Após o massacre na escola primária Sandy Hook em Newtown, Connecticut, em 2012, teóricos da conspiração extremistas alegaram falsamente que o massacre foi uma farsa do governo, orquestrada com "atores contratados" . O radialista Alex Jones amplificou essas mentiras no Infowars. As famílias das vítimas processaram Jones, obtendo grandes vitórias por difamação e trazendo a ameaça das redes de conspiração online à atenção do público
Cronologia da Conspiração
Dezembro de 2012: Em 14 de dezembro de 2012, um atirador matou a tiros 20 crianças e seis funcionários da Escola Primária Sandy Hook. Quase imediatamente, blogueiros obscuros da internet começaram a afirmar que a tragédia era um simulado falso.Ascensão de Alex Jones: O radialista de extrema-direita Alex Jones promoveu amplamente a teoria falsa de que o massacre foi completamente fabricado pelo governo dos EUA para implementar leis de controle de armas mais rigorosas
Assédio às famílias das vítimas: Influenciados por Jones e outros teóricos da conspiração, os seguidores começaram a assediar as famílias enlutadas. Os crentes perseguiam os pais, enviavam ameaças de morte e exigiam "provas" da existência das crianças assassinadas. Diversas famílias foram obrigadas a viver escondidas devido às constantes ameaças.
Processos por difamação em 2018: As famílias das vítimas reagiram entrando com uma série de processos por difamação contra Alex Jones e sua empresa controladora, a Free Speech Systems.
Veredictos de 2022: Durante vários julgamentos amplamente divulgados no Texas e em Connecticut, os tribunais consideraram Jones culpado por revelia, pois ele se recusou a cumprir os procedimentos de descoberta de provas. Os júris, por fim, ordenaram que Jones pagasse quase US$ 1,5 bilhão em indenizações às famílias.
Falência: Após as devastadoras penalidades legais, Jones e a Free Speech Systems entraram com pedido de falência sob o Capítulo 11.
Impacto e consequências online
As notícias falsas em torno do massacre de Sandy Hook evidenciaram os danos reais causados pela desinformação online. Elas desencadearam grandes debates sobre a responsabilidade de plataformas tecnológicas, como o YouTube, que permitiram que vídeos com teorias da conspiração sem fundamento fossem monetizados e disseminados livremente. Hoje, as consequências de Sandy Hook são frequentemente utilizadas como um estudo de caso fundamental para o ensino da literacia mediática, os perigos da desinformação e as consequências legais do assédio digital.
A máquina de desinformação criada em torno do massacre de Sandy Hook operava como um ecossistema altamente lucrativo, composto por ideólogos extremistas, "investigadores" obcecados, plataformas com algoritmos de engajamento e incentivos financeiros diretos.
1. Os Principais Atores e a "Divisão de Trabalho
"A rede funcionava por meio de uma engrenagem na qual figuras de "pesquisa" criavam as teorias e grandes canais de mídia as amplificavam:
Os Criadores do Conteúdo (Os "Pesquisadores"):
Figuras marginais da internet, como James Fetzer (um ex-professor universitário) e James Tracy, criaram as primeiras narrativas detalhadas. Eles publicaram livros e blogs alegando que a escola estava desativada e que o tiroteio foi uma farsa.
O Grande Amplificador (Alex Jones / Infowars):
Alex Jones usou seu império de mídia para tirar essas teorias do submundo da internet e levá-las a milhões de pessoas. Ele dava tempo de tela a esses teóricos, validava suas mentiras e as transformava em um espetáculo diário.
O Perseguidor de Campo (Wolfgang Halbig):
Um ex-oficial de segurança escolar da Flórida tornou-se a figura mais obsessiva da rede. Financiado indiretamente por doações e impulsionado pela Infowars, Halbig viajou várias vezes para Newtown. Ele protocolou dezenas de pedidos de informação falsos, assediou funcionários públicos e chegou a vazar o número de seguro social e dados privados de Leonard Pozner (pai de uma das crianças vítimas) na tentativa de "provar" que o pai usava uma identidade falsa.
2. O Modelo de Negócios da Mentira (Financiamento)
A rede de fake news não operava apenas por ideologia; ela era sustentada por lucro comercial massivo.
Tráfego e Vendas:
Durante os julgamentos, advogados provaram que os picos de tráfego no site Infowars ocorriam exatamente quando Jones exibia episódios afirmando que o ataque era falso.
Monetização de Suplementos:
Jones não dependia apenas de anúncios. O tráfego gerado pelas teorias conspiratórias direcionava a audiência para a sua loja virtual, onde ele vendia produtos de marca própria, como suplementos alimentares, vitaminas, filtros de água e equipamentos de sobrevivência. A mentira funcionava como a principal publicidade para o seu comércio
4. O Papel das Redes Sociais e Algoritmos
O ano do massacre (2012) coincidiu com o momento em que as redes sociais se massificaram.
Plataformas como YouTube, Facebook e Twitter utilizavam algoritmos configurados estritamente para reter a atenção do usuário.Como conteúdos bizarros, ultrajantes e conspiratórios geravam muito mais comentários, compartilhamentos e tempo de tela, os algoritmos recomendavam automaticamente vídeos do Infowars e de "atores de crise" para usuários comuns. Isso criou bolhas de radicalização onde a mentira se espalhava sem nenhum filtro de checagem de fatos.
5. Táticas Psicológicas de Desumanização
Para que a rede de seguidores agisse de forma violenta contra as famílias, a liderança da rede usava duas táticas principais:
"Crisis Actors" (Atores de Crise):
Argumentavam que os pais não eram pessoas reais que perderam filhos, mas sim atores contratados pelo governo de Barack Obama para comover a opinião pública e confiscar as armas dos cidadãos norte-americanos.
Análise de Linguagem Corporal Falsa:
Jones e seus produtores criavam vídeos analisando os rostos dos pais em entrevistas à TV (como Robbie Parker, pai de uma das vítimas). Eles alegavam que se um pai sorrisse por um breve segundo antes de chorar em uma coletiva de imprensa, isso era a "prova" de que ele estava encenandoajantes e conspiratórios geravam muito mais comentários, compartilhamentos e tempo de tela, os algoritmos recomendavam automaticamente vídeos do Infowars e de "atores de crise" para usuários comuns. Isso criou bolhas de radicalização onde a mentira se espalhava sem nenhum filtro de checagem de fatos.
5. Táticas Psicológicas de Desumanização
Para que a rede de seguidores agisse de forma violenta contra as famílias, a liderança da rede usava duas táticas principais:
"Crisis Actors" (Atores de Crise):
Argumentavam que os pais não eram pessoas reais que perderam filhos, mas sim atores contratados pelo governo de Barack Obama para comover a opinião pública e confiscar as armas dos cidadãos norte-americanos.
Análise de Linguagem Corporal Falsa:
Jones e seus produtores criavam vídeos analisando os rostos dos pais em entrevistas à TV (como Robbie Parker, pai de uma das vítimas). Eles alegavam que se um pai sorrisse por um breve segundo antes de chorar em uma coletiva de imprensa, isso era a "prova" de que ele estava encenando
Essa rede só começou a ser efetiv
Essa rede só começou a ser efetivamente desmantelada a partir de 2018, quando o esforço legal das famílias resultou na remoção de Alex Jones das principais plataformas de tecnologia (deplatforming) e, posteriormente, nas condenações bilionárias de 2022





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