de mudar para a configuração terrestre para operações em terra firme.

Os pesquisadores propuseram combinar manobras subaquáticas com a remoção de obstáculos auxiliada por drones, estimando que o sistema poderia eliminar 30 obstáculos por minuto e reduzir em 60% o tempo necessário para uma operação de desembarque.

Segundo o artigo, o módulo central terrestre poderia atingir velocidades de pelo menos 70 km/h em estradas e 40 km/h fora de estrada, com uma autonomia mínima de 600 km utilizando propulsão híbrida.

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