O exército congolês anunciou o lançamento de operações para caçar combatentes das Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR) no território da República Democrática do Congo. De acordo com relatos da mídia local, o anúncio foi feito na noite de domingo pelo General Ychaligonza Jacques, Vice-Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da RDC (FARDC).
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| Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda |
O desenvolvimento ocorre em meio a um renovado foco diplomático nas FDLR, com Ruanda colocando o grupo armado no centro das discussões sobre o conflito no leste da RDC no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Em discurso ao Conselho em 26 de março, o Representante Permanente de Ruanda na ONU, Embaixador Martin Ngoga, descreveu as FDLR como “uma força genocida fundada por remanescentes dos responsáveis pelo Genocídio de 1994 contra os Tutsi”, alertando que sua ideologia continua sendo uma ameaça à estabilidade regional. As FDLR, um grupo armado que se opõe ao governo de Ruanda e atua no leste da República Democrática do Congo, há muito tempo é acusado de alimentar a insegurança na região.
É composto, em grande parte, por elementos ligados aos perpetradores do Genocídio de 1994 contra os Tutsi. O grupo também é mencionado no acordo de paz de Washington, assinado em dezembro do ano passado entre o presidente Paul Kagame e seu homólogo congolês, Félix Tshisekedi. No início deste mês, os Estados Unidos receberam delegações de Kigali e Kinshasa para discutir a implementação do acordo, que permanece pendente. Segundo os entendimentos alcançados, Ruanda se comprometeu com um cronograma para cessar as operações militares e retirar as medidas defensivas de áreas designadas no leste do Congo, enquanto a RDC concordou em realizar operações reforçadas e com prazos definidos para desmantelar as FDLR e garantir a proteção dos civis. O general Ychaligonza foi citado pela mídia congolesa dizendo que a operação em andamento tem como objetivo obrigar os combatentes das FDLR a se renderem. “Para o bem ou para a força, eles devem depor as armas. Não queremos derramamento de sangue… eles devem se render para que possam ser repatriados para seu país, Ruanda”, disse ele.
Relatórios indicam que pelo menos três batalhões das FARDC foram preparados para realizar as operações, que, segundo ele, estão sendo monitoradas de perto, inclusive pela comunidade internacional. Na ONU, Ngoga argumentou que a falha em confrontar as FDLR e sua ideologia distorceu a compreensão internacional do conflito e prejudicou as perspectivas de uma paz duradoura. “O conflito no leste da RDC não foi criado por Ruanda”, disse ele, acrescentando que a principal preocupação de Ruanda continua sendo a presença das FDLR e o que ele descreveu como a disseminação de sua ideologia genocida. Ruanda criticou a missão de paz da ONU, MONUSCO, questionando sua eficácia e o equilíbrio de seus relatórios, dizendo que ela frequentemente minimiza o papel de certos grupos armados e atores. Apesar de ser uma das maiores e mais antigas missões da ONU, a MONUSCO tem enfrentado desafios persistentes no cumprimento de seu mandato, incluindo a neutralização de grupos armados como as FDLR. As Nações Unidas, Ruanda e alguns países ocidentais já acusaram o exército congolês de colaborar com as FDLR. Ruanda, por sua vez, forneceu em diversas ocasiões informações detalhadas de inteligência sobre as operações das FDLR. Enquanto isso, a ONU, países ocidentais e a RDC acusaram Ruanda de apoiar o grupo rebelde M23, que opera no leste do Congo – acusações que Ruanda rejeitou veementemente. Resta saber se o exército congolês – anteriormente acusado de colaborar com as FDLR – agirá efetivamente para neutralizar o grupo.




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