Ministro israelense volta a pedir o assassinato do presidente sírio Ahmad al-Sharaa

 


Itamar Ben-Gvir voltou a pedir o assassinato do presidente sírio Ahmad al-Sharaa. O ministro israelense de extrema-direita, ainda em exercício no Ministério da Segurança Nacional em março de 2026, retomou assim uma linha já assumida publicamente em julho de 2025, quando afirmou que Israel deveria "eliminar" o líder sírio e "cortar a cabeça da serpente". Desta vez, a retomada desse discurso ocorre em um contexto muito mais preocupante, enquanto a Síria pós-Assad ainda tenta se estabilizar, as tensões regionais permanecem elevadas e a segurança pessoal de al-Sharaa já está sob grave alerta. O fato principal não requer eufemismos. Ben-Gvir não está falando aqui de pressão diplomática, ataques dissuasivos ou isolamento político. Ele pede que o chefe de Estado sírio seja morto. A formulação é ainda mais grave por vir de um ministro em exercício, que fala do centro do governo israelense e não da ala militante. Essa mudança não é apenas verbal. Isso coloca a ideia da eliminação física de um presidente vizinho no campo do debate público israelense, num momento em que Damasco tenta reconstruir um mínimo de credibilidade institucional após a queda de Bashar al-Assad. O apelo ao assassinato pressupõe que as declarações anteriores de Ben-Gvir sejam inequívocas. Em julho de 2025, o Times of Israel noticiou que o ministro afirmou que Israel deveria "eliminar" Ahmad al-Sharaa, enquanto o JNS (Jornal de Segurança Nacional) foi ainda mais direto ao incitar o líder sírio a "matá-lo". 


O mesmo artigo do JNS cita Ben-Gvir dizendo: "Precisamos fazer mais uma coisa: Eliminar al-Julani. Livrar-nos dele. Ele é um jihadista. Por que estamos matando-o?". Em outras palavras, a ideia de matar o presidente sírio não é uma interpretação hostil nem um exagero de seus oponentes. É uma formulação do próprio Ben-Gvir. A expressão "cabeça de serpente" também não é uma anomalia. No léxico político e de segurança israelense, essa imagem se refere a uma lógica de decapitação estratégica: não se trata apenas de conter uma ameaça, mas sim de pretender destruí-la atingindo seu núcleo. Aplicada a Ahmad al-Sharaa, significa que Ben-Gvir não considera a Síria atual como um Estado vizinho instável com o qual se possa gerir relações de poder, mas sim como um corpo político cuja liderança deve ser removida. Essa retórica fortalece ainda mais uma relação israelo-síria já envenenada por ataques, tensões fronteiriças e a questão das minorias sírias.

Essa repetição do mesmo discurso dá, acima de tudo, uma clara indicação política: não se trata mais de um deslize. Repetir é um sistema. Ben-Gvir retorna à mesma ideia, com a mesma imaginação, contra o mesmo homem. O inimigo, em sua grade de leitura, não é um aparato de segurança específico, um grupo armado ou uma milícia local, mas o próprio presidente sírio. Ao mirar no chefe de Estado, ele impulsiona o debate para um limiar onde a eliminação seletiva deixa de ser uma ferramenta excepcional e se torna um horizonte legítimo.


Tratar este episódio como um simples abuso pessoal seria enganoso. Ben-Gvir não é um agitador externo. No final de março de 2026, a Anadolu o apresentou como Ministro da Segurança Nacional de Israel. Seu partido, Otzma Yehudit, continua a ocupar uma posição estruturante na coalizão de Benjamin Netanyahu. Suas declarações, portanto, têm um contexto político: vêm de um líder que tem peso real na definição do clima de segurança e ideológico em Israel. Seu recente ativismo em relação à pena de morte também demonstra o quanto sua linha política permanece baseada na radicalização punitiva. O Jerusalem Post escreveu em 24 de março de 2026 que Ben-Gvir ainda estava defendendo seu projeto de lei de pena capital para palestinos condenados por terrorismo. O Guardian descreveu essa proposta como um novo passo no endurecimento promovido pela extrema direita israelense. Essa continuidade é importante: um ministro que defende a pena de morte internamente e pede o assassinato de um presidente vizinho externamente segue a mesma lógica política, a da eliminação como ferramenta central de governo.

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