As forças ugandesas e congolesas relataram o resgate de pelo menos 200 civis que estavam em cativeiro nas mãos de um grupo rebelde ligado ao Estado Islâmico (EI) no leste da República Democrática do Congo (RDC). Os cativos foram libertados na semana passada, após terem sido sequestrados pelas Forças Democráticas Aliadas (ADF), informou o exército de Uganda nesta segunda-feira.
O comunicado afirma que os libertados do acampamento às margens do rio Epulu, que era administrado pela antiga força rebelde ugandesa, estavam em péssimas condições de saúde. "Muitos [dos cativos] relataram condições severas em cativeiro, incluindo falta de comida, trabalho forçado e punição por desobediência", diz um comunicado militar. "Vários pareciam frágeis, sofrendo de doenças não tratadas, como malária, infecções respiratórias e exaustão física."
As ADF, também referidas por alguns especialistas e instituições como uma afiliada do Estado Islâmico na África Central, começaram originalmente em 1994 como um grupo rebelde em Uganda, cujo governo acusavam de perseguir muçulmanos. O grupo jurou lealdade ao Estado Islâmico há uma década. Vinte e cinco anos atrás, cruzou a fronteira para o leste da RDC após ofensivas do exército ugandense. Agora está baseado lá e intensificou os ataques ao longo da fronteira entre os dois países na última década ou mais. Dados das Nações Unidas sugerem que o grupo matou milhares de civis no leste da RDC, onde os militares o acusam de sequestrar um grande número de civis e forçar jovens mulheres prisioneiras a se casarem. As ADF revitalizaram suas atividades no ano passado, enquanto a RDC lutava contra vários outros grupos rebeldes no leste, sendo o mais proeminente o M23, apoiado por Ruanda.
Os ataques das ADF contra civis aumentaram nos últimos meses em partes de Ituri e da província vizinha de Kivu do Norte, apesar das operações militares conjuntas congolesas e ugandenses contra o grupo. No início deste mês, pelo menos 43 pessoas foram mortas em um ataque. O resgate dos reféns, anunciado na segunda-feira, fez parte de uma ofensiva contra posições das Forças Democráticas Alemãs (ADF) ao longo do rio Epulu. Os militares ugandenses afirmaram que vários combatentes das ADF foram mortos durante a operação e que diversas armas foram recuperadas. Os militares de Uganda também disseram que as operações conjuntas com a República Democrática do Congo (RDC) se intensificaram desde o início deste ano e que suas forças tomaram um importante acampamento das ADF em fevereiro. "A ofensiva contínua melhorou a segurança em partes do leste da RDC, permitindo que comunidades deslocadas retornassem para suas casas, que escolas reabrissem e que o comércio transfronteiriço entre Uganda e a RDC fosse retomado", acrescentou o comunicado militar.



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