China aprimora suas operações militares em um país africano onde os EUA mantêm sua maior base militar, enquanto os Houthis estrangulam rotas marítimas vitais


 Djibuti, situado no Estreito de Bab el-Mandeb, é geralmente considerado um ponto de acesso estratégico ao Canal de Suez, uma das rotas de navegação mais movimentadas do mundo.

O local abriga um ponto de estrangulamento vital, com cerca de 32 quilômetros (20 milhas) de largura, por onde passa cerca de 16% do comércio marítimo global.


Como resultado, Djibuti atraiu algumas das maiores potências econômicas do mundo — incluindo Estados Unidos, China e Japão —, todas as quais estabeleceram bases militares no pequeno país do Leste Africano.

Um perfil do país elaborado pela BBC mostra que Djibuti abriga "a maior base militar dos EUA na África, a primeira base militar da China no exterior e a primeira base militar do Japão desde a Segunda Guerra Mundial".

Conforme publicado recentemente por um *think tank* dos EUA, espera-se que importantes melhorias na base militar chinesa aumentem substancialmente sua capacidade de monitorar atividades militares em todo o Oriente Médio e na África.


O relatório do *think tank* Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), sediado em Washington, revelou que as forças armadas da China instalaram novos equipamentos e dispositivos, com base em mudanças observadas em imagens de satélite.

"As forças armadas da China aprimoraram sua base em Djibuti, reforçando suas capacidades operacionais e de coleta de inteligência no Oriente Médio e na África.

Imagens de satélite comerciais mostram que o Exército de Libertação Popular (ELP) instalou novos equipamentos que fortalecerão suas capacidades de comunicação interna e, ao mesmo tempo, permitirão a coleta de inteligência de sinais (SIGINT)", diz o relatório.

Desde meados de 2024, a adição de duas instalações de comunicação na base do Exército de Libertação Popular (ELP) em Djibuti expandiu o alcance operacional da China muito além de suas fronteiras, aumentando sua capacidade de coletar inteligência de sinais (SIGINT) em toda a África e no Oriente Médio.

Motivação por trás das melhorias em Djibuti


O relatório indicou que os ataques Houthi a navios no Mar Vermelho, ocorridos desde o final de 2023, somados ao aumento das operações militares dos EUA e de Israel contra o Irã, elevaram a presença de forças americanas na região. Em julho de 2026, mais de 20 navios de guerra da Marinha dos EUA — incluindo dois grupos de ataque de porta-aviões — e centenas de aeronaves apoiavam operações nas imediações do Irã e do Estreito de Ormuz. Conforme noticiado recentemente, os avanços do movimento Houthi levaram grandes potências globais, como Arábia Saudita, China e Estados Unidos, a buscar medidas estratégicas para conter urgentemente as ações do grupo.

Em setembro, a Arábia Saudita interrompeu temporariamente o funcionamento de um oleoduto de 1.200 quilômetros, capaz de transportar até cinco milhões de barris de petróleo por dia, devido a um avanço territorial dos Houthis.

Na ocasião, o grupo teria tomado o Porto de Mocha — um porto iemenita estratégico próximo à África —, o que lhe conferiu maior influência sobre uma das rotas de navegação mais importantes do mundo.

Mocha fica a aproximadamente 80 quilômetros do Estreito de Bab el-Mandeb, que separa o Iêmen do Djibuti e da Eritreia, na costa oriental da África; essa via navegável estratégica, que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden, enfrenta atualmente uma grave crise.

As instalações aprimoradas da China no Djibuti poderiam desempenhar um papel fundamental na contenção desse problema.

Para Pequim, a base poderia se tornar uma ferramenta importante para a coleta de informações de inteligência, o monitoramento de forças estrangeiras e o apoio à sua crescente presença militar longe do território nacional.

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