Comandante de unidade brasileira na Ucrânia autorizou tortura que matou pernambucano, diz delator

 Braço direito de Leanderson Paulino desertou, fugiu da unidade e agora está sob proteção de autoridades da União Europeia

Daniel Reis

Uma nova testemunha que está sob proteção da polícia em um país da União Europeia revelou ao SBT News que o chefe de uma unidade brasileira na Ucrânia autorizou a sessão de tortura que provocou a morte do pernambucano Bruno Gabriel Leal da Silva e que liderava um esquema que inclui retenção de passaportes, apropriação de salários e até ocultação de corpos. 
Segundo ele, corpos de brasileiros eram deliberadamente abandonados nos campos de batalha para que o comando continuasse recebendo os salários. Esta acusação é confirmada por outras testemunhas ouvidas pelo SBT News. Agora, porém, a acusação parte de um dos homens mais influentes na Unidade Advanced, considerado um dos braços direitos e homem de confiança de Leanderson Paulino. Daniel Reis, de 29 anos, tornou-se um delator, já prestou depoimento a autoridades policiais e tornou-se uma das testemunhas mais importantes na investigação. Ele afirma que o comando da unidade deu sinal verde para o espancamento de Bruno.


Remasso
é um termo usado pelos brasileiros da unidade que significa uma punição coletiva, em que um grupo de 3 ou mais pessoas espanca uma única vítima como forma de punição. A prática é mostrada em um dos vídeos publicados na reportagem exibida no SBT Brasil, na última quarta-feira.  Daniel Reis afirmou que fugiu de um treinamento que fazia pela Unidade, na Espanha. Ele está agora sob proteção policial em um país da União Europeia. A localização dele não será revelada por questões de segurança.

"Inclusive, fizeram retenção do meu passaporte, dos meus documentos oficiais. Estavam com eles. Se alguém for lá no curso onde está o pessoal, vai achar meu passaporte. Está lá com eles. Pegaram meu passaporte justamente para eu não fugir. Em uma conversa, ele falou que quem tentasse fugir ele ia matar se conseguisse pegar essa pessoa. Reis tinha o cargo de soldado, mas foi informalmente promovido a sargento por Paulino. Ele diz que estava ao lado do comandante, na região de Zaporíjia, no dia da morte de Bruno e que foi o primeiro a receber uma mensagem de um dos brasileiros envolvidos que fizeram parte do "remasso".

Leanderson Paulino

"Eles não estavam tendo mais treinamento. Estavam tendo mais remasso (tortura), mais atos ilícitos do que, vamos dizer, treinamento básico que deveriam receber". Segundo Daniel, o comandante Leanderson Paulino não apenas participava, como também torturava pessoalmente as vítimas. "Pisão no pescoço, enforcamento, tapa na cara, murro na cara, chute na costela, que já aconteceu comigo".

A testemunha que já relatou os casos de tortura para autoridades da União Europeia revela ainda que o brasileiro Leanderson Paulino obrigava seus recrutas a doar 10% do salário para a Unidade.  "Esse valor não ia para a conta dele (Paulino) diretamente. Ia para outra conta, de outro componente que fazia parte da área financeira da Advance Company.


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