Mais de 850 mercenários estrangeiros apoiam as Forças de Apoio Rápido (RSF) do Sudão, dizem fontes militares

 


Mais de 850 estrangeiros estão lutando ao lado das Forças de Apoio Rápido (RSF) na guerra civil em curso no Sudão, de acordo com fontes militares, o que destaca uma crescente dependência de contratados privados internacionais e milícias regionais.

O influxo de especialistas estrangeiros ocorre após um relatório do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em janeiro, que alertava que o Sudão evoluiu de um campo de batalha doméstico para um "centro logístico" para grupos armados, ameaçando desestabilizar as regiões mais amplas do Sahel e da África Oriental.

Fontes militares disseram ao *Sudan Tribune* que o contingente estrangeiro está dividido entre mercenários profissionais de "primeira linha" — incluindo ex-soldados regulares e especialistas técnicos — e um grupo maior de combatentes tribais irregulares de países vizinhos que se juntam ao conflito por meio de redes tradicionais de mobilização conhecidas como al-Faza.

Os "Lobos do Deserto" e a experiência colombiana


Uma investigação sobre a estrutura de comando das RSF revela uma dependência específica de pessoal latino-americano para guerra de alta tecnologia. Um ex-assistente do comandante das Forças Terrestres do Sudão, falando sob condição de anonimato, disse que os contratados colombianos são encarregados principalmente de operar veículos aéreos não tripulados (VANTs), sistemas de artilharia avançados e gerenciar a logística de voos em aeródromos controlados pelas RSF.

Unidades de inteligência militar teriam interceptado comunicações de rádio em espanhol e português. Essas fontes identificaram um “Batalhão Colombiano”, apelidado localmente de “Lobos do Deserto”, composto em grande parte por ex-membros das forças de segurança da Colômbia.

O rastreamento de inteligência identificou anteriormente um ex-coronel do exército colombiano, José Santiago — conhecido pelo codinome “Tigre” — como chefe de um centro de controle de combate das RSF. Santiago teria gerenciado operações até o final do ano passado, antes de seu rastro esfriar na região de Darfur. A presidência colombiana confirmou em um comunicado oficial que pelo menos 40 de seus cidadãos foram mortos em 2025 durante ataques aéreos ao aeroporto de Nyala e outros locais estratégicos em Darfur.

Influência russa e ouro


O uso de especialistas estrangeiros pelas RSF é anterior ao conflito atual. Antes do início da guerra em abril de 2023, especialistas russos estavam infiltrados na infraestrutura das Forças de Apoio Rápido (RSF), particularmente no setor de mineração de ouro, onde operavam sob o disfarce de empresas civis.

O pessoal russo também fornecia suporte técnico para o aparato de comunicações e mídia das RSF, anteriormente sediado na “Torre das RSF”, perto do Comando Geral das Forças Armadas em Cartum. Fontes sugerem que contratados russos ainda podem estar gerenciando centros de controle de combate de alto nível nas regiões ocidentais. De acordo com relatórios de especialistas da ONU (S/2025/555), a movimentação desses combatentes depende de uma sofisticada rede de “trânsito”. Mercenários são frequentemente transportados de avião para Bosaso, na Somália, e depois para Benghazi, na Líbia, antes de serem levados através das fronteiras do Chade ou da Líbia para o Sudão.

Imagens de satélite do final de 2025 e início de 2026 detectaram um aumento repentino de voos de carga não identificados em pistas de pouso remotas em Darfur. Acredita-se que esses voos sejam a principal via de transporte tanto de pessoal quanto de armamento avançado, fornecidos por meio de intermediários regionais. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) observou, em 2026, que as fronteiras ocidentais porosas do Sudão se tornaram uma via de mão dupla para a instabilidade. Militantes do Chade, Níger e Mali agora usam o território controlado pelas Forças de Apoio Rápido (RSF) como um refúgio seguro para se reequiparem e recrutarem antes de retornarem aos conflitos em seus países de origem.

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