Colonizadores ilegais israelenses na Cisjordânia ocupada mataram a tiros um palestino-americano durante um ataque a uma aldeia, disseram o Ministério da Saúde palestino e uma testemunha nesta quinta-feira. Raed Abu Ali, morador da aldeia de Mukhmas, disse que um grupo de colonos chegou à comunidade na tarde de quarta-feira e tentou atacar um agricultor, o que provocou confrontos após a intervenção dos moradores. As forças israelenses chegaram em seguida e, durante a violência, colonos armados mataram Nasrallah Abu Siyam, de 19 anos, e feriram vários outros.
Abu Ali disse que o exército disparou gás lacrimogêneo, granadas de efeito moral e munição real. Os militares israelenses admitiram ter usado o que chamaram de "métodos de dispersão de distúrbios" após receberem relatos de palestinos atirando pedras, mas negaram que suas forças tenham disparado durante os confrontos. "Quando os colonos viram o exército, se sentiram encorajados e começaram a atirar com munição real", disse Abu Ali. Ele acrescentou que eles golpearam os feridos com paus depois que estes caíram no chão. O Ministério da Saúde palestino confirmou a morte de Abu Siyam, em decorrência de ferimentos graves sofridos na tarde de quarta-feira, perto da vila a leste de Ramallah.
O assassinato de Abu Siyam é o mais recente de uma onda de violência perpetrada por colonos extremistas na Cisjordânia, que matou 240 pessoas no ano passado, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários. Dezessete israelenses foram mortos no mesmo período. A Comissão de Resistência ao Muro e aos Assentamentos da Autoridade Palestina afirmou que Abu Siyam foi o primeiro palestino morto por colonos em 2026.
Mukhmas e seus arredores — a maior parte dos quais está sob administração civil e militar israelense — tornaram-se um foco de ataques de colonos, incluindo incêndios criminosos e agressões, bem como a construção de postos avançados que a lei israelense considera ilegais.
Os militares israelenses disseram na noite de quarta-feira que suspeitos não identificados atiraram contra palestinos, que foram posteriormente evacuados para tratamento médico. Não foi informado se algum deles foi preso.
A mãe de Abu Siyam disse à Associated Press que ele era cidadão americano, tornando-o o segundo palestino-americano morto por colonos israelenses em menos de um ano.
A Embaixada dos EUA não respondeu às perguntas na quinta-feira.
Palestinos e grupos de direitos humanos afirmam que as autoridades rotineiramente deixam de processar colonos ou responsabilizá-los pela violência. Sob o comando do Ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, as investigações sobre ataques de colonos despencaram, de acordo com o grupo israelense de direitos humanos Yesh Din.



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