Um relatório do Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti (BINUH) indica que foram identificados pelo menos 26 grupos criminosos operando em Porto Príncipe e arredores. A maioria desses grupos estaria envolvida em tráfico e exploração infantil.
O Haiti enfrenta uma crise crescente de segurança, humanitária e de governança. Gangues armadas controlam grandes áreas da capital, Porto Príncipe, e arredores, forçando famílias a fugir e limitando seu acesso a escolas, saúde e serviços essenciais. De acordo com um relatório publicado nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, pelo Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti (BINUH), pelo menos 26 gangues, com nomes como 103 Zombies, Village-de-Dieu, Tokyo e Kraze Baryè, operam em Porto Príncipe e arredores. O relatório destaca que esses grupos criminosos controlam territórios, praticam extorsão violenta contra a população e visam as forças de segurança haitianas, já sobrecarregadas, para consolidar seu poder. Esses grupos armados, que atualmente operam no país, também se envolvem na exploração forçada de crianças. Sem dados abrangentes sobre o número de crianças afetadas, a ONU especifica que, até 2024, mais de 500 mil crianças viviam em áreas controladas por grupos armados, que agora estão presentes em 90% da capital, Porto Príncipe, bem como em diversas outras comunidades na região central do país.
Essas crianças “estão cada vez mais vulneráveis”, enfatiza o relatório. “Elas são atraídas pelo que percebem como uma sensação de poder, proteção ou status social que as gangues lhes oferecem, ou são recrutadas por meio de violência, ameaças, comida ou drogas.” “Destacando a inadequação das medidas de prevenção e das respostas dos atores nacionais e internacionais, o relatório também aponta que as autoridades policiais frequentemente consideram as crianças como perpetradoras de violência, em vez de vítimas. Em resposta a essa situação, a BINUH, em concordância com o Escritório do Alto Comissariado, recomenda a adoção de uma estratégia voltada para a expansão dos programas de proteção social, o fortalecimento do papel protetor das escolas, o desenvolvimento de espaços acolhedores para crianças fora do ambiente escolar e o aumento das oportunidades de formação e emprego para os jovens.”



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