Qual é o sistema antidrone ucraniano Sky Map que está sendo usado no Golfo?

 O sistema ucraniano, testado em combate, utiliza milhares de sensores acústicos e interceptores para localizar e destruir drones.

Drones unidirecionais baratos e produzidos em massa têm desempenhado um papel importante no conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã desde os primeiros ataques a Teerã, em 28 de fevereiro. Enquanto o Irã usa esses drones para atacar instalações de energia, bases aéreas e outros locais estratégicos no Golfo e em Israel, os EUA e Israel utilizam mísseis interceptores caros para defesa. Para combater a ameaça dos drones, os estados do Golfo e seus parceiros americanos recorreram à tecnologia antidrone de fabricação ucraniana, testada em combate contra ataques de drones russos.


No final de março, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy visitou a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar para oferecer conhecimento especializado em contra-drones, assinando acordos de defesa de 10 anos com os três países. Posteriormente, ele confirmou que as forças ucranianas participaram de operações ativas usando drones interceptores de fabricação nacional, abatendo drones Shahed iranianos em vários países do Golfo. De acordo com a agência de notícias Reuters, os militares dos EUA também implantaram o Sky Map, uma plataforma ucraniana de comando e controle usada para detectar drones que se aproximam, na Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, com oficiais ucranianos viajando para a base para treinar militares americanos no software. Nesta explicação visual, a Al Jazeera detalha como funcionam os sistemas antidrone da Ucrânia, que tipos de interceptores eles usam e contra que tipos de drones estão sendo implantados.



O Shahed-136 é um drone de ataque unidirecional iraniano que ganhou destaque global depois que a Rússia começou a usá-lo na Ucrânia em 2022. A aeronave triangular tem cerca de 3,5 metros (11,5 pés) de comprimento e 2,5 metros (8,2 pés) de envergadura. A chave para a eficácia desses drones está nos números. Cada drone custa entre US$ 20.000 e US$ 50.000 – em comparação com os mísseis interceptores Patriot dos EUA usados ​​para abatê-los, que custam cerca de US$ 4 milhões cada. Por utilizar um motor de pistão simples, semelhante ao de um cortador de grama, o drone é muito barulhento. Embora isso facilite sua audição, sua baixa altitude e pequena assinatura de radar dificultam que os sistemas automatizados tradicionais o localizem até que esteja muito próximo. Os drones são guiados por GPS e pré-programados com coordenadas para atingir alvos fixos, embora variantes mais recentes incorporem tecnologia anti-interferência depois que os adversários aprenderam a interromper sua navegação. A palavra "Shahed" é de origem árabe e significa "testemunha". Embora a palavra seja originalmente árabe, ela também está totalmente integrada ao idioma persa, o farsi, no qual carrega o mesmo significado. O gráfico abaixo mostra vários tipos de drones iranianos, incluindo suas munições, alcance e capacidade de carga útil.



O projeto é tão eficaz e replicável que várias forças armadas o adotaram, incluindo o Shahed original do Irã, o Geran-2 da Rússia e o LUCAS (Sistema de Ataque de Combate Não Tripulado de Baixo Custo) dos EUA, enquanto outros países desenvolveram munições de ataque de longo alcance semelhantes ao Shahed e drones de ataque menores inspirados nesse formato. Drones interceptores são projetados para perseguir e abater drones de ataque antes que eles consigam atingir seus alvos. Eles também são capazes de transportar uma ampla gama de cargas úteis e não se autodestroem, ao contrário dos drones de uso único. Os preços dos drones interceptores ucranianos variam de cerca de US$ 1.000 a US$ 3.000. Drones interceptores populares incluem:



O Sting: Este quadricóptero de fabricação ucraniana tem aproximadamente o tamanho de uma garrafa térmica grande ou, tipicamente, de 30 a 45 cm (12 a 18 polegadas) de comprimento. Ele pode atingir velocidades de até 342 quilômetros por hora (213 milhas por hora), tornando-o um dos interceptores mais rápidos. Ele pode voar a uma altitude de 3.000 metros (cerca de 10.000 pés) e utiliza câmeras de imagem térmica para atingir alvos com sua cabeça em forma de cúpula, que abriga o sistema de câmeras e a carga explosiva. Ele pode retornar à base se um alvo não for localizado.

P1-Sun: Similar em design ao Sting, é um interceptor impresso em 3D produzido pela empresa de armamentos Skyfall e pode voar a até 300 km/h (186 mph).

ODIN Win_Hit: Desenvolvido pela empresa de defesa ucraniana ODIN, este é outro drone em formato de bala construído para missões de curta duração e alta intensidade. Possui velocidade máxima de até 300 km/h (186 mph) e pode voar até 5 km (3,1 milhas) por 7 a 10 minutos de cada vez.

Octopus 100: Este interceptor de design ucraniano é capaz de voar a velocidades superiores a 300 km/h (186 mph) e tem uma altitude de até 4,5 km (2,8 milhas). É produzido em massa no Reino Unido.

Bagnet: Um drone interceptor de alta velocidade lançado em 2024 com velocidade máxima de 250 km/h (155 mph). O Bagnet é classificado como um interceptor UAV de resposta rápida e pode atingir drones em voo estacionário e alvos de reconhecimento.

Merops: Um drone interceptor desenvolvido nos EUA, guiado por IA e resistente a interferências de GPS, com um custo de desenvolvimento mais elevado, de cerca de US$ 15.000.

VB140 Flamingo: Capaz de operar a uma altitude de até 4,5 km (2,8 milhas) e em um alcance de até 50 km (31 milhas).



O Sky Map é a plataforma de software de comando e controle da Ucrânia, que pode identificar.  A Sky Fortress, empresa por trás do Sky Map, foi fundada em 2022 e é financiada pelas forças armadas da Ucrânia. Segundo a Reuters, a empresa instalou mais de 10.000 sensores acústicos em toda a Ucrânia para detectar ataques de drones. Esses sensores são essencialmente microfones de alta sensibilidade implantados em todo o país para captar as assinaturas sonoras distintas dos motores dos drones. O Sky Map integra sensores acústicos, radares e sistemas de inteligência artificial para detectar ameaças e orientar os sistemas de defesa aérea. Cada interceptor é operado por um piloto treinado, que acompanha em tempo real as imagens da câmera do drone em um monitor ou por meio de óculos de visão em primeira pessoa (FPV) próximos à área de combate. A tecnologia está se tornando cada vez mais autônoma, com sensores embarcados e sistemas de navegação inercial assistidos por IA que permitem aos drones realizar mudanças rápidas de direção em pleno ar, rastrear alvos em movimento e manter trajetórias de voo precisas mesmo com interferência de GPS. Segundo o Conselho de Defesa da Ucrânia, abater um míssil Shahed com um drone interceptor é mais de 25 vezes mais barato do que usar um míssil de defesa aérea de modelo ocidental. Analistas afirmam que os drones podem neutralizar uma variedade de ataques, mas não conseguem interceptar mísseis balísticos. No mês passado, o Pentágono anunciou um investimento de US$ 350 milhões em sua unidade antidrone, equipada com câmeras, sensores e interceptores, para dar suporte contra ataques de drones no conflito atual. Os sistemas de defesa aérea atualmente em uso pelos EUA têm dificuldades para eliminar rajadas de ataques unidirecionais de drones, já que estes são rápidos demais para esses sistemas e frequentemente conseguem escapar da detecção. Além disso, o custo das defesas aéreas costuma ser muito alto para justificar o investimento em relação à quantidade de drones que chegam ao país.

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