O Sahel será responsável por quase metade de todas as mortes relacionadas ao terrorismo em 2025, com mais de 2.000 fatalidades


 O Sahel, o "epicentro" do terrorismo, será responsável por quase metade de todas as mortes relacionadas a essa violência em todo o mundo em 2025, pelo terceiro ano consecutivo, de acordo com o mais recente Índice Global de Terrorismo, publicado na quinta-feira, 19 de março. O índice, desenvolvido pelo ''think tank' australiano Instituto para Economia e Paz, classifica 163 países há 13 anos com base no impacto do terrorismo. Seus indicadores incluem o número de ataques, mortes, feridos e reféns. Ele define terrorismo como "a ameaça ou o uso de violência sistemática por atores não estatais, agindo a serviço ou contra a autoridade constituída, com a intenção de transmitir uma mensagem política, religiosa ou ideológica a um grupo maior do que as vítimas, instigando o medo e alterando (ou tentando alterar) o comportamento do grupo maior." Em 2024, mais da metade das 7.555 mortes por terrorismo em todo o mundo foram registradas no Sahel, segundo este índice. A tendência é semelhante em 2025: das 5.582 mortes em todo o mundo, quase metade foi registrada no Sahel, embora o número total de vítimas tenha diminuído, aponta o think tank. Essas mortes "aumentaram quase dez vezes desde 2019" no Sahel, enquanto em 2007 a região representava apenas 1% das mortes globais relacionadas ao terrorismo. "Na última década, o epicentro do terrorismo deslocou-se do Oriente Médio e Norte da África para a África Subsaariana e, mais especificamente, para o Sahel", afirma o relatório.


Burkina Faso, depois de ser o país mais afetado do mundo por dois anos consecutivos, foi ultrapassado em 2025 pelo Paquistão, que agora é o país mais afetado globalmente. "As mortes relacionadas ao terrorismo no Paquistão atingiram seu nível mais alto desde 2013, com o país registrando 1.139 mortes e 1.045 incidentes terroristas em 2025", enfatiza o Índice. 
"Isso ocorre após um forte ressurgimento da atividade terrorista, em parte devido ao retorno do Talibã ao poder no Afeganistão em 2021", afirma o estudo. Ele também destaca a "violência" perpetrada pelo movimento Talibã paquistanês e pelo Exército de Libertação do Baluchistão (BLA), o grupo separatista militante mais ativo.


Burkina Faso agora ocupa o segundo lugar, embora seu número de mortes "tenha caído 45%, de 1.532 em 2024 para 846 em 2025", segundo o Índice. Essa diminuição se deve principalmente a uma queda acentuada nas mortes de civis, que diminuíram 84%, e não a qualquer melhora real na segurança, especifica o estudo. O Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM, ligado à Al-Qaeda), o principal grupo jihadista ativo em Burkina Faso, mudou notavelmente sua estratégia e agora tem como alvo os militares mais do que os civis em seus ataques. O Níger, que ocupava a quinta posição em 2024, tornou-se o terceiro país mais afetado pelo terrorismo em 2025, ultrapassando Mali e Síria, com 703 mortes, mais da metade das quais civis. A Nigéria também subiu para o quarto lugar, com 750 mortes projetadas para 2025, em comparação com 565 no ano anterior, representando um aumento de 46%. "Este é o maior número de mortes desde 2020", devido à "instabilidade interna e à guerra" entre os dois grupos jihadistas rivais, ISWAP e Boko Haram, explica o Índice.



O Mali caiu da quarta para a quinta posição, com 341 mortes projetadas para 2024, em comparação com 604. O Índice atribui a maioria dos ataques no Sahel ao Estado Islâmico e ao JNIM. O relatório também destaca a expansão desses grupos jihadistas para os países costeiros da África Ocidental, ilustrada em particular pela posição do Benim, atualmente em 19º lugar (26º em 2024).

Outras organizações, como a ACLED, que monitora as vítimas de conflitos em todo o mundo, relatam números de mortes mais elevados devido ao jihadismo no Sahel.

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