Em entrevista ao canal colombiano Caracol TV, o comandante das Forças Armadas da Colômbia, General Hugo López, falou abertamente sobre a direção das operações militares mais controversas do país.
Apenas dois meses após assumir o cargo, López delineou sua visão da guerra contra grupos armados ilegais; uma guerra que, segundo ele, assumiu uma nova natureza: menos ideológica e mais ligada ao controle territorial e aos recursos ilícitos que sustentam a violência.
Em entrevista no último domingo, ele explicou que os bombardeios contra supostas bases de grupos armados ilegais continuarão, apesar da alegada presença de menores nelas, sempre aplicando o Direito Internacional Humanitário. Ele também reconheceu que a estrutura criminosa liderada pelo vulgo Iván Mordisco se tornou o principal alvo e que sua neutralização será o “grande prêmio” dos esforços das Forças Armadas durante seu mandato. Desde o início, o general enfatizou que “a guerra mudou”, ressaltando que a disputa agora tem mais a ver com receitas do narcotráfico, mineração e contrabando do que com uma luta ideológica pelo poder. Ele disse que o Estado não pode ceder à violência ou interromper as operações, mesmo que existam riscos e consequências complexas no terreno. A este respeito, López afirmou que não deixará o comando sem ter conseguido "eliminar" o vulgo Ivan Mordisco, cuja captura ou morte definiu como a maior recompensa do trabalho que realiza diariamente. Um dos momentos mais tensos de suas declarações focou na controvérsia sobre a presença de menores nos acampamentos de grupos armados ilegais. Questionado pelo jornalista, López foi categórico: reconheceu que em um bombardeio recente pelo menos um menor perdeu a vida, um fato que descreveu como "lamentável para o país e para a família".
No entanto — e em uma mudança política evidente e notável em relação ao que o governo do presidente Gustavo Petro havia sustentado até então — o chefe militar ressaltou que, da perspectiva das forças armadas, esses menores não são vítimas inocentes fora do confronto, mas sim parte dos combatentes que atuam ao lado de grupos ilegais, citando o Direito Internacional Humanitário para justificar a continuação das ações ofensivas, mesmo diante dessa presença trágica. “Os bombardeios não vão parar por causa disso”, afirmou López, insistindo que a missão constitucional das Forças Armadas é manter a pressão sobre as estruturas criminosas, sem recuar diante dos dilemas gerados pelo conflito. Sua resposta deixou claro que a doutrina operacional que ele promove prioriza a neutralização de alvos estratégicos em detrimento do medo de baixas colaterais, mesmo quando debates éticos e jurídicos internacionais exigem extrema cautela em contextos que envolvem populações vulneráveis. Durante a entrevista, López também se referiu a como grupos armados usam menores como escudos humanos e recrutas. Ele negou qualquer intenção deliberada de colocar crianças e adolescentes em risco, embora tenha afirmado que a presença deles em zonas de combate faz parte do fenômeno da violência vivenciado em regiões como Valle del Cauca, Cauca, Nariño, Guaviare e Amazonas, onde facções dissidentes operam sob a influência de Mordisco. “Hoje temos 12 mil homens lá dedicados a garantir a segurança”, esclareceu López, reiterando que o cumprimento da missão constitucional das Forças Armadas tem precedência sobre qualquer pressão política ou midiática que possa surgir em torno dessas ações. O General López não escondeu a importância estratégica que atribui à ofensiva contra os dissidentes das antigas FARC, particularmente o Estado-Maior Central liderado pelo vulgo Iván Mordisco. Segundo ele, sua estrutura tem sido alvo de operações desde 2025 e parte de 2026, com resultados que incluíram a neutralização de mais de 100 membros de seu principal grupo. Para López, isso representa um progresso significativo, mas ele afirmou que ainda há um longo caminho a percorrer para desmantelar completamente a rede criminosa sob seu comando. Em relação ao vulgo Calarca, outro líder notório ligado a uma facção dissidente diferente das extintas FARC, o comandante foi claro ao estabelecer prioridades: enquanto a captura de Calarca só seria possível se ele fosse pego em flagrante, visto que atualmente participa de processos de paz, a captura de Mordisco — disse ele — é um objetivo puramente militar. Ele se referiu a este último como o principal alvo das operações e concluiu com a frase que mais ressoou durante a entrevista: “Mordisco tem que ser o grande prêmio”, confirmando que a captura ou eliminação deste líder guerrilheiro marcaria o ápice dos esforços de inteligência e operacionais empregados sob seu comando. A declaração do Comandante Lopez marca, sem dúvida, um ponto de virada na narrativa militar oficial: ela não apenas reitera a determinação do Estado em usar a força para desmantelar grupos dissidentes, mas também revela uma ênfase em um sistema de valores no qual segurança e operação a eficácia institucional prevalece, mesmo que isso entre em conflito com as tensões inerentes ao Direito Internacional e com as preocupações humanitárias em torno do conflito armado na Colômbia.



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