Tropas de Burkina Faso mataram mais civis do que jihadistas nos últimos dois anos, revela relatório

 


Um relatório da Human Rights Watch (HRW) constatou que as tropas de Burkina Faso mataram pelo menos 1.255 civis, incluindo 193 crianças, entre janeiro de 2023 e abril de 2025.

O relatório da HRW afirma que os militares e os Voluntários para a Defesa da Pátria (VDP) cometeram graves abusos contra civis durante dezenas de operações.

Os abusos destacados incluem assassinatos ilegais e execuções sumárias; tortura e outros maus-tratos; pilhagem e incêndio de casas; e roubo de gado. "Esses abusos também resultaram no deslocamento de centenas de milhares de pessoas para outras partes do país e para países vizinhos", afirma o relatório.

Em alguns incidentes, tropas de Burkina Faso e membros do VDP teriam alvejado civis sob suspeita de colaboração com o JNIM ou como retaliação após ataques do JNIM. Em outros casos, tropas em comboios teriam atacado civis, aparentemente porque viviam em zonas controladas pelo JNIM. O JNIM (Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin), afiliado à Al-Qaeda, é o grupo armado mais ativo na região do Sahel. Durante o mesmo período, a HRW constatou que o JNIM matou pelo menos 582 civis, incluindo 15 crianças. O número de civis mortos pelos militares e pelos VDPs de Burkina Faso foi 73% maior do que o número de ataques do JNIM.

CONFLITO EM BURKINA FASO

O conflito em Burkina Faso começou em 2016, quando grupos armados afiliados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico entraram no país vindos do vizinho Mali. Desde então, os jihadistas desestabilizaram Burkina Faso, Mali e Níger — todos países governados por juntas militares — em sua busca para estabelecer um Estado islâmico na região do Sahel. Segundo a HRW, o JNIM está presente em pelo menos 11 das 13 regiões de Burkina Faso. Os sucessivos governos de Burkina Faso não conseguiram conter a propagação da insurgência, e os militares usaram esse fracasso como justificativa para tomar o poder e prolongar o retorno ao regime democrático civil. Os estados do Sahel também se afastaram dos aliados ocidentais tradicionais, especialmente da França, que era uma parceira anterior na luta contra os militantes islâmicos, e recorreram à Rússia em busca de assistência militar — mas houve pouco progresso no combate à insegurança.

Ibrahim Traoré, líder da junta militar de Burkina Faso, classificou repetidamente os relatos de aumento da violência em seu país como "propaganda", insistindo que seu governo está esmagando os jihadistas.

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