Rebeldes no Congo usam contêineres para manter jornalistas em condições brutais, diz grupo de defesa dos direitos humanos

 


Um grupo rebelde no leste do Congo deteve civis, incluindo dois jornalistas, em contêineres de metal sem luz ou ventilação, disse um grupo de defesa dos direitos humanos na terça-feira.

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirmou que o M23, apoiado por Ruanda e que controla partes do leste do Congo, usou os contêineres na cidade de Goma como celas improvisadas de detenção em condições “desumanas” e “degradantes”.


Com base em relatos de testemunhas, imagens de satélite e fotos coletadas em 2025, a RSF disse que pelo menos dois jornalistas estavam entre os detidos nos contêineres, que foram instalados no complexo da assembleia legislativa da província de Goma. As identidades das testemunhas foram mantidas em sigilo por motivos de segurança. 
Até 80 detidos por vez eram colocados dentro de um contêiner, sem luz ou ventilação, e só podiam sair uma vez por dia. Testemunhas disseram que recebiam comida mínima, enquanto algumas relataram espancamentos rotineiros. De acordo com os depoimentos, as condições eram extremas — calor sufocante durante o dia e frio à noite — com relatos de mortes. Os sobreviventes eram frequentemente mantidos em cativeiro por semanas antes de serem transferidos para outros locais.

O M23 não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Associated Press.


A tomada de Goma pelos rebeldes no ano passado piorou as condições para os jornalistas que atuam no leste do Congo, onde as ameaças e os ataques já eram generalizados. A organização Repórteres Sem Fronteiras afirmou que o M23 intensificou o controle sobre a cobertura da mídia, inclusive impondo restrições à linguagem usada para descrever sua presença.

O leste do Congo, rico em minerais, tem sido assolado por décadas de conflitos, enquanto as forças governamentais lutam contra mais de 100 grupos armados, sendo o mais poderoso o grupo rebelde M23, apoiado por Ruanda. O grupo fez um avanço sem precedentes na região no início do ano passado, tomando cidades importantes e expandindo rapidamente sua presença.

O conflito, que persiste apesar de uma trégua mediada pelos Estados Unidos e pelo Catar, desencadeou uma enorme crise humanitária, com pelo menos 7 milhões de pessoas deslocadas.

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