Paraguai cancela desfile militar em meio à crise nas operações contra a guerrilha do 'Exército do Povo Paraguaio (EPP)' especialmente pelo sequestro de um brasileiro

 

Almir Brum da Silva

Em uma decisão incomum, o ministro da Defesa Nacional do Paraguai, Óscar González, anunciou o cancelamento do tradicional desfile militar de celebração da “independência” do país. Segundo o Santiago Peña, a medida foi tomada a fim de priorizar as buscas por elementos capturados por guerrilheiros do Exército do Povo Paraguaio (EPP), especificamente Almir Brum da Silva, filho de um latifundiário brasileiro, retido em 21 de fevereiro de 2026. 
​A justificativa oficial, entretanto, foi questionada pelas próprias famílias dos sequestrados. Beatriz Denis, filha do ex-vice-presidente reacionário Óscar Denis, capturado há mais de cinco anos, reagiu em entrevista ao jornal ABC questionando se, “nos anos anteriores em que desfilaram, não se buscava os sequestrados”.


O ministro González, tentando sustentar sua justificativa, afirmou que o foco está em “operações de inteligência” e que a mobilização de 8.000 militares para um desfile seria uma interrupção das operações e buscas em andamento. Contudo, essa suposta “prioridade” expõe a crise das operações militares. Enquanto o governo gasta fortunas para a manutenção das operações do Comando de Operações de Defesa Interna (Codi), a guerrilha, que o velho Estado insiste em dizer que está “reduzida a poucos indivíduos”, continua pautando a agenda nacional e expondo a fragilidade de um exército treinado pelo país Estados Unidos (EUA), mas incapaz de lidar com o terreno e com as ações da guerrilha. 


Em Canindeyú, agentes da Polícia Nacional e da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), durante a “Operação Nova Aliança”, chegaram a disparar uns contra os outros por erro de identificação durante uma operação contra o EPP. Esse nível de despreparo evidencia que o aumento do efetivo do Codi, com destacamentos de elite e apoio aéreo na fronteira com o Mato Grosso do Sul, serve mais à propaganda e à intimidação de camponeses do que a qualquer eficácia militar real. 
Simultaneamente, a substituição de Carlos Casco no comando do Batalhão de Inteligência Militar (Bimi), em Arroyito, revela pugnas internas na caserna. A substituição ocorreu em meio a denúncias graves de que militares estariam sendo utilizados como mão de obra para trabalho doméstico em uma granja privada atribuída a Casco, em Arroyito. Embora o ministro Óscar González tenha se apressado em dizer que a investigação descartou tais fatos, ele admitiu que o comandante do Codi, general Gaona, exigiu a troca por “necessidade de mais recursos de inteligência” e preocupação com o sequestro de Almir De Brum, descortinando uma crise interna de confiança.


O sequestro de Almir De Brum Da Silva, ocorrido em 21 de fevereiro de 2026 em Curuguaty, é o estopim da atual ofensiva militar e da crise interna. O sequestro, que já dura mais de dois meses sem provas de vida ou pedidos de resgate, é o fardo que a Codi carrega, demonstrando que os milhões de dólares investidos em tecnologia  não compram o conhecimento do terreno que os guerrilheiros possuem.


No local do incidente, segundo a imprensa paraguaia, os guerrilheiros deixaram panfletos afirmando que o despejo de camponeses constitui uma “dívida de sangue com o povo”, cuja cobrança “não tem prazo”. Esse episódio serviu de pretexto para o governo assinar um decreto presidencial concedendo às forças de repressão “maior capacidade operacional”, o que, na prática, institui um estado de sítio velado em áreas de guerra camponesas.

Enquanto o ministro do Interior, Enrique Riera, classifica a região de Canindeyú como um “coquetel explosivo” e acusa camponeses de envolvimento com o narcotráfico, outros órgãos do governo afirmam que a guerrilha está reduzida a um punhado de combatentes, majoritariamente mulheres, colocando em contradição a necessidade de cancelar desfiles nacionais e mobilizar contingentes por terra e ar

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